O Conto De Zero Zephyrum
1 Capítulo 1: Aquele que espera
Uma semana havia se passado desde que voltamos do circo dos pesadelos, desde então Holy não havia mais acordado. Passando pela avenida de Serdin, em direção ao Instituto Mágico, comecei a pensar sobre o que ocorreu dias atrás...
–x-
– So... Socorro!
Foram as últimas palavras que ouvi da minha companheira antes de ser engolida por aquele monstro. Um peso estranho afundou meu coração no peito, algo que eu nunca havia sentido antes. Logo em seguida senti uma vontade incontrolável de destruir aquela criatura, abri-la e poder tirar Holy de dentro dela. Quando fui me preparar para atacar, Grandark me parou.
– Pare, Zero! – A voz veio da espada que eu portava, o olho dela me olhava de maneira repreensiva. – Não adianta tentar atacar esse monstro, esqueceu?! O seu golpe passou direto por ele!
– Mas, a Holy..!
– Não, é perigoso demais, o melhor seriamos fugir. – Aconselhou Grandark.
Senti um bolo se formar no meu estomago. Eu não queria que aquilo acontecesse quando pulei na frente de todos para lutar. Era para eu estar sendo engolido pelo Pesadelo, e não Holy. Ela me salvou.
Eu queria protestar, eu queria ficar, mas... Eu não consigo. Grandark é muito mais forte e desde que Oz morreu, Grandark cuidava de mim e me guiava pelo mundo. Claro, até eu conhecer Holy e a Grand Chase, que começaram a me ajudar também. Por que eu tinha que ser tão fraco?
– Zero, cuidado! – Sieghart gritou atrás de mim.
Despertei dos meus pensamentos e vi outro tentáculo negro daquele monstro se estendendo na minha direção. Instintivamente pulei para trás, escapando por pouco de ser pego. Fiquei agora entre Mari e Sieghart.
– O que vamos fazer?! – O cavaleiro negro ao meu lado sacou as espadas, olhando para a tecnomaga em busca de respostas.
– O melhor é recuar por hora. – A voz da garota de olhos heterocromáticos saiu fria, no entanto parecia ter no fundo algum tipo de preocupação.
– Mas, e quanto a Holy?! Vamos apenas abandona-la?! – A voz de Sieghart, muito ao contrário da nossa companheira, estava mais irritadiça e nervosa.
Formou-se um silêncio pesado enquanto decidiam o que iriam fazer. Nesse meio tempo, o Pesadelo soltou um urro. Olhamos imediatamente para o monstro que mais parecia um monte de pessoas queimando em chamas negras e azuis. Nosso oponente estava movendo seus tentáculos para trás dele, destruindo e golpeando as sustentações da tenda principal do Circo.
– Ele enlouqueceu? – Indagou Sieghart, abaixando as espadas.
– Não... Veja melhor. – Mari apontou para trás do monstro.
Diversas luzes vermelhas pareceram piscar atrás do monstro, e agora, que estávamos prestando melhor atenção, conseguimos definir explosões em meio aos urros e berros daquele monstro abominável. Após uma sequência daquelas explosões, o Pesadelo caiu para trás, sem equilíbrio e pudemos ver um homem, com cabelos num tom castanho opaco usando roupas vermelhas e portando uma arma em cada mão, em pé no alto de um trampolim. Claro que pude definir bem mais além dos meus companheiros, já que eu não sou humano.
Os olhos daquele homem eram vermelhos e sua pele era um tanto pálida, suas armas me fizeram lembrar uma arma que Mari usava algum tempo atrás... Mas, o modelo que aquele desconhecido usava era mais compacto. Sem medo algum da altura, o rapaz pulou lá de cima em cima do Pesadelo. De alguma forma, ele parecia ser repelido pelo Pesadelo, que agora urrava de uma forma amedrontada. Uma energia vermelha se acumulou em frente de uma das armas, ao mesmo tempo em que uma espécie de portal negro se formou acima dele e em baixo do pesadelo.
A arma foi apontada para cima e ao puxar o dedo para baixo, uma energia avermelhada foi disparada na direção daquele portal de cima.
– Tormenta de Tiros.
Ao terminar de falar aquela frase, a mesma energia disparada apenas uma única vez pareceu explodir uma quantidade incontável de vezes, atravessando os portais repetidas vezes e por consequência alvejando o Pesadelo, enquanto simplesmente desviavam do desconhecido.
Quando a tempestade de tiros terminou, o monstro começou a se desfazer em energia negra e Holy começou a aparecer do seu interior. Guardei Grandark, que diminuiu de tamanho para não atrapalhar na corrida. Fui em direção da paladina de cabelos esverdeados e me abaixei, puxando-a nos meus braços. Seus olhos azuis estavam entreabertos e parecia estar tendo dificuldades para respirar.
– Holy! – Chamei-a, notei seu olhar virando na minha direção. – Holy, me responda!
De alguma forma, ela parecia estar acordando devagar. Engoli seco. Será que os tiros pegaram nela? Não, o corpo limpo dela denunciava que estava em perfeita forma.
– Holy, acorde!
O homem de vermelho se aproximou. Ouvi o baque de metal vazio caindo no chão e olhei para frente, vendo-o se aproximar com aquelas armas. Senti a cabeça de Holy caindo para trás e o homem encostou a arma na testa dela.
– É inútil. – Ele disse em um tom indiferente. – Já foi uma sorte terem conseguido resgatar o corpo dela antes de ser diluído pelo Pesadelo, mas se deixa-la viva, seu corpo vai ser consumido pela escuridão do monstro e cedo ou tarde ela vai se tornar um Pesadelo também.
Aquilo fez um peso incrível parecer descer para meus pés. Mas, eu não podia deixar que ele simplesmente atirasse com aquela coisa na sua cabeça. Não, Holy não iria deixar que fosse tão facilmente consumida. Trouxe para junto do meu peito, tirando a arma da mira do homem, que me olhou irritado.
– Não! – Bradei.
– É... Se quer machucar uma amiga nossa... – Sieghart disse logo atrás de mim. – Vai ter que passar por cima da gente primeiro.
Olhei para trás enquanto escondia o rosto da Holy no meu ombro, vendo Mari e o cavaleiro negro se preparando para o combate. O desconhecido grunhiu irritado.
– Se manda daqui, Horus. – Enfim Grandark falou algo depois de tanto tempo quieto.
O desconhecido enfim olhou surpreso para mim. Será que ele se surpreendeu com Grandark? Bem... Toda a Grand Chase tinha se surpreendido quando soube que ele podia falar. E então, guardou as armas.
–... Agora que notei... Consigo sentir a essência dos asmodianos em você, garoto. – Eu sabia que ele estava falando comigo. – Mas, você não é um asmodiano, certo?
Fiquei quieto, o encarando. Não iria responder aquilo, e ao notar isso, o horus simplesmente deu de ombros.
– Essa garota, ela tem uma chance de “acordar”, mas primeiro ela vai ter que lutar contra as trevas dela própria. No momento, a sua alma está presa entre essa dimensão e outra, e tudo que acontecer lá, vai acontecer com ela nessa dimensão também, e vice-versa. – O rapaz saiu andando na direção que viemos. – Ou seja, se ela morrer, independentemente da dimensão, ela morre na outra.
Quando o desconhecido saiu e olhei para Holy, notei um corte na sua bochecha direita. Meu estomago pareceu esfriar, pensando naquelas palavras.
Então, mesmo que eu a protegesse nesse mundo, eu não conseguiria protege-la no outro mundo? Eu sou tão fraco e inútil assim? Peguei-a no colo depois de limpar o sangue da sua bochecha.
–x-
Joguei as flores murchas no lixo, substituindo pelas novas. Deixei Grandark apoiado na parede para então me sentar na cadeira de frente para a cama que Holy estava. Seus cabelos esverdeados sempre presos estavam soltos, a ferida em sua bochecha estava coberta por um pequeno curativo. Suspirei, cruzando os braços e recostando as costas no apoio da cadeira. As paredes cor-de-creme davam um tom sereno para aquele quarto, somando aos lençóis brancos que recobriam o corpo da pequena.
Vê-la naquele estado... Me incomoda. Eu sinto um aperto no peito, como se estivesse prestes a quebrar de alguma forma. Por que eu sentia aquilo? Não deveria estar me afetando, eu sou apenas a criação do Oz para destruir a Eclipse... Eu não deveria estar me sentindo incomodado por aquilo.
– Ei, Zero, pretende ficar parado ai para sempre? – Disse Grandark. – Temos que caçar o Duel.
Descruzei os braços, colocando as mãos nos joelhos e apertei as mãos. Eu sabia que era minha obrigação ir atrás do Duel, mas, eu não queria deixar a Holy sozinha. Ela nunca me deixou sozinho.
– Ela não vai acordar mais cedo por que você está aqui. – Retomou Grandark.
– Eu sei... – Respondi com minha voz incerta do que dizia. – Mas...
– Ela está sob os cuidados de uma instituição de magia inteira, Zero. E você lembra do que eles disseram: como ela está sonhando, é pouco provável que esteja acompanhando o tempo no nosso mundo. Pode se passar anos no sonho dela, mas aqui vai ter se passado um dia.
Apertei meus lábios, abaixando a cabeça. Holy sempre me disse para agir de acordo com o que queria, mas... Eu nem sei se eu deveria estar sentindo isso que sinto agora...
– Vamos, Zero. É uma perda de tempo ficar aqui. – Finalizou meu companheiro.
– Eu...
Quando eu ia falar, a porta se abriu, me chamando a atenção. A garota de pele levemente morena e cabelos brancos se esgueirou para dentro, espiando. Ao me ver, dirigiu um pequeno sorriso para mim, seus olhos azuis reluziam no seu brilho de sempre.
– Ei, Zero, por aqui? – Lin disse, entrando no quarto.
– Como se ele estivesse em outro lugar durante uma semana. – Resmungou Grandark, nervoso.
Por algum motivo, meu amigo não gostava da sacerdotisa. Lin olhou feio para o olho verde de Grandark, cruzando os braços.
– Olá para você também, Grandark. – E então se virou para mim, dando um singelo sorriso. – Ei, por que não vamos dar uma volta? Você tem estado aqui por muito tempo...
Olhei para Holy. Ela continuava dormindo. Soltei um suspiro triste. Grandark tinha razão... Ela não ia acordar. E se ela não me reconhecesse mais? Por que tudo isso esta me incomodando tanto? Escutei passos se aproximando, e deduzi rapidamente que eram da Lin. A garota parou ao meu lado.
– Zero, não vai fazer bem para você ficar tanto tempo aqui... Você precisa continuar sua vida.
“Continuar minha vida”? Senti uma pontada de uma força queimar no meu peito. Levantei-me, pegando Grandark da parede e aproximei das minhas costas. O meu amigo imediatamente ajeitou seus espinhos para se prender ali. Quando me virei, Lin continuava a me olhar. Apertei o punho. Eu queria poder dizer algo...
Passei pela Lin, caminhando até a porta. No entanto, senti a mão macia da garota segurar meu pulso. Olhei por cima do ombro para ela.
– Zero, eu estou aqui para você também...
Puxei o meu pulso, me libertando da sacerdotisa. Caminhei para fora do quarto, indo até o corredor e caminhei para fora. Sem olhar para trás. Indo em direção da minha busca por Duel e Eclipse.
Mas... Por que esse aperto continua no meu peito?
Notas finais
Para quem se interessou e deseja acompanhar, vou colocar o link da fanfic Contos da Grand Chase logo abaixo:
http://fanfiction.com.br/historia/406724/Contos_Da_Grand_Chase_Por_Holy_Serenity/
Apenas como um comentário extra, as músicas que estou usando para me inspirar nessa fic são as seguintes:
http://www.youtube.com/watch?v=sQXSqujVMVA (Aviso: está em inglês)
http://www.youtube.com/watch?v=xtOLe2r7RX0
http://www.youtube.com/watch?v=tK3zJumP0X0
Espero que tenham gostado. :3
Essa fic vai ser bem mais emocional e curta que o Contos da Grand Chase, só aviso. q
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