— Passagem, por favor.

Hoje eu estou indo viajar no intercâmbio.

— Passagem, por favor moça.

—Ah desculpe, tome. — Entreguei a passagem à moça do balcão.

Estou no aeroporto indo para Tivah, eu acho que vai ser legal essa viagem. Conhecer gente nova, conhecer novos lugares, porque Fouks já conheço como a palma da minha mão. E, sim, moro em Folks, USA. Só que eu já visitei cada canto da minha cidade, então não tem mais graça.

— Moça você é menor de idade?

— Sou sim.

— Preciso nome, idade, cidade onde nasceu, nome do pai, da mãe e autorização.

— Nome Elizabeth Stwart, idade 16, cidade aqui mesmo Fouks, pai John Stwart, Mãe Jennifer Stwart e aqui está a autorização.

— Obrigada, pode passar.

Ai meu Deus é agora, vou para Tivah. Estou muito nervosa, mas coragem Lisa, você consegue.

~ll~

O avião já vai decolar, acho melhor descansar um pouco para poder acordar em Tivah cheia de energia.

~ll~

Quando abri os olhos, não reconheci onde estava, olhei em volta mas não encontrei ninguém conhecido. Onde estou? Porque estou aqui?

— Olá? alguém pode me ajudar? — Olhei para todos os lados e não achei ninguém.

De repente, um homem passou por mim, era alto, vestindo uma camisa preta e calça jeans escura. Parou na minha frente e me encarou. Tinha cabelos castanhos e bagunçado, seus olhos eram azul piscina e sua pele cor bronze.

— Oi, quem é você?

— Lisie... — falou o homem à minha frente.

— Sim? — falei gaguejando — Meu nome é Lisie. Desculpe, nos conhecemos?

— Não, não nos conhecemos.

O homem tinha voz grave, porém suave, acalmaria qualquer pessoa no mundo. Eu olhava em seus olhos e me perdia dentro deles. Tive que me concentrar muito para voltar à realidade. Toda vez que eu balançava a cabeça para focar no que estava pensando, o homem dava um meio sorriso, achando engraçado o efeito que me causava.

— Olha aqui, não estou gostando nada disso, então pode para de dar esse sorrisinho maroto, tá legal?!

Eu já estava ficando com raiva.

— Tudo bem Lisie, eu paro se você me prometer uma coisa.

— Eu nem conheço você, como posso prometer algo a alguém que nunca vi na vida?

— Ok, justo, então não parar de fazer isso. — Ele deu aquele sorriso, mas agora olhando pra mim, fixamente.

— Ok, eu me rendo! O que você quer?

— Eu preciso que você...

— Senhorita, acorde! — disse a aeromoça — O café da manhã será servido em breve.

Eu nunca vou saber o que ele queria, nem quem era. Fiquei aliviada por ser um sonho, mas um pouco curiosa também.

O café da manhã era uma tortinha com suco de laranja.

Comecei a comer, mas com a pressão do avião, fiquei enjoada, ainda bem que não coloquei tudo pra fora.

~ll~

Finalmente saí daquele avião.

— Nossa que formigamento nas pernas. — falei baixinho, me esticando

Estava pegando minhas malas, quando.

— Lisie?

— Quem está falan... Não acredito! — falei de boca aberta

— Não vai dar um abraço na sua melhor amiga?

Fui em sua direção e a abracei.

— Nossa, que surpresa Ju, o que faz por aqui?

Ju é minha amiga de infância, ela tem pele clara, olhos verdes e cabelo loiro, comprido até as costas.

— Estou estagiando no Jornal News e viemos fazer uma entrevista com uma pessoa importante. E você Lisie, porque você está aqui?

— Estou fazendo intercâmbio.

— Sério, que legal!

— Agora preciso pegar minhas malas e encontrar a família que irá ficar comigo. Tchau Ju, quem sabe a gente se encontra por aí?

— Espera Lisie — ela me entregou um papelzinho — Tome, vá a este local, hoje às 22:30. Espero você. Tchau.

E ela foi se afastando.

Haviam muitas pessoas no aeroporto de Tivah. Era grande e amplo, possuía enormes janelas de vidro, aviões decolando e pousando na pista a todo momento.

Fui pegar minhas malas e quando vi havia um homem alto de terno preto se aproximando de mim.

— Com licença, você é Elizabeth Stwart? — perguntou ele

— Sou sim, você é da família que irá me receber?

— Sim Srta. Stwart, sou o Sr. Ballis. Me acompanhe, por favor.

Eu o segui até um belo Corolla preto. Ele abriu gentilmente a porta para mim e colocou as malas no amplo porta-malas do carro.

A casa que eu iri ficar, era grande, com sacadas para a rua onde se via a cidade. Possuía um tom de bege lindo.

Ao abrir a porta saiu um pequeno cachorro, era um Husky Siberiano ainda filhote, e logo atrás dele, saiu uma senhora alta e magra, tinha cabelo curto e a pele morena com belos olhos castanhos.

— Srta. Stwart essa é a Sra. Dellis.

— Bom dia Sra Dellis — falei respeitosamente — Sou Elizabeth, mas pode me chamar de Lisie.

A mulher abriu um sorriso e disse: — Olá Lisie, venha, vou lhe mostrar a casa e seu quarto. — Fez sinal para entrarmos.

A casa parecia ainda maior por dentro. Ela mostrou meu quarto, que possuía uma cama de casal com vários travesseiros amarelos. O banheiro tinha um box e uma banheira em mármore. A pia, tinha um espelho circular bem grande, o piso com lajotinhas azuis muito bonitas. A janela estava entreaberta com as cortinas rosa claro, iluminando parcialmente o ambiente. A sacada possuia uma mesa com cadeira acolchoada.

Desfiz minhas malas e coloquei-as junto com minhas roupas no espaçoso closet. Tomei um banho rápido, penteei meus cabelos longos e castanhos. Passei hidratante em minha pele clara e vi meu reflexo no espelho, mostrando uma jovem moça de olhos azuis com enormes olheiras. Sou magra e alta, o que fez com que as olheiras se destacassem mais. Vesti minha calça jeans e uma camiseta com a bandeira dos USA.

Saí da casa e fui passear pelas redondezas para me ambientar melhor quanto ao que havia nas proximidades. Comprei uma camiseta preta de manga curta, uma caneca escrito "I love Tivah" e um tênis Nike cinza. Entrei em uma cafeteria para experimentar o café grego. Uma delícia! Ao sair pela porta me chamou a atenção um homem do outro lado da rua que se virava, olhando para todos os lados, como se procurasse desesperadamente por alguém. Quando ele me viu, parou e abriu um enorme sorriso. Eu fiquei paralisada. Nesse momento, ele foi embora.

O homem era ele! o cara maravilhoso e irritante do meu sonho no avião. Os mesmos olhos hipnotizadores, músculos fortes, o mesmo cabelo bagunçado, e aquele sorriso de amolecer as pernas.

— Lisie! te encontrei de novo garota! — Lisie? Oi? Tudo bem? O que aconteceu?

Ela bateu palmas na minha frente, o que fez com que eu saísse do transe que me encontrava. Sacudi várias vezes a cabeça, para retornar à realidade.

— Ju... — gaguejei — pois é... nos encontramos de novo, que coincidência! — Engraçado né? — forcei uma risada.

— Você está bem Lisie?

— Estou sim, Ju, só preciso ir, tipo agora. Tchau — e fui andando rapidamente, quase correndo, de volta para casa.