O Conto dos Dois Irmãos

14 Capítulo 13 - Arabela


Notas iniciais
Ooi gente, inspiração bateu forte mas o capítulo tá curtinho kkk Famoso capítulo onde não acontece mta coisa mas serve pro próximo, q acontece algo... Bem, n vou falar kk Espero q gostem :D

Três horas foi o tempo que levaram para subir a tal montanha. Durante a caminhada havia escurecido e o céu havia limpado completamente, mas Edward só notou quando saíram do meio das árvores e foram para uma ponte de cordas que saltava sobre um desfiladeiro...

– Uau... — Suspirou, vendo a geleira branquinha iluminada pelas estrelas e pelas magníficas luzes da aurora boreal que permeavam o céu... A via láctea estendia-se pelo céu como uma linda nuvem cintilante, acima das luzes multicoloridas que o pequeno jamais sonhou ver... Era indescritível... — Ed... Olha só... — Ele segurou o irmão pela camisa. Edgard estava de mãos dadas com Arabela, e nunca teria notado aquilo se não fosse o mais novo.

– O que foi Ed? — Perguntou um tanto irritado, até perceber o que o pequeno estava contemplando — Ah, nossa... — Por um momento ele pareceu voltar a ser o Edgard de cinco horas atrás, quando estava apenas um tanto abobalhado por Arabela, e não seguindo as ordens dela como se fosse um cachorrinho. Isto não pareceu deixá-la feliz.

– Meninos, vamos logo! — Falou, ríspida.

– Ok Bela... Edward, vamos. A casa dela não deve estar longe.

"Quando foi que ele começou a abreviar o nome dela?" Pensou o menor.

– Sim queridos, estamos bem perto... — Disse ela, se aproximando de um buraco nas pedras da montanha — Basta entrarem nesta caverna. É só um atalho, é realmente horrível chegar à minha casa com essa neve...

Edgard estava prestes a entrar sem objeção, mas Edward o deteve... O simples fato de olhar para a pequena entrada o dava calafrios. Além disso, por que raios Arabela queria tanto que entrassem ali? Um atalho não parecia ao menor mais que uma desculpa esfarrapada.

– E o que você quer agora, Edward?! — Perguntou o maior, desta vez visivelmente irritado. Isto assustou um pouco o pequeno, mas ele não recuou.

– Ed, não entra aí... Não me sinto bem...

– Chega! — Ele próprio ficou assustado por ser tão ríspido com o irmão mais novo... E imediatamente se sentiu culpado. Ele suspirou e falou com mais calma — Ed, desde que conhecemos Arabela você tem desconfiado dela, mas... Dê uma chance a ela, por mim... Sabe que é importante.

Os olhos da moça brilharam.

– Ah, querido... Muito obrigada por me defender... E Edward, seu fofinho – Ela disse a última palavra como se falasse com um bebê — Não precisa ter medo.

Edward queria gritar, mas não por ter medo da caverna. Ele tinha medo de Arabela, tinha certeza de que havia algo errado com ela. E Edgard via isso no rosto do irmão... Sentia-se culpado, mas ainda assim algo o impelia a continuar... Obviamente ele não gostaria de decepcionar a namorada, mas mesmo assim... Era quase como se algo dentro daquela caverna o estivesse chamando, sussurrado seu nome. Aquele seria mais um motivo para escutar o irmão e sair correndo dali, abandonar a estranha que em algumas horas virara sua namorada e continuar o caminho para a Árvore, mas aquilo tudo o estava deixando tão confuso que ele acabou decidindo entrar na caverna... E mesmo sentindo que seria um erro, continuou. Não daria uma de covarde na frente de Arabela.

– Edgard! — Chamou o menor, entrando atrás dele na caverna. Mesmo achando o irmão mais velho um idiota naquela hora, não gostava da ideia dele entrar sozinho lá. Arabela entrou logo atrás do pequeno.

A caverna era extremamente apertada; até mesmo Edward teve de andar agachado... Tinha uma forma estranhamente circular, quase como se tivesse sido escavada por alguma coisa. O mais velho estava tão apreensivo quanto o menor, mas não demonstrava... Era como se aquele lugar inspirasse medo, ainda mais com aquelas irritantes teias de aranha enroscando-se em seu rosto a cada passo que dava... Mas Arabela parecia estranhamente à vontade dentro da caverna...

Pouco mais à frente, o caminho se abriu em um espaço mais amplo e alto, como um bolsão de ar dentro da montanha... Mas as paredes não eram rocha, como Edward esperava. Eram de terra... Um estranho cristal branco e brilhante iluminava o local, revelando as várias teias de aranha aos cantos. De repente um turbilhão de coisas passou pela mente do pequeno... As aranhas desenhadas nas paredes daquela caverna-templo, a forma como chamaram Arabela de bruxa, o pequeno feitiço que ela usou para secá-los para que não morressem de frio... E um monstro dos contos de sua mãe...

Atrás deles, Arabela começou a rir histericamente.

– Eu pensei que seria mais fácil! Mais enfim consegui... — Disse triunfante enquanto gargalhava

– Bela... Como assim conseguiu? Você está bem? — Perguntou o mais velho, ficando entre ela e o mais novo em uma atitude protetora... Desde que ela começara a rir, o encantamento que Edgard tinha por ela se foi. De repente, ele não a achava mais tão atraente, e pela primeira vez em horas conseguiu realmente pensar sobre como tinha agido mal com o irmão. Tudo o que ele queria agora era tirá-lo dali o mais rápido possível.

– Melhor impossível... — ela começou a convulsionar sem sair do lugar, mas estranhamente o mais velho não sentiu o impulso de ajudá-la. Pelo contrário, sentiu que deveria pegar Edward e sair logo dali, o que o deixava confuso.

– Ed... — O menor falava com a voz trêmula de medo — Lembra do conto das aranhas?

O maior arregalou os olhos... Ele lembrava. A história que ensinava às crianças a não confiarem em estranhos; mesmo que fossem belas e jovens mulheres... Ela contava que pessoas assim chegavam às vilas e seduziam os homens, os levavam para as tocas e então...

– Mas... Não pode ser... Ela não... — Só então o maior percebeu o grande erro que cometera... A partir do momento em que se deixou levar por Arabela já havia se condenado. Condenado aos dois... Na entrada para o túnel que os havia levado ali a bruxa começou a se transformar. Seu rosto se contorceu em uma careta de dor quando a parte de baixo de seu corpo cresceu até se transformar no corpo de uma gigantesca aranha... Seus dentes ficaram pontiagudos e os olhos, vítreos e completamente negros.

– Ah, tolinhos... Foi difícil enfeitiçar esse cabeça oca do mais velho... Pensei que teria de me livrar do menorzinho, infelizmente, mesmo sua carne sendo mais macia. Sensato de mais... Nunca imaginei que essa ligação entre vocês fosse me ser útil! — Ela lançou-se sobre os dois, e, numa tentativa de proteger o mais novo, Edgard também atacou. A única coisa que conseguiu pensar antes de desmaiar foi o quanto um erro tão tolo de sua parte os colocara em perigo.

Notas finais
No próximo capítulo: - Meu filho! - Gritou Edmund, acordando repentinamente. - Acalme-se homem! - Disse o Curandeiro, fazendo-o deitar - Precisa repousar, eu já lhe disse! Os meninos voltarão logo, não se preocupe... - Mas... - Não tinha forças para explicar ao Curandeiro, mas sabia que algo terrível havia acontecido com um deles, podia sentir... A única coisa que conseguiu fazer antes de perder novamente a consciência foi uma prece silenciosa à sua amada Lilibeth para que protegesse àqueles dois... Uuuuh, o que será que aconteceu? No próximo capítulo ;)