O Conto dos Dois Irmãos

20 Capítulo 19 - De Volta para Casa


Notas iniciais
Oh tristeza... Estamos chegando ao fim do Conto dos Dois Irmãos... Sim, agora no final resolvi mudar o nome. Mas n importa mto, poucos acompanharam. Espero q seja alguém lendo futuramente, indicado por minhas outras fics q pretendo postar, hehe.

Durante o voo, Edward teve uma vaga noção dos lugares por onde passava... A caminhada da aldeia do Norte até a Árvore levara horas, mas a grifo-coruja voou até lá em questão de minutos... Pouco depois, Edward reparou que passavam pelo castelo do gigante e pela casa do inventor. Em algum momento, a gata coruja tomou um desvio e continuou o caminho sobrevoando o mar. O garoto não se opôs, pois supunha que ela saberia o melhor caminho.

Em poucas horas eles chegaram ao vilarejo. Ainda era de tarde, mas as nuvens pesadas faziam parecer que já havia anoitecido... As primeiras gotas de uma grossa tempestade começaram a cair quando a gata-coruja deixou Edward em uma pequena praia próxima às docas e à casa de Edward... Ele e Edgard sempre iam ali brincar na areia quando menores...

– Muito obrigado... — Agradeceu o garoto, afagando uma última vez a cabeça da grifo-coruja antes de ela voar para longe. Um trovão retumbou e a chuva ficou mais forte. Edward estava cansado e dolorido por causa da longa viagem montado na gata-coruja, mas se apressou ao ver a casa do Curandeiro.

Ele saltou pelas pedras em cima da água, indo até a pequena ilha rochosa onde ficava sua casa. Ele deu a volta nas formações rochosas, uma vez que estas estavam lisas demais para serem escaladas. Quando chegou do outro lado, viu algo que não lembrara... Um braço de água, curto, mas profundo, que ele teria de atravessar.

Fora tão longe, enfrentara tantas coisas... Mas sempre junto do irmão. Agora ele estava sozinho. Não sabia nadar, mas, além disso, havia algo que ele não queria admitir para si mesmo. As grossas gotas geladas de chua caindo no mar o lembravam do fatídico dia em que ele deixara sua mãe morrer... O pequeno caiu de joelhos, sentindo-se repentinamente mais fraco e nauseado.

Pelo canto do olho, o pequeno notou uma coisa... Uma luz esbranquiçada que surgiu e tomou forma...

– Edward, querido... — Disse sua mãe, tentando em vão tocar o rosto do filho. — Não se prenda ao passado.

– Mas... — Incrivelmente, ele não estava com vontade de chorar. Talvez estivesse cansado demais para isso. — Como você quer que eu esqueça?...

– Não te pedi para esquecer, meu pequeno... — Disse ela, sorrindo. — Você é corajoso, Edward, e inteligente. Muito mais do que pensa. E seu irmão parecia saber disso melhor que você mesmo...

Ele fitou a imagem tremeluzente da mãe, ansiando tocá-la mesmo sabendo que era impossível. Ele não se sentia corajoso, e até agora não tivera nenhuma ideia genial de como atravessar trecho de água. Mas o comentário da mãe o levou a pensar em Edgard. Em como ele o havia encorajado a atravessar os rios nadando durante a viagem, como se soubesse que Edward era capaz... E, por algum motivo, na forma como ele simplesmente se admitiu culpado por colocá-los em apuros por ter se deixado levar por Arabela... E, de súbito, o garoto entendeu por que lembrou daquilo. Edgard não havia se prendido ao passado. Lamentara o fato de cair nos truques da bruxa, mas sabia que o único jeito era continuar, não poderia ficar se culpando por algo que simplesmente estava fora de seu controle.

Ele olhou para onde a mãe estivera momentos antes, mas não havia mais nada ali.

– Eu te amo, Edward... — Ele ouviu a voz dela sussurrar dentro de sua cabeça.

O garoto respirou fundo, entrando na água... Estava tremendo de frio, exaustão e medo, mas tinha de continuar. "Bata os pés, Ed", ele lembrou-se da dica do irmão. Num impulso de coragem, o pequeno jogou-se para a parte mais profunda do riacho de água salgada. Ele começou a bater os pés, mas começou a afundar. Debatendo-se, lutando para continuar na superfície, Edward gritou.

– Edgard! — Ele não esperava resposta. Foi apenas um reflexo... Desde sempre sabia que poderia contar com o irmão, mas agora era diferente. Ou ele pensava que seria.

No fundo de sua mente, ouviu a voz do mais velho, distante, mas ao mesmo tempo tão próxima quanto jamais esteve. "Estou com você, irmãozinho. Vamos conseguir." Seus pensamentos clarearam e ele conseguiu voltar à superfície.

Dando tudo de si, Edward chegou à outra margem, tossindo e arfando. Ele correu para a ponte mecânica que ficava entre sua casa e a do Curandeiro. Nunca conseguira puxar aquela alavanca sozinho, mas agora não podia se dar ao luxo de falhar.

Mesmo com todos os seus músculos tremendo em protesto, Edward colocou toda sua força na alavanca, que cedeu na terceira tentativa, transportando a ponte para o outro lado. A velha corda que o garoto pretendia usar para subir estava recolhida, o que não o surpreendeu. Sem ter Edgard para lhe fazer apoio, ele tomou impulso e pulou o mais alto que pode, agarrando-se com as pontas dos dedos no nível do piso acima. Ele içou seu corpo para o solo e, numa última explosão de força, correu para a casa do curandeiro.

O garoto irrompeu casa adentro, caindo no chão de madeira, cedendo completamente à exaustão.

– Edward! — Disse o Curandeiro, indo até ele. — Conseguiram a Água da Vida?

Ele estendeu o cantil ao velho homem, cansado demais para pronunciar uma palavra sequer.

Pelo canto do olho, viu o Curandeiro tratar de seu pai e então dar uma poção para que ele dormisse. Logo depois, se viu sendo carregado para uma poltrona com cobertores em frente à uma lareira.

– Onde está o seu irmão? — Perguntou o curandeiro. O garoto não respondeu, mas seu olhar bastou para que o velho entendesse... — Oh, não... Bem que Edmund... Que coisa terrível... — Ele suspirou. — Coma um pouco, parece que não come há dias...

Era verdade. A última coisa que comera fora o peixe que ele e Edgard haviam assado antes de encontrar a casa do Inventor, pouco mais de vinte e quatro horas antes. Nossa... Aquele único dia pareceu uma eternidade.

Ele só se deu conta de o quanto estava com fome na terceira tigela de sopa. O Curandeiro não disse nada, apenas o olhava com uma mistura de pena e pesar enquanto cuidava do pai do garoto.

– Ele ai ficar bem. — Concluiu o Curandeiro. — Agora, quanto à você, meu jovem, ainda parece exausto. Imagino que tenha sido difícil... — Ele suspirou — Bem, tome um pouco desta poção calmante. Vai se sentir melhor quando acordar. — O senhor ofereceu-lhe uma pequena tigela com um líquido branco fumegante. Após beber aquilo, Edward sentiu os olhos pesando e não se lembrou de mais nada naquele dia.

•••

Quando acordou, Edward reparou que já era a manhã do outro dia. Estava usando um largo pijama de algodão branco ao invés das roupas laranja que usava ao chegar ali. Também, elas estavam encharcadas. Aquela era a típica veste de paciente do Curandeiro.

– Dormiu bem, garoto? — Perguntou o velho homem, esquentando um bule de chá na lareira.

O garoto respondeu com um aceno de cabeça.

– Excelente. Pão? — Ofereceu o Curandeiro, e Edward aceitou. — Seu pai deve acordar logo. Imagino que ele não vá reagir bem à... Notícia.

Edward assentiu, saindo da casa. Não queria ser antipático, mas só ali, de volta ao seu vilarejo e descansado o suficiente para pôr os pensamentos em ordem, parou para pensar no que tinha acontecido. Ainda parecia mentira que Edgard não estava mais vivo. Parecia que, a qualquer momento, ele apareceria com seu sorriso bem humorado mandando Edward tirar a cara de choro.

– Ed! — A voz de Dmitrei o tirou de seus devaneios. Ele vinha correndo pela estradinha que ligava a casa do Curandeiro à vila. — Já voltaram? Como não tiveram que passar pela ponte? Cadê o Ed?

Edward sabia que ele não fizera por mal, mas não conseguiu conter o choro. Dmitrei pareceu um tanto confuso no começo, mas logo entendeu.

– Ah, não... — Disse ele. E então, o amigo fez algo que Edward nunca esperaria, mesmo de um amigo tão próximo tanto dele quanto de Edgard. Ele simplesmente o abraçou. Assim, sem dizer nada. E foi o certo a se fazer, pois mesmo de alguém próximo um "sinto muito" soaria vazio. — Seu pai ainda não sabe, não é?

– Não... — Respondeu Edward, com a voz áspera. — Ele nem acordou ainda...

O amigo assentiu, se afastando.

– Bem... Vou ver no que minha mãe pode ajudar... — Disse ele, voltando para a aldeia. Edward achou bom que o amigo o tivesse indo procurar ali... Pelo menos, não teria de falar sobre Edgard para mais ninguém.

Logo o garoto ouviu os lamentos do pai ecoando através das paredes. O Curandeiro o havia contado. Só podia ser. Edmund saiu da casa de pé, incrivelmente bem após tantos dias à beira da morte. Ainda soluçando, ele abraçou o filho mais novo, grato por ele ainda estar vivo. E inconsolado pela morte do mais velho.

Notas finais
Bom.. Agora vamos ao epílogo... N sei bem o q dizer aqui.