-Ei! Está vendo uma minhoca gigante no horizonte?-perguntou Caspersi, protegendo os olhos do sol.

-Hã?-Cloudu olhou também- Esta nervosa.... ela esta atacando uma pessoa!

Eles podiam ver um homem caído e um menino cambaleando na areia, tentando escapar dos ataques do Hode.

Eles montaram em dois pecos e partiram para ajudar.

Enquanto isso, Gabe não sabia mais o que fazer. Ele acabara de se tornar um arqueiro e já ia perder a vida. Não sabia se o pai estava morto ou não, deixando-o mais desesperado ainda. O hode era muito forte para alguém como ele, e também rápido. A única coisa que Gabe tentou foi se distanciar dele para atirar no mínimo uma flecha, mas não ficava em pé por mais de dois passos, graças a areia e ao pânico.

Finalmente, ele desabou, exausto, sem mais esperanças. Só encarou o sol escaldante, com medo de que fosse a ultima coisa que veria na vida. Uma sombra enorme surgiu em sua frente, pronta para devora-lo. Mas no ultimo instante, uma vara acertou-a.

O hode se distanciou um pouco do garoto caído. Cloudu sacou a espada e correu na direção do monstro. Caspersi se concentrou e começou a murmurar as palavras que evocavam as lanças de gelo. O espadachim acertou o hode com um golpe no pescoço. O monstro caiu, mas levantou-se com um ataque direto. Cloudu esquivou e pulou em cima do bicho, tentando recuperar sua lança.

-Saia daí! As lanças já estão chegando!-avisou Caspersi.

-Eu sei! Droga! Essa lança não quer sair!

Não importa o quanto tentasse, a lança não saia. O menino caído levantou-se e tentou ajudar, mas foi empurrado pelo hode ao lugar onde estava, dessa vez inconsciente.

-Essa não, só faltam segundos! Desculpa Cloudu, mas vai ter que desistir da lança.-falou Caspersi, as mãos brilhavam em azul, anunciando que sua magia estava quase completa.

Cloudu largou a haste e pulou para longe do hode, que segundos depois, foi perfurado por dez cristais de gelo. Os dois amigos se aproximaram da carcaça. Boa parte dele havia se dissolvido, restando apenas a sua pele, e alguns fragmentos de madeira, partidos em cinco ou mais pedaços. Cloudu pegou um deles, melancólico.

-Lá se vão 5mil zenys...

Os olhos de Caspersi se arregalaram.

-Você quase morreu por 5mil zenys? Cara, você tem que parar de ser canguinha!

-Eu estou juntando alguns zenys para comprar uma armadura nova. Não posso sair gastando tudo por ai.-defendeu-se Cloudu. –Mas falamos disso depois, temos alguns feridos aqui.

Eles trouxeram os dois arqueiros para perto do recém-formado acampamento. Um estava com feridas sérias nas costas, mas o segundo só parecia ter alguns arranhões no rosto, e talvez torcido o tornozelo, mas nada que o tempo não curasse. Eles prepararam alguns pratos, e dormiram naquele mesmo lugar.

No dia seguinte, Gabe acordou em uma posição esquisita. Ele estava em cima de um pecopeco em plena marcha. Se lembrava pouco do que havia acontecido. Ele tentou tirar uma lança das costas do hode que os atacou. Ele também se lembrou do pai, que foi atacado e não se levantou mais. Olhou para trás e percebeu que seu pai estava em cima de um pecopeco também,desmaiado, mas respirando. E na sua frente, estava o espadachim que os salvou, e seu amigo, o mago.

_O-obrigado!-tentou dizer Gabe.

Eles não responderam, pareciam estar ocupados com alguma coisa. Mas o que quer que fosse, parecia muito importante, pois os dois estavam mortalmente sérios.

-E então eu consegui sair de lá. Cara, foi assustador.-Caspersi disse, lembrando-se de como fora ser teletransportado por Rockis, um noviço do clã HalfLand. Ele pediu para ser levado até o mercado de Prontera, mas acabou parando num banheiro feminino. No começo, o mago pensou estar com sorte, mas foi atacado por uma Shura e quase parou na Ala Hospitalar. O clã HalfLand tinha muitas pessoas interessantes, loucas ou simplesmente travessas. Todos lá vivem como se fossem uma família, uma estranha família.

-...gado!-uma voz disse, baixa e rouca.

-Hã- os companheiros se viraram, notando que o pequeno arqueiro acordara.-Ah... Olá, se sentindo bem?-perguntou Caspersi.

-Sim, mas e quanto ao meu pai?-perguntou Gabe.

-Aquele ali? Sim, ele estará melhorando em breve. Lhe demos algumas poções vermelhas, mas não foram o suficiente. O resto vira com o tempo- explicou Cloudu- Mas enfiim, quais são seus nomes?

- Sou Gabe.O meu pai é Pando, o grande caçador de Payon.

-Hmm, prazer em conhece-lo, Gabe. Eu sou Caspersi, e esse cabeça-dura aqui é o Cloudu.-falou Caspersi, sorridente- Posso perguntar pra onde estavam indo? Ninguém entra nesse deserto sem motivo...

-Nós estávamos indo para Morroc, pois lá há um lugar no qual eu posso treinar e ficar mais forte.

-É bom ficar forte logo. Me desculpe dizer isso, mas você é meio...fraco- criticou Cloudu.

-Cara, isso é coisa para dizer á um pessoa que acaba de conhecer?-murmurou Caspersi.

-Eu estou mentindo?-contra-atacou Cloudu. Caspersi ficou em silêncio.

O arqueiro baixou a cabeça.

-Me desculpem... Eu sei que fui um completo inútil na luta... É por isso que quero ficar mais forte e honrar o nome de meu pai! Vocês se incomodariam de me ter no grupo?

-Bom, eu não vejo problemas- disse Caspersi.

-Nada contra isso- falou Cloudu, coçando a cabeça- Só tente não atrapalhar, ok?

_OK!

E assim, continuaram a longa caminhada até a cidade de Morroc.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.