Notas iniciais
Olá queridos leitores! Depois de tanto tempo quase dá vergonha de aparecer por aqui... Lamento o capítulo não ser de um tamanho desejável. Mas é preferível ir aparecendo com capítulos pequenos do que com nenhum, certo? De qualquer das formas vou tentar escrever um maior para a próxima (eu hoje tenho de fazer um trabalho para a faculdade, daí o pouco tempo para escrever). Antes de mais, quero realmente desculpar-me por estar tão sumida. Neste momento tenho cinco fanfics em andamento e é extremamente difícil actualizar... A faculdade literalmente me consome o tempo todo porque eu moro longe e preciso de fazer longas viagens e ando sempre exausta. O meu problema não é falta de criatividade ou interesse pelas fanfics, muito pelo contrário. Alguns me mandaram mensagens pensando que abandonei as histórias, e depois de tanto tempo é compreensível esse pensamento, mas não foi isso que aconteceu e por isso escrevo este capítulo para reafirmar isso. Em cada mês vou tentar actualizar uma fanfic diferente por isso de 5 em 5 meses devo estar a actualizar esta história. Sei que é muito, mas vou tentar dividir a atenção entre as histórias. Claro que se me sentir mais inspirada para uma fanfic em específico o mais certo é voltar-me para essa. Alguns pontos que quero destacar: ⁂ Eu raramente venho ao Spirit a não ser quando é para publicar um capítulo. Durante muito tempo, ontem foi a primeira vez que voltei. Vou evitar deixar que isso aconteça de novo. ⁂ Por causa disso, peço que quando querem me dizer algo em vez de mencionarem-me, peço que enviem mesmo mensagem. Eu não me importo de todo, podem perguntar-me coisas à vontade. Se quiserem por algum motivo conversar mais regularmente comigo podem mesmo adicionar-me no Facebook que eu respondo mais rápido (peço é que se identifiquem por mensagem no chat ao enviar o pedido que se não souber posso recusar). ⁂ Este é um capítulo excepcionalmente muito curto. Mesmo que os próximos não sejam longos como gostaria nunca serão tão curtos assim. Este foi mais para marcar a minha vivência por estes lados e para dar a reviravolta importante na história. ⁂ Não quero, nem pretendo abandonar nenhuma história minha. Posso demorar é certo, é extremamente chato concordo. Mas estou a dar o meu melhor e se por algum motivo não acabar nunca uma história é porque de facto me aconteceu algo, de resto, os meus planos são finalizar histórias e prosseguir a escrita com fanfics maioritariamente de Bleach. Sem mais delongas, espero que apreciem o capítulo!

A chuva não parava. Mergulhava incansavelmente sobre as ruas desertas, o ar nublado enfeitando o céu negrume. Porém, desta vez, a chuva não prevalecia no seu interior.

Estava realmente chovendo.

Ichigo observava as nuvens carregadas de água, pensativo. O que ele e Rukia eram, afinal? Ele conseguia sentir ainda o olhar dela cravado nas suas costas.

“— Somos namorados?”

Como raios iria responder àquilo? Parecia simples mas não era de todo uma resposta fácil. Nem ele sabia propriamente o que eram… Ou o que ele sentia a respeito dela. Suspirou alto, bagunçando os cabelos ruivos.

E como ele conseguia sentir-se aliviado apenas pelo facto de Rukia estar ao seu lado? Ele era um monstro, a sua amiga estava em cativeiro em Hueco Mundo e a morena estava sem memória por causa de uma experiência traumática. A culpa o deveria consumir, mas o olhar lilás sempre lhe dava forças, coragem e… felicidade. O que significava aquilo? Voltou a suspirar, irritado consigo mesmo.

— Ichigo. —Ele voltou-se ligeiramente ao escutar o seu nome. Rukia sempre o estivera observando enquanto mantinha-se perdido nos seus próprios pensamentos. — Eu já consigo… lembrar.

Piscou duas e três vezes, processando a informação. Ele a encarava como se ela tivesse ficado louca, ou se ele que fosse o louco. Ela recuperou as memórias? Estava em choque, ele queria ter um ataque de euforia mas apenas a encarava abismado. Rukia mordeu o lábio, desviando do seu olhar.

— Não lembro de tudo, apenas daquele hollow… O espada… —O corpo de Ichigo começou a tremer e Rukia ficou preocupada pelo olhar opaco do substituto após essas palavras. Ficou desesperada. — Ichigo?!

— Me perdoe Rukia, eu não fui capaz de a proteger… dele… Por causa disso… você perdeu a memória… — Amaldiçoou-se por sua voz ter saído embargada daquele jeito. Como poderia consola-la naquele estado!?

Sentiu vontade de chorar. Ele saber o que tinha acontecido era doloroso mas ela lembrar-se disso era… insuportável. De tanta coisa que ela poderia recuperar a memória… tinha de ser logo daquele desgraçado. Virou-se para a janela que sofria o impacto das pequenas gotas. Tremia compulsivamente. Estava irritado, desolado… sentia-se a mesma criança que fora protegida pela sua mãe e não conseguira fazer nada para a salvar.

Sentia-se a desmoronar, a chuva estava consumindo-o agora em seu mundo interior… até que dois braços o puxaram da água de seu mundo, evitando que ele se afogasse em seus próprios sentimentos obscuros.

Desviou o olhar para a sua cintura e encontrou um par de braços pequenos o abraçando. Um rubor aqueceu seu rosto e abriu a boca para dizer algo mas não saiu nenhum som.

— Agora eu compreendo porque ficava triste quando olhava para mim. —Ela comentou num tom calmo. Não entendia como ela estava tão tranquila assim, ela agora conseguia lembrar do pior momento da sua vida (ou morte) e ainda o estava consolando… não deveria ser o oposto? Porque era sempre Rukia que acabava por o salvar? — Não é o que está pensando… Ele não me fez isso… Era um jogo de ilusão… Ele não queria que salvassem a vossa amiga por minha culpa. Me perdoe, Ichigo… Foi por minha causa que...

Rukia foi interrompida pelo movimento brusco de Ichigo ao virar-se. Apertou os braços envolta de seu corpo, agachando-se colocou a cabeça entre o seu ombro e pescoço. Sentiu-se a ficar constrangida… Ichigo não era de demonstrar afecto.

— Primeiro, ela é a nossa amiga. Você irá lembrar disso. —Rukia sorriu, ela conseguia sentir a felicidade que emanava de Ichigo. — Vai lembrar de tudo, eu prometo. E segundo, nós vamos salvar a Inoue!

O Kurosaki sorriu largamente, genuinamente, desde o dia em que encontrara Rukia ensanguentada. Isso agora parecia uma memória distante, quase surreal. Rukia não fora vítima de um abuso, sofrera danos físicos que eram fáceis de curar… Não havia mais motivos para ter medo que ela recuperasse as memórias. E agora poderiam salvar Inoue.

Rukia no passado o treinou. Agora era a vez dele. Ele jamais iria para Hueco Mundo e deixaria a morena para trás, Inoue era amiga dos dois. Importante para ambos. E nunca deixaria a sua baixinha irritante de novo. Não sabia que sentimento era aquele, mas por agora isso não importava. Só sabia que não poderia pertencer a um mundo onde Rukia não existisse.

Ela perdera a memória, não as suas capacidades de combate. Ela estava bem fisicamente, portanto, ele iria ajudá-la a lembrar-se de como lutar. Ichigo a capacitaria como ela fez por ele quando precisou de salvar a sua família.

Eles iam salvar Inoue juntos, era essa a sua promessa.

Enquanto se fitavam, sorrindo e ainda abraçados, não repararam que a chuva evaporara e que o céu se iluminava num espectáculo de cores. Porém, isso não desiludia Ichigo.

Só havia uma cor que o salvaria sempre da sua chuva interna: o lilás.