O Conto do Cão Negro
5 Capítulo 05: O Novo Apanhador
— Eu não acredito que você vai mesmo fazer isso. – Suspirou Lílian, ao notar a vassoura na mão da amiga quando veio se juntar a ela no café da manhã.
— Eu disse que ia tentar, os testes são hoje, lembra? – Redarguiu Flori, servindo-se de mingau de aveia.
— Achei que fosse piada. – Retrucou Lílian.
— Por que tanto mau-humor? Não acha que eu devo jogar no time de quadribol só porque sou garota?
— Não seja boba, Flori. Eu acho que ninguém deveria jogar quadribol, independente do sexo. Torna as pessoas vaidosas e arrogantes. – Declarou.
Flori baixou os olhos para a sua tigela e revirou os olhos, para que a amiga não visse.
— Nem todos são como Tiago. – Murmurou.
Na verdade, aquilo era para ter ficado somente em seus pensamentos, mas já a ouvia reclamar havia tanto tempo do rapaz, que às vezes era difícil não ficar aborrecida com suas queixas.
— Não estou falando somente do Potter. – Respondeu Lílian da maneira mais digna que pôde. – O seu queridinho também é outro. Até pior, eu me arriscaria a dizer.
— Queridinho? – Repetiu ela, sentindo as bochechas queimarem.
Havia um sorriso astuto no rosto da outra.
— Toquei em um ponto sensível?
— Nós somos só amigos e você sabe disso! – Flori defendeu-se.
E estava dizendo a verdade. Ainda que tenha permanecido as últimas semanas do ano chateada com Sirius por ter sido expulso do Clube de Duelos, quando voltaram das férias, os ânimos já haviam se acalmado e ambos continuaram a cultivar sua amizade. Não poderia dizer que eram íntimos, mas ao menos haviam parado com as picuinhas de quando eram crianças e para ela isso era suficiente, ainda que uma incômoda pontada lhe atingisse sempre que o via com outra ou ouvia as garotas entre cochichos e risadinhas quando ele passava.
— Se você diz eu acredito. Para qual posição você vai fazer teste? – Perguntou.
— Ouvi Sirius comentando com o capitão que precisavam de um apanhador agora que a Fuller saiu. – Respondeu Flori. – Por falar nisso, você vem ao treino comigo, não? Seria bom ter alguém torcendo por mim. – Ela piscou os olhos para amiga várias vezes, fazendo-a engasgar com a torrada. – Ops! Anapneo! – Grasnou a garota, desesperadamente.
Lílian tossiu antes de responder:
— Obrigada. – Agradeceu. – Eu adoraria ir, mas Sev perguntou se eu não gostaria de fazer o dever de Poções com ele e eu já prometi que iria. – Explicou.
Flori comprimiu os lábios. Não confiava muito em Severo Snape e não gostava nem um pouco dele; achava-o um garoto estranho e tortuoso, contudo, já se cansara de discutir a respeito de sua amizade com ele com Lily, por isso resolveu não dizer nada. Além do mais, mesmo odiando abertamente os Marotos, nunca se metera em sua amizade com Sirius.
— Tudo bem. Nos vemos depois então. – Disse, erguendo-se e pegando a vassoura.
— Você não terminou o seu mingau. – Observou Lílian.
— É melhor eu ir, antes que fique muito tarde. E dizem que barriga cheia e nervosismo não combinam.
Flori despediu-se da companheira e correu rapidamente até o campo de quadribol. Uma vez lá, ela e mais dois garotos que também disputavam a vaga de apanhador foram orientados a trocarem suas roupas e vestirem os uniformes.
Assim que saiu do vestiário foi saudada pela luz do sol que a cegou por uns instantes.
— Flori? Você veio para o teste?
Ela abriu os olhos e encontrou Sirius e Tiago parados a alguns metros de distância ao lado de suas vassouras. Ambos já usavam seus próprios uniformes.
— Vim. – Afirmou, indo em direção aos rapazes. – Ganhei uma vassoura nova no começo do ano e fiquei com pena de deixá-la guardada. Aliás, gostei da sua.
Ela indicou com um aceno a nova vassoura de Sirius. Ela era preta desde o cabo até a ponta da última cerda bem alisada. O modelo estava escrito na empunhadura em branco cintilante: Nimbus 1500. Certamente o último modelo lançado.
— Ah, obrigado. Ganhei de meu tio Alfardo como presente de aniversário adiantado. – Explicou. – Ele riu um monte da minha cara quando contei como perdi a que tinha e disse que merecia ter ficado com a cabeça de balão por uma semana. – Contou.
Ele olhou de sua vassoura para a dela com um sorriso de canto, enquanto Tiago ria abertamente ao seu lado. Quando ergueu os olhos para Flori, havia um brilho estranho neles; era como se o garoto tivesse sido nocauteado.
— O que foi? – Indagou ela, olhando-o preocupada.
— Não é nada. – Sirius sacudiu a cabeça. – Você...
— Não esquenta, Flori. – Intrometeu-se Tiago. – É que quando vê garotas em uniforme, Sirius não consegue...
Mas o que Sirius não conseguia ela jamais chegou a saber, pois a fala de Tiago foi interrompida ao meio quando o outro lhe aplicou uma cotovelada na costela. A garota esforçou-se para não cair na risada, enquanto mantinha uma expressão neutra.
— Alguma dica de como conseguir a aprovação do capitão? – Perguntou, resolvendo mudar de assunto.
— Não se preocupe, Johnson é muito tranquilo. – Respondeu Sirius, parecendo aliviado. – Você só precisa se manter focada e com a cabeça no lugar.
— Não dar atenção às provocações é uma boa pedida também. – Ajudou Tiago, esfregando as costelas.
— Provocações? – Indagou Flori, franzindo a testa.
— É, sabe... acabou vazando por aí que íamos fazer teste para um novo apanhador e acontece que algumas pessoas vieram dar uma espiada. – Tiago apontou com o polegar para arquibancada atrás de si.
Flori seguiu seu olhar e encontrou um grupo pequeno e animado no meio dos bancos, que imediatamente reconheceu como os jogadores do time de quadribol da Sonserina.
— Aquele não é o seu irmão? – Indagou ela, virando-se para Sirius.
O rapaz amarrou a cara e assentiu. Ela fez menção de perguntar algo, porém, a um sinal de cabeça de Tiago por de trás do amigo, manteve-se quieta. Sirius nunca falava de seu irmão, tampouco de sua família. Em seu primeiro ano, ambos haviam compartilhado histórias sobre suas respectivas famílias e pelo que ele dissera na época, a relação entre eles sempre fora complicada. Mudando de assunto rapidamente, Flori resolveu continuar:
— Bem, estou vendo que o capitão está conversando com os outros dois candidatos à vaga de apanhador. Melhor eu ir. – Disse.
— Boa sorte. – Desejou Sirius, retomando o bom-humor.
Ela agradeceu com um aceno e dirigiu-se até o centro do campo, apresentando-se diante do rapaz robusto e de braços grandes do tamanho de toras. Johnson era um dos batedores do time e assim que ela se reuniu a ele e aos outros rapazes, tirou um apito de dentro das vestes e assobiou alto para que todos se posicionassem para o início do treinamento.
O treino durou quase a manhã toda e durante esse meio tempo, Johnson procurou dividi-lo igualmente em três momentos para que pudessem testar a dinâmica de todos os candidatos. Flori foi à última a ser colocada à prova. Observando seus concorrentes, procurou memorizar o que eles faziam de errado para não cometer o mesmo erro e, consequentemente, sair na frente. Não tinha ideia se havia ido bem; seus companheiros de time ocultavam suas emoções, talvez a pedido do próprio capitão, porém, havia dado tudo de si e, considerando que era uma garota nascida trouxa, cuja experiência com aquele esporte se dava unicamente através das partidas que havia assistido na escola, achou que não havia sido tão ruim.
Com um apito final, Johnson ordenou que os aspirantes a apanhador descessem para o campo, enquanto ele e o restante do time confabulavam. Os três assim o fizeram e ficaram observando ansiosamente, cada um de um canto diferente do gramado, os outros seis jogadores conversando em um pequeno círculo no céu.
Quase cinco minutos haviam se passado quando a conversa chegou ao fim e Sirius foi o primeiro a disparar feito um foguete em direção ao chão. Ao parar derrapando na grama extremamente verde, saltou da vassoura e veio correndo até o lugar em que Flori estava.
— Você conseguiu! – Anunciou.
Ela mal pôde acreditar. Olhou de relance para o outro lado e encontrou o capitão conversando com os outros dois garotos; havia uma expressão de pesar no rosto de um deles e raiva no de outro.
— Eu consegui? – Repetiu. – C-como isso é possível? Carter voou muito melhor do que eu. – Olhou para o garoto zangado novamente.
Sirius sacudiu a cabeça.
— Carter era muito distraído. Vivia levando balaços na nuca, você não notou?
— Bem...
— Você estava fantástica! – Exclamou. Seu sorriso era enorme e ele parecia tão empolgado quanto ela. Sirius lhe deu um abraço rápido, mas suas mãos permaneceram em suas costas quando se afastou, como se não quisesse soltá-la ainda. – Não sabia que voava tão bem.
— Para dizer a verdade, foi surpresa pra mim também. – Admitiu. – Não tenho como treinar em casa, por razões óbvias, então tirei algumas horinhas quando as aulas recomeçaram. Estou aliviada que tenha me tornado uma pilota decente. – Gracejou Flori.
— Foi mais que decente, você foi... – Sirius mordeu o lábio, tentando controlar o sorriso que se tornava maior a cada segundo – ...maravilhosa. – Completou.
Flori o viu se inclinar em sua direção com os olhos semicerrados e os lábios entreabertos, enquanto a mão esquerda escorregava para o seu quadril. Ela reconheceu aquele movimento e sentiu um frio na barriga intenso. Ergueu sua própria mão e colocou-a sobre o pescoço do rapaz, incerta quanto ao seu gesto. Sentia-se dividida entre afastá-lo ou puxá-lo para mais perto. Podia sentir a veia em seu pescoço pulsando convidativamente.
— Sirius... – Murmurou. – O que...?
Ele estava prestes a finalizar o movimento com um gesto brusco, quando ouviram vozes e risos debochados pelo campo. Os dois viraram-se na direção do burburinho, contudo, sem se afastarem completamente e a expressão ávida de Sirius se tornou sombria ao reconhecer os culpados de sua interrupção: alunos da Sonserina. Ele largou Flori e postou-se a frente dela, num gesto protetor. Ela espichou a cabeça, tentando enxergar, enquanto Tiago e alguns companheiros do time, ao perceberem a aproximação dos outros, olharam em sua direção alarmados.
O grupinho de alunos da Sonserina parou a poucos passos de onde Flori e Sirius estavam e o que vinha à frente, parecendo o líder entre aqueles garotos, era Régulo, o irmão mais novo de Sirius. Ele era ligeiramente menor e consideravelmente mais magro do que o irmão. Seus cabelos eram igualmente escuros e um pouco menores, e suas feições, apesar de serem consideradas bonitas, não possuíam metade da beleza de Sirius na opinião da garota.
— O que faz aqui? – Disparou Sirius.
Um sorriso sardônico surgiu no rosto de Régulo.
— Ora, desde quando é crime transitar pelos terrenos da escola? – Retrucou.
— Qualquer coisa, vindo de um sujeitinho infame como você, pode ser considerada errada. Está sempre tramando alguma coisa. – Cuspiu Sirius.
Régulo se virou para os amigos e deu uma risada, enquanto eles o acompanharam bobamente.
— Isso vindo de você é mesmo muita hipocrisia, não acha? Mas não está errado. Soubemos que iam fazer testes para um novo apanhador e tivemos de vir dar uma olhada.
— Precisava ver quem ia enfrentar, não é? – Adivinhou Sirius. O desprezo escorria por sua voz.
Régulo deu uma risadinha afetada e assentiu.
— Confesso que estava apreensivo. – Reconheceu. – Mas vi que me preocupei à toa, afinal, uma sangue ruim como ela não é...
O que aconteceu em seguida foi tão inesperado, que o tempo pareceu congelar por um momento no campo de quadribol. Régulo nem havia acabado de pronunciar suas palavras, quando Sirius avançou para cima dele e o calou com um poderoso soco. O rapaz caiu no chão, mas não teve tempo de se recuperar, porque o irmão montou em cima dele e continuou a golpeá-lo com um olhar insano e assustador no rosto.
— Retire o que disse! Retire agora, seu babaca pervertido!
Sirius já havia conseguido quebrar o nariz do irmão, quando os amigos de Régulo o tiraram de cima dele e começaram a enchê-lo de pancadas. Flori recobrou-se de seu choque e ergueu um feitiço escudo sobre Sirius, protegendo-o dos sonserinos furiosos. Tiago parou ao seu lado junto dos outros companheiros; seu rosto estava distorcido de fúria. Ele ergueu a varinha e os outros fizeram o mesmo.
— Deem o fora! – Bradou.
Os rapazes poderiam ser grandes como gorilas e possuir a mentalidade deles, mas até mesmo eles eram capazes de reconhecer que estavam em menor número. Dois deles juntaram Régulo e partiram rapidamente.
— Você está bem? – Perguntou Flori, dissipando o escudo.
Sirius segurava a lateral do corpo.
— Acho que aqueles cretinos quebraram minhas costelas. – Gemeu.
— E acho que deram um jeito no seu braço também. – Observou Johnson, apontando o braço esquerdo, que estava virado num ângulo estranho.
— É melhor ir até a enfermaria. – Aconselhou Tiago, oferecendo o ombro, caso o amigo se sentisse enfraquecido. – Madame Pomfrey pode dar um jeito nisso.
Sirius assentiu e aceitou o ombro, embora não houvesse nada de errado com suas pernas. Flori os observou partindo com uma expressão tão dolorosa quanto a de Sirius; era por causa dela que ele estava assim. Por causa dela poderia ter sido gravemente ferido. Flori se virou, desviando o olhar. Não suportava vê-lo naquele estado.
***
Quando chegou à enfermaria no final da tarde, encontrou Sirius cochilando preguiçosamente em seu leito. Os Marotos haviam acabado de sair e disseram que ela poderia ficar ali, que quando acordasse Sirius ficaria feliz em vê-la, ainda que sentisse que não merecia. Do outro lado do recinto, havia uma cama envolta por cortinas, que ao espiar de relance, Flori descobriu pertencer a Régulo. O rapaz também dormia, mas ao contrário do irmão parecia desmaiado. O lado bom de ir até Madame Pomfrey é que dificilmente a mulher fazia perguntas, por isso os alunos não temiam levar punições quando acabavam ali por violarem alguma regra da Escola.
Sirius acordou uma hora depois e de fato parecia agradavelmente surpreso que Flori estivesse sentada ao seu lado. Ele sorriu e procurou a mão dela, apertando-a gentilmente.
— Você veio. – Murmurou. – Achei que não aprovasse meu descaso para com as regras.
Flori ensaiou um sorriso, lembrando-se que já dissera exatamente a mesma coisa para ele em diversas ocasiões quando perdia pontos para a Grifinória ou acabava em detenção.
— Dessa vez você escapou, no entanto. – Observou. – É de admirar que ele não tenha feito uma queixa sobre você. – Ela acenou na direção do outro ocupante da enfermaria.
— Apesar de parecer difícil de acreditar, meu irmão não é burro. – Retrucou Sirius. – Muita gente ouviu o que ele disse sobre você e ele sabe que o Diretor e os professores não pensam como ele e minha família. Ainda bem. – Acrescentou de maneira azeda.
— Eu queria lhe agradecer por ter me defendido, embora não fosse necessário. Eu sei que meu obrigado não é suficiente, afinal, olha aonde você veio parar.
Ele voltou a sorrir.
— Seu agradecimento é mais do que o bastante para mim. – Garantiu. – Mas eu não importaria de retomar de onde paramos lá no campo, antes de meu adorável irmão aparecer.
Flori lembrou-se do quase beijo e não pôde evitar sorrir enquanto revirava os olhos.
— Você é terrível, Black. Nem convalescendo consegue se portar direito!
— Faz parte do meu charme irresistível.
— Além do mais, você merecia um soco e não um beijo.
— Caramba, por que toda essa violência agora? – Espantou-se Sirius.
— É a segunda vez que você faz isso, Sirius. É a segunda vez que você acaba numa situação ruim por minha causa.
Ele pareceu verdadeiramente surpreso, como se tivesse sido pego no flagra.
— Eu... como é que você sabe?
— Pedro me contou o motivo de você ter sido expulso do Clube de Duelos. – Respondeu.
— Você e ele ainda conversam? – Perguntou Sirius, cada vez mais intrigado.
Era impressionante como ele só prestava atenção no que queria.
— Conversamos sim e daí? – Aborreceu-se. – Por acaso você vê eu me importando quando fala com outras garotas? – Retrucou. – Eu também tenho outros amigos garotos.
Ele não pareceu confortável com o rumo daquela conversa, por isso decidiu não tocar mais naquele assunto.
— Eu gostaria de ter dito antes porque Flitwick me expulsou, mas achei que não acreditaria.
Flori baixou os olhos, sentindo-se culpada.
— Eu sinto muito, Sirius. Eu tenho esse... esse hábito horrível de julgá-lo sem nem ao menos deixar que se explique. Se tivesse me dito algo, talvez pudesse ter apelado para o professor Flitwick. Sinto sua falta no Clube. – Confessou.
— Ora, Flori, não se preocupe com isso. – Ele apertou sua mão de maneira confortadora. – Isso já passou, não é mesmo? O que importa é que podemos deixar tudo isso para trás e começar de novo com o quadribol, afinal estaremos jogando juntos.
Flori hesitou e respirou fundo antes de prosseguir:
— Sobre isso... Eu saí do time. – Revelou. – Tiago é o novo apanhador da Grifinória. Parece que ele tomou como ofensa pessoal o que aconteceu entre você e o Régulo.
Sirius recolheu a mão de cima da sua como se tivesse levado um choque.
— Não está falando sério. Você é uma ótima jogadora, por que sairia do time? Se for por causa do imbecil do meu irmão... não deveria dar ouvidos ao que gente como ele diz!
— Eu sei disso. E mesmo que não seja fácil ter de me acostumar com o que dizem sobre mim, estou aprendendo a fazer isso, mas não quero causar mais desavenças entre você e ele. Tá na cara que seu irmão me detesta.
Sirius ergueu-se nos travesseiros, parecendo zangado.
— Régulo é uma pessoa cruel e maligna, exatamente como meus pais! Merecia uma boa surra há muito tempo e não me arrependo do que fiz! – Declarou ele.
— Você não precisa ficar me protegendo, Sirius. Não faz sentido que se meta em situações como essas por minha causa, a menos que... – Flori se interrompeu.
— A menos que o quê? – Insistiu Sirius.
— A menos que você tenha algo a me dizer. – Completou. – A menos que você me diga por que faz isso.
Ele se calou, observando-a de modo estranho. Se Sirius dissesse... se ao menos admitisse o que ambos sabiam, então as coisas entre eles finalmente poderiam funcionar.
— Se... você tiver algo que queira me contar, talvez... talvez eu também tenha. – Continuou ela, nervosamente.
Ele continuou em silêncio e Flori se deu conta, frustrada, de que estava fazendo papel de boba. Ela se levantou de repente, anunciado que precisava ir embora e pegar a biblioteca aberta para terminar alguns deveres. Antes que pudesse se afastar mais do que um ou dois passos, porém, Sirius segurou em seu pulso e a impediu de continuar.
— Flori, eu... – Ele parecia a ponto de dizer algo e, por um momento, seu peito se encheu de esperança, mas acabou mudando de ideia. – Eu não sei o que quer que eu diga.
Ela soltou-se de seu aperto.
— Talvez, quando vier a descobrir seja tarde, Sirius. – Murmurou. – Talvez, quando enfim souber o que dizer, alguém já tenha me dito em seu lugar.
Flori se virou e foi embora.
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