O Conto da Holy Serenity

32 Nunca Mais Sozinha


Notas iniciais
Ei meus queridos leitores c: Eu sei que sumi, desapareci, evaporei, por um ano... Muitas coisas aconteceram, mas, pelo menos, consegui escrever um final para esse capitulo. Algumas coisas que ficaram meio em abertas vão ser explicadas também no próximo e ultimo capitulo de Zero Zephyrum, então, espero que me perdoem se ficaram confusas. ;w;" Enfim, desejo uma boa leitura para todos. c:

Zero surgiu a partir daquela luz tão familiar, Grandark apareceu, sorrindo confiante, quase arrogantemente como sempre. Mas, eu não podia não sentir aquela alegria aquecendo meu coração antes tão frio e desesperado. Eu não estava mais sozinha, e eu podia ter certeza que o calor que eu sentia vindo da mão do Zero era real.

– Sim, sim, tudo lindo e comovente, agora dava para vir logo aqui? Precisamos decidir como vamos destruir essa bosta.

O tom debochado do Grandark voltou a chamar a sua atenção. Sentiu falta daquele tom arrogante, por incrível que pareça, realmente sentiu. Deu um riso, notando que Zero que pareceu brevemente preocupado, logo sorriu aliviado ao ver que ela estava bem com aquilo. A barreira que Grandark criou estava aguentando muito bem todas as investidas da escuridão, e ele nem mesmo estremecia. Decidi então me aproximar, puxando brevemente a mão do Zero, mas logo ele me seguiu.

– Você podia destruir tudo isso aqui, não é? – Escutei Zero, me surpreendendo com o tom que ele estava usando.

– É, eu podia... Mas, estou cansado do meu último truque naquele corpo. – Grandark bocejou, ainda mantendo a mão para frente. – Já fui protagonista demais, então, aproveita sua chance de brilhar que ela não vai vir em breve.

Tru-truque? Me senti confusa, olhando atordoada para os dois, mas eles pareciam bem relaxados. Bem, talvez em breve eu fosse realmente entender o que estava acontecendo, e eu realmente espero entender. Mas, eles pareciam bem, e... Acho que isso é mais que o bastante. A escuridão parecia recuar cada vez mais, e então notei algo vindo do alto, ao olhar, vi aquela luz azulada, a mesma que Zero surgiu. Estreitou os olhos, enfim, conseguindo reconhecer... Fazia um tempo desde que viu aquela luz da ultima vez.

– Aquilo... Parece ser o Ronan.

Zero confirmou o que imaginou ser verdade, acenando positivamente com a cabeça.

– Sim, ele está nos ajudando.

Sentia falta de todos eles. O que eu fiz? Será que os machuquei? Será que a Grand Chase está bem? Abaixei um pouco a cabeça, e assim que o fiz pareceu que as trevas ganharam um pouco mais de força para voltar mais um pouco.

– Calem a boca... – As trevas chiaram, agora, numa versão muito mais destorcida do que antes. – Por quê? Vocês nem mesmo se importavam com ela antes... O que raios mudou? Por que querem ajudá-la?

As trevas... Realmente, elas... Elas eram certeiras. Realmente, por que eles voltaram? Olhei para Zero, mas ele parecia um tanto perdido, mas, então, Grandark voltou a falar, com um tom risonho.

– Você se acha genial, não é mesmo? Acha que sabe tudo sobre ela, não é? Eu digo que apenas sabe sobre o pior dela. Mas, você não faz idéia sobre como é discutir com essa pirralha todos os dias por que ela fica te enchendo sobre ser correto e o quanto ela se importa com esse imbecil que chamo de portador. Ela é teimosa, irritante, e alegre demais para meu gosto... – Grandark suspirou, com um tom distante, sorria, mas seus olhos verdes e pupilas amareladas pareciam fitar muito além. – Entretanto... É justamente desse tipo de pessoa que precisamos.

– Grandark... –Fiquei surpresa com aquelas palavras, mas sorri, logo assumi uma postura determinada, sentindo aquela força que havia me abandonado antes, retornando com toda a força que tinha. – Eu ainda tenho muito que quero fazer... Ainda preciso voltar para casa, preciso ainda brigar muito mais e preciso ajudar ainda mais o Zero. Não posso deixá-lo sozinho, e nunca irei.

Apertei a mão de Zero e o olhei, um pouco nervosa sobre qual seria sua reação com minhas palavras. Ele me pareceu surpreso, mas parecia... Avermelhado? Sentia meu coração batendo forte no meu peito, e quando ele finalmente sorriu, percebi que tinha prendido a respiração durante todo aquele tempo. Ele apertou minha mão em resposta.

– Obrigado.

– Ei, não se esqueça de mim aqui, caramba! – Escutei Grandark irritado.

Dei um riso quase involuntário, andando até ele mais um pouco e Zero me acompanhou, sorrindo também.

– É claro que você também, GD...

– Ganhei apelido? Que meigo. – A provocação de sempre, com um tom irritado, mas Grandark sorria. – É bom mesmo, por que nunca vou deixar vocês dois em paz.

Finalmente me sentia feliz, leve... Bem. Depois de tanto tempo, sem poder vê-lo, era tão bom sentir aquele sentimento mais uma vez. Finalmente poder entender mesmo que o pouco que ele parecia representar. Nunca mais iria deixá-lo sozinho, nunca mais iria deixá-lo sofrer. Se ele fosse, eu iria permanecer ao lado dele, sempre, sofrendo junto se for preciso.

Grandark voltou a sua forma de energia e voltou para dentro do Zero, que se voltou para mim. Podia sentir aquele calor me invadindo, tomando cada canto antes frio e descolorido que existia dentro de mim. Aproximei-me do Zero e o abracei, amando sentir aquele cheiro que nunca deixou minha memória. Esfreguei o rosto no peito dele, sentindo aquele calor gostoso me envolvendo e tomando quando o abraço foi retribuído.

Eu sabia também que nunca mais estaria sozinha.

–x-

Abri meus olhos lentamente. Não fazia a mínima idéia de quanto tempo havia passado, e provavelmente nem queria saber. Olhei ao meu redor, estava em um quarto, parecia ser um hospital, acho. As cortinas brancas balançavam suavemente e um canto de pássaro podia ser ouvido. Levantei, notando a falta do peso da armadura que sempre estava comigo, o martelo não estava a vista também.

Não parecia em nada com a torre do Grandiel... Dei uma espiada pela janela e senti a brisa refrescante do verão passando pelos meus cabelos. Sentia meus músculos um pouco mais fracos também. Foi então que notei que o céu estava azul.

A porta do quarto simples se abriu e uma enfermeira entrou, arregalando os olhos ao ver que eu estava de pé.

– A Senhorita Arme vai amar saber das boas novas! – Imediatamente se aproximou e colocou as mãos nos meus braços, ficando com um tom sério. – Mas você não deveria se esforçar, ficou de cama por meses.

– O-Oi?!

–x-

Ainda era manhã. Arme estava na sua sala de estudo, com o rosto deitado sobre um livro de anotações que estivera fazendo. Por meses estava tentando trabalhar num jeito para descobrir o que aconteceu com a pequena membro da Grand Chase, mas sem nenhum sucesso. Nenhum livro arcano tinha a resposta nem mesmo uma teoria.

E para piorar, houve um grande conflito no outro dia, algo que ela nem mesmo conseguiu entender, genial como era. Lin estava se recuperando muito bem, assim como Azin, em quartos ao lado da Holy, mas a pequena ainda não havia despertado.

Para variar, também, passou mais uma noite madrugando em busca de respostas enquanto Elesis voltava a liderar os outros membros da Grand Chase para continuarem com o treino. Com certeza iria ouvir muito da líder ruiva.

Passos apressados soaram através do corredor até chegar na frente da porta, que foi aberta com um grande estardalhaço. Arme acordou num pulo e susto, dando um grito e caindo para trás na cadeira.

– Senhorita Arme! – Anunciou um dos estudantes da Academia que estava de vigilância. — ... Senhorita Arme?

O rapaz olhou ao redor, sem ver a arquimaga, ficou assustado, foi então que a garota se levantou batendo as mãos na mesa. Seu rosto estava marcado com tinta, provavelmente a mesma que estava no livro que dormiu sobre. E era claro que estava furiosa.

– É melhor que seja muito importante... – Rosnou.

O estudante engoliu seco e não demorou a emendar o que queria dizer.

– Senhorita, a Holy acordou!

–x-

Quando Arme chegou no quarto, eu já estava rodeada dos mais diversos tipos de comida. A enfermeira disse que, devido ao tempo que fiquei em coma, era melhor eu tentar comer algo mais leve antes de partir para qualquer outra coisa pesada. E, bem, de leve valia bastante de não ter muitos temperos, mas a comida estava realmente boa mesmo assim.

Lin estava sentada do meu lado, estava contando sobre o que aconteceu no treinamento naquele dia, Arme logo abriu espaço e se aproximou.

– Bom dia, Arme! – Disse, me sentindo bem disposta.

Arme sorria contente, e podia notar umas lágrimas lutando para fugir nos cantos dos olhos dela. Até que, então, sem resistir mais, a garota pulou em cima de mim e me abraçou forte.

– Holy! Holyzinha! Hochunchuda! – Ela chorava, acabei me engasgando.

– Que é isso de “Hochunchuda”?! – Disse assim que desengasguei, pasma.

– Ai, Holy, você deu um baita susto na gente! – Arme me soltou e me olhou nos olhos, agora sem deter as lágrimas, e aparentemente ignorando minha pergunta. – Achamos que nunca mais ia acordar!

– Arme, dê um espaço pra garota respirar, por Agnécia! – Lin disse, tão pasma quanto eu, mas rindo ao mesmo tempo.

Acabei rindo também. Era muito bom estar entre amigos de volta... Mas...

– Ei, cadê o Zero?

Houve um silêncio desolador. Lin parou de rir e olhava para o lado, então Arme foi quem reuniu coragem de falar, com um sorriso sem jeito.

– Ele está no outro quarto, Holy. Descansando e se recuperando.

– O que aconteceu? – Senti um frio na minha barriga, engolindo seco.

– Muita coisa aconteceu, Holy, mas peço que tente ficar calma enquanto eu conto... – Arme respirou fundo. – Bem, Grandark havia se apoderado do corpo do Zero, completamente... Ele iria partir e deixar a Grand Chase para trás, mas Lin foi atrás dele para tentar impedi-lo, logo sendo acompanhada por mais alguns dos nossos. Grandark batalhou intensamente contra Azin, que ficou perto da morte, e Lin quase o matou. Todos esses efeitos deixaram o corpo do Zero extremamente exausto e agora ele está descansando e se recuperando. Sieghart também estava na batalha, mas ele é imortal.

Senti uma tontura com tantas palavras e toda essa idéia. Olhei para Lin, até esperando algum tipo de resposta, mas a sacerdotisa se recusava a erguer os olhos novamente. Engoliu seco. Será que tinha haver com tudo aquilo de “pequeno truque do corpo”? O céu vermelho piscou na sua memória. Se levantou, sem pensar duas vezes.

– Preciso vê-lo. – Disse, sorrindo de leve. – Tinha prometido nunca deixá-lo sozinho.

Houve um silêncio breve que pude até mesmo escutar, até que então Arme andou na minha frente e abriu a porta, sorrindo de um modo meio estranho.

– Te acompanho então.

Dei para o corredor, Lin ficou para trás, eu perguntaria o que havia de errado, mas realmente precisava falar com Zero. Precisava vê-lo, talvez assim meu coração acelerado pudesse se acalmar. Arme me guiou pelo corredor, tinham cinco portas de cada lado, sendo a minha a primeira do lado esquerdo. A maga me levou até a ultima porta do lado direito e abriu. Pude sentir o cheiro de grama recém cortada e uma brisa mais forte que o do meu quarto.

As cortinas brancas balançavam suavemente mesmo assim. Senti perder um pouco do meu ar até poder ver Zero, sentado na cama, olhando para fora, seu cabelo longo e cinzento solto. Ele virou o olhar para mim, e enfim pude ver aqueles olhos amarelados, sem brilho, mas que mexiam comigo de uma forma muito inesperada.

O rapaz ficou vermelho e apressou as mãos para a cabeceira logo do lado, pegando um par de óculos amarelados e colocou-os, voltando a me fitar, um pouco mais calmo. Não pude conter um sorriso.

– A-Ah, bom dia, Holy! – Ele deu um sorriso sem jeito, coçando a bochecha com o dedo indicador. – Que bom ver que acordou.

Uma onda imensa de alivio passou pelo meu corpo e andei até ele, sentando na cama e logo me inclinando para abraçá-lo, o mais forte que conseguia, o que, devido aos meses parada, não era muita coisa.

– Bom dia, Zero.

Suspirei aliviada, sentindo um grande peso ser levantado do meu coração.

–x-

Alguns dias se passaram, logo estava de alta, apenas precisava manter alguns treinos para recuperar a força nos músculos. Zero estava se recuperando muito bem também, mas ainda ficava sob observação. Grandark aparentemente havia sido levada para um centro de pesquisa da Academia Arcana, parece que para tentar descobrir um pouco mais sobre ele... Ou tentar melhorar o controle, mas segundo o que a Arme me contou, aparentemente Grandark está bem mais contido.

Aquele seria o ultimo dia do Zero no hospital, e eu ainda nem tenho certeza do que ele vai fazer. Ainda estava preocupada com a Outra Dimensão... Não tive a chance de falar que a “eu” daquele mundo ainda estava viva. Nem sei como Grandark e o Zero de lá estão. Pensei sobre essas coisas a medida que atravessava o corredor mais uma vez naquele dia, chegando até o quarto do Zero e abrindo a porta. Ele estava acordado, com os óculos amarelos.

Sorri.

– Boa tarde, Zero.

Ele levantou o rosto para mim, sorrindo. Era tão bom vê-lo sorrir.

– Boa tarde, Holy.

Me aproximei e puxei uma cadeira que havia sido disposta para mim ali, sentando-me ao lado dele e peguei o cesto que trouxe comigo, tinha algumas frutas ali dentro.

– Os médicos disseram que amanhã você vai poder sair. – Peguei uma maça do cesto, cortando-a em pedaços com uma faca que trouxe junto. – E acho que vai poder pegar o Grandark de volta quando sair.

– Que bom. – Ele permanecia sorrindo de uma forma calma, até então suspirar e ficar com uma expressão um pouco mais séria. – Você... Sente falta, de lá?

Fiquei surpresa ao ouvir aquelas palavras. Soergui as sobrancelhas e sorri meio sem jeito.

– Do que está falando?

– Bem, sabe... De lá, a outra dimensão.

Zero havia me explicado que o Grandark da dimensão que eu estava atravessou para encontrar ele nessa dimensão, e ajudou-o a combater o Grandark dessa dimensão. O “truque do corpo” que ele havia dito, era algo sobre ativar o núcleo que sustentava a vida do Zero e o poder permitiu que Zero pudesse ter sua autonomia de volta.

Olhei para minhas mãos, que deixei repousando no meu colo.

– Estou preocupada... Só. Mas, estou bem aqui. – Levantei o olhar, sorrindo de leve.

–De verdade? – Havia um tom estranho que tive medo de ouvir na voz do Zero.

Será que ele duvidava do que eu sentia? Em relação a estar bem nessa dimensão? Claro que sinto um pouco de falta do Grandark, mas... Eu precisava voltar. Meu lugar é aqui. Deixei o cesto de lado.

– Ei, Zero.

O rapaz virou o rosto para mim.

Sorri de leve e me aproximei, inclinando um pouco o corpo sobre a cama. Sentia o coração batendo forte no meu peito, mas fechei os olhos e toquei o rosto do Zero com minha mão direita, enquanto a esquerda apoiava meu corpo para poder ficar reclinada daquela forma. Senti o calor dele se aproximando dos meus lábios até que, por fim, pude senti-los suavemente tocando os meus. Naquela altura, meu rosto parecia pegar fogo, mas, pressionei de leve meus lábios contra os dele e acariciei seu rosto.

Zero se movimentou um pouco, parecendo meio sem jeito e sem o que fazer, até que levou a mão para minha nuca e a acariciou de leve, senti um arrepio passar pelas minhas costas com o toque gentil e tímido, e parei brevemente aquele beijo. Afastei um pouco rosto, tirando os óculos amarelos dele e voltei a olhá-lo, sentindo ser puxada por aquele olhar, que mesmo inumano, ainda me deixava tão... Hipnotizada. Com nossos narizes encostados, sentia a respiração irregular dele conflitando com a minha.

– Eu... Gosto, de você, assim.

Senti minha garganta apertando de dizer aquelas palavras. Zero pareceu avermelhar ainda mais.

– Como você gosta de doce?

Acabei dando um riso, sentindo uma pontada daquele nervosismo desaparecendo junto com aquilo. Voltei a minha posição, ainda dando alguns risinhos, mesmo que um pouco nervosos.

– Eu gosto de você mais do que gosto de doce.

–... Eu não quero ser comido.

Acabei rindo mais um pouco e até pude escutar Zero dando um risinho. Ele tocou meu rosto quando parei de rir, sorrindo.

– Também gosto de você, Holy.

Acabei levando meu rosto para perto dele mais uma vez, sentindo seus lábios tantas vezes que acabei perdendo noção do tempo. Sim, eu sentia falta do Grandark, mas, aqui era meu lugar. Ao lado dele.

Do lado da pessoa que eu amo.

Fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!