Kaleb acordou com um dor horrível na cabeça. Olhou em sua volta e pode ver um vulto de cabelos azuis á sua frente, mas sua visão estava embaçada, e não pode reconhece-lo.

-Acho que ele vai ficar bem-disse o vulto, com uma voz feminina.

-Nossa, você nos assustou!-disse um outro, de cabelos loiros e arrepiados, se aproximando.

Kaleb tentou dizer algo,mas a visão ficou mais turva do que já estava, e ele desmaiou novamente...

-Ele dorme muito. Não sei se isso é um bom sinal ou não- comentou Cloudu, com um sorrisinho.

-Nesse tipo de situação, o melhor á se fazer é este- falou Nancy, sem nem mesmo tirar os olhos do garoto moribundo.

Kaleb havia sido atingido na cabeça, no dia anterior, e ficara desfalecido até este momento. O colega de quarto, Cloudu, e Nancy, estavam esperando que se recuperasse. Mousse havia sido repreendido por ter ferido outro aprendiz. Teria que lavar os banheiros por uma semana inteira. Aproveitaram o tempo de descanso para espiar o manual de combate, que poderia evitar que eles também se machucassem. Nancy parecia bem profissional em questão de primeiros socorros, afinal, ela mesma fizera as bandagens de Kaleb. Também estava falando, coisa que Cloudu achava uma raridade.

-É verdade que você é uma...-Cloudu tentou escolher outra palavra, mas não sabia outro modo- ... assassina?

-Sim -o aprendiz se espantou com a velocidade da resposta. Nancy percebeu isso- Não é algo para se envergonhar, se é o que está pensando.

Ele resolveu se calar a partir de agora. Mesmo que tivesse tantas perguntas em sua mente.

Os meses se passaram rápido. Os aprendizes começaram á formar fortes laços de amizade. Kaleb pareceu ter se interessado mais pelos estudos.

-Acho que descobri a beleza do aprendizado-riu Kaleb, enquanto folheava um grosso livro sobre ervas medicinais-Talvez abrir a cabeça para outras coisas além de violência seja divertido.

-Bom, literalmente abriram sua cabeça- brincou Cloudu- Você devia agradecer ao Mousse.

Eles riram. Cloudu continuou treinando com a faca de Amatsu. Por alguma razão, sentia a necessidade de uma arma maior, bem maior. Enquanto isso, Bowl e Mousse puseram as diferenças de lado e viraram bons amigos. Principalmente por que Bowl ajudou-o com a limpeza de banheiros. E por incrível que pareça, Kaleb não teve mais medo de Nancy. Na verdade, os dois passaram a conversar bastante. Margareth contou á Cloudu várias coisas sobre Rune-Midgard, sua capital, Prontera, e outras coisas. Poucos perceberam, mas faltavam apenas duas semanas para irem embora da ilha Novice.

O dia nascia, enquanto todos se preparavam para mais um dia de treino. Já haviam se acostumado com as pequenas feridas em seus corpos, e também a suportar ferimentos graves que raramente aconteciam por lá.

-Dá para acreditar que ficamos tão fortes?-perguntou Cloudu, rindo.

-Principalmente você, que quase chorava com um arranhão- criticou-o Kaleb, com um sorriso brincalhão.

-Sério? Então veremos quem derrota mais monstros. Quem perder é um bebê chorão.

Kaleb concordou, e assim continuaram treinando até o pôr do sol.

-O que você pretende se tornar, Cloudu?-perguntou Kaleb, enquanto abria uma de suas poções.

-Na verdade, não sei. Vou concordar com o teste vocacional.-respondeu o amigo.

Kaleb pareceu considerar por um instante.

-Sabe, você não devia concordar com tudo que aquele teste diz. Talvez você mude sua personalidade e seu jeito de ser. Por exemplo-ele apontou para si mesmo- Eu tinha certeza que iria virar um gatuno antes de ir para a enfermaria. Mas hoje estou reconsiderando. Pretendo ser um alquimista. Acho o estudo de ervas muito interessante. Por exemplo, esta poção não é interessante?

-Err... nem tanto- respondeu Cloudu.

-Humpf! Nem todos são perfeitos- reclamou Kaleb, emburrado. Mas de repente ficou cabisbaixo.- Você sabia que, depois de sairmos daqui... a chance de nós vermos de novo é bem pequena, certo?

Cloudu olhou para o céu. Havia se acostumado com o grande amigo que fizera, e com certeza queria reencontra-lo algum dia, assim como Margareth, Nancy, e até mesmo Mousse e Bowl.

-Bom, tenha certeza de que iremos duelar-disse Cloudu, mas percebeu a besteira que falou- amistosamente, é claro!

Depois disso, estendeu a mão para Kaleb, que a apertou com a sua.

-Espero encontrá-lo de novo, meu amigo. Irei por algum juízo em sua cabeça.

Os dois riram. Talvez a ultima vez que farão isso juntos.

-Por favor, façam uma fila por ordem alfabética.

O dia do teste vocacional havia chegado, e por seu nome, Cloudu seria um dos primeiros a ser questionado. Bowl estava á sua frente,e todos os outros conhecidos, atrás. Todos tiveram uma pequena aula sobre as profissões em geral, e então começaram os testes. Bowl se sentou em um banquinho em frente á escrivaninha do mentor. Demorou alguns minutos,mas a resposta veio.

-Você se tornará um arqueiro, Bowl. Vou te teleportar para Payon. Boa sorte.

Enquanto sumia em uma grande luz, ele sorria.

-Tente ganhar muito dinheiro, Bowl. Eu quero vê-lo rico quando nos reencontrarmos- gritou Mousse.

O tempo passou e a vez de Cloudu chegou.

-Responda as perguntas com sinceridade. Não tente parecer bonzinho, isso não te levará a nada.- recomendou o mentor.

-Se fizéssemos isso, o mundo estaria cheio de noviços agora- respondeu Cloudu, arrancando algumas risadinhas do mentor.

Cloudu tomou o conselho. Respondeutudo de acordo com seu jeito de ser. Os seus amigos o observavam, nervosos. Mas Kaleb confiava nele. Via um grande futuro no amigo.

-Então é isso! Você será...-começou o mentor.

-Espere!-Cloudu olhou em volta. Acabara de ter uma idéia maluca- Eu quero ter uma surpresa. Por favor não me conte.

-Tem certeza?-perguntou o mentor, curioso.

Cloudu assentiu. E então, tudo pareceu se iluminar. A sala na qual estavam parecia ter milhares de janelas em um dia ensolarado. O aprendiz começou a desaparecer, enquanto Kaleb, Margareth e Nancy acenavam para ele. E então, o garoto caiu num lugar em que nunca havia pisado antes. Um mundo de aventuras.