O Conto da Holy Serenity

6 Uma Dança na Escuridão - Parte 3


Notas iniciais
Enfim, a parte final do capitulo 2. ^^

Espero que estejam gostando e que continuem a acompanhar nos "episódios" seguintes. XD

Boa leitura!

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Parte 3: O Primeiro Chamado

- Como assim você... Matou o Duel? – Eu estava boquiaberta.

O vento não ecoava não somente no Vale do Juramento como nos meus ouvidos. Sentia como se o tempo tivesse parado, como se nem mesmo o crepitar daquela fogueira existisse. Ok, está certo que eu já vi Zero não demonstrando piedade sob as ordens do Grandark... Mas eram monstros! Eu não queria acreditar naquilo, não podia ser verdade.

Grandak olhou-me friamente com aqueles pares de olhos esmeraldas brilhantes, um frio passou pela minha barriga. Eu sabia o que aquele olhar significava...

- Então é por isso... Que você disse que ele teria sido útil...

Aquele demônio verde simplesmente sorriu de lado, uma face que eu senti medo de ver. Os olhos brilhavam de uma maneira sinistra, o sorriso em seus lábios era algo desumano. Era como se ele achasse graça na morte do Duel. Levei as mãos à cabeça, sem conseguir respirar direito, meu coração batia acelerado, mas não tão rápido quanto meus pensamentos, que eu nem mesmo conseguia ordena-los para entender suas mensagens.

- Assassino! – A asmodiana gritou em plena fúria, apertando suas espadas.

Estremeci ao ouvir aquela palavra, inconscientemente desci as mãos para meus ouvidos. Não... Aquele mundo... Aquele lugar não podia ser verdade. O calor parecia ser crescente, sugando minhas esperanças, minha respiração, me forçando a ficar ofegante. Olhei para Grandark. Eu queria ouvi-lo dizer que era mentira, rir daquele seu jeito imbecil de sempre. Mas, o riso que escutei, estava longe de ser o que eu queria.

O som da gargalhada vagou por todo o vale, me deixando paralisada enquanto via-o rir daquele modo maníaco. Meus olhos arderam, minha garganta apertou.

- Pare... – Murmurei, com a voz tremendo.

Lentamente a risada do Grandark diminuiu até restar somente o sorriso psicótico nos seus lábios. Aquela visão era definitivamente aterradora. Seu corpo foi se tornando negro de baixo para cima, o recobrindo com o que pareciam ser escamas, seus olhos verdes brilharam com mais intensidade ainda enquanto ele sacava a espada.

- Sim, eu matei Duel! – Ele falou enfim. – Fiz o maldito sofrer, ver sua amada Eclipse ser destruída, fiz ele implorar por sua vida, para em seguida ouvir seus agonizantes pedidos para que fosse morto.

No breve momento que pisquei os olhos a visão aterradora da tortura piscou na minha mente e imediatamente abri os olhos, tremendo. Vi a asmodiana com um estranho brilho nos olhos, aquele brilho eu já vi dezenas de vezes nos olhos da Elesis e do Sieghart. Ela estava entrando numa fúria implacável e eu não conseguia sequer mexer minhas pernas.

- Você vai pagar por isso...

- Me faça. – Grandark chamou-a com a mão, com um sorriso nos lábios.

Meus olhos mal conseguiram acompanhar quando Edna avançou contra Grandark, vendo com mais precisão apenas o brilho das suas espadas. O gume fez um breve eco ao cortar o vento, mirando na cabeça do Grandark, que simplesmente colocou sua própria espada na frente, como se fosse um escudo, repelindo a força da asmodiana contra ela mesma. Edna deu um pulo para trás, mas não conseguiu escapar de um pequeno corte no rosto do seu próprio golpe.

- Covarde! – Gritou, possessa.

Antes mesmo que Edna pudesse fazer algo, Grandark avançou contra ela com seu montante, deixando um rastro verde quando correu e atingiu a barriga da asmodiana, lançando-a para cima. O som do engasgar dela foi perturbador. Enquanto sua oponente ainda estava no ar, o demônio verde deu um rápido giro, acertando-a de cima para baixo, forçando com que seu corpo fosse contra o chão num baque seco. Edna soltou um gemido de dor, estremecendo, apesar de se esforçar para se levantar.

No entanto, Grandark pisou na sua barriga, forçando-a a deitar novamente no chão e fincou seu montante logo do lado da cabeça da asmodiana, inclinando-se para frente.

- Você é fraca. – Disse com um sorriso nos lábios, seus olhos verdes brilhavam ameaçadores. – Mais fraca que Duel, por isso não conseguiu salva-lo.

Aquilo era cruel demais. Eu não estava mais suportando ver aquilo, me virando para alcançar meu martelo. Vi um brilho roxo pelo meu canto do olho quando me virava e voltei imediatamente, vendo Grandark caído no chão junto com seu montante, a alguns metros da Edna, que se levantava. A sombra do ódio recobria seu rosto, suas espadas reluziam no tom roxo. Olhando agora... Ela parecia muito a Rey.

- Hahahahaha! – Grandark ria, se levantando com o apoio do montante, olhando Edna desafiador. – Até que foi bom para um ratinho! Eu não esperava isso!

- Cale a boca e morra! – Edna afastou as pernas, preparou suas espadas e partiu numa corrida frenética contra seu oponente.

Acho que o demônio verde não esperava aquilo, pois eu vi em seus olhos um breve brilho de surpresa. Ele tentou dar um pulo para trás, mas era lento demais para a velocidade da asmodiana, que ao chegar perto do seu alvo colocou o pé direito na frente, dando uma parada abrupta e então aproveitou a velocidade da sua corrida para virar com as espadas de uma única vez contra Grandark, não apenas atingindo seu peito, mas como também explodiu a energia das espadas, atordoando-o.

Veloz e habilmente, Edna ajeitou o corpo, descendo sua espada direita contra o ombro direito do seus oponente, em seguida desceu com a esquerda vindo pelo ombro esquerdo, atingindo ambos os golpes no Grandark, que recuava alguns passo para pelo menos manter o equilíbrio. Ela continuou sua sequência, manejando a espada direita na direção da barriga do demônio verde, com o gume voltado para cima. Por sorte, Grandark conseguiu desviar para a esquerda a tempo, mas a asmodiana ascendeu sua espada, atingindo a axila do seu oponente. A espada enfim conseguiu passar pela proteção que as escamas negras geraram, deixando um filete de sangue cair no chão.

- Chega! – Gritou Grandark se enfurecendo e apontou a mão na direção da Edna.

Rapidamente uma energia esverdeada se acumulou ali e disparou contra a asmodiana.

- Força Perfeita!

Entretanto, antes da magia acertar Edna, ela desapareceu em um borrão de escuridão e reapareceu atrás do Grandark. Ele não havia notado a tempo, ainda estava confuso sobre onde ela teria ido. Vi as espadas se preparando para perfura-lo por trás.

- Não! – Alcancei rapidamente meu martelo e virei contra os dois bem a tempo, a energia sagrada se acumulou no martelo e passou para o chão. – Martelo Demolidor!

A terra se ergueu em pilastras quando movi meu martelo para frente, indo na direção da dupla que surpresa, imediatamente afastou um do outro para desviar do golpe. Eu ofegava, sentindo minha visão turvando.

- Chega... Parem... – Murmurei, abaixando o martelo e o usando para me apoiar.

Tudo estava ficando escuro. Vi Grandark voltando a cor normal do Zero enquanto Edna me olhava abismada. Me sentia tonta, tudo parecia estar se mexendo como um barco. Grandark pareceu se levantar e correr na minha direção quando eu senti que estava caindo para o lado.

Estava difícil respirar, como se tivesse uma tonelada em cima do meu peito. Senti uma mão no meu ombro apesar de não poder ver de quem era. O céu vermelho pareceu mudar para sequencia de cores vermelho e branco. Esforcei-me para enxergar, pude escutar uma voz bem longe... Distorcida...

- Holy..!

Olhei para o lado, vendo os cabelos cinzentos do Zero, e... Ele estava de máscara? Tentei levantar a mão para tocar seu rosto, mas meu corpo estava tão pesado... Escutei passos distantes se aproximando, vindo logo atrás do Zero. Reconheci o cabelo azul da Mari, o cabelo do Sieghart...

- Holy... Me... onda... ly... rde!

A voz do Zero chegava cortada aos meus ouvidos, eu não conseguia entender o que ele dizia apesar de me esforçar. Ouvi outros passos distantes se aproximando atrás de mim e acabei tentando olhar para trás, o que resultou apenas na minha cabeça caindo para trás. Roupas vermelhas... Olhos vermelhos brilhantes... Mas, a pele não era nenhum pouco no tom asmodiano.

- É inútil... – O desconhecido falou mais algumas coisas que não pude entender.

E então vi-o apontar algo para minha testa, o toque frio do metal... Eu não sabia o que era aquilo, mas... Senti medo. Vozes exaltadas ao fundo, não pude entender nada do que diziam e então senti ser recolhida, abraçada.

Protegida.

Tudo escureceu novamente.

-x-

Senti meu corpo dando pequenos pulos contra algo mais duro. Abri os olhos devagar, vendo cabelos cinzentos recobrindo meu rosto e então lentamente comecei a ter uma noção do que estava acontecendo.

Eu estava sendo carregada nas costas de alguém, mas, aquele cabelo cinza meio esverdeado era inconfundível. Afastei um pouco a cabeça e tentei olhar o rosto para verificar. Orelhas pontudas de elfo e... Sim, os olhos verdes me olharam de canto ao notar que despertei.

- Finalmente acordou, né? — Resmungou Grandark, aparentemente aborrecido.

- De-desculpe... – Suspirei, meio sem jeito com a situação.

Olhei ao redor. Estávamos passando por uma espécie de floresta fechada, mas... De alguma forma o caminho que fazíamos parecia ser uma trilha muito bem disfarçada. Minha cabeça pulsava de dor e passei a mão nela, suspirando atordoada.

- Onde estamos?

- Chegando em Canaban.

Arregalei os olhos, surpresa. Quando tempo eu tinha dormido? Aliais... Edna! Senti meu rosto perder a cor por alguns instantes.

- Mas, e a Edna? Onde ela está?

- Ah... – Ele suspirou, parecendo aborrecido com algo. – Depois daquele seu surto ela...

Antes que Grandark pudesse responder, demos uma pequena parada ao escutar as folhas no alto de uma árvore se mexendo e então uma figura pulou dali do alto. Fiquei preocupada de imediato, pensando que poderia ser uma emboscada. O cabelo rosado marcante e a pele roxa foram distinguidos pela minha visão e voltei a ficar aterrorizada. Era Edna, ela ia..! Não espera...

- Quem quer fruta?! – A asmodiana mostrou nos braços pelo menos meia dúzia de maçãs, com um sorriso nos lábios.

Fiquei quieta durante alguns instantes, boquiaberta. Edna simplesmente se aproximou e estendeu uma maçã na minha boca, me forçando a mordê-la para não cair no chão. Levei a mão livre para a maçã e a tirei de boca após uma grande mordida. A asmodiana afagou minha cabeça.

- Isso, tem que comer para ficar forte!

Olhei-a confusa, atordoada, mas o gosto doce da maçã na minha boca atiçou minha fome, fazendo minha barriga roncar. Avermelhei, ficando extremamente sem jeito e olhei para Grandark. Ele pareceu não ter notado nada... Ou tinha, mas não queria falar nada sobre.

- Enfim... – O demônio verde bufou. – Como eu estava dizendo, depois do seu surto a Edna perguntou sobre quem você era e por que estava comigo; eu disse que tinha te encontrado nas ruínas de Serdin e que achava que tinha batido a cabeça... Sei lá raios por que, mas essa maluca decidiu que iria me ajudar a te levar até a resistência.

- Ei, pare de falar de mim como se eu não estivesse aqui! – Reclamou Edna.

- Pare de reclamar e carregue ou essa pirralha ou essa droga martelo.

- Uhm... Na realidade estou me sentindo bem melhor, acho que eu podi--...

- Finalmente!

Antes que eu pudesse terminar, Grandark soltou minhas pernas e cai para trás, indo com tudo contra o chão. Senti minha cabeça bater em algo duro e levei uma das mãos a cabeça, soltando um gemido dolorido. Edna ficou parada do meu lado, me estendendo a mão para levantar.

- Venha. – A asmodiana sorriu para mim.

Aquele sorriso... Era incrivelmente gentil. Quer dizer, nem parecia ser a mesma mulher que estava tentando matar Grandark. Aceitei a ajuda e sorri de volta, me levantando.

- Obrigada.

- Tome cuidado, estamos quase chegando, mas não é motivo para relaxar. – Alertou Edna.

Acenei com a cabeça, olhei em volta e vi, há poucos centímetros de distância, meu martelo. Grandark veio me carregando e meu martelo? Acabei deixando escapar um pequeno sorriso, apesar do jeito rude que ele me tratava... Até que ele tinha um lado gentil.

Me pergunto agora o que será que me aguarda em Canaban...

Notas finais
Ansiosos pelo que vai vir? Gostando?
Eu espero que sim! ^^

Próximo capítulo: A Resistência.