O Conto dos Cavaleiros de Ouro

2 Capítulo I - O treinamento no Santuário


Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo da história, espero que gostem! Eis o começo de tudo!

O dia raiava naquela manhã ensolarada nos campos abertos do Coliseu. Uma época que Atena e seus cavaleiros restantes buscavam o término imediato do treinamento de novos aspirantes a cavaleiros rapidamente, pois uma guerra se iniciaria em breve.

No comando do treinamento estavam Avenir e Yves, ambos cavaleiros de prata daquela ocasião pós-guerra, suas armaduras eram representadas pela constelação de Cefeu e de Perseu e suas armaduras era, muito parecidas, sendo um elmo quase igual e o peitoral também.O coliseu era tomado por pilares ao redor e ao centro um campo aberto com terra e areia. Haviam marcadores no chão e riscos denominando que ali se formava uma arena, havia dezena dessas onde a cada arena lutavam duas pessoas.

Avenir cuidava das arenas da esquerda e Yves das arenas da direita, eles estavam trajando suas armaduras de prata que ao bater do sol, brilhavam como nunca alguém havia visto.

Em uma das arenas um jovem acaba lançando o outro para fora, sendo assim, havia um vencedor daquela batalha. Muitos outros terminaram a batalha após aquilo e os dois comandantes de treino haviam falado que quem vencesse iria se tornar um cavaleiro. Eles reuniram à todos que estavam por ali, havia uma espécie de arquibancada construída com pedras grandes que servia de acento para eles e então foram convidados à sentar, Avenir e Yves ficavam de pé em frente deles e pareciam que iriam falar algo. O sol estava mais quente do que o normal.

— Caros aspirantes à cavaleiros, eu Avenir de Cefeu, possuidor da armadura de prata e cavaleiro de Atena, vos digo que os vencedores dessa luta são merecedores de receber suas armaduras. Porém... – Ele fez uma pausa drástica. – Não temos armaduras suficientes para esse montante de pessoas que venceram as batalhas. – Disse Avenir.

— As armaduras de Atena foram perdidas na guerra contra os Gigas, sete gerações atrás. Algumas foram recuperadas, no total das oitenta e oito, apenas oitenta foram encontradas, sendo oito perdidas. – Completou Yves.

Os aspirantes à cavaleiros se entre olharam, estavam apreensivos com o que os cavaleiros haviam dito naquele momento, todos os que estavam ali, foram chamados por cada um deles, mesmo os cavaleiros de ouro e prata, poderiam chamar seus próprios discípulos, mas é o cosmo que realmente pode vir a aceitar se alguém pode ou não se tornar um cavaleiro, a manifestação do cosmo em cada pessoa. Então eles perceberam uma movimentação atrás dos dois cavaleiros ali, era um jovem, este vestia uma armadura não muito fechada, de certo era uma armadura de bronze.

— Takeshi! – Exclamou um dos jovens sentados ali.

Takeshi era um jovem provindo do Japão, ele foi retirado de sua família por que Guateguard de Áries, sentiu uma ponta de cosmo em seu interior e não parecia um cosmo fraco. Takeshi tinha cabelos e olhos castanhos, tinha seus dezesseis anos de idade e não tinha nada além do normal de uma criança, estatura média e corpo não muito malhado, mas ainda mostrando alguns músculos, a única coisa que chamava a atenção era uma pequena pinta em seu filtro labial, a região entre o nariz e os lábios, ele vestia sua armadura que lembrava muito um Pégaso, um cavalo alado das era mitológicas, principalmente por causa de seu elmo que parecia ter asas.

— Takeshi foi bom ter aparecido! – Disse Avenir chamando o garoto. – Como podem ver Takeshi é o cavaleiro de Pégaso. A manifestação do cosmo no corpo desse jovem se estabeleceu de uma forma única e com isso ele já pôde ter a sua armadura e concluir seu treinamento. – Avenir chamou a atenção dos demais apontando para Takeshi que parecia um pouco corado com a situação.

— Avenir e Yves o Mestre Itia está reunindo todos os cavaleiros de prata e ouro, Krest me pediu para dar continuidade no treinamento dos demais e explicar como é o cosmo para eles. – Disse o jovem garoto aos dois cavaleiros.

Os cavaleiros de prata se olharam e confirmaram com a cabeça, passaram algumas instruções para Takeshi antes de partirem para o Santuário que ficava logo depois das Doze Casas e onde o Mestre Itia ficava, este era responsável pelo Santuário e também pelo Coliseu, era o membro mais forte do exército de Atena, sendo ele anteriormente um Cavaleiro de Ouro e então com seu nível elevado de cosmo e poder, se tornou o mestre do Santuário.

Após os dois cavaleiros partirem, Takeshi que ainda vestia sua armadura de bronze, começou então a chamar a atenção das pessoas para si, ele iria falar alguma coisa.

— Bom, a maioria de vocês já me conhece e eu conheço também a maioria. Eu não sou melhor do que ninguém, apenas despertei o cosmo primeiro do que vocês. Alguém tem alguma pergunta em relação à isso? – Takeshi não tinha muito jeito para lidar com muitas pessoas e no caso eram quase setenta jovens da mesma idade que a dele que lhe ouviam.

Um jovem de cabelos loiros levantou a mão em meio a multidão sentada nas pedras.

— Takeshi! Você poderia me mostrar um golpe? – Perguntou o garoto.

Takeshi coçou a cabeça.

— Bem... Eu não posso fazer isso. Desculpe-me, mas qual é seu nome mesmo? – Ele sorriu.

— Aziz. – Respondeu seco o garoto.

— Certo Aziz. O cosmo não é algo que eu possa desperdiçar ou mostrar à vocês, vocês devem senti-lo. Vocês devem se concentrar de uma maneira onde somente você é capaz de descobrir, a sua essência e a sua vontade são essenciais para a liberação do cosmo e outra coisa. – Ele pausou. – A armadura é quem te escolhe e não você que escolhe a armadura.

Todos caíram de boca com o que o jovem havia falado, ficaram mais animados com aquilo e estavam impacientes, pois batiam o pé e conversavam entre si.

— Bem, como me foi ordenado... Vocês devem lutar entre si. Vamos ao que importa. – Ele retirou do bolso dele um saco de couro com pequenos pedaços de madeira e então levantou o saco para que todos pudessem ver. – Aqui contém o nome de cada um, teremos o dia todo para lutar. Quem eu chamar se apresente e então imediatamente entre na arena, quem perder será eliminado, quem vencer continuará. Há vinte e sete armaduras restantes e vocês estarão com elas até o final do dia. Quem despertar o cosmo terá uma grande chance de estar entre os vinte e sete. – Ele balançou o saco e tirou de dentro um pedaço de madeira. – Sarpedon! — Gritou o nome.

Um jovem de cabelos escuros e longos se apresentou, seus olhos eram azuis como o céu daquele dia e sua pele branca como a neve. O jovem se caminhou até o centro da arena e esperou por seu oponente, que foi anunciado logo após.

— Ellvid!

O jovem chamado de estatura mediana e cabelos castanhos se aproximava da arena.

A luta então começava, Sarpedon posicionou-se de uma forma estranha, não levantou seus braços e parecia sério. Os demais observavam o jovem enquanto Ellvid erguia seus braços numa posição ofensiva. Takeshi levantou um de seus braços e então ao abaixá-lo significaria que a luta começaria.

Sarpedon foi rápido, quase ninguém conseguiu ver seus movimentos e logo em poucos segundos de luta, o jovem acabou jogando seu adversário para fora daquela arena, Takeshi se impressionou. Os outros jovens que assistiam, não perceberam que Sarpedon foi tão rápido e pensaram que Ellvid havia se jogado para fora da arena, por isso se questionavam entre si o motivo daquilo.

Novamente o mesmo ritual, Takeshi pegou um pedaço com o nome escrito de alguém e gritou alto.

— Casimir!

Um jovem de cabelos arruivados se levantou e se direcionou até a arena. Possuía olhos também meio avermelhados e sua pele não era totalmente branca, sua origem podia ser diferente dos demais ali presentes.

Novamente Takeshi gritou outro nome.

— Teles!

A luta começou e Casimir parecia ser muito mais habilidoso do que Teles, não demorou muito e o jovem de cabelos ruivos jogou o seu oponente para fora da arena, com muita força e habilidade.

O dia foi passando e as lutas sempre continuando, uma atrás da outra; Já era por volta das três horas da tarde e dos quase setenta jovens ali sentados, apenas alguns deles ainda restavam batalhar. Algumas lutas foram realmente marcantes e alguns jovens pareciam serem mais habilidosos do que outros, como por exemplo Aziz e Yuri. Ambos acabaram rapidamente com seus oponentes assim como o primeiro a lutar que foi Sarpedon. Já havia se passado mais duas lutas e então restaram apenas dois jovens sentados ali. Um era Leon, um jovem de cabelos negros e olhos azulados, seu corpo era mediano assim como sua altura e não parecia ter muitos músculos por ali e o outro era Elisius, da mesma maneira que Leon, porém, loiro e com olhos verdes.

Elisius era conhecido por ter sido chamado justamente por um cavaleiro de ouro e todos diziam que os cavaleiros de ouro jamais erram em suas escolhas, por isso, eles pessoalmente escolhiam os jovens e os levavam para o Santuário para treinar.

A luta então começou, os que haviam perdido a luta anteriormente foram embora, pois já estavam desclassificados e não poderiam ganhar suas armaduras. Os vencedores esperavam pela última luta e para ver quem seria o vencedor daquele duelo, embora, muitos acreditavam que Elisius era o mais indicado a vencer.

Takeshi levantou o braço e o abaixou rapidamente, ele estava em pé no lado de fora da arena observando todos os movimentos e vendo se algum participante não desrespeitava as regras impostas pelos cavaleiros nos treinamentos.

O duelo então começou, Leon não possuía muitos amigos ali, não era muito em fazer amizades e não sabia direito como havia parado ali, sua memória era péssima. Elisius rapidamente partiu para cima do jovem moreno e com um soco buscou a face do oponente, um golpe direto e até mesmo imprudente para uma luta assim, mas o jovem loiro tinha muita confiança. Leon desviou rapidamente jogando seu corpo para o lado, o que ele não esperava era que o joelho de seu oponente lhe encontraria bem na direção de seu estômago, sendo assim, Leon sente uma imensa dor e não estava preparado para tal, sem mesmo parar, Elisius difere outro golpe com o cotovelo nas costas de Leon e o joga ao chão enquanto ele ainda nem havia se recuperado da joelhada dada pelo jovem.

Os que assistiam não se surpreendiam com aquilo, Elisius era um bom lutador, mas teria que fazer mais se quisesse impressionar. Takeshi estava atento e analisava toda a situação.

Elisius puxou o cabelo de Leon e então o jogou para trás, novamente um soco na cara do jovem foi dado e o garoto deitou-se ao chão, quase desmaiado. Elisius lhe deu algum espaço, pois estava estralando seus dedos para outra leva de golpes.

— Eu já venci essa luta. – Disse o garoto confiante.

O jovem que estava caído se levantou num pulo e limpou o sangue que estava em seu supercílio, devido aos golpes recebidos.

— Parece que eu ainda não saí da arena, não é? – Sorriu.

— Eu fui escolhido por Guateguard de Áries, um cavaleiro de ouro. Acha que tem alguma chance contra mim mesmo? – Perguntou o jovem estralando os dedos da mão esquerda.

— Eu só sei de uma coisa, eu não posso estar fora dessa arena. – Respondeu o garoto que então partiu para cima de seu oponente. Com seu punho fechado buscou um golpe no abdômen do oponente, facilmente Elisius bloqueou o soco com uma de suas mãos, porém, foi surpreendido com um chute alto, na altura de sua cabeça do jovem de cabelos negros. Elisius não teve como escapar e então rolou para o lado, sentindo sua cabeça balançar.

Aquilo gerava uma reviravolta, Leon que parecia estar apanhando havia se recuperado, essa era a primeira luta que um favorito para vencer estava apanhando e demorando tanto para acabar. Já era por volta das cinco da tarde e o sol começava a baixar, repentinamente.

— Droga... – Cuspiu Elisius após o golpe que o deixou meio tonto. – Se você acha que pode me vencer... Está completamente errado! – Ele se posicionou da mesma forma que antes e novamente tentava uma investida contra Leon que o esperava da mesma maneira. Foram dois socos, um de Leon e outro de Elisius, ambos se acertaram na face, o sangue de ambos respingou pela arena, mas nenhum deles havia perdido ainda.

A luta começava a ficar mais intensa, ambos se acertavam com socos e chutes, mas não pareciam ceder, nenhum deles. Takeshi que estava ao lado de fora parecia impaciente e começou a bater o pé, algo ruim poderia estar acontecendo.

Elisius acerta um gancho de direita em Leon que acaba caindo ao chão, este já não possui mais forças para se levantar. Elisius se aproxima do jovem, abaixa e então apóia uma de suas mãos no tórax do jovem caído e calmamente aproxima seus lábios do ouvido esquerdo de Leon.

— Eu disse que era o seu fim... – Cochichou Elisius. – Levantou-se e então deu-lhe mais um chute e agarrou os cabelos de Leon, iria arrastá-lo para fora da arena.

Takeshi mantinha seus pés batendo ao chão e estava com os braços cruzados, seus olhos estavam fixados em Leon e os demais que assistiam percebiam a brutalidade de Elisius para com seu oponente. Esídio um dos vencedores das lutas anteriores se aproxima do cavaleiro de bronze.

— Acho que já deu, não? – Não parecia gostar muito da situação em que estava Leon, ele parecia machucado e nas outras lutas nada disso aconteceu.

— Não. – Respondeu seco Takeshi sem tirar os olhos de Leon.

— Não? Será que você não viu que Elisius está maltratando o oponente? Está nas regras do Santuário que não devemos machucar nossos companheiros de treinamento! – Gritou para com o cavaleiro.

Takeshi se virou e então sorriu para Esídio.

— Olhe quem irá vencer.

Os que estavam próximos de Esídio e Takeshi se assustaram com o que o cavaleiro disse, a vitória estava clara para Elisius que estava arrastando seu oponente todo machucado para fora da arena de combate, não restavam muitos metros e o jovem Leon já estaria eliminado. Elisius continuava a puxar o jovem pelo cabelo, quando sentiu algo tocando suas mãos, olhou e viu que Leon ainda lutava.

— Você ainda não desistiu? – Gargalhou.

Leon pegou com força nos braços de Elisius e o mesmo enquanto gargalhava se assustou. Uma aura começou a se formar em volta de Leon e todos ali puderam ver, Elisius estava assustado com aquilo e o soltou rapidamente. O jovem que estava caído se levantou calmamente e seu corpo pareça tomado por essa aura, seus olhos estavam baixo e de repente ele levantou, sorriso na cara do jovem era nítido.

— Eu jamais desistirei de proteger Atena! É para isso que eu vim! – Então Leon deu um passo à frente. Uma onda sonora foi capaz de ser ouvida como se uma rocha estivesse sido estilhaçada. Leon caminhava dessa maneira enquanto a aura ao redor do seu corpo emanava ainda mais, a cada passo ela parecia crescer, ele cerrou o punho direito e buscou golpear Elisius que praticamente já havia desistido de lutar depois daquela energia. Leon levantou seu punho para então socar o rapaz e quando fez esse movimento, a energia pareceu concentrar-se em seu punho.

Takeshi quando viu aquilo se espantou a energia concentrada naquele soco era tamanha e o mesmo tentou se movimentar para impedir que o soco fosse dado. De repente Leon movimentou seu braço para acertar Elisius que estava paralisado, Takeshi tentou ser o mais rápido possível, mas não daria tempo, foi quando o soco se encontrou com uma outra mão e o impacto foi tão grandioso que ensurdeceu à todos por instantes.

— Ora, ora, ora. – Disse uma voz diferente. – Com esse soco você poderia ter matado ele, sabia? – O homem que estava ali, vestia uma armadura dourada. O brilha da armadura era tão tenso e forte que parecia que o sol estava na frente deles. Sua presença era tão grandiosa que todos ali mal conseguiam respirar na presença daquela pessoa que segurava o soco de Leon com apenas uma mão e protegia Elisius do golpe. Takeshi estava próximo, porém, assustado com tudo aquilo que havia acontecido em tão pouco tempo.

Os jovens todos ficaram assistindo apavorada, a energia que rondava Leon foi dissipada para longe e o jovem estava meio que sem entender o que estava acontecendo.

— Zeno! — Exclamou Takeshi após aquilo, ele imediatamente não sabia o que dizer ou o que fazer, portanto, chamou o homem pelo seu nome.

Zeno era um cavaleiro de ouro, os cavaleiros de ouro eram os mais fortes e mais próximos de Atena, raramente poderia se ver um cavaleiro de ouro no Coliseu ou nas cidades próximas, eles ficavam concentrados em suas casas, denominadas por cada signo. Zeno era da casa de Gêmeos, um dos mais fortes cavaleiros da atualidade.

— Olá, Takeshi de Pégaso. – Ele então soltou a mão do rapaz e colocou-se em uma posição ereta, sua armadura brilhava mais do que nunca. – Eu senti uma acumulação poderosa de cosmo vindo daqui, vim o mais rápido que eu pude. Quem são esses?

— São os futuros cavaleiros de bronze. – Respondeu Takeshi.

— Entendo... Entendo... – Ele fez uma expressão séria e olhou para Takeshi novamente. – Tirando esse jovem, são mais quatro que podem controlar.

Takeshi se espantou com o que o cavaleiro de ouro disse, ele não havia sentido nenhuma manifestação de cosmo dos outros participantes, apenas o de Leon, aquilo o deixou pensativo e bastante assustado.

— Fique tranqüilo, não é culpa sua. – Disse Zeno. – Eles souberam esconder muito bem o cosmo que quase nem mesmo um cavaleiro de prata poderia perceber. – Completo o cavaleiro.

Se aproximando dos dois cavaleiros, Sarpedon disse.

— Então é essa a capacidade de um cavaleiro de ouro? – Disse em tom de deboche.

Zeno não respondeu a pergunta e se virou de costas caminhando em rumo ao Santuário, o que irritou levemente o jovem. Leon não sabia que havia despertado o cosmo em si e pediu desculpas sinceras aos demais, Elisius foi eliminado da luta, pois estava fora da arena. Os futuros cavaleiros estavam já completos, eram vinte guerreiros exatos, os vinte que receberiam as armaduras de bronze e se tornariam cavaleiros de Atena. Takeshi após a saída de Zeno do Coliseu, reuniu à todos para lhes darem alguns avisos.

— Amanhã bem cedo, vocês irão receber suas armaduras. Atena irá se reunir com todos os cavaleiros e vos falará na presença dela, portanto, vocês já devem estar usando a suas armaduras. – Disse o jovem à todos. – Tenham uma boa noite.

Os jovens foram se espalhando, estavam voltando ao vilarejo, pois eles moravam por lá, não era muito longe dali e a noite parecia cair. Leon e Esídio eram amigos, na verdade, se tornaram amigos no Coliseu, ambos moravam sob o mesmo teto, nos fundos de uma casa de uma velha senhora. Alguns dos vinte jovens estavam à frente e outros mais para trás, estavam todos conversando sobre o futuro incerto deles e que também amanhã conheceriam Atena, a Deus por quem eles lutavam e lutariam até o fim de suas vidas. A noite veio como um trovão, rapidamente atingiu os céus e a lua estava escondida por nuvens, talvez a noite seria chuvosa e todos apertaram o passo para chegarem mais rápido ao vilarejo.Takeshi decidiu caminhar em direção ao Santuário, tinha ainda algumas coisas a resolver e precisava notificar Avenir e Yves sobre o treinamento que havia finalizado.

No caminho para o Santuário ele ouviu uma voz.

— Eu não posso perder! Eu fui escolhido por Guateguard de Áries! Vocês não são nada comparados à ele! Eu vou me tornar um cavaleiro de bronze e vou roubar essa sua armadura! – Elisius disse, saindo de trás de uma pedra e indo a direção à Takeshi ao seu lado havia uma borboleta alaranjada que sobrevoou próximo à ele.

— Elisius pare! Você está fora de si! Até mesmo os cavaleiros de ouro podem errar uma previsão. – Disse o jovem parando. – Apenas aceite a derrota, isso também é uma virtude.

— Virtude? Não me faça rir. – Ele gargalhou. Colocou suas mãos em seus olhos e começou a gargalhar ainda mais, realmente, ele estava fora de si. – Não acredito que um cavaleiro de bronze, ainda não havia percebido... Lembra o que Zeno disse sobre o cosmo estar em um dos quatro? – Ele parou e fechou o punho. – Eu sou um desses quatro e é agora que pegarei a sua armadura, Pégaso! – Então partiu para cima de Takeshi.

Vendo o jovem em sua frente o cavaleiro não se movimentou, esperou o momento exato e quando viu que o golpe de Elisius ia vir na direção de seu rosto, esquivou-se e numa velocidade sem igual o golpeou com o joelho na barriga, que fez com que o jovem caísse ao chão de joelhos.

— Desista Elisius! Você não pode se tornar um cavaleiro dessa maneira, não é assim que irá convencer Atena, nem mesmo os demais cavaleiros... – Disse Takeshi calmamente.

— Não me importa! – Ele rapidamente se recuperou do chute e sua voz parecia distorcida. Ele levantou seu punho com força e parecia estar numa velocidade igual a de Takeshi o que surpreendeu o cavaleiro e recebeu o golpe de baixo para cima, porém, se manteve em pé.

Takeshi espantado com que havia acontecido tentou reagir, mas foi interceptado com uma rajada de socos poderosos que acertavam em seu peito fazendo com que ele voasse a metros dali e colidisse com uma das pedras do Coliseu e a destruísse por completo.

— Eu disse que a sua armadura é minha, Pégaso! – Gargalhou novamente e parecia levemente alterado, tanto na voz, quanto em outras coisas. Elisius parecia diferente, mais frio e mais poderoso, o que deixou Takeshi assustado.

— Eu não vou permitir que isso aconteça! – Ele se levantou rapidamente dos escombros das pedras, fechou seu punho e concentrando uma boa quantidade de cosmo nele, soltou. – Meteoro de Pégaso!— Os socos eram tão rápidos e fortes que pareciam como rochas sendo jogadas e esmagadas, Elisius foi atingido diretamente por ele, o seu corpo voou a metros dali e se debateu também contra uma pedra, a diferença de poderes era surpreendente e o cavaleiro estava na clara vantagem.

Takeshi continuou a caminhar em sua direção, parecia que esse também estava mudado, devido ao fervor da batalha que estava acontecendo, ficou esperando Elisius na frente das rochas esmagadas.

— Vamos! Você não disse que queria esta armadura? Então venha! Pegue-a! Meu dever é proteger Atena e não permitirei que você faça algo para ela, você não é digno de ser um cavaleiro e nunca será, por que a sua vida termina agora! – Ele então concentra uma enorme energia de cosmo em uma de suas mãos, a energia estava ficando colossal, Takeshi gargalhava assim como Elisius anteriormente gargalhava, ao redor deles, borboletas verdes, o ambiente estava repleto delas e pareciam circular cada vez mais rápido por ali. Takeshi então terminou de concentrar seu golpe e então disparou contra Elisius.

Cometa de Pégaso! — Um único e potente soco. O golpe se fez tão poderoso que uma rachadura no chão se fez, o corpo de Elisius foi lançado para longe dali, o mesmo já estava morto e seu corpo todo desfigurado devido a brutalidade dos golpes dissipados por Takeshi.

As borboletas que circulavam pelo lugar, foram seguindo Takeshi que após isso continuou sua caminhada para o Santuário. Algumas das borboletas pousaram nos ombros do cavaleiro de Pégaso e outras foram circulando em volta dele em direção ao Santuário também.

Leon e Esídio já estavam próximos a casa onde moravam, junto deles também estavam Sirius, Jamil e Dorotheo. Todos os cinco haviam se tornado cavaleiros e discutiam sobre quais armaduras pegariam, pois, o treinamento não era apenas físico, mas também teórico, um grande e poderoso cavaleiro não somente servia ao combate, mas também na sabedoria e por isso, também nos estudos o treinamento era árduo.

Estavam em frente a casa de Leon e Esídio, a viela era pacata e tranqüila e naquela noite a luta era encoberta pelas nuvens, portanto, a cidadela se tornou um pouco mais escura do que o habitual.

— Eu tenho certeza que a minha armadura será a de Unicórnio. – Disse Jamil para todos. – Eu sinto algo dentro de mim que me diz isso.

— Eu não sei qual possuirei, mas tenho certeza que será a adequada à mim, se Atena assim desejar. – Já disse um pouco mais sério Esídio.

— Por falar nisso... Zeno de Gêmeos disse que fora Leon, mais quatro haviam despertado o cosmo, vocês sabem quem são esses? – Perguntou Dorotheo um pouco corado.

— Vou lhes contar um segredo. – Comentou Sirius olhando para suas próprias mãos. – Eu não sei se despertei ou não o cosmo, eu sinto uma energia dentro de mim, principalmente quando venci a luta contra meu oponente hoje. Após isso, eu senti uma imensidão dentro de mim, talvez eu também tenha despertado o cosmo... Ou apenas estou ficando louco. – Riu.

— Não. – Se intrometeu na conversa Leon. – É exatamente isso o cosmo, acredito que todos nós sentimos. O que ele quis dizer é que talvez... Alguns já sabiam da existência do cosmo e como controla-lo, eu desconfio de Sarpedon. – Colocou suas mãos ao queixo. – Aquele cara só de olhar para ele me dá calafrios. – Ele riu. Leon era engraçado na maior parte do tempo e sempre que conseguia fazia uma piada ou brincadeira com alguém.

— Concordo. – Afirmou Esídio. – Eu também tenho algo a revelar. Eu era um dos quatro que ele estava dizendo. – Disse seriamente. – Aconteceu fazem uns três dias, eu estava treinando e senti da mesma maneira como Sirius disse, tentei me concentrar ao máximo e exatamente com um soco, acabei despertando o cosmo. Lembram-se daquela pedra próxima da floresta que a gente vivia treinando?

— Sim. – Respondeu Leon.

— Fui eu que a destruí. – Completou Esídio.

— Então quer dizer que todos possuímos o cosmo, mas só quatro de vocês despertaram antes do que era esperado? Será que isso faz parte da profecia? – Se perguntou Dorotheo.

— Acredito que não, mas que uma Guerra Santa está próxima, isso não podemos negar. – Disse Jamil, meio que encerrando a conversa, num tom de voz pacato. – Precisamos dormir para amanhã podermos estar bem aparentemente e descobrir quais as armaduras que seremos aptos a usar.

— Você está certo. – Disse Sirius já se caminhando pela viela, ele, Jamil e Dorotheo compartilhavam da mesma casa, pois eram, primos de segundo grau. – Vamos logo.

Despediram-se naquela noite escura e cada um foi para seu canto, Esídio e Leon entraram pelos fundos da casa, a senhor Helga que morava na frente já estava dormindo naquele momento, era por volta das oito da noite, quase nove e amanhã teriam que estar no Santuário logo cedo.

— Não se esqueça de passar algum perfume para se encontrar com sua amada Atena. – Debochou Leon enquanto os dois entravam na pequena casa de madeira construída aos fundos de outra casa maior.

— Amada Atena? – Esídio corou imediatamente. – Não acredito que Saeko é realmente a reencarnação de Atena. – Respondeu já menos corado. Esídio era órfão e assim como Saeko eram de um orfanato na Grécia, nas cidades próximas.

— Vai confirmar isso amanhã, não? – Cutucou o amigo, fazendo-o sair de seus pensamentos.

— Sim, mas não há erros, eu tenho certeza que vi um cavaleiro de ouro indo buscá-la no orfanato. – Disse ele já quase entrando na casa.

Não conversaram muito depois disso, cada um possuía uma cama e não estavam com fome, apenas deitaram-se e dormiram, a noite estava escura e um pouco fria, quando atingiu meia-noite a chuva começou a cair e então os respingos caíam pelos vãos da madeira, mas isso não os impedia de dormir.

Notas finais
Se gostarem, por favor comentem!