O Conto da Holy Serenity

22 Duo! A Escapada Final / Ryan e seu trabalho


Notas iniciais
Então gente, esse daqui é um especial presente do dia das crianças c:
Eu pretendia fazer apenas um especial mas... Como os dois ficaram pequenos, resolvi criar uma exceção e unir os dois para poupar espaço. c:
Espero que gostem do meu humilde presente e feliz dia das crianças! o/

Duo! A Escapada Final / Ryan e seu trabalho

Senti meu coração explodir junto com o helicóptero de Edna ao vê-lo explodir nas garras daquele monstro. Fechei meus punhos, sem ter consciência de sequer a força que eu estava aplicando, apenas buscava descontar aquela ira que queimava dentro de mim. Ela havia prometido... Que não iria fazer nada estúpido... Senti meus olhos ardendo, mas eu não vou deixar essa dor se manifestar dessa forma estúpida. Não sou a mesma criancinha que Edna conheceu, eu não vou chorar.

- Dio, temos que ir! – Mari me puxou pelo ombro, se apoiando em mim para não escorregar junto com a inclinação do dirigível. – Vamos!

Tentei controlar aquelas emoções. Eu queria era pular dali onde estava e ir atrás daquele dragão maldito e seu dono, destruir os dois com o meu poder, mas... Ao fechar os olhos, a primeira coisa que me vem a cabeça é o rosto da Edna antes de ir para o encontro com a morte. Ela estava sorrindo. Como ela podia sorrir? Senti algo escorrendo por entre meus dedos, e ao olhar o que era, vi que havia apertado tanto que minhas garras penetraram na minha carne, e eu estava sangrando. Quase pude escutar a voz da minha fiel asmodiana me dando uma bronca por sido irresponsável de volta.

Engoli aqueles sentimentos tumultuosos e virei-me para Mari, pegando-a nas pernas e pelas costas.

- Segure-se. – Avisei.

Abri minhas asas assim que senti a engenheira me abraçando. Imediatamente saltei em direção daquela abertura para os helicópteros, alçando meu voo. Senti o vento batendo forte contra minhas asas, a dor que senti ao tentar lutar contra aquele vento foi de esticar a pele fina, apesar de resistente, das minhas asas. Respirei fundo, segurando firmemente Mari em meus braços e abri minhas asas, deixando que o vento suaviza-se minha queda. Olhei ao redor instintivamente.

A minha esquerda o dirigível estava caindo, Grandark escapou usando aquela imitação barata das asas dos asmodianos, Edel e o Mascarado pularam do dirigível, usando sua magia para conseguirem sobreviver a queda. Imediatamente vi o novato, Azin, pulando do dirigível também. Pude ver de onde estava o rosto inseguro do jovem rapaz, mas ele parecia ter algum tipo de plano em mente... Sei que vou encontra-lo novamente. Como não vi Holy, assumo que Grandark deve ter escapado com ela.

Mas, uma coisa em especial chamou minha atenção... Muito ao longe, vi alguma caindo em queda livre no ar, deixando uma trilha de fumaça atrás de si, até atingir o oceano. Senti meu coração apertar por um momento. Talvez fosse a Edna? Ou seria apenas os restos do helicóptero? Por mais que eu quisesse voar naquela direção para verificar o que realmente era... Eu sabia que não daria. Tudo o que eu podia desejar era que ela estivesse bem...

Voltei minha atenção para o solo. Agora, sem o vento forte de antes, podia me dar a liberdade de controlar o meu próprio voo. Dessa forma, consegui desviar das árvores e dos galhos até chegar ao solo. Deixei Mari no solo de pé e olhei ao meu redor.

- Estamos perto de Karuel...

- Sim.

Imediatamente a engenheira tirou da bolsa dela um aparato estranho com uma tela que tinha diversos círculos, com uma linha brilhante passando por toda a tela, revelando por onde passava pontos vermelhos brilhantes. No total haviam três pontos em toda a área. Me aproximei, tentando entender o que era aquilo.

- O que é isso? – Indaguei.

- É um localizador.

Olhei para Mari, que retribuiu o olhar. Ela suspirou, dando de ombros, voltou a olhar para o aparato.

- O localizador identifica todas as pessoas que estão utilizando minhas invenções. No caso, a Holy tem o martelo personalizado por mim, a Edel tem um comunicador que inventei para o grupo da exploração e o terceiro ponto sou eu mesma.

- Isso é útil... Mas, e o novato?

Mari deu de ombros, andando para o ponto mais próximo. Supôs que fosse a Edel, já que ela nem mesmo disse quem era.

~x~

Pilhas de papeis se acumulavam na minha frente. Tanta coisa para assinar e confirmar, entregas de comida e assistência médica para os asmodianos que enfrentavam uma guerra civil. Deixei meu rosto cair na mesa. Estava exausto, duas noites sem conseguir dormir direito. Se eu soubesse que o trabalho de um comandante era tão exaustivo assim, eu nunca teria dado essa ideia e teria passado a bola para o Grandark.

Não, pensando bem, não. Se o comando da Resistência fosse inteiramente do Grandark, estaríamos perdidos. Respiro fundo, tentando encontrar forças dentro de mim e me ajeito novamente no banco, olhando pra minha sala. Por mais que eu tentasse me sentir bem aqui, é impossível. Não há céu azul, não há nenhum tipo de planta ao meu redor... Na minha sala simplesmente era um bloco de pedra e argamassa cinzenta, sem nenhuma cor da vida verde.

Eu odeio o Maligno por isso. Ele matou tudo que era bom e verde, tudo o que consegui salvar da natureza estava reunido aqui, na base. Sei que a única e a melhor coisa que posso fazer e destruí-lo para que a vida volte ao normal e o Eclipse se vá.

Me espreguiço e me levanto da cadeira, me afastando da mesa. Iria tentar andar para espantar esse sono... Talvez os médicos tenham feito algum progresso no tratamento da Amy. Respiro fundo e saio da minha sala, dando para os corredores infinitos do castelo de Canaban. Se Ronan estivesse vivo para ver o que fizemos com Canaban, não sei se ele iria ficar furioso ou alegre. Que ele estivesse com os deuses.

Apesar de muitas vezes já ter me perdido por aqui, me acostumei já com essas combinações confusas de corredores, então em poucos minutos eu já me encontrava no salão principal, a entrada da Sede. Suspirei, olhando ao redor. Os robôs da Mari estavam correndo que nem loucos para todos os lados, não apenas para manter tudo em ordem, mas também por que dei a ordem para eles me auxiliarem nos preparativos para ajudar Dio em Elyos. Segui para fora do estabelecimento, dando de cara com as ruas pavimentadas da cidade quase em decadência, mas que aos poucos se reerguia em sua glória. Sorri de canto, cumprimentando os soldados que guardavam o portão da frente.

Segui pelas ruas, ainda admirado pela luz elétrica que a Mari havia inventado com o poder da Pedra das Almas. Ela criara uma máquina que aproveitava o poder que aquele artefato poderoso emanava para converter naquela coisa chamada luz elétrica que se espalhava por toda a cidade por fios condutores. Sorri de canto. Era bom ter uma luz que pelo menos iluminasse aquela escuridão sem fim.

Fui para o hospital construído, ainda modesto. Tínhamos que expandir aquele prédio logo, além de investirmos em mais médicos... Saúde estava se tornando um problema sério nessa cidade, e eu fico realmente atolado quando Mari está fora. Normalmente ela consegue manter tudo em ordem para mim na cidade enquanto cuido dos assuntos políticos, mas... Sem ela aqui estou tendo que lidar com tudo de uma única vez. Entrei no prédio, vendo pessoas deitadas em pedaços de panos no chão, cheios de bandagens, crianças tossindo, idosos aguardando sentados nas cadeiras.

Desviei meu olhar para o chão. Precisávamos fazer alguma coisa... Se a situação continuar desse jeito decadente, é bem capaz deles se revoltarem contra mim por não terem um meio de distração dessa situação. Amy Aruha era essencial nesse papel. Ela era amada por muitos, tinha fãs por toda Canaban reconstruída, mas desde o evento das Ruínas de Prata o clima da cidade tem se tornado cada vez mais tenso sobre minha cabeça. Eu sinto falta de ouvir a voz da diva cantando e dançando em um palco.

Perdido em meus pensamentos, segui os corredores automaticamente para o quarto da diva.

- O queeeeeee?! Eu disse que queria pudim, e não essa gelatina sem sabor!

Estaquei no lugar, arregalando os olhos. Eu conhecia perfeitamente aquela voz, escutei muitos anos da minha vida, cantando, gritando, reclamando, comemorando. Sorri de canto, aliviado. Segui para o quarto da Amy, a porta estava aberta e podia escutar o som de coisa sendo atiradas. Ao chegar perto da porta, o enfermeiro saiu correndo pela porta, me empurrando de leve. Imediatamente o pobre rapaz se virou para mim, assustado.

- Calma, está tudo bem.

O enfermeiro acenou com a cabeça e saiu correndo. Sorri de canto e entrei no quarto. Amy estava sentada, com uma cara emburrada. Até imagino por que: ela odiava vestir peças sem graça como a roupa de hospital, além de amar coisas doces, o hospital não podia fornecer esses luxos, não ainda...

A diva me olhou como uma leoa prestes a pular na sua presa. Acabei dando um sorriso de canto e encostei-me à porta. Eu sabia que além daqui era um perigo para meu bem estar físico.

- Que bom que acordou, Amy.

- “Que bom”?! Pelo amor dos santos Deuses, eu quero minha roupa de volta! Quero minha casa! Eu odeio esse lugar! – A diva continuou reclamando, bufando de raiva.

- Você vai voltar, mas, antes deite e descanse.

O rosto da diva ficou vermelho de raiva, e sem dizer mais nenhuma palavra, ela agarrou o lençol e virou-se de costas, deitando. Girei os olhos e sai da porta, fechando-a em seguida. Bem... Pelos algumas boas notícias.

Notas finais
P.S: Acho que me acostumei a usar imagens de flores para os especiais. :'D