O Conto da Holy Serenity
20 Arquimídia - Parte 2
Notas iniciais
Agora to voltando ao ritmo de antes, traduzindo: se tiver capítulos seguidos de volta, vai ser sorte. q
Espero que curtam o capítulo, boa leitura!

Parte 2: Mentiras Desveladas
A primeira coisa que senti quando comecei a despertar foi o toque frio da folhagem na minha nuca. Algo frio e molhado pingou no centro da minha testa, abri lentamente meus olhos, vendo as folhas levemente azuladas no alto de árvores realmente muito grandes, parecendo erguer seus galhos como se fossem braços criando uma espécie de barreira sobre minha cabeça. A gota de água gelada caiu novamente da na minha testa, terminando de me acordar.
Minha cabeça pulsava, meu estomago parecia estar dançando dentro do meu corpo enquanto eu me sentava. O que foi que aconteceu..? O golpe do Berkas tinha atingido o balão do dirigível, começamos a cair, o Grandark me abraçou e pulamos do dirigível... Nessa hora ele abriu um par de asas. Não, aquelas asas não eram realmente dele, eram criadas pelo poder dele. Ele voou direto para o chão, e foi a mudança brusca de altitude que me fez ficar fraca e então... Sim, foi isso que aconteceu, eu desmaiei.
Mas, por que sinto que estou esquecendo de alguma coisa?
Um som entre as folhas chama minha atenção, quebrando meu foco dos meus pensamentos. Olho para cima, algumas folhas caindo, som do vento sendo cortado, um objeto caindo na minha direção... Espere, o que?
O chão estremeceu quando o objeto que estava caindo cravou no solo, bem entre as minhas pernas. Quando olho para o que caiu, vejo que a espada do Zero. Mas... O olho, que por muito tempo esteve apagado desde que conheci Grandark, estava me olhando novamente. A espada faz um som semelhante a um suspiro aborrecido e olha para baixo. Acompanho o olhar dela, notando que minha saia havia sido rasgada um pouco durante sua queda e que eu também estava de pernas abertas. O olho da Grandark me olha de volta, retribuo o olhar, ainda em choque.
– Você não deveria abrir as pernas para qualquer coisa que cai na sua frente, Holy. Eu sei que sou irresistível, mas nessa forma não dá para fazer nada.
Sinto meu rosto queimar imediatamente e fecho as pernas, ajeitando a saia para ocultar meu corpo direito novamente. Como ele podia dizer aquilo?!
– Fo-Foi sem querer!
– Claro que foi. – Mesmo naquela forma de espada, eu podia reconhecer perfeitamente o tom sarcástico dele.
– Pare de me olhar!
– Ah claro, só deixa eu ajustar meus espinhos ergonômicos.
Fiquei encarando-o, esperando que ele virasse aquele olho para o outro lado. Após alguns segundos, Grandark fez um barulho semelhante a um bufado irritado.
– Eu não posso me virar, Holy! – Ele gritou irritado para mim.
– Então por que você disse aquilo?!
– Eu estava sendo sarcástico, sua cabeça de vento! – A espada fez novamente um barulho irritado. – Deixando isso de lado, meu corpo está preso lá em cima.
Senti uma onda de raiva se apoderando de mim. Ele primeiro mente dizendo que podia se virar, e agora estava chamando o Zero daquela forma de volta? Me levantei, cruzando os braços.
– Você quer dizer o Zero, certo? – Frisei o nome do verdadeiro dono do corpo que ele estava usufruindo.
– Foda-se, eu que tenho utilizado ele nos últimos meses, é meu corpo e ponto final.
Suspirei. Apesar de querer corrigi-lo, sabia que era inútil. Ele era muito teimoso e convencido, o que era extremamente errado. Não importa o que ele diga, aquele corpo vai continuar sendo e sempre será do Zero.
– Onde está?
– Preso em um galho lá no alto.
–... Como..?
– Minha capa ficou presa em um galho durante a queda, agora pode me fazer o favor de me tirar dali?! – Grandark me interrompeu enquanto eu estava falando.
Ele parecia estar muito mais chato do que o normal. Talvez por que estava na espada? Aliás, como ele estava naquela espada sendo que ele estava usando o corpo durante todo esse tempo?
– Eu até faria isso se eu tivesse meu martelo ou se eu soubesse escalar.
– Ah... É mesmo, seu martelo... Um minuto.
O olho se apagou da espada. Estranhei aquilo e me aproximei. Não havia sequer uma luz dentro dela. Me agachei na frente da arma, enfim sentindo que eu poderia ceder a minha curiosidade de muito tempo... Levei meu dedo até aonde olho costumava ficar, tocando ali de leve. Meu coração estava acelerado, era como se eu estivesse fazendo uma coisa realmente proibida, mas eu realmente queria saber... A película que prendia o olho ali dentro era dura e fria... Provavelmente vidro? Eu estava olhando intensamente o verde opaco quando a pupila fina surgiu repentinamente na minha frente. Cai para trás, boquiaberta.
–... O que você estava fazendo?
– E-Eu... – Engoli seco, o que eu poderia dizer? — Poxa, bem que você podia anunciar quando esta voltando!
–... Você me tocou?
– Nã-Não! E-Eu nã-não te toquei!
–... Me sinto violado, pelos deuses.
– Não foi por mal!
– Ou seja, você realmente me tocou, não é?
Sentia meu rosto pegando fogo, sem conseguir raciocinar direito o que pensar. Como assim violado? Eu só toquei o olho dele! Bem, tá certo que até hoje só vi o Zero tocando-o dessa forma, mas isso não significava que eu estava invadindo qualquer tipo de privacidade do Grandark, significava? Pensar nisso só me faz sentir meu rosto ficar ainda mais quente e meu coração palpitando no peito. Grandark produziu um som que se assemelhava a um suspiro, piscando o olho.
– Já que você estava tão ocupada fazendo essas coisas... Vou avisar que joguei seu martelo aqui no chão.
Soergui a sobrancelha. Como assim ele jogou o meu martelo? Nem senti o chão tremer... Olhei ao redor, sem ver nenhum objeto gigante que se assemelhasse ao meu martelo e voltei a olha-lo.
– Procure por um cubo azul claro brilhante, Holy.
– Como assim um cubo?
– Eu pedi para a Mari transformar o seu martelo em algo mais fácil de carregar.
Arregalei os olhos. Ele fez o que com o meu martelo?! Ele ficou falando sobre eu tê-lo violado, mas agora sou eu quem está se sentindo violada! Fiquei encarando ele, sentindo meu rosto ficando menos quente aos poucos.
– Ei, não faz essa careta. Agora procura pelo maldito cubo.
Levantei-me, suspirando aborrecida. Como ele pôde fazer isso com meu amado martelo? Olhei ao redor, procurando por algo brilhante. Graças ao clima sombrio e escuro que o Eclipse criava, eu pude facilmente enxerga-lo no gramado, um brilho azul claro lindo... Me aproximei, verificando que era realmente um pequeno cubo que o Grandark tinha falado. Sorri de leve, pegando-o. Assim que fiquei de pé novamente e apertei de leve o cubo, verificando sua resistência. Era pequeno, cabendo na minha mão sem nenhum problema.
Quando apertei, o cubo se expandiu repentinamente, se transformando em um cabo e uma das pontas se expandiu até formar a cabeça do martelo gigante. Fiquei boquiaberta vendo aquilo. Era simplesmente incrível! Ao olhar o cabo, verifiquei que tinha um ponto no meio dele que brilhava no mesmo tom, ao pressionar, minha arma voltou ao tamanho do cubo.
– Wow... Isso é realmente útil!
– Nem me fale. Agora, dava para fazer algo a respeito do meu corpo?
Girei os olhos e suspirei, transformando o cubo novamente no martelo gigante e me virei para a espada, que me encarava de canto. Olhei ao redor. Seria difícil sem a ajuda dele...
– Qual das árvores?
– A que está atrás de mim.
Acenei positivamente com a cabeça e andei até a árvore indicada. Segurei o martelo com ambas as mãos e afastei as pernas para poder me firmar, logo em seguida movimentei o martelo com todas as minhas forças contra o tronco do meu alvo, que apesar de ser grande, era relativamente fino. A árvore estremeceu das suas raízes até o alto dos seus galhos, derrubando folhas sobre minha cabeça e escutei o barulho de algo rasgando, ao olhar para cima, vi apenas uma sombra caindo direto em mim.
– Whoa!
Estendi os braços instintivamente, largando minha arma para poder segurar o corpo do Zero que estava caindo. Mas, obviamente que ele era pesado demais, deveria ter previsto isso, e a queda não ajudou muito. No fim, o peso dele junto com a força da queda me fez ir com tudo contra a árvore para não ir ao chão e me machucar seriamente. Porém, quando abri os olhos novamente, notei que ele tinha se apoiando no tronco com as mãos, impedindo que me esmagasse com seu corpo. Sua respiração estava ofegante e eu pude notar que seu corpo tremia. Senti meu coração apertar de ver Zero naquele estado... Mas, será que era realmente ele?
Olhei seu rosto de canto, e pude notar que realmente que seus olhos estavam amarelados, um dourado opaco, sem brilho que retribuía o olhar também. Engoli seco, sentindo meu coração disparar e meu rosto avermelhar. Aqueles olhos certamente não eram do Grandark, disso eu tinha certeza.
– Ze-Zero? – Murmurei incerta.
Os olhos amarelos começaram a ficar esverdeados enquanto eu olhava, a pupila se afinou e um brilho estranho começou a brilhar. A expressão cansada imediatamente foi preenchida com um sorriso e eu entendi o que Grandark podia fazer. Ele podia tanto ficar no corpo do Zero quando na espada. E... Sinceramente, estou me sentindo como um coelho acuado no momento.
– O que tenho aqui em meus braços? – Ele murmurou perto do meu ouvido.
– Na-Nada! – Murmurei de volta, tentando lutar contra aquele arrepio que cruzou meu corpo. – Poderíamos prosseguir nosso caminho, por favor?
– Ah... Por quê?
– Porque temos um dragão gigante com o maior vilão que Ernas já conheceu montado nele?
Grandark afastou o rosto da minha orelha e me encarou nos olhos, era óbvio que ele não havia gostado do que eu disse, e eu não sei por que estou me sentindo ao mesmo tempo aliviada e ansiosa com isso tudo. Tentei dar um sorrisinho para ele, sentindo meu rosto queimando. Aquilo não estava certo... Definitivamente não estava certo...
– Eu odeio quando você está certa. – Dizendo isso, Grandark se afastou de mim, olhando ao redor em seguida.
Soltei um suspiro aliviado bem baixo, colocando a mão sobre meu peito. Meu coração parecia que ia sair pulando do meu peito a qualquer momento. Por que eu estava me sentindo daquele jeito? Não fazia o mínimo sentido! Ele era... Oras, ele era o Grandark! O maldito que fica tratando ruim o Zero! Aliás, falando no Zero, me lembrei que ele parecia estar verdadeiramente exausto... Olhei-o, sentindo meu coração apertar de me lembrar do rosto sofrido dele.
– Gra-Grandark!
– Ahm? O que foi?
– A-Acho que deveríamos descansar!
– Por quê? Se descansarmos vamos demorar ainda mais para chegar na torre do Caxias.
– Porque o Zero esta cansado!
O demônio de olhos verdes me olhou friamente, senti uma ponta de medo com o jeito que ele me olhava, como se instantaneamente estivesse sentindo certo ódio de mim. Engoli seco e me aproximei.
– Você não descansou direito desde que nos conhecemos, certo? O corpo do Zero precisa descansar!
– Eu não sinto nada disso. – Grandark continuava me olhando daquela forma assustadoramente indiferente, engoli seco.
– Mas ele sente. – Eu sei que falando que o Zero iria se sentir ruim com isso não iria funcionar... Talvez se eu dissesse outra coisa. — E... E um corpo cansado não luta direito!
Aquele olhar desapareceu lentamente, sendo substituído por outro pensativo. Ele deu de ombros e suspirou, sorri aliviada, sabendo que tinha conseguido convence-lo.
– Só se você me deixar dormir no seu colo.
Encarei-o e aquele sorriso nos lábios dele, senti meu rosto ficar um pouco quente, porém... Se eu tinha que fazer isso para ele descansar...
– Tá-Tá certo.
Minutos depois, estava sentada com minhas costas apoiadas em uma árvore. Grandark havia voltado para a espada, que estava fincada logo ao meu lado. Em meu colo, Zero descansava pacificamente. Não conseguia conter um sorriso contente de ver aquele rosto tranquilo novamente, mesmo que aplacado por uma dor que eu desconheço... Eu me sinto feliz de poder estar ao lado dele novamente. Fiquei passando a mão nos cabelos cinzentos do Zero mesmo depois que ele dormiu. Sim, o Grandark ficou no corpo do Zero até adormecer, depois foi para a espada. Levantei meu olhar para verificar onde aquele olho estava olhando agora, e vi que ele estava olhando ao redor, sem prestar atenção em mim ou no Zero.
– Ei... Por que mentiu sobre o Zero estar morto?
O olho do Grandark voltou a me olhar quando falei, ele olhou pro outro lado logo em seguida. Era impressão minha ou ele estava desconfortável?
– Por que ele realmente estava. Desde aquele dia na guerra, ele tinha entrado em uma depressão profunda e eu tive que lutar por nós dois para sobrevivermos...
– Então... A morte que você tinha dito era apenas um meio de expressar como o Zero estava?
– É, tipo isso.
Sorri de leve. Talvez Grandark não fosse tão ruim assim quanto eu imaginava... Suspirei e olhei para o céu avermelhado acima da minha cabeça. Talvez eu pudesse fazer coisas boas para ele também... Olhei para a espada novamente.
– Ei, Grandark.
– Que é?
– Se eu te tocar... Você vai me machucar?
Eu sabia que como arma ele podia criar espinhos aonde quer que fosse, inclusive no cabo. O olho me olhou surpreso.
– Sem um motivo, não.
Sorri de leve e parei um pouco o carinho no cabelo do Zero, guiando minha mão até o cabo da espada. Olhei para o olho nela, esperando algum tipo de confirmação de que eu podia fazer aquilo, e ao notar que ele não falou nada contra, toquei-o, e com algum esforço, consegui inclina-lo de tal modo que se encostasse ao meu ombro. Grandark ficou me encarando até que eu o soltasse e sorri de leve.
– Melhor assim? – Perguntei.
–... Não é do jeito que eu queria, mas serve.
Guiei a minha mão de volta para os cabelos do Zero e fechei os olhos. Eu sei que isso provavelmente não é a coisa mais certa a se fazer, tratar o Grandark daquela forma, mas, estou me sentindo realmente feliz desse jeito.
Notas finais
Espero que tenham curtido e até a próxima. o/
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