O Conto da Holy Serenity
23 Arquimídia - Parte 3
Notas iniciais
Em breve entraremos na corrida final da fanfic. 8 D
Espero que gostem!

Parte 3: Certo e Errado
Depois que Zero acordou, senti meu coração apertar quando ele não respondeu a nada que eu fazia. Até mesmo lhe estendi uma barra de cereal que tinha na mochila, ele nem mesmo olhou para ela. Talvez fosse isso que o Grandark quis dizer sobre o Zero? Eu... Não achei que ele estivesse tão ruim assim. Não pude evitar me sentir culpada. Eu havia prometido uma coisa que não cumpri, mesmo que esse já não seja minha dimensão original... Eu deveria ter feito algo mais do que apenas assistir.
Sinto uma mão pousar no meu ombro, chamando minha atenção dos meus pensamentos. Grandark já havia tomado o corpo do Zero novamente, ele acenou com a cabeça.
- Vamos, é perigoso ficarmos mais do que já ficamos.
Acenei positivamente com a cabeça, deixando-o liderar o caminho, já que ele era quem sabia a localização da Torre do Caxias. Olho aqueles longos cabelos cinzentos à minha frente, mesmo sabendo de quem eles pertencem, sei que o verdadeiro dono há muito não correspondia com sua sanidade... Que coisa engraçada de se pensar agora, depois de tudo que passei nesse lugar. Eu não preciso de ninguém para dizer que não sou a mesma de antes, mas eu sinto falta de ser daquele jeito... Eu sinto falta de ter alguém para confiar meus segredos, agora que a Edna... Minha garganta aperta ao me lembrar do helicóptero explodindo sob as garras do dragão demônio, mas respiro fundo para me controlar.
Olho novamente para Grandark que abria caminho pelo mato fechado, enquanto volto aos meus pensamentos. Bem, Azin poderia saber da minha verdadeira origem... Apesar de que ele não parece muito confiável. Sinceramente, me sinto nervosa de contar para qualquer um dos meus companheiros, seja a Edel ou a Mari... No fim, apenas o Grandark e a Edna continuaram do meu lado desde o principio, não?
- Gra-Grandark!
O demônio de olhos verdes olha por cima do ombro para me fitar, soerguendo a sobrancelha. Sinto minha certeza vacilar. Por que eu estou com medo nessa situação? Reúno minha coragem novamente para poder falar.
- Eu... Eu não sou daqui.
- Oh, nossa, sério? – Grandark sorriu de canto, voltando a andar.
Aquilo era uma das coisas que ele chamava de sarcasmo? Respirei fundo e me apressei para alcança-lo, segurando-o pelo braço para que prestasse atenção em mim. Grandark imediatamente parou, virando-se.
- O que?
- Eu falei sério. – Respirei fundo, tentando manter a calma. – Eu sou de outra dimensão.
- Mesmo? – Agora, enfim, o demônio de olhos verdes pareceu mais interessado no que eu dizia. – E o que te leva a acreditar nisso?
- Be-Bem... É que eu contei para a Edna sobre algumas coisas e ela disse que eu provavelmente sou de uma dimensão alternativa.
- Ah, claro, eu durmo com você e a asmodiana que tentou me matar é sua melhor amiga, não que eu não tenha notado antes.
Sinto meu rosto esquentar. Como assim “Dormir comigo”?!
- E-Ei! Você só dormiu no meu colo!
- Claro que foi isso, por quê? Pensou que eu estivesse falando de outra coisa?
Aquele... Maldito... Sorriso de novo. Fecho os olhos brevemente, respirando duas vezes e tentando esquecer que meu rosto estava pegando fogo. Voltei a olha-lo, sem conseguir controlar um sorriso nervoso em meus lábios.
- Dava para focar no assunto?!
- Que você dormiu comigo?
- Grandark!
Ele girou os olhos, ainda sorrindo de canto e caminhou para uma árvore, encostando-se nela para então me olhar.
- Certo, conte-me tudo.
Respirei fundo uma última vez e caminhei para ficar de frente do meu protetor. Por onde eu começaria..? Bem... Pelo menos eu me sinto mais segura de falar sobre isso do que quando conversei com a Edna. Olhei para aqueles olhos verdes brilhantes, que me olhavam atentamente e aquele sorriso já havia desaparecido.
- Certo. Tudo começou quando eu estava indo em um circo que havia chegado a Serdin com meus amigos. No meu mundo... Elesis, Lire e Arme, as primeiras guerreiras da Grand Chase ainda estavam vivas e elas derrotaram Cazeaje, assim como Lothos estava viva. E... Zero, ele não era desse jeito. Você ainda vivia dentro dessa espada e era um tremendo... Que as deusas me perdoem, mas você era um tremendo imbecil.
Dei uma pausa, olhando-o. Será que ele se sentiria ofendido com o que eu disse? Mas, Grandark apenas balançou a cabeça, olhando para o lado como se considerasse o que eu disse e deu de ombros por fim, me fitando novamente.
- Justo.
- Deixando isso de lado. – Engoli seco, reunindo as palavras de volta. – Quando chegamos ao circo, nosso amigo, Lass, havia desaparecido e fomos atacados. Depois que vencemos nossos inimigos, saímos procurar pelo Lass. Quando chegamos na tenda principal, tinha uma bifurcação e separamos nosso grupo para poder cobrir os dois caminhos. Mas, no caminho que eu segui, no fim dele, encontramos um monstro, um... Pesadelo, segundo o que a Mari contou. Zero tentou ataca-lo, mas quando eu vi que ele iria tomar o golpe não pude não fazer nada e me coloquei na frente dele, sendo pega pelo Pesadelo... Ele meio que me engoliu. Estava frio e escuro, eu não parava de ouvir vozes lamentando ao meu redor, até que eu senti uma energia... Eu senti a energia do Zero e quando tentei alcança-la, eu acordei nesse mundo, nas ruínas de Serdin.
- Entendo... – Grandark parecia pensativo, olhando para o chão. – Nunca se soube o que acontecia com as almas que eram pegas pelos Pesadelos, apesar de que o Oz provavelmente deveria saber.
- Você sabe o que são essas coisas?!
- Claro que sei. – O homem a minha frente deu de ombros, voltando a me olhar. – Inicialmente são apenas manifestações de eventos destrutivos que envolveram um poder enorme, mas à medida que eles vão conseguindo agarrar almas para dentro desses eventos, eles adquirem consciência e tomam uma forma, se tornando Pesadelos. Normalmente isso só acontece quando uma energia muito forte aniquilou muitas vidas, o que restou da energia acaba se fundindo as almas penadas que foram vitimas do infeliz acontecimento e vão se tornando mais fortes. É assim que eles surgem.
Pisquei os olhos, sentindo um frio no estomago de me lembrar daquele dia. Quer dizer então que o Lass tem alguma relação com aquele evento? E ele teria alguma ligação com aquelas chamas azuis? Olhei para baixo, sentindo medo e pena das pobres almas... Grandark suspirou na minha frente, voltei meu olhar para ele. Ele estava sorrindo.
- As vitimas dos Pesadelos são digeridas lentamente, primeiro seu corpo e depois sua alma. Durante esse meio tempo elas entram em coma. – Ele me olhou de volta. – Que bom que você está inteira, pelo menos significa que seu corpo de alguma forma está seguro.
- O que você quer dizer?
- Que é bem provável que a Edna esteja certa. Eu e ela entendemos bem de viagem interdimensionais, pois caso não tenha notado, somos moradores de Elyos, não de Ernas. Mas, ela provavelmente não deveria saber tanto dessas criaturas como eu sei, uma vez que ela não teve que conviver com aquele velhote do Oz. Seu corpo e sua alma estão separados, mas ainda ligados o suficiente para que ambos possam viver. Em um mundo você está em coma, no outro, você está andando em uma floresta perto de Karuel procurando pela Torre do Caxias.
- Quem é Oz?
Grandark bufou, girando os olhos e começou a andar de volta pela floresta, me chamando com a mão para que o acompanhasse. Segui-o.
- Oz Phone Max Reinhardt o falecido Grã-Mago que me colocou dentro daquela espada imbecil e criou o Zero.
- Espere, como assim criou o Zero?
- É uma história complicada, baixinha. – Pensei que Grandark não iria mais falar sobre aquilo, até que ele bufou, respirando para continuar a contar. – Você já ouviu falar das Guerras Mágicas, não é? A Guerra entre Elyos e Ernas.
- Sim.
É claro que eu sabia. Apesar de ter crescido isolada do mundo exterior, nosso povo sempre tentou manter notícias do que acontecia. As Guerras Mágicas foi uma grande guerra sobre os asmodianos quererem destruir Ernas por nos julgarem “não-merecidos” de existirmos, foi nessa guerra que Calnat foi destruída pelo poder do Martelo de Ernasis, na primeira tentativa do Astaroth tentar controlar seu poder. Ironicamente, foi esse mesmo poder que finalizou o massacre devido as baixas do lado de Elyos.
- Pois bem. – Continuou Grandark. – Duel e Edna batalharam nessa guerra, mas o Duel foi cegado pela ira quando Edna sofreu ferimentos gravíssimos, e tomado pela fúria ele atacou tanto moradores de Elyos quando de Ernas, realizando uma verdadeira chacina com a Eclipse, a arma que ele próprio criou. Oz, como sobrevivente da guerra, decidiu criar uma arma capaz a se opor a Eclipse. Com um trato, eu aceitei que Oz me colocasse dentro daquela espada estúpida, mas eu o mandei criar um guerreiro forte o bastante para me manipular.
Pisquei os olhos. Eu não estava somente surpresa de saber sobre tudo isso, quer dizer... Aquilo tudo era realmente impressionante! Mas, tinha algo me incomodando... Engoli seco.
- E... Ele criou Zero?
- Bem, não criou. Ele pegou o corpo de um herói antigo e usou-o junto com as essências demoníacas para recriar o corpo que viria a ser Zero. Ele tentou fazer um corpo somente com as essências demoníacas, mas... Não deu muito certo.
- Espere, está dizendo que alguém, que não foi Deus, criou vida?
Grandark parou imediatamente, acabei batendo de leve nas costas dele e recuei um passo para não cair. O demônio de olhos verdes respirou fundo e se virou devagar, pude notar que ele havia ficado verdadeiramente irritado com meu comentário.
- Sim, algum problema com isso?
- Isso é errado! Humanos não deveriam se atrever a tentar imitar Deus e criar vida!
- Ah, que pena então que Oz era um asmodiano. – Concluiu ele com um sorriso de canto, me olhando.
Senti meu rosto queimar de raiva. Como eles podiam cometer tamanho sacrilégio?! Aquilo era errado! Uma coisa que uma vez partiu para o descanso deveria permanecer no seu descanso eterno, sem nunca mais se levantar. Grandark se virou para mim e me segurou pelos ombros, me olhando diretamente nos olhos.
- Se ele não tivesse feito isso, você nunca teria conhecido Zero ou a mim.
Engoli seco, sentindo minha base tremer. Ele continuou me olhando com aquelas pupilas afinadas, os olhos verdes brilhando mesmo na escuridão. Sentia meu coração disparado, tanto pela proximidade quanto pela conversa e a caminhada. Olhei para baixo. Eu sabia que aquilo era errado, mas... Não ter conhecido o Zero? Sei que eu conseguiria viver, uma vez que se eu não o tivesse conhecido, nunca teria tido consciência de que ele sequer poderia existir, mas... Eu realmente não quero isso.
Grandark suspirou e soltou meus ombros.
- Que bom.
Caminhamos por um tempo que não sei definir, e estávamos em completo silencio. Mas... Diferente de muitas vezes, esse foi um silêncio realmente difícil. Eu ainda estava tentando digerir todas aquelas informações. Zero ser uma criação... De um asmodiano? Pensar nisso me faz revirar o estomago, é contra tudo que eu sempre acreditei e fui ensinada. Olhei para Grandark a minha frente, me perguntando por um momento se, o que ele dizia, era verdadeiro. Balancei a cabeça. Que motivo ele teria para mentir para mim? Estamos viajando juntos, se ele quisesse mentir para mim, por que iria mentir algo ruim? Ele mentiu sobre a situação do Zero, mas... Eu vi o estado dele e nem sei mais o que era melhor mais.
Será que é assim o certo e o errado? Eu sempre pensei que ambos eram tão distintos, como preto no branco, mas... Será que não é? Grandark não é ruim, ele é apenas... Difícil. Apesar de a Edna ter tentado mata-lo e provavelmente matado dezenas de pessoas nas guerras, ela nos ajudou durante todo esse caminho. Até mesmo o Máscara de Dragão, que a Edel disse que era nosso inimigo, nos ajudou a fugir.
Será que tudo que eu aprendi... Pode estar errado em algum ponto? Olho para baixo, sentindo meu coração inquieto dentro do meu peito. Pela primeira vez, me pergunto que tipo de justiça eu estou fazendo.
Acabei batendo nas costas do Grandark quando ele parou repentinamente e eu continuei andando. Recuei alguns passos e suspirei, erguendo a cabeça para fita-lo. Ele olhava para frente e estava com os braços cruzados.
- O que foi?
- Chegamos.
Soergui as sobrancelhas e andei para o lado dele. O caminho se estendia por diversas fileiras de árvores que cresceram a esmo. Não havia nada de torre. Olhei para Grandark, soerguendo a sobrancelha.
- Onde?
Ele suspirou e andou para frente mais um pouco. E, mal ele deu alguns passos, e desapareceu no ar. Soltei um gritinho, cobrindo minha boca logo em seguida e olhei ao redor. Onde ele tinha ido?!
- Gr-Grandark?
Dei alguns passos em falso para frente, estendendo as mãos. Senti nada durante os primeiros segundos, começando a duvidar da minha própria sanidade, até sentir um toque gelado, molhado. Me arrepiei da cabeça aos pés, vendo as pontas dos meus dedos desaparecendo no ar. Recuei a mão, vendo ela inteiramente. Sinceramente, fiquei boquiaberta com aquilo. Era simplesmente magnifico! Será que aquele era o campo mágico que ele me falaram..? Respirei fundo e me aproximei em passos certos, sentindo aquele toque gelado passar por todo o meu corpo até chegar do outro lado.
Quando passei por aquela... Coisa, me dei de cara com uma torre gigantesca que subia para o céu sem parecer ter fim. Parei de tentar enxergar seu fim e desci a cabeça, vendo Grandark conversando com um rapaz de cabelos muito longos, lisos e loiros e orelhas pontudas que usava um par de óculos e um robe azul. Soergui as sobrancelhas. Ele... Era um elfo? Mas, era claramente alto, uma vez que ele e Grandark pareciam ter a mesma altura. Ambos me olharam, e o desconhecido ajeitou os óculos no nariz.
Agora que notei, ele parecia estar carregando uma espécie de livro debaixo do braço.
- Então... Essa é a Holy Serenity?
- Sim. – Respondeu Grandark, cruzando os braços.
O elfo se aproximou, me olhando da cabeça aos pés, como se me analisasse, o que eu acredito que estivesse fazendo realmente. Por fim, parou na minha frente e estendeu a mão direita, suspirando.
- Eu sou Caxias Grandiel, muito prazer em conhecê-la, senhorita.
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