O Conto do Cão Negro
8 Capítulo 08: O Banheiro dos Monitores
Sirius e Flori haviam combinado que após o toque de recolher eles voltariam para a Sala Comunal e subiriam para seus quartos. Depois, esperariam até que a Sala estivesse vazia para descer e então saírem juntos. Flori havia sugerido aquela estratégia para que a ausência de ambos não fosse notada, ao invés de se esconderem em uma sala após o jantar e irem direto para o banheiro como era o desejo de Sirius.
Encobertos pela Capa e com o Mapa como guia, os dois conseguiram evitar Filch e Madame Nor-r-ra e em poucos minutos chegaram à estátua de Boris, o Pasmo no quinto andar. Sirius levou-os até a quarta porta à esquerda da estátua e sussurrou:
— Bolhas de Algodão.
A porta deslizou para trás e eles entraram. Assim que ela se fechou, Sirius arrancou a Capa e depositou-a ao lado da entrada; daquela forma tinha certeza de que ambos não a esqueceriam quando saíssem.
— Minha nossa! – Suspirou Flori. – O incômodo de ser Monitor é totalmente relevado só pelo fato de poderem usar esse lugar!
Ela olhava perplexa para o banheiro, admirando-se tal qual um estudante que acabava de entrar pela primeira vez na Dedos de Mel. Sirius a olhava de braços cruzados e com um pequeno sorriso no rosto, enquanto a garota se divertia abrindo as diversas torneiras e cheirando o seu conteúdo. Flori gastou vários minutos experimentando as válvulas incrustadas de joias com uma expressão maravilhada na face, até que se deu conta de que estava sendo observada.
— Desculpe. – Ela ficou de pé e lançou um sorriso constrangido ao rapaz. – Você tinha razão, é divertido.
— Ficará ainda melhor quando ela estiver cheia. – Disse ele, indicando a piscina que começava a se cobrir de água e espuma.
Os olhos de Flori recaíram sobre o único quadro que havia na parede, onde uma sereia dormia profundamente.
— Você não acha que ela pode acordar? – Indagou ela, com uma nota de aflição na voz.
Sirius também olhava preocupado para o quadro. Remo não lhe dissera que aquilo estava ali, talvez não tivesse se lembrado, mas a pintura poderia ser um problema, já que os indivíduos nos quadros costumavam se locomover de uma moldura a outra pelo Castelo e poderia acabar contando que os vira fazendo coisas ali durante a noite. Não tinha certeza se por ser de um tipo aquático aquela sereia poderia sair normalmente, ou se poderia aparecer somente em quadros que tinham algum corpo d’água, contudo, não estava disposto a arriscar. Não quando já haviam chegado tão longe. Tomando uma súbita decisão, Sirius se aproximou do quadro e apontou a varinha para a sereia, que ainda dormia, e murmurou:
— Obscuro.
Uma venda preta apareceu sobre os olhos da sereia e agora, mesmo que ela acordasse, não seria capaz de ver nada.
— Isso foi brilhante! – Admirou-se Flori. – Onde aprendeu?
— Ouvi o Professor Flitwick falando sobre esse feitiço com Aluado, Remo, — corrigiu-se – um tempo atrás. – Explicou. – Problema resolvido, mas acho que não devíamos usar nossos nomes, caso ela acorde e porventura esteja nos ouvindo. – Ele pensou por um momento. – Você pode ser a...
— Ou – interrompeu Flori, erguendo a própria varinha – podemos simplesmente lançar um Abaffiato nela.
— É mesmo mais simples. – Concordou Sirius, sentindo-se tolo por um momento.
Flori sussurrou o feitiço e então virou-se para ele.
— E agora? – Ela parecia nervosa novamente.
Sirius olhou de relance para trás antes de responder.
— A piscina já está bem cheia. – Observou. – Acho que podemos entrar.
— Certo. Você... você quer fazer as honras? – Indagou.
Ele sorriu, achando atraente sua aparente timidez.
— Muito bem, eu vou primeiro. – Declarou.
Parou ao lado da piscina e começou a se despir, retirando os sapatos e em seguida as vestes, ficando somente com a roupa de baixo. Enquanto ele se livrava das roupas, Flori evitou encará-lo propositalmente e passou a memorizar os detalhes das cortinas que cobriam as janelas do banheiro. Sirius subiu no trampolim que havia ali perto e atirou-se na água com uma pirueta, espalhando espuma para todo lado. A garota soltou um gritinho quando a água respingou nela.
— Sua vez. – Anunciou ele, sacudindo os cabelos compridos como um cão.
— Só pra você saber... – Ela se afastou das janelas e parou na beirada da piscina. – Não serei tão desinibida quanto você.
— Sem problemas. – Ele a tranquilizou. – Só venha logo até aqui. – Ordenou com um sorriso impaciente.
— Feche os olhos. – Pediu Flori, com seriedade.
Sirius forjou um suspiro exasperado e fechou os olhos.
— Cubra-os com as mãos. – Ordenou.
— Isso é mesmo necessário? – Indagou.
— Vai logo!
Ele ergueu as mãos e colocou-as diante dos olhos, obedecendo-a. No entanto, aquilo não deve ter sido suficiente para ela, pois um segundo depois uma venda foi conjurada sobre seu rosto, tal qual ele havia feito com a sereia no quadro.
— Que droga, Flori... não confia mesmo em mim, hein? – Murmurou Sirius, sentindo-se eufórico.
Quanto mais ela o impedia de olhar, mais curioso ele ficava, tornando todo aquele procedimento uma verdadeira tortura.
— Você poderia espiar por entre os dedos. – Resmungou Flori e Sirius tomou um susto, pois era exatamente o que havia pretendido fazer.
Ele aguardou em silêncio enquanto ela se preparava, ouvindo suas roupas farfalhando até o chão conforme as tirava. Sua excitação foi aumentando gradativamente. Ele a ouviu pulando para dentro da piscina e a água revolvia-se em ondas em torno de sua cintura, à medida que Flori se aproximava.
Sentiu os dedos dela fechando-se sobre seus pulsos e os puxando para baixo, demonstrando que estava liberado agora. Sirius envolveu-a pelo quadril e espantou-se ao encontrar uma pele macia e nua. Ele ofegou.
— Flori... onde estão suas roupas? – Perguntou.
— Eu acho que acabei esquecendo-as no meu malão. – Respondeu de maneira travessa.
Ele ia fazer outra pergunta quando ela o calou com um beijo. Suas mãos subiram por seu pescoço e foram até o rosto, onde ergueu a venda alguns centímetros. Flori o largou e encarou-o fixamente. Ela arrancou sua venda e atirou-a pelo chão do banheiro, enquanto as mãos desciam ágeis até suas pernas. Ela segurou no tecido de sua roupa e começou a suspendê-lo.
— Você tem certeza? – Indagou ele, mal ousando acreditar.
Flori assentiu.
— Eu tenho agora.
Eles se beijaram novamente, desta vez com vigor, e Sirius assumiu o comando, ajudando-a a se livrar da inconveniente peça e trazendo-a bem próximo de si. Ele passou a explorar seu corpo com os lábios e com a ponta dos dedos, descobrindo-o por inteiro pela primeira vez. Flori fazia seu próprio exame com minúcia, tocando cada canto, parecendo procurar seus pontos fracos. Ele sentia-se queimando cada vez que a mão dela resvalava por si, subindo e descendo.
Ele não podia mais se conter; um desejo voraz assomou-se nele e ele agarrou a garota, puxando-a contra si e virou-a, impelindo-a contra a parede da piscina. Enquanto voltava a beijá-la vigorosamente, sentia que Flori afastava as pernas e enlaçava seu quadril em um convite final. Ávido pelo seu corpo, Sirius finalmente transpassou aquela barreira e uniu-se a ela compassadamente, enquanto suas vozes inflamadas ecoavam pelo recinto, transformando-as numa melodia que envolvia também seus corpos.
***
Após o que considerou o melhor momento de sua vida chegar ao fim, Sirius havia saído da piscina e ido à procura de várias toalhas felpudas com as quais improvisou um leito para ele e Flori. Felizmente, ela parecia mais relaxada, por isso não se preocupou em se cobrir e deitou em seus braços, enquanto Sirius a admirava cobiçosamente.
Permaneceram mudos por algum tempo, cada qual perdido em seus próprios pensamentos, até que Flori o chamou:
— Sirius... – Ela virou-se totalmente em sua direção. – Você já fez isso antes? – Perguntou.
— Você quer saber se eu já trouxe alguma garota as escondida até aqui antes? Não, você foi à primeira. E a única. – Garantiu.
— Não. – Retrucou. – Isso. – Ela fez um gesto amplo. – O que acabamos de fazer.
O sorriso de Sirius sumiu. Não criara ilusões, imaginando que a namorada jamais o questionaria sobre isso, porém, torcera para que, pelo menos naquela primeira vez, pudesse evitar o assunto. Contudo, Flori costumava ser perspicaz demais e ao mesmo tempo em que apreciava essa qualidade, via-se aborrecido com ela em momentos como aquele.
— Já. – Confessou. – Aconteceu durante as férias de verão. – Respondeu.
Não conseguiu identificar o que se passava pela cabeça dela naquele instante, mas não teve muito tempo para se preocupar, pois Flori continuou com as perguntas.
— E como foi? Isto é, se não for um segredo.
Não era, no entanto, não se sentia disposto a falar sobre isso com ela, imaginando que, no lugar de Flori, estaria se retorcendo de ciúmes. Todavia, devido ao acordo que haviam feito, não podia ocultar nada dela.
— Bem, como sabe, fugi da casa de meus pais e estou morando com Tiago desde junho e fizemos bastante coisas juntos, mas houve uma noite em que decidi sair sozinho. Queria explorar a vizinhança. – Contou. – Entrei escondido em um bar e conheci uma moça amigável lá, mais velha do que eu e... resumindo – porque ele não queria entrar nos detalhes sórdidos – aconteceu com ela.
— Vocês ficaram juntos mais vezes depois disso?
— Não. – Assegurou Sirius.
— Mas... teve outras?
Pela forma como Flori o olhava, ela não parecia realmente querer saber, porém, era uma daquelas situações desagradáveis em que, mesmo a pessoa sabendo que iria se atormentar e que deveria deixar para lá, escolhia continuar.
— Mais três. – Respondeu. – Eram garotas trouxas. – Disse, não sabendo o que o levara a acrescentar. – Nunca mais as vi.
— Entendo. – Murmurou. – É uma pena, se você tivesse esperado mais um pouquinho... – Ela deixou a frase no ar e forçou um sorriso.
— Eu... lamento. Isso a deixa chateada?
E Sirius de fato lamentava, contudo, o que jamais admitiria é que fizera aquilo de propósito. Se revelasse a Flori que procurara fazer sexo com outras garotas como uma espécie de treino, sabia que ela nunca mais o olharia da mesma forma e com razão, porque agira como um canalha. Não possuía uma boa defesa, apenas que, mesmo com todas as brigas e provocações que tiveram ao longo dos anos, Sirius jamais havia perdido as esperanças de voltar com Flori. Não sabia quando seria aquilo, o que sabia era que não queria estar despreparado quando finalmente ficassem juntos; ele tinha certeza de que gostaria fosse como fosse, mas queria garantir que fosse um momento agradável para ela também. Mas sabia que aquela explicação nunca seria bem-vista pela namorada, por isso a levaria para o túmulo com ele, quebrando sua regra pela primeira vez.
— Bem... – Flori se ergueu nos cotovelos e o olhou. – Já que você foi tão sincero comigo, também preciso dizer a verdade e... sim, isso me magoa um pouco. Eu sei que é besteira. – Reconheceu. – Mas gostaria que tivesse sido comigo a sua primeira vez.
Ele também se sentou.
— Eu não sei se isso é de algum consolo, mas a agradaria saber que não tenho interesse em fazer isso com mais ninguém? – Indagou.
Um sorriso sincero surgiu no rosto de Flori.
— Por mais ridículo que possa parecer... Isso me agrada muito.
Sirius devolveu o sorriso e foi atirado sobre as toalhas por Flori, que o atacou e sentou sobre ele. Eles fixaram o olhar por um breve instante e então recomeçaram tudo de novo, desta vez sem pressa, afinal, encontravam-se totalmente a sós.
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