O Conto da Holy Serenity

3 A Holy Adormecida - Parte 3


Notas iniciais
Essa é a ultima parte desse capitulo ^^

Espero que todos estejam gostando e espero que vocês se surpreendam pelo o que esse capitulo guarda ao seu final. q

Sem mais delongas, boa leitura! : D

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Parte 3: O Sono da Meia-Noite


– Certo, certo. Deixa ver se eu entendi bem. – Sieghart colocava o dedo na testa enquanto fazia uma expressão franzida, parecendo pensar. – Então o Lass correu para dentro daquele lugar enquanto vocês estavam na roda gigante, dai a roda gigante foi destruída e quando vocês caíram um cara que parecia um Apresentador de circo apareceu, as duas baixinhas ali zoaram o cara, ele ficou enfurecido e foi assim que vocês acabaram naquela situação?

– Sim! – Confirmei com a cabeça, tentando explicar a--, espera, ele me chamou do que?! – Eeeei, eu não sou baixinha!

– Ceeerto, temos que resgatar o altão. – O imortal virou-se de costas para mim, olhando para a tenda do circo. – Uhm...

– Pare de me ignorar, seu cabeçudo! – Qual era a dele para me ofender e depois simplesmente virar de costas como se eu nem existisse?! – Está me ouvindo?!

O comandante parou por alguns instantes, parecendo ter escutado alguma coisa importante, ou talvez tivesse simplesmente desistido de me ignorar. Não pude deixar de cruzar os braços e dar um sorriso. Era óbvio que ele iria prestar atenção no que eu estava dizendo! Afinal, era errado ignorar as pessoas!

– Eu sabia que você iria ter bom senso, Sieghart! – Ao abrir meus olhos novamente depois daquele breve pensamento, notei que todo mundo já estava a alguns metros a minha frente, caminhando para a tenda. — ... Me, me esperem!


–x-


Ao adentrarmos na tenda, nos deparamos com algo muito inusitado. Paramos fitando a bifurcação a nossa frente, Arme estava um pouco a nossa frente, tentando fazer uma leitura espiritual da área para tentar pegar o rastro do Lass para escolhermos o caminho certo. No entanto, quando ela voltou com aquela expressão desanimada, senti frio na barriga.

– A energia daqui está toda bagunçada, não consigo ler nada. – A maga violeta suspirou, abaixando os ombros.

Alguns instantes de tensão dominaram o grupo, olhei para Lire em busca de um olhar acalentador, mas o que pude encontrar foi apenas insegurança. Olhei para baixo, sentindo uma sensação muito ruim daquilo. Parecia que algo muito horrível iria acontecer. Apertei meu braço e avancei afrente do grupo. Bati meu martelo no chão, estremecendo de leve a terra e ganhei os olhares de todos, coloquei a mão direita na cintura. Eu sabia que não era hora de indecisão, ainda mais com um amigo meu correndo perigo!

– Escutem aqui! – Pude notar Ronan e Sieghart soerguendo as sobrancelhas em surpresa pelo jeito imperativo que eu estava falando. – Vocês não são assim! Vocês são a Grand Chase, o grupo que defende Ernas de todo o mal! Vocês derrotaram Cazeaje, derrotaram os deuses de Xênia! E agora um dos nossos amigos está correndo perigo e vocês vão simplesmente ficar parados ai que nem um bando de bobões?!

Elesis piscou os olhos surpresa e andou até mim. Parou a minha frente e ergueu o punho, dando um cascudo na minha cabeça.

– Aaaaaaaaaaai! – Cai no chão, levando as minhas mãos a cabeça e olhei para a cavaleira vermelha, sentindo os olhos lacrimejarem. – Pooor que?!

Ao ver ela apertar o punho novamente, me encolhi com medo de levar outro cascudo, fechando os olhos. No entanto, o que senti foram as mãos dela agarrando minha gola e me pondo de pé de volta. Os olhos vermelhos dela me fitaram com um brilho renovado.

– Não ouse falar daquele jeito comigo! Quem tu acha que é novata?! – Em seguida me soltou, levando a mão a nuca, abaixando a cabeça enquanto suspirava. – Mas... Ela tem razão.

...Espere, ela estava falando que eu estava certa? Fiquei tão abismada que fiquei parada no lugar durante alguns segundos, ainda com as mãos na cabeça. Vi então Ronan andando para frente, com aquele sorriso calmo de sempre, colocando a mão no ombro da cavaleira ruiva.

– Sim, ela está certa. – Ele suspirou, encarando os caminhos. – Acho que vamos ter que fazer a divisão mesmo... Então... Lire, Arme e Elesis, vocês vem comigo pelo caminho da esquerda. Sieghart, Mari, Zero e Holy, vocês vão para a direita.

O cavaleiro azul me olhou da maneira calma e, posso até jurar, com certo orgulho. Se aproximou de mim e colocou a mão na minha cabeça, acariciando o lugar onde a Elesis tinha batido, afagando minha cabeça.

– Você é uma boa garota, Holy. Tome cuidado, ok?

– Si-sim. – Senti meu rosto ficar um pouco quente enquanto eu sentia aquele carinho.

Assim que senti a mão do rapaz se afastando, peguei meu martelo de volta e respirei fundo, sentindo uma nova energia dentro de mim. Olhei para o meu grupo e olhei para o caminho que teríamos que seguir.

Por que eu sentia tamanha insegurança? Quer dizer... Aquilo que eu disse, eu estava realmente animar a todos, mas...

Não posso dizer que aquilo funcionou para mim.

O grupo principal se dividiu. Sieghart e Mari seguiram na frente do nosso grupo, enquanto eu segui com Zero um pouco atrás dos dois. Olhava para os lados a todo instante, sentindo como se tivessem olhos nas sombras nos espionando. Olhei para baixo, e então dirigi o meu olhar para o andarilho ao meu lado e sua espada olhuda.

– ... E-ei, Zero, você está com medo? – Perguntei sussurrando, não queria que o Sieghart escutasse.

O rapaz ao meu lado virou o rosto imediatamente para mim, mas não sei dizer honestamente se ele ficou surpreso ou não, graças a mascara.

– ...O que é medo? – Ele me perguntou de um jeito inocente, falando baixo também.

Pisquei os olhos surpresa. Ele não sabia o que era medo? Como assim? Abaixei o olhar, encabulada por ter feito uma pergunta obviamente estúpida. Bem, eu devia pelo menos responder a dúvida dele.

– É quando estamos assustados com alguma coisa... – Olhei para o Zero, esperando alguma expressão de que ele tivesse entendido, mas era obvio que não. – Errr...

– O que é estar assustado?

...Quer dizer, sério? Encarei-o meio surpresa e ele imediatamente desviou o olhar para frente, apressando alguns passos a minha frente. Imediatamente fiquei preocupada de tê-lo ofendido de alguma forma pelo jeito que o olhei, imediatamente apressei o passo para acompanha-lo.

– De-desculpe, Zero! – Suspirei, sem jeito com aquela situação toda. – Uhm... Quando nos assustamos é quando alguma coisa ou alguém que não esperamos acontece do nada.

– E qual é a relação disso com o medo? – Ele voltava então com a pergunta difícil, engoli seco, pensando em como iria explicar aquilo.

– Uhm... Quando ficamos com medo é quando sabemos que vamos nos assustar e ficamos imaginando o que pode aparecer ou acontecer, coisas que não queremos que aconteçam. Por exemplo, medo da morte.

– Medo... Da morte? – Não soube interpretar na hora se aquilo era uma pergunta ou não, mas pelo “olhar” insistente nele no meu rosto, interpretei que era uma pergunta.

– Sim. Muitas pessoas tem medo da morte por que elas não sabem o que vai acontecer com elas depois que morrerem ou por que tem medo de nunca mais verem as pessoas que elas amam.

– O que é “amam”? – Ok, aquela pergunta me pegou desprevenida.

– Uhm... Na verdade, se chama “amor” e...

Antes que eu pudesse responder, um barulho muito alto soou à nossa a frente. Olhei para frente assustada, vendo tanto Sieghart quanto Mari preparados para batalha. À alguns metros, um grande volume de poeira se abaixava, olhei assustada para tudo aquilo, mas já segurei meu martelo com as duas mãos, me preparando para a batalha. Me perguntei que tipo de criatura abissal teria a nossa a frente.

No entanto, quando a poeira abaixou, vi apenas um garoto de cabelos brancos chorando. Apesar da pele cinzenta e das roupas de linhas em horizontal, me pareceu muito semelhante ao Lass. Sieghart pareceu ficar confuso.

– Tem algo errado nisso...

Olhei para o garoto choroso, apertando o punho um pouco revoltada. Eu não podia simplesmente ficar ali parada assistindo uma criança chorando! Corri na direção do garoto.

– Ei, menino! – No entanto, antes que eu pudesse fazer algo, senti minha gola se apertando e olhei para Sieghart, vendo o braço dele se projetando para minha nuca, e pude sentir os dedos dele segurando minha gola por trás. – Me solta, Sieghart!

– Cala a boca e olha direito, baixinha!

Olhei para frente, para minha surpresa vi o garoto de pé dessa vez, uma aura azulada parecia sair do corpo dele, no entanto... Mesmo de onde eu estava pude sentir perfeitamente a energia maligna. Engoli seco, parando de lutar contra a força do Imortal.

– O... O que é isso?

– Não sei... – Enfim fui liberada, vendo o Sieghart assumir posição de batalha. – Mas, não é nada bom.

O garoto dos cabelos brancos levou as mãos ao rosto novamente, segurando o rosto enquanto chorava. Naquele movimento que ele fez que notei que ele tinha algemas nos pulsos. Engoli seco, me perguntando que tipo de atrocidade ele vinha sofrendo.

– Por favor... Me deixem em paz... – Um arrepio cruzou meu corpo ao escutar a voz do Lass, mesmo que um pouco mais infantil e chorosa era a voz dele. – Eu não quero mais isso... Eu quero ir embora... Zidler, eu não quero mais...

– La-Lass..? – Perguntei hesitante.

A criança parou de chorar, afastando as mãos do rosto enquanto virava o rosto para nós. Cobri a boca com as duas mãos ao ver o rosto dele. Estava cheio de machucados e parecia ter uma espécie de pedras coladas no rosto dele... Ou aquilo era a pele dele? Engoli seco, sem entender o que estava acontecendo.

– ...Quem são vocês? – Uma estranha nevoa começou a cobrir o chão, que eu notei somente naquele momento.

– Somos nós, Lass! Esqueceu? – Um estranho desespero se apoderava de mim, olhando aquela pequena e desesperada figura. – Holy, Sieghart, Mari e o Zero! Nós todos estamos te procurando!

– ...Eu não conheço vocês. – Engoli seco, sem saber o que dizer diante daquilo, mas também muito amedrontada pelo brilho azulado dos olhos dele, uma energia avassaladora parecia querer nos atropelar. – Vocês vieram aqui para me machucar também, não é? Vieram me levar para o Zidler!

O garoto voltou a chorar e soluçar. Aquilo tudo estava partindo meu coração, apertei meu martelo.

– Não, não é nada disso!

Senti o uma mão mais delicada segurar meu ombro e olhei para Mari, que estava absurdamente séria. Ela me olhou de canto.

– Esse não é o Lass... Isso é um fantasma que surge com a fusão de muita energia maligna e uma força muito poderosa. É um Pesadelo.

Fiquei boquiaberta de escutar aquilo e olhei para frente. A visão do Lass logo se distorceu para uma sombra de dois metros e trinta de altura, tampei minha boca com uma mão, recuando um passo enquanto meus olhos se enchiam com a visão do que parecia ser o interior daquele monstro. Pareciam existir diversos rostos se contorcendo de dor queimando em chamas azuis.

– Finalmente um desafio! – A voz do Grandark soou depois de tanto silêncio. – Zero, elimine o Pesadelo!

– Entendido.

Após o soar mecânico da voz do Zero, o rapaz pulou por cima de nós três, mal caiu no chão e desembainhou Grandark. No entanto, enquanto ele estava ocupado puxando a espada das costas, o Pesadelo se moveu antes dele. Era impressionantemente rápido! Uma espécie de tentáculo partiu das sombras na direção do andarilho a nossa frente.

Senti um aperto no coração.

– Não, Zero!

Ele levantou o olhar quando escutou meu grito, imediatamente corri contra ele, empurrando-o para frente, fazendo-o cair no chão. Senti um frio atravessar meu peito, olhei para baixo, assombrada, vendo o tentáculo atravessando meu estomago, mas sem derramar um pingo de sangue. Uma dor excruciante atravessou meu corpo e senti o tentáculo envolvendo minha cintura. Mesmo que aquele golpe não tivesse derramado sangue, a dor era verdadeira assim como consegui segurar o tentáculo numa tentativa de me soltar, enquanto gritava de dor, medo e desespero.

– Aaaaaaaaaaaaaah!!!

– Mas que m****! – Escutei a voz de Sieghart ficando nervoso.

Vi Zero se levantando logo em seguida, abismado pelo o que aconteceu. Ele ergueu Grandark e tentou cortar o tentáculo, um golpe em vão. A arma simplesmente passou reto pela criatura.

– Holy! – O andarilho me estendeu a mão.

Tentei esticar a minha para a dele, tentando pega-la enquanto as lágrimas desciam abundantes pelo meu rosto. Eu estou com medo, eu não quero morrer... Com sucesso consegui segurar a mão do Zero, sentindo o aperto firme da mão dele. Logo em seguida vi Sieghart e Mari correndo atrás dele, segurando-o pelos braços enquanto tentavam lutar contra a força que me puxava. No entanto, naquela disputa de forças, senti como se aquele tentáculo que me atravessara estivesse me rasgando por dentro. Gritei com toda a força dos meus pulmões, sentindo minhas pernas sendo envolvidas e apertadas. Ao olhar para baixo, vi outros tentáculos me segurando e me puxando. Não... Eu não quero morrer.

Olhei para o andarilho, apertando a mão dele desesperada.

– Por favor... Zero... Eu... Estou com medo!

Ao terminar de dizer aquilo, senti que os tentáculos me puxaram com força. Gritei novamente, sentindo a força dos meus braços escapando e senti a mão do Zero deslizando debaixo da minha. Minha mão se esticou para alcança-lo em vão.

– Holy! – Escutei-o me chamar enquanto era puxada para o interior do Pesadelo.

Tentei me segurar nas bordas do fantasma, mas agora os rostos dali de dentro estavam saindo para me puxar com braços. De onde eu estava, podia ouvir perfeitamente os múrmuros e os gemidos de dor daquelas pobres almas. Eu queria ajuda-las a se libertar. Mas... Senti a força dos meus braços cedendo, olhei para o trio estático a minha frente.

– So... Socorro!

Senti uma mão agarrar meu rosto, seguida de outra que terminou de me puxar. O brilho da mascara do Zero foi a última coisa que vi antes da escuridão me engolir. Senti meu corpo mergulhar numa vastidão escura, a energia maligna parecia estar me corrompendo, sugando minha consciência. Senti mãos me tocando, toques desesperados. Pude escuta-las murmurar:

– Nos salve! — Clamou uma alma desesperada.

– Por favor, pare isso! — Implorou outra.

– Aaaaah, isso queima! Faça-o parar! — Agonizou uma terceira.

Senti como se tivesse passando uma eternidade naquela escuridão, o desespero tomava conta de mim por não poder fazer nada. Eu queria salva-los. Eu queria salvar a todos. Mas... Eu não podia fazer nada. Comecei a chorar.

Foi então que vi uma luz verde-amarelada surgir no meio da escuridão. Senti a energia do Zero, que mesmo afogada por toda aquela escuridão e enfraquecida, ainda me alcançava. Estendi a mão para ele, tentando alcançar aquela luz.

– Ze... Zero...

As forças do meu corpo sumiram completamente, não conseguia nem sustentar sequer meu braço. Apesar de ter lutado contra as trevas que tentava me dominar, fora tudo inútil.

Eu perdi.

Notas finais
Hohoho... O que acharam? Por favor, deem suas criticas se tiverem ou comentem se tiverem algo a comentar. x3

Muito obrigada por terem lido e espero que acompanhem! o/