O Conto De Zero Zephyrum

3 Capítulo 3: Visões de Outro Mundo


Notas iniciais
Aqui vai! Quase saindo no dia seguinte, mas eu disse que iriam demorar algumas horas. xD

Espero que curtam a leitura. 'u'

O simulador da Kamiki acabava de ir ao chão de cristal arroxeado do seu parque ao ar livre, gritando suas palavras de dor enquanto a energia que a mantinha se dissipava, fazendo seu corpo azul-arroxeado desaparecer. Eu olhava seu rosto em desespero completamente indiferente. Apertei Grandark em meu punho e a guardei nas costas.

- O que foi, Zero? – Ele me perguntou enquanto terminou de juntar as minhas costas. – Está incomodado com algo?

- Não... Lutar é apenas um jeito de se provar mais forte, nada mais do que isso.

Vaguei meu olhar pelas plantas cristalizadas no jardim da traidora que há muito antes da minha vinda nesse lugar foi abatida. O sol batia nelas de um jeito triste, como se de alguma forma aquelas flores estivessem chorando de alguma forma.

Elas não eram parecidas com a Holy de alguma maneira? Presas em um mundo, como se tivessem sido congeladas no tempo... Elas simplesmente não vivem, apesar de sua beleza ser mantida por gerações. Segundo Arme, esse lugar jamais iria conseguir retornar a sua forma original graças ao poder de Cazeaje.

Bem, aquilo não importava de qualquer maneira.

Em breve eu estaria encontrando a própria simulação da batalha contra Cazeaje... E eu vou derrota-la. É isso que eu vou fazer com todos que entrarem em meu caminho... Não importa quem.

- Agora é... Alguma coisa sobre chutar a bunda de um Basilisco. Está preparado para isso, Zero?

- Eu nasci preparado.

Grandark deu um riso, provavelmente satisfeito com o que eu disse. Comecei a andar na direção dos portões que estavam a minha frente, aguardando pela minha passagem para prosseguir minha peregrinação por poder.

No entanto, o vento repentinamente começou a ficar mais forte, parecendo querer até me empurrar para trás. Instintivamente coloquei os braços na frente do meu corpo, tentando enxergar o que acontecia. Tudo ao meu redor começou a escurecer, como se a noite estivesse chegando muito mais cedo do que deveria realmente, no entanto, o céu parecia ganhar uma estranha coloração... Avermelhada. Quando o vento parou, a minha frente, o portão que antes estava aberto, se encontrava fechado. Olhei ao redor, estranhando o novo cenário qual me encontrava: as pilastras de cristal arroxeado estavam com vinhas percorrendo seu corpo, o que não fazia sentido segundo o que Arme havia dito. Então direcionei meu olhar para o jardim que outrora estava observando...

As flores estavam despetrificadas, no centro do jardim havia uma espécie de mureta com uma casinha o cobrindo.

- Vejo que decidiu atender meu chamado então.

Uma voz desconhecida, apesar de extremamente familiar, chamou minha atenção. Olhei na direção de uma das colunas e de trás dela saiu um homem com uma armadura negra, usando uma capa avermelhada, no entanto, seu rosto era oculto por uma espécie de máscara que se assemelhava muito ao crânio de um dragão. Coloquei a mão sobre Grandark, me preparando para o duelo.

- Acalme-se, vim em paz. – O homem desconhecido levantou a mão de dentro da sua capa avermelhada. – Eu vi quando chegaram... Eu pude sentir que a escolhida está entre vocês.

- O que você quer dizer com “escolhida”? – Perguntei, ainda sem tirar minha mão do cabo da minha arma.

- Olhe, eu não sei se isso é brincadeira, mas, se eu senti, eles também sentiram e vão chegar aqui em breve. Vocês precisam fugir daqui com ela antes que seja tarde.

Antes que eu pudesse dizer algo, ou até mesmo esperava que Grandark dissesse algo, senti uma energia poderosa vindo logo atrás de mim. Dei um salto para o lado, vendo uma espécie de agulha azulada passando onde eu estava anteriormente. Assim que a energia se dissipou, uma mulher de cabelos brancos levemente azulados e olhos azuis ferozes, ela parecia estar utilizando uma espécie de espada extremamente fina e flexível, ela usava o que parecia ser um uniforme com o casaco azulado e a calça sendo branca, com botas de metal azuis com detalhes em dourado.

- Eu não acredito que justo você dentre nós iria nos trair. Então, que o seja, eu já tenho experiência com traidores de qualquer forma.

A mulher avançou na minha direção, no entanto, o cavaleiro negro que antes eu conversava, surgiu logo a minha frente, sacando uma espada numa velocidade incrível, para conseguir defletir o ataque que aquela mulher tentou desferir. A desconhecida pareceu surpresa, perdendo temporariamente o equilíbrio ao ter arma arrancada da sua mão num único movimento. Seu olhar de uma calma séria se tornou imediatamente em fúria pura.

- Cara Edel, não temos tempo para brincar agora. – O cavaleiro negro falou, abaixando sua espada. – A escolhida tem que ser tirada daqui logo, foi para isso que eu chamei-o.

- Por que eu iria acreditar em você depois que você mandou meus homens para perto da morte?!

O homem que me protegeu ficou em silêncio e então suspirou por debaixo da máscara de dragão.

- Eles me atacaram quando eu apenas queria conversar com eles. – Ele começou a se justificar. – Eu fui obrigado para poder me defender.

- Mentiroso! – A mulher gritou em plenos pulmões, se apressando para pegar sua espada fina novamente.

Quando ela conseguiu recuperar sua arma, os portões começaram a estremecer. Viramo-nos, escutando o estrondo. O homem da armadura negra engoliu seco, recuando alguns passos.

- Isso é mal. – E então ele se virou para a sua oponente, movendo o braço. – Tirem-na daqui agora!

A mulher de cabelos brancos ficou visivelmente hesitante, olhando para os portões e depois para o desconhecido. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, sinceramente... Mas, parecia que eles precisavam proteger alguém do que quer que esteja lá fora. Saquei a Grandark e olhei para a desconhecida por cima do ombro.

- Vá.

Os portões cederam as pancadas do que o golpeava e se foram ao chão. Senti meu corpo ficar pesado de repente, apesar de me sentir me mover rapidamente, tudo começou a ficar escuro até eu não ver mais nada.

-x-

Quando consegui enxergar algo novamente, eu estava caminhando na floresta. Parei por um momento, abismado e olhando ao redor. As folhas e os troncos das árvores estavam sendo banhadas por uma luz dourada suave, essa que se originava a minha esquerda. Por algum motivo, meu corpo estava doendo e eu me sentia muito mais cansado do que eu me sentia antes.

O que havia acontecido..? Engoli seco, até mesmo sentindo minha garganta seca.

- Ei, vai ficar parado, Zero? – Escutei Grandark falando atrás de mim. – Continue andando, idiota, temos muito que fazer ainda.

Respirei fundo, recuperando um pouco do meu folego e acenei positivamente com a cabeça, continuando a peregrinar.

Notas finais
E ai... Começando a ter pistas do que está acontecendo? q