O Conto dos Cavaleiros de Ouro
3 Capítulo II - O Traidor do Ouro
Notas iniciais
O Sol ainda não havia raiado no horizonte e os já cavaleiros rumavam para o Coliseu. Eram no total vinte jovens entre quinze a dezessete anos, a maioria órfãos, mas alguns foram retirados de suas famílias com o dever de proteger Atena. Do vilarejo até o Coliseu era uma subida, não muito montanhosa nem íngrime, do Coliseu ao Santuário, algumas rochas e um caminho mais terroso podiam ser notados, e durante as Doze Casas o mesmo caminho continuava, porém, com certas elevações e depressões.
Os jovens meio que caminhavam todos juntos, num curto espaço de distância entre eles. Quando se aproximavam do Coliseu, podiam observar vários cavaleiros de prata esperando-os, na frente dos cavaleiros estavam lá dezenas de caixas grandes. Essas caixas eram chamadas de Caixas de Pandora, as caixas tinham como função guardar as armaduras de cada cavaleiro. Os cavaleiros de Prata e alguns de Bronze estavam a espera dos novos cavaleiros, foram recebidos por Avenir, aquele que acompanhou diretamente o treinamento de cada um.
— Vejo que parecem animados! – Comentou dizendo à todos. – Bom, não temos muito tempo, essas são as armaduras de vocês, peguem-nas e imediatamente se dirijam à casa de Áries, Atena irá pronunciar-se diante de todos na frente da casa de Áries, a primeira das Doze Casas, vamos se apressem!
Avenir tentou apressar os jovens que pareciam propriamente sonolentos, a noite de descanso havia sido curta demais.
Eles foram se aproximando, mas não por acaso. Cada um enxergava uma linha de cosmo que levava para cada armadura. Leon se direcionava até a armadura de bronze de lobo, seu amigo Esídio até a armadura de Hidra e cada um dos jovens ali iam pegando suas armaduras, não demorou muito até que todos eles já estivessem de fronte para com as caixas de suas armaduras. O primeiro a tocar na caixa para retirar sua armadura fora Sarpedon, quando o mesmo tocou-a a caixa se desfez e a armadura estava ali em sua forma original, uma tarântula. Ele novamente tocou na armadura e ela num piscar de olhos já estava em seu corpo. Todos os outros fizeram do mesmo processo e já vestiam suas armaduras. Os cavaleiros de Prata que estavam ali presentes, depois de que todos estivessem vestidos com suas armaduras, foram guiando-os pelo caminho até a primeira casa do Santuário.
— Então quer dizer que você se tornou um lobo? – Aproximou-se de Leon, Jamil que também estava junto de Sirius e Dorotheo. O jovem carregava uma armadura roxa com um chifre em seu elmo, era a de Unicórnio.
— Sim. – Respondeu. – Posso sentir o cosmo perfeitamente dentro de mim quando vesti esta armadura, parece que... Meus sentidos ficaram mais aguçados e meu poder aumentou muito.
— Exatamente. – Completou Sirius. – E eu sou o Cavaleiro de Índio.
— Eu peguei a armadura de Pavão. – Disse Dorotheo mostrando sua armadura que era a mais bonita dentre todas as outras ali dos cinco.
— O que eu não entendi foi que ainda restaram armaduras a serem pegas... O que eles estão aprontando? – Perguntou Esídio aos demais.
— Talvez um outro grupo de guerreiros venham buscar. – Respondeu Leon. – Ou... Sobraram.
Quando caminhavam pelo Coliseu, em direção ao caminho que levava as Doze Casas e ao Santuário, viram pedras despedaçadas por ali, os cavaleiros de prata que guiavam o caminho, que era seis deles pararam para averiguar, era claro que ali havia acontecido alguma luta, um dos cavaleiros perguntou ao grupo de jovens recém-equipados com suas armaduras se eles viram algo acontecer ontem à noite e todos negaram.
Foi quando de repente Tales de Hércules um cavaleiro de prata anunciou que havia achado um corpo ali, todos correram rapidamente para ver. Ao chegarem ao local que havia muitas pedras por cima, o corpo estava todo desfigurado, porém, uma característica era certa, os cabelos loiros de Elisius eram inconfundíveis.
— Eu o conheço. – Disse Leon aos demais. – Acredito que todos os novatos daqui o conhecem. Seu nome era Elisius, eu lutei contra ele no meu teste final, ele perdeu e foi embora, eu não entendo o por que dele ter acabado assim. Acham que ele foi assassinado?
— Com certeza. E por um cavaleiro ainda. – Disse Tales. – Vejam só esses ferimentos, não é qualquer pessoa que possa ter feito isso, uma grande quantidade de cosmo foi usada aqui eu não entendo como nenhum cavaleiro de ouro percebeu isso. Devemos informá-los. – Completou dizendo, já olhando para os outros cavaleiros de prata.
Um desses correu à frente, os demais ficaram ali observando aquele corpo, não demorou muito até que resolveram seguir em frente, Tales resolveu ficar e explicar a situação para Avenir que esperava sozinho na frente das caixas de Pandora que sobraram dos cavaleiros de bronze dali.
Todos passaram pelo Coliseu, a subida não era tão íngrime, porém, se tornaria cansativa, não era muito distante dali, subiram mais um pouco e o sol nesse momento já iluminava os céus, este estava radiante e muito mais brilhante do que os outros dias, talvez por ser um dia especial.
A subida já estava chegando ao seu final e na frente da casa de Ares estava lá os cavaleiros de ouro, todos esperando a chegada dos demais cavaleiros de prata e bronze. Juntos dos cavaleiros de ouro, estava o Mestre do Santuário, o homem que carregava esse título era o mais sábio e mais poderoso de todos os outros cavaleiros, ele era o homem mais divino, se considerando próximo à Atena. Todos os novatos estavam procurando atentamente pela Deusa que serviam, porém, não a avistaram de primeira impressão. Os cavaleiros estavam na frente da casa de Áries, os doze cavaleiros estavam presentes e suas armaduras brilhavam mais que o sol no topo dos céus, as posturas de tais cavaleiros eram tão superiores que apenas de olhar para eles, todos já podiam tremer, uma escadaria de trinta degraus separava-os de todos os demais que estavam embaixo e o Mestre do Santuário parecia conversar com o cavaleiro de Áries, Guateguard enquanto a cerimônia não começava. Os jovens e recém-premiados com as armaduras também se conversavam entre si.
— Onde está Atena? – Cochichou Leon. Para Esídio.
— Parece que ainda não veio... – Respondeu meio triste o amigo.
Então uma terceira voz os incomodou por ali.
— Ela logo virá e um também trará uma surpresa à todos nós. – A voz era meio rouca, já mostrando ser alguém mais experiente, quando ambos olharam para trás era um cavaleiro de prata, Ézio de Águia, este já aparentava ter seus trinta e tantos anos e era um dos cavaleiros mais experientes daquela legião.
— Surpresa? – Espantou-se Esídio. – Que tipo de surpresa.
— Acredito que se é uma surpresa não é para ser dita, não é? – Riu após comentar e focava seu olhar a frente, mostrando ter uma boa postura perante aos cavaleiros de ouro e líderes do exército.
Eles se contentaram com aquilo e ficaram imaginando teorias em suas cabeças sobre o que seria aquela surpresa. Logo escutaram alguns passos vindo de trás deles e era Avenir e Tales que haviam ficado para trás, eles olham adiante e percebem que o Mestre do Santuário toma a frente para se pronunciar diante de todos.
— Caros Cavaleiros de Atena, eu sou Itia, o mestre do Santuário. Vivemos um tempo difícil, anos passados enfrentamos uma feroz e árdua guerra contra Ares e ha indícios de que Hades pode nos atacar a qualquer momento, as cidades, as pessoas, toda a terra depende de nós para protegê-la e por isso estamos aqui lutando por Atena pois é ela que defende o lugar onde vivemos e é por ela que vestimos nossas armaduras hoje. – Sua voz era alta e ecoava por todo o lugar, já que era um campo aberto e não devia ter muito mais do que quarenta pessoas por ali. Dado um certo tempo ele voltou a dizer. – Atena vai vos falar pessoalmente, poucos de vocês terão a oportunidade de vê-la, por isso esse é um momento de gratidão diante da nossa protetora e guerreira. – Ele deu alguns passos atrás e abrir caminho para uma pessoa passar.
Atena finalmente se mostrava, ela era jovem, não devia ter nem seus dezoito anos de idade, ela portava um cetro pouco maior que sua altura que não era tão grande. Olhos bem grandes e cabelos arroxeados. Vestia um longo vestido branco que tampava seu corpo todo, em sua cintura um cinturão dourado que emanava da mesma maneira que o brilho das armaduras de ouro. Seu corpo era moldado como já uma mulher embora sua face jovial não lhe permitia ser tão madura assim, ela não parecia ser uma Deusa, embora ainda sua presença diante dos cavaleiros de ouro e Mestre do Santuário, a deixava onipotente.
— Vocês que se tornaram cavaleiros de bronze hoje, vocês que a partir de hoje lutarão ao meu lado para proteger não somente à mim, mas o mundo em que vivemos. Vocês são heróis! Os heróis que não serão lembrados daqui a séculos, daqui a décadas, mas serão lembrados por mim e eu carregarei o nome de vocês comigo para sempre. De todas as guerras que já se passaram, guardo comigo o nome de cada um dos cavaleiros que lutaram por mim, então, serei eternamente grata por vocês todos. – Disse ela, seu discurso mudou a cabeça de todos que pensaram que ela não poderia ser uma Deusa e passaram a vê-la de outra maneira e não como uma menina com um cetro em mãos.
Mais alguns passos foram ouvidos de longe e chamaram a atenção dos cavaleiros e estes olharam para trás e davam espaço pois algumas pessoas iriam passar. Quando abriram o caminho para passarem, viram que as pessoas que se aproximavam usavam máscaras, porém, a silhueta do corpo dessas pessoas eram claramente de mulheres, elas vestiam armaduras também, assim como os cavaleiros de bronze e algumas até vestiam armaduras de prata, aquilo espantava não somente os novatos como alguns dos cavaleiros já experientes dali.
— Hoje é um dia importante, hoje não somente existirão cavaleiros para proteger o mundo das ameaças dos Deuses, mas sim amazonas. Eu vou apresento as amazonas de bronze e de prata. – Ela então direcionou o cetro para as amazonas que se misturavam com todo o pessoal ali. Os cavaleiros de ouro não se assustavam com aquilo, pois já sabiam que isso era esperado, assim também alguns cavaleiros de prata. – Eu treinei pessoalmente Xerazade de Centauro e pedi para que ela achasse mais guerreiras que tivessem a vontade do cosmo dentro delas, sendo assim, algumas armaduras foram destinadas para essas bravas guerreiras que agora também farão parte da minha memória e se tornarão heroínas nessa guerra que está por vir.
O sentimento de toda a multidão de cavaleiros era entre assustados e abismados com o que estava acontecendo, era sim de fato incrível que amazonas pudessem lutar lado a lado com Atena, o que mais os assustava era o uso de máscaras como armaduras. Xerazade que era a amazona citada por Atena, subiu alguns degraus daquela escadaria, parou mais ou menos na metade do caminho e se virou para toda a multidão.
— O uso de máscara é essencial, pois, nos abdicamos de nossa feminilidade para servir Atena, mas não a nossa feminilidade de serem mulheres, a nossa feminilidade comum, nós viemos para proteger Atena e para defender esses templos com as nossas vidas e assim faremos com honra até o final. – Ela retirou a máscara que vestia, possuía lindos olhos, uma boca carnuda e não era tão velha assim, parecia ter entre vinte a vinte e cinco anos de idade, cabelos semi-curtos e repicados, como se fosse cortado com alguma lâmina de espada, seus cabelos eram azulados e pretos. – Toda amazona deve usar a máscara, a não ser aquela que Atena considere como sua Serva. Nós as Servas de Atenas, estaremos junto dela ao Santuário como suas companheiras e conselheiras, mas não somos mais ou nem menos que o Mestre do Santuário e não tão poderosas como os cavaleiros de ouro, apenas estamos para proteger Atena, assim como todos aqui presentes. – Ela parou de falar, enquanto continuava a subir as escadas e ficar ao lado de Atena que deu um passo à frente após o acontecido.
— Illyria de Cão Maior e Pietra de Cobra serão minhas Servas. Todas as demais deverão continuar utilizando suas máscaras, de forma que se provem leal às leis. O homem que vê-las sem máscaras, vocês terão duas opções: Ou amá-los para o resto da vida ou matá-los. – Ela se virou, fez um gesto com a cabeça para Itia dar continuidade e então as duas que a Deusa considerou como suas servas foram caminhando pela escadaria sem suas respectivas máscaras.
Os cavaleiros que estavam em baixo, ficaram imóveis, tanto pelo discurso quanto pelas amazonas e pelas novas normas adotadas. Os ensinamento iam passando de geração à geração pelo Mestre do Santuário e dessa vez, uma nova era estava se iniciando, pelo que todos estavam vendo.
Itia se aproximou quase que descendo um dos degraus, ele balbuciou e então se voltou a pronunciar.
— Espero que estejam todos entendidos. A guerra está por vir e vocês devem estar preparados da noite para o dia. – E então se virou de costas assim como Atena, ia ao Santuário, não demorou muito para que os cavaleiros de ouro também fossem embora dali, deixando somente os de prata, bronze e as amazonas das mesmas patentes que eles.
O sol continuava a brilhar nos céus, ainda não era nem meio dia e todos estavam por ali, alguns cavaleiros que tinham seus discípulos mesmo fora dos Coliseu foram se encontrar com eles, algumas amazonas se reuniram e ficaram conversando, alguns cavaleiros de bronze também conversavam entre si, enquanto Tales e Avenir discutiam sobre o corpo que encontraram no Coliseu. Leon se aproximou da conversa, aquilo lhe era de muito interesse.
— Como um aspirante à cavaleiro acabou sendo morto, Tales? – Perguntou indignado Avenir. – Elisius foi escolhido por Guateguard, ele era bem poderoso e que eu saiba ele já poderia controlar o cosmo, não?
— Exatamente, porém, os golpes que lhe foram aplicados, pareciam golpes extremamente poderosos, vindo de um cavaleiro de prata, provavelmente. – Disse o outro homem coçando seu queixo, pensativo. – Quem poderia ter feito uma atrocidade dessas?
— Ontem, não sobrou ninguém no Coliseu, todos nós fomos para o vilarejo descansar para que hoje pudéssemos estar aqui. – Se intrometeu Leon. – A propósito, sou Leon de Lobo. – Fez uma reverência.
— E onde estava Takeshi? – Perguntou Avenir para o jovem.
— Ele disse que tinha que voltar para o Santuário e conversar com o senhor sobre as lutas e também sobre a batalha, quem também apareceu repentinamente foi Zeno de Gêmeos. – Ele se lembrou do que aconteceu, quando seu cosmo despertou dentro de si. – E o mesmo parou o meu soco, quando despertei meu cosmo.
— Entendo... – Avenir se mostrou pensativo. – Tales pode me acompanhar?
— Claro. – Respondeu o cavaleiro que era robusto, seus braços eram bem musculosos e seu elmo tampava todo seu cabelo, restando apenas uma parte de fora, era alto e forte. – Onde vamos?
— Para o Santuário. – Ele então olhou para Leon. – Obrigado pelas informações Leon.
Os dois homens se foram em direção ao Santuário, os demais ficavam ali conversando, outros já se tinham distanciado e as amazonas também, alguns cavaleiros de bronze até tentavam uma aproximação das amazonas, porém, elas pareciam que não queriam conversa, suas máscaras eram todas exatamente iguais que até mesmo cobriam seus olhos e nariz.
Leon viu que Esídio estava estancado no mesmo lugar em que estava quando todo o discurso estava sendo feito. O jovem estranhou o amigo estancado e paralisado ali e decidiu se aproximar lhe dando um empurrão para quebrar o seu transe.
— O que houve, parece que viu um fantasma. – Brincou.
— E vi, o nome dela é Saeko. – Ele respirou, parecia estar chorando. – Mais conhecido como Atena.
— Então Atena é sua amiga de infância mesmo, cara? Quem me dera... – Brincou novamente dessa vez com um tom mais debochante. – E ela não te reconheceu, não é?
— Não. – Respondeu seco o rapaz.
— Não se preocupe, agora temos várias amazonas para nos apaixonar-mos ou então elas vão nos assinar, mas quem assassinaria o incrível cavaleiro de Hidra, Esídio? – Ele riu novamente.
— Pare com essas brincadeiras! – Falou sério, quase que alterado. – Eu e Saeko passamos muitos momentos juntos, não é possível que ela tenha se esquecido de mim e da nossa infância no orfanato, é doloroso ver alguém e esse alguém nem sequer lembrar da gente. – Falou meio cabisbaixo.
— Não ouviu que ela disse que guarda o nome de todos que estiveram com ela durante as Guerras Santas? Ela com certeza se lembra, porém, ela é ocupada demais, imagine como é ser uma Deusa? Imagine o cosmo que circula pelo seu corpo, imagina como é ter que pensar toda hora que outros Deuses irão matá-la.... Pare de pensar nisso e comece a pensar que pode protegê-la e aposto que se um dia acontecer... Você e ela sozinhos, ela pode vir a falar contigo.
— Eu e ela sozinhos? – O rosto do jovem corou de uma forma estupenda.
— Não é disso que eu estou falando, Esídio! – Riu novamente que até chegou a colocar suas mãos na barriga.
Os dois amigos conversavam enquanto tempo ia se passando e mais sozinhos ficavam, decidiram então voltar ao vilarejo, pegaram suas respectivas caixas de Pandora e guardaram suas armaduras, eles a usavam como mochilas e carregavam-nas por todo o lado. O vilarejo de Rodorio que ficava próximo ao Coliseu e também onde muitos cavaleiros viviam, não era um grande vilarejo, mas contava com uma boa quantidade de pessoas comuns que trabalhavam dia-a-dia e também faziam seus afazeres diários, mesmo tendo tantos acontecimentos recentes, como guerras e batalhas, o vilarejo nunca foi destruído ou atacado, talvez por que o mesmo não tinha sequer nenhuma ligação com Atena.
Próximo ao vilarejo em sua parte externa mais ao sudoeste, havia uma cachoeira, onde muitas vezes pessoas iam lá para passar o tempo ou treinar, os dois decidiram ir lá medir suas capacidades, agora que ambos podiam controlar o cosmo.
Já estava quase entardecendo e ambos chegaram até próximo a cachoeira, num local predestinado exatamente para um combate, o lugar não tinha pedras, apenas um solo firme e terreno, a cachoeira ao fundo dava um ar mais aconchegante e o sol proporcionava uma claridade e calor imensurável.
— Está pronto? – Disse Leon, jogando sua caixa ao chão e tirando sua vestimenta superior, ele vestia uma camisa simples de linho nada bonita de cor amarelada.
— Eu nasci pronto. – Esídio fazia a mesma coisa e também tirava sua camisa que era parecida com a de Leon, porém, azulada. – Quero ver se o cavaleiro de Lobo pode uivar quando a Hidra atacar.
— Me parece que suas piadas são tão ruins quanto seus socos! – Completou entrando em um modo de combate, elevava seus braços na altura dos olhos e num gesto provocativo o chamou para atacar. – Pode vir, Hidrão.
Esídio pareceu voar em direção a Leon, sua velocidade era incrível e o mesmo era rápido e socava Leon, o jovem garoto conseguia bloquear todos os ataques com seu antebraço elevado e com um chute repeliu os ataques sincronizados de Esídio.
— Não adianta, já disse que é melhor tentar sua carreira como um palhaço da corte de Atena do que cavaleiro, Esídio. – Riu enquanto provocava novamente o amigo.
— Você ainda não viu nada. – Ele então parou, fez uma pose e movimentou seus braços de forma rápida, ele não vestia sua armadura, mas parecia que o cosmo estava sem eu interior. – Presas Venenosas!
O golpe fazia com que Esídio esticasse seus dois dedos das mãos, ele então numa velocidade além daquela que já possuía, consistia em acertar o oponente com esses dois dedos anelares e simular como se ambos fossem uma presa, o golpe era tão rápido que Leon não conseguiu esquivar-se ou bloquear, portanto, ficou parado.
Esídio parou a tempo de não acertar Leon e a posição em que parou foi de que seus dois dedos por pouco não se encostavam ao pescoço do amigo, bem na veia principal de seu corpo. Leon respirava fundo e Esídio percebeu que o mesmo estava espantado.
— O que foi isso? – Perguntou Leon ofegante.
— Meu poder. – Respondeu Esídio já saindo daquela posição e ficando mais tranqüilo, assim como Leon. – Não sabia que podemos usar nossas técnicas mesmo sem a armadura?
— Não. – Ele coçou a cabeça, meio corado.
— Só estamos ligados ao cosmo da armadura e a armadura ligado ao nosso cosmo, a nossa armadura apenas amplia nossos poderes e nossa resistência, mas ainda assim, somos cavaleiros sem a armadura. – Disse sentando-se ao chão.
— Eu realmente não sabia, você me pegou desprevenido. – Ele também sentou ao chão. – Você não ganhou, você trapaceou.
— Eu não trapaceei, eu não tenho culpa que você não sabe de nada. – Riu.
Quando ambos estavam rindo, ouviram um barulho, rapidamente se recompuseram e ficaram em alerta, quando menos esperavam, ao longe, na cachoeira viam uma mulher agachada na beira do lado, seus cabelos eram ruivos como o fogo e ela se vestia comumente assim como eles, ela parecia estar chorando.
Eles resolveram se aproximar, foram caminhando de forma rápida até ela e quando se aproximaram ela se virou e acabou olhando para eles. Ela tinha olhos verdes e pequenas sardas na bochecha, era bastante bonita e o que mais chamou a atenção dos dois ali, foi que ao lado dela ao chão estava uma máscara de amazona de bronze.
— Quem são vocês...? – Sua voz era suave como uma brisa tranqüila, ao perceber mais ao fundo as caixas com as armaduras guardadas, ela corou imediatamente e não soube o que fazer, assim como os dois ali.
O silêncio então se propagou naquela tarde e os três ficaram se olhando assustados.
Avenir e Tales seguiam pelas casas em rumo ao Santuário, os cavaleiros de prata tinham uma suspeita, Takeshi de Pégaso era o único que estava presente, segundo as informações de Leon, o mesmo deveria ter contatado Avenir sob o treinamento e o término deste, mas ele não o avisou e também não compareceu ao evento realizado por Atena.
Eles andavam rapidamente, já passava do meio dia e estavam passando pela casa de Virgem, esta casa sempre estava trancada, o dono dessa casa, Fahir de Virgem não deixava essa casa jamais aberta. Quando se aproximaram, para bater na porta, a mesma se abriu sozinha como se já esperasse por eles.
— Podem passar. – Ouviram uma voz.
Avenir já sabia dos poderes de Fahir, ele usava a telepatia e era rara as vezes que ele aparecia em público, a maior parte do tempo seu treinamento era meditar. Não discutiram e Avenir e Tales foram rapidamente passando pela casa e não demoraram muito já atravessaram.
Não viram absolutamente nada naquele lugar, parecia vazio e desértico, apenas os pilares de sustentação. Quando estavam por lá, sentiram uma enorme pressão como se o cosmo fosse pesado naquele lugar e a movimentação de ambos os cavaleiros era difícil e sofrida, pareciam sufocados por algo.
Estavam no caminho entre a casa de Virgem e Libra e de longe podiam avistar que Atena, Itia e os cavaleiros de ouro junto com as Servas já haviam chegado ao Santuário, apesar de toda a subida, da casa de Virgem adiante, o Santuário já podia ser visto e também as pessoas que estavam próximas a ele. Os dois cavaleiros continuaram naquele mesmo ritmo, não tinham nada a temer, apenas queriam informar sobre o acontecimento, afinal, um assassinato de um aspirante à cavaleiro era algo que não atendia às leis de Atena.
— Você acredita mesmo que Takeshi teria feito uma coisa assim? – Comentou Tales com o cavaleiro.
— Eu não quero acreditar em nada, mas é minha função alertar os superiores sob uma infração dessas. Estamos em tempos de preparação para a guerra, provavelmente os espectros de Hades já estão prontos para despertar e assim, podemos estar sendo enganados, não acha? – Comentou Avenir sobre seu pensamento.
— Você está certo, Avenir. – Ele disse. – Futuramente você pode até se tornar um cavaleiro de Ouro, seu poder e sabedoria são incríveis.
— Quem me dera eu ser comparado com Krest e Sage. – Ele sorriu, Avenir era um jovem mais compacto e sábio, seus estudos e pensamentos eram voltados para Atena e também tinha um bom conhecimento do cosmo, dentre os cavaleiros de prata, era o mais forte, assim dizendo.
Os dois foram caminhando num ritmo meio apressado, apesar de que não tinham tanta pressa assim para chegarem até o Santuário. O entardecer já estava se intrometendo e afastando um pouco o sol, devia ser por volta das duas ou três horas da tarde e aquele clima favorecia a subida ao Santuário, que não era nada fácil, se continuassem nesse ritmo, em pouco tempo estariam lá em cima.
Atena chega ao sem templo, estava acompanhada de suas Servas, o Mestre do Santuário e também dos doze cavaleiros de ouro. Na entrada ordenou que apenas as Servas a seguissem e pediu para que cada um voltasse ao seu posto em cada uma das casas e Itia voltasse ao Salão do Grande Mestre que antecipava seu templo. Ela passaria algumas horas meditando com suas Servas, pois o dia da guerra se aproximava.
— Atena, espero que possa ficar bem, para qualquer desvio do cosmo, estaremos próximos. – Disse Itia já saindo. – Estarei meditando no Monte Estelar.
— Tudo bem. – Ela foi seca e disse já entrando em seu templo, acompanhada de suas Servas, que tinham como suas patentes armaduras de prata.
Os cavaleiros de ouro sabiam a hora de partir e também decidiram voltar, para suas respectivas casas, no caminho alguns assuntos foram tratados como um treinamento mais puxado para os cavaleiros e amazonas de bronze e os de prata também voltassem a treinar constantemente. Itia iria subir no Monte Estelar, o lugar onde o Mestre do Santuário ia para meditar e ver o movimento dos astros, seguindo assim uma previsão da próxima guerra e quando aconteceria, mas seria em breve, pois tudo estava se formando da maneira mais exata possível.
Atena e suas Servas adentraram ao templo, um lugar bastante belo, repleto de ouro e adornos da Deusa, pilares de sustentação enormes e mais ao fundo uma enorme estatueta de Atena, construída nos primórdios tempos, desde o nascimento da mesma. O Templo era comum, se comparado a imensidão dele, havia como se cômodos ao redor de um grande salão onde as Servas poderiam ficar ou mesmo dormirem lá. Elas estavam ali para companhia e proteção de Atena, já que os cavaleiros de ouro, protegiam suas casas e ficavam lá. Atena sentou-se em uma espécie de trono feito de pedras e mármore, um trono singelo perto de uma divindade, ela iria meditar. As Servas então saíram dali e foram para seus cômodos, talvez descansar ou mesmo meditar um pouco, após isso algumas borboletas marrons e esverdeados começaram a surgir pelo salão de Atena. As borboletas circulavam por todos os lugares e então Atena sentiu algo diferente e abriu os olhos rapidamente saindo de sua meditação, em sua frente estava Takeshi que parecia cercado com essas borboletas.
— Takeshi...? – Disse ela assustada, levantando-se do trono. – Você me parece ferido...
— Eu preciso proteger Atena... E apenas eu posso protegê-la, ninguém tirará de mim a armadura de Pégaso... Ninguém... – Ele resmungava para si mesmo e a Deusa não estava o ouvindo, ele dava pequenos passos em direção à ela, enquanto a mesma ficava mais assustada com o acontecido, ele também parecia ferido e respingos de sangue de seu punho podiam ser vistos manchando o chão daquele templo.
— Takeshi de Pégaso se recomponha! – Disse alto a Deusa para o rapaz batendo seu cetro no chão fazendo uma forte onda de ar ir até ele, o que não adiantou nada, mas serviu como um alerta para suas Servas.
— Eu preciso protegê-la! – Gritou o rapaz concentrando em sua mão um cosmo imenso, ao seu redor as borboletas se dissipavam e também um cosmo negro tomava conta de seu corpo, apenas Atena o via. O jovem cavaleiro foi caminhando vagarosamente em direção à Deusa, de repente uma de suas Servas chegou e viu toda aquela cena.
— Atena! – Gritou Pietra que vestia sua armadura de cobra sem a máscara, pois, como Serva ela não precisava. A mesma era morena, com longos cabelos e olhos pouco pequenos, também escuros, tinha uma estatura pequena, mas não tão baixa e rapidamente concentrou o cosmo em seu punho da mesma maneira. – Garra do Trovão.
A Serva possuía uma velocidade incrível e sua habilidade era ainda mais rápido, como um trovão ela se projetou para acerta Takeshi, mas foi surpreendida pelo bloqueio do mesmo que apenas com o levantar da mão esquerda parou o golpe.
— Você não pode proteger Atena. – Disse ele sem nem sequer olhar para a Serva e apertando a mão da mesma, concentrou a energia de seu punho direito e a acertou diretamente na face, o que fez ela voar para metros dali, se debatendo contra os pilares de sustentação do templo de Atena.
Como num vulto Xerazade interveio por trás e com uma lâmina de espada perfurou o tronco de Takeshi. A amazona de prata era incrivelmente rápida e era uma das mais fortes guerreiras de Atena, num vulto novamente ela parou frente a Deusa e permitiu que Illyria também chegasse, ambas estavam de frente para Takeshi e preparadas para lutar.
— O que está acontecendo? – Perguntou Xerazade para Atena, encarando Takeshi que estava a mais ou menos quinze metros de distância.
— Ele apareceu do nada, essas borboletas também apareceram junto dele, o cavaleiro de Pégaso é puro, porém, algo está o tornando maligno. – Ela estava séria e pensativa. – Será Hades? Mas Itia disse que ele ainda não havia despertado.
— As previsões podem estar equivocadas. – Completou Illyria, olhando para Takeshi. – Eu vou atacá-lo, tire Atena daqui! – A amazona que possuía a armadura de Cão Maior, era uma bela jovem de cabelos esverdeados e com uma pinta abaixo do olho esquerdo que a deixava ainda mais bela. Concentrando o cosmo em apenas um soco, do qual era um grande acúmulo de energia, ela foi à direção do jovem cavaleiro e sem hesitar desferiu o golpe. – Grande Punho Esmagador!
O golpe era tenebroso e ao encontrar a face do oponente, um grande impacto aconteceu, tremendo todo o local, nesse momento, já estava no entardecer e todos estavam distantes do templo de Atena. O soco que atingiu Takeshi o fez se afastar a poucos metros dali, parecia que ele não sentia dor alguma, ele continuava a resmungar que tinha que proteger Atena a todo custo e seu cosmo com aura negra ia aumentando apenas.
— Meteoros de Pégaso! — Falou baixo, mas numa velocidade incrível golpeou Illyria rapidamente e fez com que a mesma voasse para longe dali quebrando a parede do templo e abrindo um grande buraco atrás do trono de Atena, depois do templo, havia um enorme precipício que não resultava em nada e era tão alto que poucos sobreviveriam à queda. – Eu tenho que proteger Atena. – Ele parecia cansando e cambaleava, mas não desistia de se aproximar da Deusa.
— Maldição! – Exclamou Xerazade aflita. – Não via outra solução, suas duas companheiras foram derrotadas por um cavaleiro de bronze facilmente, mas o cosmo desse cavaleiro era surpreendente, quase que se equivalendo à de um cavaleiro de ouro ou até mesmo mais. As borboletas continuavam ali e circulavam por todo o templo e se concentravam principalmente na entrada do templo, a amazona logo percebeu. – Um espectro está o dominando, Deusa Atena. – Ela olhou e balançou a cabeça afirmando algo que a Deusa provavelmente já esperaria, vindo dela, já que elas treinaram juntos.
A amazona numa velocidade incrível se direcionou na frente de Takeshi e seu cosmo parecia ferver. Logo uma coloração avermelhada se formou em suas duas mãos e ela num salto apontou suas mãos para o cavaleiro.
— Turbilhão de Fogo! — Uma espécie de tornado de fogo se formou contra Takeshi e não parou, Xerazade não parou por aí, continuou a gritar o nome da sua habilidade, o turbilhão de fogo que se formava não dava chances para o cavaleiro de bronze se locomover, Xerazade estava utilizando todo o seu cosmo ali, para não somente atrasar Takeshi mas, atingir as borboletas do local, depois de muitos golpes toda a área atingida, ficou queimada, mesmo pedras e o chão, pareciam derretidos com aquele imenso cosmo e a amazona extremamente cansada, quase que desmaiando em pé, porém, todas as borboletas de dentro do templo haviam sido eliminadas.
Takeshi de Pégaso parecia um pouco machucado, ferimentos leves e alguns mais profundos de queimaduras, ele se levantou, pois estava ajoelhado de forma a agüentar os golpes e se direcionando para Xerazade concentrou o cosmo em seu punho e a atingiu com força na altura do peito, da mesma maneira que Pietra ela fora lançada para longe contra alguns pilares foi aí então que Atena e ele ficaram frente a frente.
— Preciso... Proteger Atena... – Sua aura era escura assim como seu cosmo.
— Takeshi de Pégaso, você está sendo possuído por um espectro... E você... – Quando ela ia se pronunciar, o cavaleiro de bronze a agarrou com o punho que pingava sangue desde a sua entrada no santuário.
— Proteger... Atena. – Ele então a tocou e Atena sentiu seu cosmo. Uma forte luz tomou conta daquele lugar e tudo pareceu tremer, o barulho foi intenso o que poderia chamar a atenção das últimas casas dos cavaleiros de ouro, que eram as casas de Peixes e Aquário. A luz ficou forte por ali e novamente mais um forte estrondo, que acabou consumindo os dois naquela ocasião e então tudo ficou quieto e calmo e o templo da Deusa destruído com aquela batalha.
Itia estava no Monte Estelar, era quase o anoitecer e algumas borboletas sobrevoam aquele monte que era acima das nuvens dos céus e somente o Mestre do Santuário poderia subir por lá. As borboletas estavam ao seu lado, algumas até estavam pousadas em seu ombro, enquanto o mesmo se encontrava em pé, com as duas mãos rentes, parecendo que estava orando.
Daquele monte não se podia ver o Santuário, nem o templo de Atenas, quanto menos ouvir alguma catástrofe. Itia que era um dos mais velhos dentre todos ali e também mais sábio, vivia frequentemente naquele lugar, meditando e prevendo o futuro, olhando os astros e estrelas. Era um homem de confiança de todo o Santuário e também de todos os cavaleiros que até se inspiraram nele para se tornarem hoje quem são, no caso de Sage de Câncer e Hakurei de Altar, ambos irmãos.
Foi quando em meio a sua meditação foi interrompido por um som.
— Eu sabia... – Disse Zeno aparecendo no Monte Estelar. O lugar era repleto de rochas, um templo era formado em meio as rochas e parecido com uma das Doze Casas, havia uma ali, onde era o templo que o Grande Mestre ficava. O cavaleiro de ouro deu mais dois passos e viu aquele montante de borboletas ao redor de Itia e também muitas outras que sobrevoavam por ali. O caminho para o Monte Estelar era de conhecimento mútuo e uma estrada entre o templo de Atena e o Salão do Grande Mestre, poderia levá-los até lá. – Você é um impostor.
Itia apenas ouviu e não se pronunciou, ainda estava de costas para o cavaleiro e continuava na mesma posição que estava.
— Você é um impostor, Itia. Eu sabia que algo estaria errado, você não passa de um impostor e está serviço de Hades, não é? – Ele apontou para as borboletas do local. – São as Fadas do Submundo, não? Eu tenho conhecimento delas... Elas controlam sua mente e estão controlando a sua!
Não demorou muito para que o peito de Zeno fosse atravessado por um soco. O Grande Mestre vestia uma túnica acinzentada com um manto branco cheio de adornos por cima, seu elmo era uma das armaduras sagradas, até dizem que é o próprio elmo da armadura divina de Atena, já que a mesma se abdicou de usá-lo. Itia estava com os olhos fechados e metade do antebraço enfiado na barriga de Zeno, sua mão já havia atravessado o corpo do cavaleiro.
— Você não deveria estar aqui. – Ele disse. – Você vai morrer, assim como todos os outros cavaleiros. Eu perdi a fé na humanidade, após duzentos anos é isso que acontece com você. Eu perdi a fé em Atena e seus ideais e decidi por um fim nisso tudo por mim mesmo. – Ele retirou seu braço e deixou um buraco enorme no corpo do cavaleiro que estava ferido e paralisado com a velocidade do Grande Mestre. – Atena já está sendo raptada, é o fim de todos.
Zeno sentiu uma enorme dor depois que Itia retirou seu braço, a velocidade do velho era tanta que ele nem dor sentiu quando foi atravessado. O cavaleiro não se desestruturou, manteve-se firme e com a mesma postura, mesmo com tamanha dor. Concentrou seu cosmo no punho direito e com um soco buscou atacar o Mestre que bloqueou apenas com uma mão, segurando a mão do cavaleiro.
— O que vai ganhar com isso... Um lugar junto de Hades no inferno? Você pode ser mais do que isso, Itia. – Disse o cavaleiro olhando para o Mestre. – Você sabe que terá que passar por cima de todos os cavaleiros de ouro, por Atena e também por ele. Acha que consegue vencer todos eles sozinho?
— E quem disse que eu estou sozinho? – O homem apertou com força a mão de Zeno e preparou um soco que acertou diretamente a face do cavaleiro, jogando-o para fora daquele templo. – Vocês não sabem a minha real capacidade, nem mesmo Krest é capaz disso. Você será o primeiro dos cavaleiros de ouro que morrerá e a partir de você um a um, até restar nenhum. Sinta-se honrado, Zeno de Gêmeos.
A velocidade do cavaleiro era também incrível, mesmo golpeado e ferido daquela maneira, o mesmo ainda lutava e de uma forma imprevisível, apareceu atrás de Itia, seu cosmo estava queimando como nunca.
— De todos que poderiam trair Atena, você é era o que menos era esperado, você é como uma inspiração para todos os cavaleiros, uma pena que tenha que terminar assim! – Ele uniu os dois braços e então pronunciou, enquanto seu cosmo era elevado à alturas extremas, onde qualquer cavaleiro de ouro do Santuário todo pudesse sentir. – Explosão Galáctica!
Tal poder se manifestava como uma combustão, o cosmo era expelido como uma explosão de dentro para fora, uma grande e poderosa energia era lançada contra Itia, uma enorme luz se formou diante deles e o templo no Monte Estelar foi encoberta pela luz do golpe utilizado por Zeno. As paredes, pilares, rochas e mesmo mesas, cadeiras e coisas de dentro do templo foram destruídos, Itia recebeu o golpe diretamente e não esperava por tal, o golpe foi devastador, o templo fora destruído quase por completo, o elmo do Mestre do Santuário estava manchado de sangue, assim como seu corpo e suas vestes rasgadas. Zeno havia desaparecido.
— Tolo... – Itia se recuperava do golpe, as borboletas haviam sumido também com aquele enorme poder. – Se sacrificou para chamar a atenção dos demais cavaleiros, mas ele não imagina que os próprios cavaleiros estão ao meu lado. – Ele teve certa dificuldade para se locomover, o golpe realmente havia sido devastador.
O alerta havia sido emitido, o cosmo gerado pela Explosão Galáctica de Zeno. Todos os cavaleiros haviam notado a dispersão e alteração no cosmo, principalmente vindo no templo de Atena, quando todas as borboletas foram dissipadas. Os cavaleiros que já estavam em suas respectivas casas, imediatamente partiram, porém, algumas surpresas os esperariam.
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