O Conto da Holy Serenity

26 Especial! Uma noite de Halloween?


Notas iniciais
Pronto pessoal, o primeiro especial foi lançado x3
Eu ainda tenho que terminar de escrever o do conto do zero ~3~
Espero que não se importem se eu tirar alguns dias de férias depois desse daqui c: Não muitos, é bem capaz de eu acabar publicando no meu tempo normal. ~w~
Desejo uma boa leitura e espero que gostem! : D

Especial!Uma noite de Halloween?

Senti o chão sob meus pés novamente, sentia ao meu redor uma espécie de cortina fina que impedia minha passagem. Passei meus dedos ao meu redor, sentindo aquela fina cortina se rompendo ao meu toque. Tentei respirar, mas apenas senti uma água entrando nos meus pulmões. O desespero começou a tomar conta de mim quando meu corpo começou a clamar estava precisando de oxigênio. Sem saber onde estava, graças a escuridão, joguei meu corpo contra aquela fina cortina, rompendo-a e cai junto com aquela água que estava ao meu redor.

O chão estava frio. Me levantei com alguma dificuldade, pois meu corpo parecia não me obedecer. Senti um arrepio atravessar minha espinha junto com a sensação da presença de alguém e levantei meu olhar, a princípio o ambiente em que me encontrava permanecia escuro... Até que vi uma bola de luz surgir do nada, e com aquela luminosidade, pude perceber que ela havia atravessado uma parede de blocos de pedra. Ao redor daquela bola parecia haver uma reconfortante luz azulada... Aquilo continuou flutuando lentamente, se aproximando de mim, até desaparecer poucos metros quando o som de madeira arrastando pesadamente no chão irrompeu o silêncio daquele ambiente com um eco. Tampei meus ouvidos, pareciam estar mais sensíveis do que o normal e quando levantei meu olhar, vi que no alto de uma escadaria estava uma figura baixa e cabelos grisalhos, sua pele era arroxeada e enrugada, denotando que parecia ser realmente um velhinho. Mas... Um par de chifres negros surgia logo acima das têmporas daquele velhinho se projetando para cima.

– Uhm... – O velho continuou me encarando, passando a mão na barba.

– O-Onde eu estou?

Sem nem me responder, o velho fez um gesto com a mão e o ambiente em que eu estava imediatamente se iluminou com tochas pelas paredes. Fechei meus olhos com a iluminação repentina até sentir que me acostumava com a luz e olhei ao meu redor. Eu estava no que parecia ser um... Laboratório, com diversos tubos de ensaios espalhados em mesas pelos cantos, assim como livros abertos numa mesa no centro da sala. Me abracei, tentando espantar aquele frio com meu próprio calor. O lugar inteiro era feito com blocos de pedras umas sobre as outras com alguma coisa mantendo-as juntas... Um lampejo de uma floresta roxa passou pela minha cabeça, junto com uma enorme dor de cabeça. Fui ao chão, atordoada. O que era aquilo?

– Zero, venha me ajudar!

Levantei meu olhar, a tempo de ver uma espécie de rapaz aparecendo logo ao lado daquele velhinho, ajudando-o a descer as altas escadas que dava para o laboratório. Ele tinha parte do cabelo cinzento, mas outra metade era preta... Apesar de que, das partes que o manto que ele usava não escondia, pude ver que ele estava cheio de remendos e costuras pelo corpo. Um dos seus olhos estava escondido por uma espécie de tecido branco ligado por duas tiras longas. O olho amostra tinha um tom amarelado, mas... Não tinha brilho nenhum.

– Mas... O que..? – Tentei me levantar, ainda sem ter um completo domínio do meu corpo, fui ao chão novamente.

– Não, não faz isso. – O velho terminou de descer as escadas e se aproximou de mim imediatamente. – Você acabou de nascer, não pode se esforçar sem ajuda. Zero, vem aqui logo!

– Sim, senhor.

Roboticamente o rapaz que vi antes se aproximou de mim, pegando minha mão e me puxou para ficar de pé, mas quando senti que iria cair mais uma vez, ele me segurou pelo ombro. Suspirei, olhando para minhas pernas desnudas, com uma espécie de liquido viscoso... Mexi os dedos, e não consegui conter um sorriso nos meus lábios. Eram tão pequenos... Mas dava uma sensação engraçada sentir o chão gelado com eles.

O som de coisas pesadas indo ao chão captou minha atenção e levantei o olhar imediatamente, vendo que o velhinho estava tossindo no meio de uma nuvem de poeira. Alguns livros estavam no chão.

– Trás ela aqui. – Disse o velho, apontando para o espaço livre na mesa.

– Certo. – Respondeu o rapaz ao meu lado, virando o rosto para mim em seguida. – Vamos, é um pé depois do outro, entende?

– A-Acho que sim...

– Eu estou aqui, não se preocupe.

Um rápido lampejo se passou pela minha cabeça, o rosto muito parecido com o dele, mas com o cabelo inteiramente naquele tom cinzento, num dia ensolarado em um lugar verde... Senti cambalear para o lado, mas o rapaz me segurou. Respirei fundo, recuperando minha postura e olhei para meus pés.

– Assim. – Ele disse, descendo a mão para minha perna direita e a mexeu para frente. – Agora faz isso com a outra.

– Ce-Certo... – Respirei fundo e tentei mexer minha perna esquerda da mesma forma, estendendo-a para frente.

Ele acompanhou meu movimento enquanto em sentia os músculos da minha perna se esforçando para manter meu corpo enquanto eu dava meu primeiro... Passo? Por que aquilo parecia estranho de se pensar, mas ainda sim sinto certa... Alegria? Não pude mais um sorriso ao sentir que estava conseguindo fazer aquilo mais uma vez enquanto ele continuava me acompanhando.

– Estou conseguindo!

– Isso, só mais um pouco, está indo bem.

Acabei rindo enquanto continuava fazendo aquele movimento mais algumas vezes, sentindo que ele me soltava à medida que eu sentia segurança no movimento que eu fazia até que, quando cheguei à mesa, estava de pé sozinha. Olhei para o velho e depois para o rapaz, sentindo minhas bochechas até doerem do tamanho do meu sorriso.

– Bem, sente-se menina, temos que ver se está tudo certo no seu corpo. – Após dizer aquilo, o velho bateu na mesa para que eu me sentasse.

Obedeci o comando, me sentando em cima daquela mesa de madeira e acompanhei o velho com o olhar. Ele pegou um martelo pequeno e bateu no meu joelho. Sem que eu pudesse controlar meu corpo, minha perna se mexeu sozinha. Arregalei os olhos, me assustando com aquilo e virei o meu rosto para o velho, que estava simplesmente coçando a barba, com uma cara pensativa.

– Ótimo... O sistema nervoso parece estar bom. Agora, vamos aos outros passos... Ah, Zero, poderia dizer para o seu irmão preparar a jantar e depois pode pegar aquela roupa para ela?

– Sim, senhor.

Mais uma vez de modo robótico o rapaz andou em direção as escadas, saindo do ambiente em que eu estava. Senti uma... Certa tristeza. Algo dentro de mim se remexia por vê-lo naquele estado... Não parecia certo. Escutei barulho de peças de metal e me lembrei do velho, voltar meu olhar para ele, a tempo de vê-lo se aproximar com uma pena branca em mãos.

– Agora, vamos ver se você sente isso.

Espere, o que?

–x-

Minha risada ainda ecoava quando a porta do laboratório abriu novamente. Escutei passos descendo pelas escadarias enquanto o velho afastava aquela pena da minha barriga. Me sentei de volta devagar enquanto via quem havia entrado no ambiente e era Zero com um tecido branco em mão. Me sentei novamente enquanto acompanhava o rapaz descendo as escadas, sorri para ele mas... Zero nem mesmo dirigiu o olhar para mim. O velho que me fez rir e se afastou, deixando a pena na mesa. Respirei fundo. Por que aquilo me incomodava tanto?

– Aqui, criança. – O velho jogou no meu colo um pedaço de pano felpudo... Eu conhecia aquilo. – Seque-se com isso.

Me levantei da mesa e peguei aquele pedaço, terminando de sequer aquele líquido viscoso do meu corpo. Imediatamente me senti bem melhor e sorri, aliviada.

– Pronto, senhor.

– Ótimo, ótimo. – Ele voltou com o tecido que o rapaz trouxe, tomando a toalha das minhas mãos. – Se vista depois suba.

– Sim. – Acenei com a cabeça.

O velho começou a andar para fora do laboratório e notei que Zero estava seguindo-o, e ao notar aquilo, ele imediatamente parou bufando e se virou para aquele que o seguia.

– Você fica para guia-la, ela pode se perder pelo castelo quando terminar.

– Sim, senhor.

– Ótimo.

Imediatamente o velho voltou a andar até sair do laboratório, deixando-nos a sós. Olhei para Zero e ele me olhou também, mas... Pude notar que ele não parecia nenhum pouco interessado em conversar... Suspirei, mesmo sabendo disso... Eu queria tentar. Tentei dar um sorriso, virando para ele.

– E-Então, seu nome é Zero?

– Sim.

– Uhm... Há quanto tempo está aqui?

– Alguns minutos.

Aquilo estava parecendo realmente complicado... Comecei a me vestir, vendo como era aquela peça que me foi estendida. Parecia um vestido simples... Abri os botões na parte detrás da roupa e passei a cabeça pela parte de baixo até sair na parte de cima. Ajeitei as mangas, longas, pelos meus braços e tentei esticar os braços para fechar o vestido. Consegui fechar o primeiro, mas estava complicado alcançar os outros. Suspirei e me virei para Zero, que continuava me observando impassível.

– Zero... Pode me ajudar?

Sem dizer uma palavra, ele se aproximou das minhas costas, terminando de fechar os botões. Olhei para mim mesma. A saia cobria até meus joelhos e as mangas eram quase grudadas nos meus braços, e a gola era alta. Ajeitei meu cabelo e me virei de frente para o Zero.

– Como estou?

–... Apresentável. – O rapaz seguiu para as escadarias em seguida. – Vamos.

Ele realmente conseguia ser desanimador, mas... De alguma forma aquilo até que me animava um pouco, me fazia lembrar algo importante... Apressei-me para alcança-lo e fui seguindo-o pelas escadas, enfim saindo daquele ambiente que eu despertei. Porém, quando estava prestes a alcançar o último degrau, escutei uma voz... Olhei para trás, soerguendo a sobrancelha.

– Vamos. – Zero me apressou, já com a porta aberta e me esperando do lado de fora.

– Ah, sim, desculpe! – Imediatamente terminei as escadarias, dando de cara com um corredor.

O novo ambiente era totalmente construído com pedras encaixadas e unidas por uma espécie de massa endurecida. Assim que o Zero fechou a porta do laboratório, ele começou a andar. Me apressei para alcança-lo e tentei olha-lo de lado. Sua expressão era completamente neutra, o que era um pouco perturbador... Eu podia sentir que ele não era feliz... Na realidade, tenho quase certeza que ele não o é.

– Ei, Zero... Conhece alguém que se chama “Holy”?

– Essa é você. – Ele respondeu sem nem sequer me olhar.

Arregalei meus olhos, parando por um instante. Meu nome... É Holy? Senti uma onda de dor na minha cabeça novamente, junto com diversos flashs atacando minha mente. Alguém em meus braços, sorrindo. Uma mulher de pele roxa sorrindo para mim. Um oceano negro. Escuridão... Quando a dor começou a passar, Zero estava abaixado na minha frente, me olhando atentamente.

– Que bom que acordou... – Ele murmurou, se levantando e estendendo a mão para que eu me levantasse. – Vem, você precisa comer.

– Sim... Obrigada. – Sorri, pegando sua mão e me levantei.

Aquela pele... Era tão familiar... Continuei segurando a mão dele se nem perceber e quando dei conta do que fazia, larguei-a imediatamente, sorrindo sem graça. Ele nem pareceu dar uma mínima para aquilo, voltando a andar. Suspiro. Sinto um desconforto estranho além da minha tristeza por Zero... Como se alguém estivesse me vigiando.

Olho para trás, sem ver nada, apenas as sombras bruxuleantes que as tochas criavam. Deve ser algo da minha cabeça.

–x-

Estava sentada na mesa de jantar, realmente longa, com dezenas de lugares, mas apenas quatro estavam ocupados: o meu lugar, Zero sentado ao meu lado, o velho estava sentado na ponta da mesa e do lado oposto estava um rapaz muito parecido com Zero, mas seus cabelos eram vermelhos. Algo nele... Me deixa inquieta. Diferente do Zero ele está usando uma máscara que oculta seus olhos, e sinto estar sendo vigiada constantemente. Sinto a sopa descer pela garganta e desço meu olhar para sopa, me olhando pelo reflexo. Tenho um rosto realmente jovem, pareço até mesmo criança...

Meus olhos são azuis, e os cabelos são esverdeados, bem curtos. Sentia estar afundando dentro do meu reflexo, a medida que continuava me observando... Os meus olhos perderam o brilho e quando dei por mim estava em um lugar escuro, sem conseguir me mover, mas ainda via meu reflexo. Um sorriso sínico se formou nos lábios do meu reflexo, seu olhar se tornou cruel e vi-a estender a mão para o reflexo, mesmo que eu não pudesse estar me mexendo.

Uma voz começou a ecoar pela minha cabeça, minha voz, repetindo sem parar as mesmas palavras. Aquela dor de cabeça começou a se tornar ainda mais forte. Um jardim vermelho sangue, uma lua negra sangrando, o rosto desfigurado no chão, cheiro de morte.

“Assassina!”

A mão do meu reflexo saiu da sua dimensão, se esticando para tocar meu rosto. Não, aquilo não é possível. A sopa se tornou vermelha, e senti um gosto ferroso na minha boca. Tentei afastar meu rosto, mas sentia que apenas me aproximava cada vez que me esforçava. Aquilo não é real e sei disso. Fechei meus olhos, uma voz distante começou a ressoar em minha cabeça, ganhando força entre a voz que me acusava de ser assassina.

“Sempre vamos estar um do lado do outro, certo?”

Sinto meu pescoço sendo apertado com muita força e ainda não consigo me mover. O pensamento de abrir meus olhos me aterroriza pois consigo ver mesmo com os olhos fechados: as paredes estão sangrando ao meu redor e meu reflexo estava com o tronco inteiro fora da tigela, envolvendo meu pescoço com ambas as mãos, seus olhos desejando apenas uma coisa: meu sangue escorrendo. Não, isso não pode acontecer.

Não posso morrer agora. Eu ainda tenho que encontra-lo.

Uma explosão de imagens veio a minha mente. Eu já conhecia Zero! Diversos nomes pulam e minha mente enquanto vejo diversas cenas, tanto felizes quanto triste. Elesis, Lire, Arme, Ronan, Lass, Dio, Edna, Mari, Ryan... Grandark.

As mãos em meu pescoço aliviam a pressão até desaparecer completamente. Abro meus olhos, vendo luz ao meu redor. Estava sentada ainda, encarando meu reflexo com minha colher parada meio-caminho para a sopa que já estava esfriando. Senti uma gota escorrer pelo meu rosto até chegar na minha boca. Era salgado, mas... Tenho certeza que não estava chorando. Era suor?

Levanto meu olhar e vejo que estava sendo observada por todos do recinto, Oz, o criador do Zero, me olhava com um olhar critico, o irmão do Zero estava com o rosto virado para mim, esboçando um fino sorriso. Olhei para meu lado e vi aquele que era realmente importante me encarando surpreso, mas... Pude notar uma ponta de preocupação no fundo do seu olho.

– O... O que?

– Ela estava sendo promissora... Mas falhou. – Escutei o velho Oz falando. – Uma pena, mas... Nada demais. Não dá para fazer progresso sem erros.

Virei meu olhar imediatamente para ele, largando a colher na mesa. Sentia um medo... Sei que algo está errado, e não era apenas aquilo que acabei de ver.

– Como assim?

– Estou tentando há meses, Holy... – O velho asmodiano se levantou da cadeira dele, caminhando até chegar a mim. – Cada corpo que nasce, é mais uma falha... É realmente desgastante, sabe? Todas vocês demonstraram o mesmo problema... Psicológico. Eu nem preciso perguntar para saber o que você viu.

Engoli seco, sem entender perfeitamente o que estava acontecendo. Sinto que eu deveria correr imediatamente... Me levanto devagar, tentando controlar minhas pernas, ainda com o olhar voltado para o velho que estava parado, me observando com as mãos atrás do corpo.

– Não sei do que está falando.

– Claro que sabe... E é por isso que tenho que te destruir.

– Não! Eu... Eu posso viver! – Sinto meus olhos encher de lágrimas. – Por favor, não vai acontecer de volta!

– Vai acontecer. Aconteceu outras vezes. – Ele respondeu ainda impassível e olhou de lado. – Destrua, protótipo Zero.

– Sim, mestre.

Olhei de canto, vendo aquele garoto ruivo se levantando da cadeira e pulando por cima da mesa em minha direção. Senti meu coração afundar no meu peito de medo.

– Eu não quero morrer!

Escutei o movimento rápido de tecido pouco antes de ver uma figura negra se jogar contra o protótipo Zero, empurrando-o com uma força animalesca contra a parede oposta. O ruivo voou no ar como se fosse uma simples boneca, porém antes do impacto ele girou no ar, colocando os pés na parede e impedindo que seu corpo sofresse danos. Quando dei por mim estava de boca aberta, e assim que o protótipo Zero ficou de pé no chão, vi alguém aparecendo na minha frente, claramente mais alto do que eu. Meus olhos estavam na altura do seu peito, pude notar que usava uma roupa nobre, e a medida que fui subindo meus olhos, me deparei com um par de olhos esmeraldas que brilhavam, e sua pupila era amarela afinada. Um sorriso cínico, de quem é extremamente convencido.

Senti minhas pernas amolecerem.

– Grandark... – Murmurei automaticamente.

– Fico encantado que saiba meu nome senhorita, mas eu desconheço o seu.

– Ho-Ho-Holy Serenity. – Respondi sem nem mesmo conseguir pensar direito.

– Holy, é? Engraçado uma coisa divina estar presa num lugar tão profano.

Por que sinto meu rosto esquentando? Não deveria estar esquentando, isso é errado. Não, não pode.

– Grandark, se afasta dessa criança agora! – Oz comandou, e pude perceber que estava muito sério.

O recém-chegado bufou, e quando ele se afastou do meu rosto que pude notar que estava usando uma capa preta longa, com uma gola alta. Estranhei ver que seu cabelo era num tom verde muito escuro e espetado. Grandark riu daquele jeito dele de sempre: tão convencido ao ponto de erguer a cabeça.

– Se não vai fazer o que, velho decrepito? Até onde eu saiba você é meu subordinado e vive no meu castelo.

Senti uma mão tocar meu pulso e olhei para trás, vendo que era Zero. Ele fez um sinal para que eu ficasse em silêncio e para que o seguisse, me puxando de leve. Olhei para Grandark. Sentia uma vontade de ficar, porém sentia que era perigoso ficar ali... Deixei que ele me guiasse para fora do salão de jantar.

O trio ficou para trás e mesmo me distanciando, ainda pude escutar que estavam discutindo. Olhei para a porta que dava para o salão que havia acabado de sair, sentindo uma tristeza estranha. Eu me lembrei de tudo e... Sinto que era errado deixar Grandark para trás daquele jeito... Todavia, sei que ele não é o Grandark que eu conheço. Engulo esse sentimentalismo e olho para Zero que estava correndo na minha frente, guiando-me pelo castelo. Senti uma pontada de alegria e não pude conter um sorriso.

–x-

Continuamos correndo até sair do castelo. Meu peito subia e descia rapidamente enquanto o suor descia pela minha testa, ainda tentando segui-lo. Era mais do que claro que o Zero tinha muito mais facilidade para corridas longas do que eu... Talvez seja por que eu acabei de nascer. Senti um arrepio ao pensar dessa forma. Adentramos em um bosque de árvores distorcidas e enegrecidas, sem folhas, mas mesmo com a proteção dos seus troncos continuamos correndo até chegar em uma clareira que tinha uma espécie de toca gigante que dava em direção a um monte. Paramos devagar e quando Zero parou completamente, não aguentei e fui ao chão.

Minhas pernas não estavam mais aguentando direito, podia senti-las latejando. O rapaz olhou para trás, em direção ao castelo. Engoli seco, respirando fundo em seguida para recuperar o fôlego.

– Por que... Me ajudou?

Ele me olhou logo em seguida, e... Pude notar uma ponta de hesitação em seu olho. Em seguida Zero se aproximou de mim, se abaixando na minha frente e me olhou nos olhos seriamente.

– Vocês todas... São iguais.

– O que quer dizer?

– Vocês sempre me perguntam a mesma coisa... E sempre parecem querer alguma coisa, mesmo com um olhar muitas vezes triste. Eu não me importava a principio, nas três primeiras, mas... Senti algo estranho a partir da terceira. Eu apenas não conseguia mais ficar parado vendo meu irmão matando-as e meu mestre descartando-as como se fosse nada...

Senti meu rosto esquentar de leve enquanto meu coração acelerava de alegria. Me ajeitei, olhando-o. Não sabia o que dizer sinceramente apenas me sentia contente por escutar aquelas palavras...

– Obrigada, Zero...

Ele olhou para o lado, coçando a bochecha com o dedo indicador da mão direita. Não pude conter um riso, e pude notar que ele se voltou para mim meio surpreso. Controlei-me.

– Desculpe. – Sentia que meu coração já havia voltado ao seu ritmo normal e minha respiração também. – Onde estamos indo?

– Bem... Você vai ali. – Ele respondeu, apontando para a toca. – Vai enviar sua alma para seu lugar correto.

– E você?

– Vou falar com Pequeno Anjo...

– Pequeno Anjo?

– Sim... – Ele olhou para cima, meio distante. – Vocês duas são muito parecidas.

Pisquei os olhos, sem entender o que ele estava querendo dizer direito. Enfim, me levantei olhando para Zero que ainda estava meio distante. Sorri de leve e me aproximei, me abaixando de joelhos logo na frente dele. Seu olhar voltou-se para mim, meio surpreso.

– Posso... Te abraçar?

Pude notar que ele ficou ainda mais surpreso com meu pedido, mas se ajeitou, com o torso virado para mim.

– Tudo bem.

Ao receber a confirmação me aproximei, envolvendo-o com meus braços e afundei meu rosto no seu ombro, respirando seu cheiro. Era igualzinho... Tentei lutar contra aquelas lágrimas que pareciam querer sair, e como reflexo abracei-o um pouco mais forte. Senti seus braços me rodearem também, abraçando-me suavemente.

Pude sentir nossos corações batendo em sincronia. Sim, o coração dele bate... Eu ainda tinha que voltar, e sei bem disso... Afastei-me lentamente, voltando a olhar o rosto do Zero. Ele retribuiu o meu olhar.

– Me promete algo?

– Promessa..?

– Sim.

– Certo.

– Se cuide.

Zero arregalou o olho, mas acenou positivamente para mim. Sorri de volta e me afastei dele, me aproximando da toca.

Era hora de voltar e encarar a minha vida...

Notas finais
Apenas como um pequeno presente de halloween vou deixar a música que me inspirou a escrever esse pequeno (longo) conto : D

http://www.youtube.com/watch?v=AkcdT_dHJVg