O Conto das Duas Marias
1 A Primeira Maria
Notas iniciais
Eu não sei como a conheci, só sei que foi algo que passou vagamente em minha cabeça. Ou pelo menos não consigo me lembrar direito do meu primeiro relacionamento sério, se é que pode-se considerar isto.
Só sei que me recordo que ela tinha uma babá que conhecia minha mãe — sério, não sabia que tinha babás nesta época -, ela veio para minha casa e começamos com brincadeiras, pega — pega entre duas pessoas — creio que era isso — lembro de ter caçoado por ela ter pisado em um cocô de cachorro, nada que um belo soco no ombro para ficar esperto. E isso continuou por pelo menos 1 mês.
Até que um certo dia eu me comprometi à pedi-la em namoro. Hoje é tão difícil eu dizer isto, mas me lembro de tranquilamente ter dito: "Você quer namorar comigo?" e ela aceitou. O engraçado que pareceu que tudo estava formado para esse momento, para ficarmos isolados.
Primeiro: Minha mãe e a babá foram a vizinha ao lado de casa, papo de mulher, sabe como é né? Segundo: Meu tio por parte de pai, que normalmente não aparece, surgiu e meu pai teve a obrigação de atender. Então sabe o que rolou? Selinho. Não tenho certeza, mas acho que fiquei muito envergonhado, entretanto muito feliz.
Gostei de ter uma namorada no 4° ano do fundamental — retirando o fato que ela queria que eu batesse em um gigantesco homem de 9° ano do fundamental e terminar o namoro por causa de um maldito brigadeiro -, porém o meu ato romântico saiu pela culatra.
A verdade é que eu fui a sala dela — morrendo de medo -, na frente da professora responsável e entreguei o maldito brigadeiro com um sorriso bobo no rosto. Todos encarando, ela vermelha e eu saindo tranquilo como se nada houvesse acontecido. Eu era humano? Porque hoje eu sequer consigo conversar tranquilamente com uma garota. Isso me custou o relacionamento. Decidi não correr atrás porque estava tentando provar que gostava dela e no fim, ninguém procurou ninguém.
Enfim, foi bem rápido o término dele, mas pela tranquilidade foi uma das melhores coisas que tive, seria interessante se o romance continuasse. Se pelo menos tivesse noção do que é cuidar de uma garota, talvez continuasse com ela até hoje. E foi assim que acabou, até hoje não falei com ela. Teve uma vez que nos encontramos em uma piscina, ela me ensinou a nadar, porém nunca mais a vi. E é assim que se encerra a primeira história, a história da primeira Maria, a Maria Laura.
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