O Conto de Um Aventureiro
10 Capítulo 9
-Meus olhos ardem. Acha que devíamos dormir agora?-perguntou Kaleb.
-Você pode dormir. Eu vou continuar lendo-respondeu Cloudu- Você vai lutar com o Mousse amanhã, certo?
-Eu posso derrotá-lo com uma mão amarrada nas costas, mas cansado sou um inútil-ele deu um longo bocejo- Doce mundo dos sonhos, ai vou eu!
Kaleb foi cambaleando até a própria cama e não falou mais. O manual era bem impressionante, porém alguns de seus movimentos pareciam impossíveis para Cloudu. Como por exemplo, um golpe que acertava todas as pessoas em volta do usuário.Depois de ler por algumas horas, o garoto achava que devia escrever uma carta, mas ele não tinha idéias para por no papel, e também não tinha sono aquela hora da noite. ‘’Um passeio noturno não faria mal á ninguém’’ pensou Cloudu, com um sorrisinho brincalhão. Como estava usando pijamas, trocou de roupa e fez o mínimo de barulho possível para não acordar o colega de quarto.
Sentado numa pedra, no meio do campo de treinamento, Cloudu observou as estrelas, buscando inspiração para a carta que enviaria á mãe. Já estava quase na metade quando ouviu algo. Ele olhou para trás e viu a sua vizinha de quarto.
-Ei! O quê está fazendo ai?-perguntou ela.
-Provavelmente o mesmo que você. O quê veio fazer aqui?-contra-atacou.
Ela ficou um tempo em silêncio, mas se aproximou um pouco:
-Vim olhar as constelações. Os sábios dizem que dessa parte do mundo é fácil vê-las com olho nu.
-Olho nu? Como assim?-perguntou Cloudu.
-Bom...-pensou, um tanto surpresa- É como olhar para uma coisa só usando os olhos.
-Tem outro jeito?
-Afinal, de que parte do mundo você veio?
-Delgaldis.
-Nunca ouvi falar...
-É. Quase todo mundo diz isso.
Delgaldis era uma ilha bem pequena e não muito importante para a economia de outros lugares. Jamais entrou em guerras, e sequer produz armamentos.
-Mas, qual o seu nome?-perguntou ele.
-Margareth. E me desculpe pelo meu comportamento mais cedo. Seu amigo é irritante. E o seu nome...?
-Cloudu.
-Bom, Cloudu... eu morava em Juno antes de vir para cá. Todos os grandes sábios vem de lá. É obvio que sabe disso, certo?
-É... É claro!-não, ele não sabia. Pórem não queria parecer ignorante.
-Ah! Me lembrei de uma coisa.-ela mexeu nos bolsos e pegou um pequeno objeto de metal- minha colega Nancy achou isso na água. Deve ser seu.-era uma chave com um pedaço de madeira no qual estava entalhado o número 29.
-Obrigado. Essa é a chave de Kaleb. Ele achou que sua amiga tinha roubado! E também achou que fosse uma assassina.-disse Cloudu, rindo.
-Para falar a verdade, ela é-os olhos do garoto se esbugalharam- mas eles não tem matado gente ultimamente.-ele soltou um suspiro de alivio- O pai dela é da guilda. Perdão, mas não posso falar mais nada.
Conversaram até a aurora. Depois disso, ambos foram para seus quartos.
-Onde você achou isso?- perguntou Kaleb, surpreso.
-A Nancy achou, e pediu para que entregassem á você.
-Nancy?- o garoto ruivo pensou um pouco, mas logo se assustou- NANCY?!? A assassina?
-Relaxe, conversei com a amiga dela. Acho que você não precisa mais tocar fogo no castelo.
-Humpf.Ainda não encerrarei minhas investigações.
Algumas horas depois, foram tomar o café da manhã. E se sentaram com as novas conhecidas. Kaleb ficou calado a maior parte do tempo, assim como Nancy, que o encarava vez ou outra.
No campo de treinamento, Mousse Montred encarava Kaleb. Ambos com espadas de madeira nas mãos. Vários aprendizes estavam em volta, torcendo. Bowl, como companheiro de Nathaniel, estava torcendo por ele. Cloudu e as garotas torciam por Kaleb.
-Tudo bem, Mousse, para que fique tudo justo, vou vendar meus olhos.-disse Kaleb tirando um pano preto do bolso.
-Meu nome não é Mousse! E está cometendo um grande erro, plebeu!-respondeu o rival.
Após dizer isso, Nathaniel foi com tudo em direção á Kaleb. Este pareceu encontrar algo interessante no chão, mesmo estando vendado. O ataque passou por cima, e Mousse perdeu o equilíbrio, arrancado risadas da platéia. Kaleb percebeu o inimigo á sua frente e bateu com a parte chata da espada no traseiro de Mousse, o que fez os aprendizes rirem de novo. Humilhado, o mauricinho se afastou e tentou outro ataque, desta vez tentando acertar as panturrilhas de Kaleb. Como se não fosse nada, ele deu um pulo e escapou do ataque, e então chutou areia em Nathaniel, cegando o por alguns instantes. Kaleb riu e gritou:
-É por isso que me chamavam de coelho sortudo em Alberta!-Sem que percebesse, Mousse se levantou e foi em direção á Kaleb, que estava distraído-Uma vez, eu derrotei um...-Mousse acertou a cabeça de Kaleb com força, fazendo o perder a consciência.Cloudu se preparou para socorrer o amigo. Irado,Mousse baixou mais uma vez a espada, mas antes que terminasse o ato, alguém apareceu do nada com uma faca em seu pescoço. Era Nancy,que estava com uma face completamente diferente. Parecia fria, muito diferente da menina tímida que costumava ser.
-Covarde! Eu devia mata-lo por isso.-disse ela.
-Por favor! Não!-choramingou Mousse.
Cloudu e Margareth corriam para ver o estado de Kaleb. Nancy chutou Mousse para longe e se abaixou perto de Kaleb, que estava sangrando. Assim que todos estavam perto, o garoto ferido murmurou:
-V-Vou viver. Isso não foi nad...-ele perdeu a consciência de novo. Os outros o levaram á enfermaria.
Mal sabiam eles que algo muito pior estava prestes a acontecer ás tropas de Túlio.
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