Notas iniciais
TODOS OS PERSONAGENS AQUI SÃO REAIS E PERMANECERAM SEUS NOMES. Carine, Daniela, Eu, Thamirys, Eddy Khaos, todos existimos e temos uma vida além daqui, parte do que vocês lerão é verdade, outra parte é ficção. Por isso informo que se você utilizar ou reciclagem os personagens sem a autorização dos mesmos infringe direitos à privacidade, o que é crime.

Eu a observei. Aquela cascata ruiva e cacheada estava esparramada sob a cama, e ela dormia com um rosto meio cansado, porém feliz. Eu estava sentada na minha janela, observando a tela do computador, com o cursor que piscava e piscava porém não saía palavra alguma.
Eu não tinha inspiração.

Então decidi escrever sob o meu contrato. O nosso contrato.


[Alguns meses antes]
Carine me olhou seriamente com aqueles olhos verde/amarelados.
– Sinto muito, Sarah, eu não posso escrever com você. Eu não suporto mais sequer olhar na sua cara.
Eddy continuou sério, porém Denny e Camila uma olhou para a outra com cara de negação.
– Certo. Tudo bem. — eu sorri
Carine saiu da sala levando todo o seu silêncio. Eu era louca por aquela mulher e a amava, ela era uma excelente escritora, uma excelente amiga e namorada. Vivemos algo intenso, porém, fidelidade não era muito o seu forte, e eu confesso que eu fui agressiva e a humilhei diversas vezes. Escrevíamos juntas, e ela tinha um senso crítico que me faltava, ou seja ela me completava nos meus devaneios e nosso trabalho juntas estava fazendo muito sucesso. Porém quando a baixinha saiu por aquela porta vi que meu mundo estaria prestes a desabar.
– Sarah, você tem alguns meses para apresentar um bom projeto. — Eddy sorriu, mas com um rosto triste e severo.
Eu sorri e deixei a sala logo em seguida.


Em poucas semanas, no corredor da faculdade, eu conheci uma musa. Que eu tampouco sabia seu nome, e tampouco sabia que ela me arrasaria. Daniela era intensa, a "Colo" como eu chamava. O cantinho dos olhos meio fechados, igual das colombianas, o cabelo liso, extremamente sensual e perigosa na mesma medida.

Escrevemos juntas e fizemos um excelente projeto, que foi lançado e gerou o sucesso necessário para a editora, porém acidentalmente, repito acidentalmente eu me encantei demais por ela. E quando acordei por mim mesma, todo aquele impacto me deixou abalada e Daniela quando partiu da minha vida me deixou despedaçada. Carine, minha ex noiva e depois a colombiana-arrassa-quarteirão, deixaram o meu ano aos pedaços.

Segurei a toalha ainda mais junto ao meu rosto, enquanto sentia as mãos doces de Thamirys me afagando os cabelos. Ela segurou meus braços de forma que eu me aninhasse ainda mais em seu colo, e permaneceu em silêncio que somente era quebrado pelo barulho dos meus soluços.
– Oh, céus, como eu sou chorona.
Ela riu.
– Faz parte. Tudo bem.
– Graças a Deus, tenho você.
– Sarah, você é maravilhosa.
– Não sou, Thamirys. Eu abro as pessoas, roubo suas musas, faço personagens com elas e depois tudo vai como em um tornado. Eu sou um monstro.
– Não é não. Vai ficar tudo bem.
Eu me contive e me sentei de maneira decente para abraçá-la. Ela era minha melhor amiga desde que eu havia chego ao Rio de Janeiro e se tornou fantástica, meu porto-seguro.

..........
E em um desses dias, tomando café com minha melhor amiga, Thamirys, percebi o quanto todos as qualidades que eu listei em uma mulher ideal estavam presentes nela. Eu via que ela amava todas as minhas obras, e sempre me dava forças.
Eu vi que eu precisava daquilo, precisava de Thamirys. O sorriso dela, as feições dela, a forma como eu a conhecia por completo. Quando eu estava com ela, uma nova Sarah se vestia e me fazia me sentir como uma nova criatura.
– Eu amo como você me transforma. — eu disse e beijei suas mãos
Ela se constrangeu de uma forma absurda, porém linda. Eu vi o sol batendo ainda mais forte em seus cabelos vinhos e em sua bochecha, e a fitei por longos segundos enquanto ela tomava café e desbloqueava a tela do celular, esperando uma mensagem no whastapp. Acidentalmente meu telefone tocou.
"Sarah eu nunca vi um trabalho seu com tanta paixão, está de parabéns. Você e Daniela colocaram sangue na obra!" — disse Eddy
– Obrigada.
"Eu posso te adiantar o seu primeiro cheque?"
– Depende. Lembrando... — ele me interrompeu
"Sim é meio a meio, eu sei. Os autores tem direito à 10% do preço de capa. no caso 5 para cada uma."
– Ah sim, que bom que lembrou.
"Vou depositar na sua conta.
– Qual o valor?
"Surpresa, só saberá na hora"
Eu ri. Thamirys sorriu para mim e então disse que teria que se levantar. Segurei seu braço imediatamente.
– Eu não consigo superar Daniela, exceto.
– Exceto quando...?
– Quando estou com você, Thamirys.
Ela corou novamente.
– E bem, Eddy acabou de me informar que o livro tem sido um sucesso e vamos estrear nossos primeiros honorários.
Ela me abraçou e beijei sua testa, igual fazíamos sempre. Combinamos de a noite jantarmos próximo à Icarái, em Niterói (que para quem não sabe é do outro lado da Baía, e temos que tomar um barco para chegar lá)
– Você lembra de 50 tons de cinza.
– Sim, meu favorito.
– Então, eu não li todo, porque E.L James é um vendido. Mas tem um contrato sob ambas as partes.
– Tá. Seja logo direta, Sarah.
– Eu quero fazer um acordo com você, Thamirys. Lembrando que eu sei que você não está à venda, e que você seria a última pessoa que eu ofereceria dinheiro.
– O que você quer, Sarah?
– Eu quero você, sob todas as condições, seu tempo, seu espaço, quero que venha pra cá. Você terá acesso à editora, e terá qual e quantos livros quiser, conhecerá autores com exclusividade, acesso à Bienais, lerá livros antes do lançamento, e uma ajuda de custo financeira.
– Sarah... Eu não sei.
– Não pelo dinheiro, mas pense que eu posso te ajudar a realizar qualquer sonho. Qualquer um, qualquer um.
– Que idéia mais louca!
– Tem algo que você queira muito?
– Sim. Eu passo pela mesma situação um pouco.
– Você nunca esqueceu Juan... — eu suspirei
– Não só isso. Passo por perturbações em casa.
– Talvez eu possa te ajudar. — eu pisquei. — Você é bem vinda a morar comigo.
Ela dessa vez não sorriu e terminamos o jantar em silêncio.

Nos afastamos por alguns dias, e dois dias depois ela me liga e marcamos de almoçar juntas. Expliquei tudo tranquilamente.
– Então, você quer somente que eu fique pela sua casa para lá e para cá e te faça companhia. E vai me pagar um terço de todos os seus lucros na editora.
– Certo.
– Okay, e algumas objeções?
– Por favor, que nada passe além dos limites de amizade. Sem apegos.
Ela sorriu. Eu beijei sua testa.
– Eu vou pensar nisso, Sarah.


Com um adiantamento de cem salários mínimos do meu contracheque, eu ordenei que separassem um quarto do meu apartamento apra ela. Mas o abençoado do pedreiro ao fazer uma perfuração para colocar um espelho chumbado na parede quebrou mais do que o necessário e isso atrasou muito a decoração.
Os dias se arrastaram e as obras do quarto dela ainda não saíam conforme o planejado, ele teria uma biblioteca particular e uma grande televisão com home theater. Nesse meio tempo, ela poderia dividir a minha cama comigo e a minha banheira, coisa que nem meus irmãos eu permito. Realmente ela era um pedaço de mim.
Poucas vezes eu dormi na cama com ela. De madrugada sempre brincávamos, e algo acabava em pequenas discussõezinhas e ela me colocava pra dormir na sala.
Pouco após a primeira festa de lançamento, saímos, e confesso que era divertido! Ela era fraca para bebidas. Conhecemos gente bonita, saímos, antes do lançamento de um dos maiores da editora, e eu não sabia se eu estava feliz porque estava começando a ficar famosa, ou porque ela estava deslumbrante. Apesar de baixa, ela tinha cabelos imensos, imensos mesmo, quase nas costelas, cacheados e ela tingia de cor vinho, que combinava com sua pele chocolate.
Ela não era gorda, mas era muito.... "carnuda" seria a palavra, para não dizer gochtosa como dizem och cariocach. Seios fartos, e bem firmes, e também tinha coxas, e lábios, tudo em proporções deliciosas. Eu percebi que pela primeira vez eu pensava algo assim da minha amiga. Seria o alcóol? Encostei o meu copo na bancada próxima de onde eu estava e a observei falar com alguns convidados.
– Bu. — disse Daniela surgindo de algum lugar
– Diga.
– Sarah, como estas?
– Muy bien, Colo! — sorri e a abracei com mais carinho que o normal
– Gracias, hicemos juntas un excelente trabajo!
Assim que Daniela me soltou do abraço, percebi que Thamirys nos encarava com os braços cruzados do outro lado do salão.
– Dani, se incomoda se eu for dar atenção à ela?
Antes que ela pudesse responder, a baixinha veio em nossa direção.
– Daniela.
– Thamirys. — ela encarou Thamirys — Buenas noches.
– Boa noite. Sarah, quero ir para casa, vamos?
– Vamos. — eu segurei sua mão

Thamirys no táxi estava absurdamente sonolenta. Eu peguei suas mãos e levei para dentro, percebendo que ela se abraçou ao meu peito, e se encaixou com graciosidade.

A carreguei nos braços, até a minha cama, e a joguei lá. Porém com o susto ela levantou um pouco assustada.
– Dorme bem.
– Sarah...
– Sim.
– E se por um acaso eu não quiser mais o contrato?
– Você é livre pra se recusar.

Ela coçou o cabelo e se levantou para tomar banho. Eu liguei a banheira para ela, e a assisti se despir, e senti meu primeiro arrepio no corpo.
– Por que quer sair do contrato, Thamirys?
– Eu não quero.
– Então o que você quer?
– Sarah... — ela suspirou, juntando ainda mais a toalha contra seu corpo
Eu entendi que deveria dar licença pra ela tomar seu banho

Me deitei na cama, com os braços para o alto e fiquei pensativa. Porém quando a vi sair de toalha e procurar seu hidratante, fiquei mais assustada ainda.
– Thamirys.
– Sarah...
Ela se jogou na cama, também com os braços para o alto e começou a gargalhar.
– O que foi? — perguntei
– Nada. Eu estou com sono.

Logo beijei sua testa, e não suportei. Passei as mãos pela sua barriga, arranhando com as unhas, passeando pelo seu umbigo, e coxas.
– Sarah, o que você...?!
Mordi seu lábio, e beijei sua clavícula, pescoço, orelha, e continuei investido com chupões violentos em sua carne. No começo ela relutou, porém quando eu mordi o piercing que ela tinha na orelha ela gemeu baixo. Eu perdi o controle dos meus movimentos, enquanto uma força maior do que eu tomou conta de mim e foi a primeira vez que eu senti aquilo.
Beijei seu seio esquerdo, com delicadeza e vi que ele se arrepiava e correspondía tão leve, se arrepiando comigo. Ela enterrou as unhas no meu cabelo, e mordia o lábio, para evitar gemer. Eu queria beijar aquela boca deliciosa, porém eu me apaixonaria, e eu não suportaria novamente. Lambi e provei aqueles seios, ora com força, ora com carinho e sentia o cheiro de algo escorrendo entre suas pernas.
A morena estava molhada, e eu não suportava mais esperar. Enfiei dois dedos em sua intimidade e ela sentiu o impacto da força, cravando suas unhas em minhas costas. Eu não poderia beijá-la nos lábios, um beijo faria surgir paixão e isso era errado, mas parecia tão unico...
Beijei seu umbigo, seu outro piercing, e quando senti suas unhas enfiando em meu braço, beijei seu lugar mais íntimo. Mordi, lambi e me deliciei por tanto tempo, jamais imaginei que poderia tocar o céu. O clitóris dela estava inchado e rígido, e parecia pulsar e bater tanto quanto seu coração, já haviam se passado tantos minutos, e ela me deu um orgasmo, em forma de um líquido quente e saboroso.
Eu queria mais. Eu precisava de mais.
Ela gemia, mas não tão alto, e contraía o corpo, enquanto passava uma coxa pelo meu ombro. Oh, céus. Ela iria ter outro orgasmo.
E teve. E sorriu. E se saciou, tudo em um mesmo instante, como se aquela noite fosse uma história. Como um dos romances que ela lia. Quando percebi que ela estava esgotada, sorri e novamente beijei sua testa. Eu vi que seus olhos tinham uma impressão confusa.
– Eu te amo, Thamirys.

Notas finais
Ah pessoas. Thamirys, vive aqui em Itaboraí, que é uma cidade vizinha do Rio. Ela disse que se propõe a ler fanfics e conversar com outras autoras, porém para a minha e para a sua infelicidade ela é hetero. : (
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!