Notas iniciais
Como já se passaram 6 anos em relação à história oficial de Grand Chase, e minha obra é uma ficção - sendo que não possuo nenhum direito autoral sobre personagens e nada relativo a Grand Chase, os quais são de autoria da KOG Studios - na minha fic os personagens terão habilidades novas que são fruto de seu aperfeiçoamento e treino, além de melhorias em técnicas já utilizadas. Aguardem pois muitas novidades legais nesse sentido ainda pretendo apresentar nesta fanfic. Sobre Sieghart um lembrete, antes de iniciarem a leitura: ele está com apenas 40% de sua capacidade combativa, levem isso em conta ao lerem o capítulo a seguir. Tenham uma boa leitura!

A chuva foi se tornando cada vez mais intensa, deixando ainda mais desolador a visão do que restara de grande parte de Serdin.

Um vento frio varria os escombros e chegava cortante aos rostos dos combatentes exaustos.

Mesmo depois de tantas batalhas já vividas, a luta contra aquela criatura deixou um sabor amargo, que mais lembrava a derrota.

O poder do demônio ancestral havia sido incomensurável, e durante a batalha havia se intensificado ao invés de diminuir, apesar de todos os esforços feitos por eles. Algo que jamais ocorrera em todos os combates vividos pelos integrantes da Grand Chase, muito pelo contrário.

Mas a maior de todas as dúvidas que se avolumavam em suas mentes era a chegada inesperada de Sieghart, junto de seu Grifo, especialmente por seu modo de agir, posicionando-se de maneira hostil e com a Soluna* em punho. Os cabelos negros, quase ocultos pela noite, ainda mais desalinhados do que de costume pelo vento cortante, e os olhos imersos em um estranho brilho refletidos na altivez de sua postura.

Com um sorriso que lhe saiu espontâneo, e que quebrou sua aparência sempre distante, Mari correu até ele e este a fitou, mas seu semblante se manteve sério.

— Sieg! Você voltou!

— Não tenho tempo pra isso Mari! — disse, afastando-a para trás. E a jovem sentiu-se confusa com o gesto.

— Meu negócio é com aqueles dois! — disse apontando sua grande espada na direção do Duque e da Duquesa de Shalay.

Ouvindo-o, Feryus deu um passo à frente, seguido de Vikka. Os olhos dele fixos em Sieghart, de modo sombrio.

Sem entender nada, Elesis voltou-se para o imortal.

— O que está havendo Sieg? Por que está agindo assim com eles? Não fosse pela ajuda deles não teríamos vencido um demônio que atacou Serdin!

— Isso não é verdade! — disse, de modo ríspido.

— O quê? — rebateu Elesis, não gostando de seu tom.

— Eles só estão enganando vocês! Foram eles que trouxeram essa criatura para cá!

— Como se atreve? Quem é você que vem nos insultando? — gritou o Duque, de modo seco, desembainhando a espada.

— Você sabe muito bem quem sou! Chega de farsa! — vociferou o imortal.

— Todos olhavam-se e não compreendiam nada. Mas Arme sentiu um estranho aperto no peito.

— Mas que atrevido! — disse a Duquesa Vikka erguendo seu cajado na direção do recém-chegado. Feryus, porém, a deteve com o braço.

— Deixe isso comigo Vikka! Esse sujeito está querendo enlamear o nome do nosso Continente e nossa honra! Eu me encarrego dele!

— Ronan se posicionou diante de Feryus.

— Feryus, peço-lhe calma... Deve estar havendo algum mal-entendido aqui! — ele, porém, pareceu não ouvi-lo, e Sieghart vendo a cena, explodiu.

— Não há engano algum! Esses dois são espiões do exército de Atron! São seus Generais! E vieram aqui para destruir Serdin e acabar com todos nós!

— Ora cale-se canalha! — gritou o Duque. — Pela Honra de Astrynat e de Shalay juro que o farei engolir essas palavras!

Ele então seguiu para frente. E Ronan tentou impedi-lo em vão.

— Por favor, deixe-me! Isso é entre eu e ele! – falou o homem com firmeza e o Cavaleiro Mago afastou-se; todos se mantiveram a certa distância. Sabiam que Sieghart e Feryus haviam selado um desafio e que isso só seria definido em combate.

E embora estivessem bastante confusos diante das acusações do velho companheiro de batalha, permaneceram imóveis e com os olhos fixos na arena que se formava, sob a forte chuva e o reluzir dos raios.

— Prepare-se para morrer! — disse Sieghart partindo para o ataque!

— Isso é o que veremos! — rebateu Feryus. — que pronunciou então palavras em uma língua totalmente estranha a todos, e ficou envolto por uma energia assombreada.

Sieghart, empunhando sua Soluna com apenas uma das mãos, correu então na direção de seu inimigo e desferiu um poderoso ataque com sua espada por sobre o mesmo. Mas o Duque esquivou-se apenas com um salto para trás. O imortal abaixou-se e deslizou para trás de seu oponente, virou-se rapidamente e saltou desferindo um ataque vertical com sua espada contra o mesmo, que o bloqueou com facilidade.

Sieghart empurrou-o para trás, dividiu sua Soluna e saltou em sua direção, mas este recuou rapidamente com um salto; enquanto o imortal deferia-lhe golpes ininterruptos com as duas partes de sua Soluna, empurrando-o. Contudo, o Mago defendia a todos os golpes sem maiores problemas. Sem intimidar-se, ele intensificou a força do seu ataque, fazendo com que Feryus precisa-se se afastar mais ao bloqueá-lo.

— “Destruidor de Almas!” — Gritou o imortal, erguendo sua Soluna e criando uma enorme onda sob a forma de chamas arroxeadas que saiu na direção de Feryus, atingindo-o em cheio e lançando-o ao alto pelo efeito do seu poderoso impacto.

Porém, com impressionante agilidade, o Guerreiro de Shalay virou-se no ar e caiu em pé, tendo apenas um pequeno corte em sua testa.

Feryus fitou Sieghart, levou as pontas do dedos indicador e médio até sua testa e limpou a gota de sangue que escorria pelo seu ferimento. Então ergueu seu gládio e correu na direção do oficial de Vermécia atacando-o com tudo.

Sieghart se defendeu, e os dois ficaram corpo a corpo, espada a espada, até que Feryus saltou para trás e surpreendeu-o com seu ataque.

— “Lamento das Almas!” – gritou, e uma estranha energia azulada se acumulou em volta de seu gládio, e ele desferiu um poderoso ataque contra Sieghart.

Este o bloqueou. No entanto, sentindo os efeitos do golpe que havia recebido, cambaleou e firmou-se, apoiando-se em sua Soluna. Uma forte tontura o acometeu e ele caiu, sentindo os efeitos daquela forte magia que sugou parte de sua energia vital.

Com esforço, levantou-se e, cambaleando, tornou a apoiar-se em sua Soluna. E não permitindo-se deixar abater pelo desconforto, saltou em disparada na direção do oponente, atacando-o. O Duque, porém, desvencilhou-se facilmente de sua investida e pulou na direção do imortal, que recuou dois passos e, com rapidez, novamente dividiu sua Soluna.

Feryus desferiu um golpe vertical com o seu gládio, o qual o Imortal defendeu usando sua Lâmina Luna, erguendo-a, enquanto com sua Lâmina Sol desferiu um ataque horizontal baixo. O Mago, com avidez esquivou-se dando um salto, afastando-se de Sieghart.

Este uniu as duas partes da Soluna e saltou para cima de seu adversário, tendo a mesma envolta novamente por chamas negras.

— “Explosão Espiritual!” — gritou, cravando sua poderosa espada no solo; uma gigantesca onda de chamas então emergiu da terra, sob o Mago de Astrynat, e em forma de globo, envolvendo-o. Sieghart fez um movimento com sua mão e as chamas se fecharam em torno de Feryus, até se condessarem e explodirem, lançando-o bem alto.

E aproveitando-se disso, partiu para cima do oponente, lançando mão de sua fúria e saltou alto.

Pressentindo o perigo, Feryus invocou seu “Lágrimas do Firmamento” — de modo que seu corpo foi envolto por uma nuvem de energia em tom azul escuro e luminoso; e com essa magia de proteção começou a bloquear a investida de seu inimigo.

Porém, Sieghart, totalmente dominado por sua fúria, investiu contra o Mago desferindo seu “Lâmina Espiritual!”, e, assim, este foi atingido por vários golpes precisos e circulares com a Soluna, que formaram um círculo de chamas em tom roxo. O imortal, com força, finalizou seu golpe fincando sua espada ao chão e, usando mais uma técnica especial, liberou por sobre o Mago uma nova rajada sob a forma de uma onda de energia sombria.

E a dimensão do golpe desferido pelo Avatar dos Deuses fora tão grandioso, que a energia se acumulou e explodiu à frente do Duque de Shalay, lançando-o ao chão num impacto tão forte que abriu uma enorme cratera no solo — que foi capaz de evaporar a água da chuva que caía, formando uma espessa nuvem de vapor que elevou-se e encobriu a tudo.

Sieghart manteve os olhos fixos na direção onde seu oponente havia caído, e não se surpreendeu nem um pouco ao ver Feryus surgir por entre a névoa que se dissipava, sem nenhum ferimento evidente.

Com um olhar gélido, o Duque então ergueu seu gládio, o qual possuía um estranho brilho. E em torno de si um círculo mágico, sob a forma de uma mandala, formou-se deixando o jovem Mago bem ao centro do mesmo. Sendo que deste começaram a emergir pequenas esferas de energia negra, as quais começaram a girar em torno do rapaz e foram aproximando-se de seu corpo até serem absorvidas pelo mesmo. Foi quando uma enorme massa de energia sombria começou a emanar de si e o envolveu completamente.

Ele então levou sua mão esquerda até seu “Colar de Sangue”, cuja corrente era em ouro maciço e a pedra em seu interior formada por uma soturna ametista, e apertou-o entre seus dedos com força, enquanto murmurava palavras novamente em sua estranha linguagem.

Sua mão tingiu-se pelo denso líquido rubro que destilava pelo colar, e que vaporizava-se formando uma estranha névoa avermelhada em torno da mesma. Feito isso, o Mago saiu em enorme velocidade na direção de Sieghart, que preparou-se para o ataque segurando com força sua grande espada. Ele a havia dividido, e enterrou sua Lâmina Luna no peito de Feryus que havia vindo, imprudentemente, e de peito aberto, em sua direção.

No entanto, ao atingi-lo, este desmaterializou-se diante dos seus olhos, deixando apenas uma névoa escura no formato do seu corpo; ressurgindo às costas dele e acertando-lhe um chute que atirou o guerreiro de Vermécia para a frente.

Este, no entanto, rapidamente recuperou-se do golpe traiçoeiro e voltou-se para o Mago podendo ver seus olhos que pareciam estar petrificados.

“Rugido Demoníaco!” – invocou Feryus, erguendo seu gládio, em torno do qual aglutinava-se uma grande massa de energia das trevas. E desferiu um poderoso golpe contra Sieghart, que com sua Soluna, pôs-se a rebater o ataque. Mas a força do golpe, associado ao impacto da explosão que se seguira, fez com que o rapaz de cabelos negros e esvoaçados fosse arremessado a uma grandiosa distância.

Ele ergueu-se com esforço, e Feryus, após haver novamente se desmaterializado, surgiu em frente do jovem e estendeu sua mão carregada pela energia do seu maligno colar, tocando seu ombro.

— “Chamas Sangrentas infernais!!” — clamou. E o corpo de Sieghart foi envolto por chamas, vermelhas como sangue, que o fizeram sentir-se queimando vivo. Isso somado ao poder do Rugido Demoníaco, que fez todo seu corpo ficar dormente.

O grande guerreiro dos deuses caiu imóvel, completamente envolto pelas chamas.

— Siiiiiiiieeeegh!!!!! – gritou Mari desesperada, ouvindo seus gritos de dor.

Os olhos de Sieghart, de repente, foram tomados por um forte brilho incandescente — parecendo emanarem chamas negras —, e ele ergueu-se, apoiando-se em sua grande espada.

— Aaaaaaaaahhh!!! — Exclamou, liberando a Fúria do imortal, e uma energia escura surgiu em torno dele extinguindo as chamas avermelhadas que o consumiam.

Ele fitou seu inimigo, exibindo sua fúria, e se colocou em posição de combate, partindo na direção de seu oponente. Com ira, girou a Soluna fazendo com que um círculo mágico rodeasse Feryus, fazendo com que as Espadas Sagradas surgissem sobre este. Então correu na direção dele e das espadas e jogou sua Soluna para o alto.

— “Lâmina Eternal!!” — gritou, impulsionando-se para a frente, em velocidade tão surpreendente que quase sumiu no ar.

Feryus moveu seu braço, e uma nuvem de energia luminosa e avermelhada surgiu em torno do seu corpo. O imortal segurou com firmeza uma das espadas e saltou em sua direção, desferindo um ataque preciso contra o Mago, que tentou defender-se usando seu gládio. Mesmo assim não conseguiu evitar a lâmina afiada que transpassou sua armadura, fazendo-lhe um corte superficial em seu antebraço direito. O sangue escorreu forte pela ferida e ardeu-lhe como fogo.

A espada que Sieghart segurava então se desmaterializou, e ele olhou bem nos olhos de Feryus — cujo ar confiante já não mais se percebia em seu rosto —, e sorriu irônico. Saltou para cima velozmente deixando o Mago realmente impressionado. Ele tinha dificuldade de ver seus movimentos.

Feryus rapidamente levou a mão esquerda sobre seus olhos, e da palma desta emanou uma luz. Nesse mesmo instante, Sieghart reapareceu à sua frente e, erguendo sua espada, desferiu um forte golpe contra ele, que sem menor dificuldade o bloqueou, interpondo seu gládio e detendo a lâmina inimiga.

Retirou então a mão que cobria suas vistas e expôs seus olhos que, agora em tom negro, mais lembravam um poço fundo. No entanto, através do poder desta sombria magia, ele agora acompanhava a todos os movimentos do Imortal perfeitamente.

Sieghart recuou, deu um salto, e o atacou por três vezes consecutivas, sendo que o Guerreiro Mago bloqueou a todas suas investidas com imensa destreza e precisão. O Imortal, no entanto, não se intimidou e com agilidade pegou a última espada e o atacou de cima para baixo. O bruxo o bloqueou, mas sem querer deixou seu peito exposto por uma fração de segundo, de modo que o segundo golpe de seu adversário, não fosse por sua magia, o teria atingido em cheio. Mesmo assim, a espada o perfurou de raspão rasgando sua amadura e fazendo-lhe um corte razoavelmente profundo no tórax, o qual, para sua sorte, não era fatal. Feryus soltou um ruído seco, sentindo uma dor forte e aguda, mas respirou fundo procurando ocultá-la.

As espadas da técnica de Sieghart desmaterializaram-se, e este deu um salto em grande velocidade, agarrando sua própria Soluna que estava caindo rapidamente naquela direção.

— “Queda Incandescente!!!” — gritou; e sua Soluna e seu próprio corpo foram envoltos em chamas arroxeadas. Ele apontou-a na direção de Feryus e caiu em enorme velocidade. O Mago mal teve tempo de dar um passo para trás, e assim evitar a lâmina que desta vez fatalmente o atingiria.

Sieghart cravou sua lâmina no chão, e uma enorme explosão de chamas negras atingiram Feryus. E, após, em um rápido movimento com uma de suas mãos, as Espadas Sagradas ressurgiram e voaram na direção do Mago.

Feryus abriu os braços e fechou seus olhos e, enquanto caía em queda livre, acumulou sua energia profundamente.

— “Pressão do Espírito Maligno!” — disse, abrindo os olhos. E uma enorme esfera etérea de magia sombria surgiu crescendo exponencialmente, como uma imensa onda de impacto que repeliu o ataque do imortal e o arremessou longe. Sieghart caiu de bruços ao chão e ergueu-se, apoiando-se na Soluna.

Envolto por sua fúria, o Imortal superou seus limites – seus olhos imersos na energia assombreada, assim como também estava sua poderosa espada.

No lado oposto, a energia sombria também se intensificava e o gládio do Guerreiro de Shalay era circundado densamente por uma aura de um tom azul escuro, a qual emitia feixes elétricos que começavam a estalar no ar.

Eles se fitaram — o ódio reluzindo em seus olhos —, e partiram correndo um na direção do outro em grande velocidade. Ergueram suas espadas e gritaram os nomes de seus golpes ao mesmo tempo: “Rugido Demoníaco!!”, “Destruidor de Almas!!!”

As lâminas se tocaram, e uma grande onda de impacto se formou pelo choque das energias. Mas os dois guerreiros se mantiveram firmes, empurrando um contra o outro todo o poder de seus ataques, o qual expressava todo ódio e desprezo que sentiam.

A energia em torno dos dois se tornava cada vez mais densa, e Sieghart forçou sua lâmina contra Feryus, que reagiu da mesma forma. Eles se fuzilavam com os olhos e respiravam ofegantes.

Foi quando a energia que emanavam chegou a um ponto de poder extremo, que culminou em uma explosão violenta e fez com que cada um dos oponentes fosse arremessado violentamente para trás, caindo longe.

O Guerreiro Mago de Shalay, apesar de sentir o impacto do golpe e de ficar um tanto tonto, levantou-se, e, com impressionante rapidez, posicionou-se novamente ereto e com olhar combativo.

Sieghart, entretanto, sob o efeito do Rugido Demoníaco, estava com o corpo parecendo anestesiado, o que fez com que tornasse a se levantar com muita dificuldade. E quando por fim conseguiu se postar ereto não mais conseguiu se mover, seu corpo não o obedecia e sua visão era embaçada.

Apercebendo-se disso, Feryus correu em sua direção, e com o gládio em punho, e olhar assassino, chegou diante do seu inimigo e desferiu um golpe em seu peito.

Sieghart não conseguiu defender-se, e com muito esforço mal teve forças para movimentar-se um pouco e impedir, por um triz, que a lâmina que o transpassou, de modo violento, atingisse-lhe algum órgão vital. Suas pernas bambearam, e ele caiu de joelhos ao chão, enquanto sua Soluna desabou solta ao seu lado.

Ao ver isso, a jovem heroína de Calnat saiu correndo e entrepôs-se entre o Guerreiro de Astrynat e Sieghart, no exato momento em que Feryus erguia, impiedosamente, sua espada.

— Quero ver se você realmente é imortal. — falou o Duque, com olhos frios. — Vamos ver como você viverá sem sua cabeça!

— Por favor, não!!! Por favor!!! — implorou em pranto Mari, abraçando-se ao seu amado.

Diante do que via o Mago hesitou e, após observa-la por uns segundos, baixou a espada.

— Agradeça a essa mulher por eu não tirar sua desprezível vida, seu miserável! — disse, dando-lhes as costas e se afastando do grupo junto de Vikka.

— Duque Feryus! — gritou Ronan. — Espere! Precisamos esclarecer isso tudo!

— Não há nada a esclarecer! Estamos regressando à Astrynat, e consideramos ofensivo o que ocorreu aqui! Em nome de Atron recomendo que preparem-se! Isso não ficará assim! — disse montando em seu Corcel junto da esposa.

— O que quer dizer? Isso é uma ameaça? — falou Elesis, aproximando-se do animal.

— Tirem suas próprias conclusões. — disse friamente a Duquesa, enquanto o mesmo subia rumo ao alto, desaparecendo em meio as espessas e carregadas nuvens.

— Mas... — Ia dizendo Ronan, quando foi interrompido.

— Por favor, me ajudem aqui!!! O Sieg... por favor!!! — gritou Mari aflita, vendo-o sangrar muito, e gemer semiconsciente.

O grupo aproximou-se do casal, e Ryan chegou junto do amigo ferido pedindo que se afastassem. Era evidente a gravidade dos ferimentos de Sieghart.

Não imaginava ver tanto poder em mãos daquele guerreiro de Astrynat, e observando-o duelar com Sieghart, cujo poder e habilidades eram inegáveis, era inacreditável crer no que estava vendo agora.

Com rapidez, o jovem Elfo formou um totem e invocou seu poder de Cura, e, assim, com sua magia druida, conseguiu fazer sarar os ferimentos mais graves do companheiro, que tombara em batalha. Mas este, apesar disso, ainda parecia continuar profundamente enfraquecido e Ryan, junto de Lass, ajudou-o a erguer-se.

Arme fitou-o, e aproximou-se de Sieghart pondo ambas as mãos em torno de seu rosto. Os olhos dele estavam opacos e ela sabia o porquê. O poder da magia negra usada pelo Duque de Shalay, e o uso do Colar de Sangue ainda agiam no corpo e na alma do Avatar dos Deuses, e a menos que também agisse rapidamente, os esforços de Ryan de nada valeriam.

Com calma, e concentrando-se profundamente, ela evocou a ajuda dos elementos — Terra. Ar, Água e Fogo — e, em linguagem antiga, selou um Feitiço de Luz neutralizando assim o poder das trevas que o envolviam. Todos a fitavam em silêncio, e após longos minutos em que uma cascata de luz de tom lilás se fez descer por sobre Sieghart, oriunda das mãos da bela Gram Maga Arme, este despertou, voltando a ter vida em seus olhos.

Não obstante os esforços de seus amigos da Grand Chase, ele, ao conseguir centrar novamente os pensamentos, e olhar para os velhos companheiros de batalha à sua volta, sentindo a chuva forte tocar seu rosto, a sensação de humilhação o invadiu de modo intenso e abrupto, num misto de ira e vergonha. E então, de modo rude, afastou Mari de si e abriu espaço por entre os amigos saindo apressado e cabisbaixo em direção de seu grifo.

— Sieg! — gritou Mari, mas este não voltou-se para trás. E não fosse por Lass, que se interpôs ao seu caminho, não teria parado.

— Saia da minha frente Lass!

— Você só sairá daqui depois de explicar, e direitinho, o que diabos foi isso tudo?! — disse Lass, de modo seco.

— Eu já disse tudo que tinha de dizer, agora se vão encarar a realidade é um problema de vocês!

— Você está agindo como um cão sarnento que tomou um ponta pés do dono, isso sim! — retrucou Elesis, de modo áspero. — Então porque foi vencido numa batalha vai sair de rabo entre as pernas?! Você tem muito sim a nos esclarecer!

— Ora cale essa boca, ruiva!!! — disse evidentemente revoltado e erguendo, impulsivamente sua mão em direção a Elesis.

Lass o impediu com sua adaga.

— Não ouse tocar nela, Sieg, senão será minha vez de derrotar você aqui, e diante de todos! — falou Lass, com um olhar sombrio.

— Ora seu! — retrucou o Imortal, furioso.

— Obrigada Lass, mas eu posso me defender sozinha. Se ele ousar tentar me bater, sou eu quem irá derrotá-lo aqui! — disse a ruiva, fitando Sieghart com ar irritado.

— Nem que você treinasse mais cem anos você conseguiria esse feito, criança!

— Parem com isso! — interpôs-se Ronan. — Estamos todos do mesmo lado aqui! Não faz sentido esse tipo de discussão agora!

— Ronan está certo – concordou Ryan –, olhem à sua volta! Será que a ruína de Serdin não é muito mais importante do que essa atitude tola que estão tendo?!

— Eles têm razão – disse Elesis afastando-se um pouco de Sieghart, que, por sua vez, sacudiu a cabeça de modo abatido.

— Está certo. – disse, por fim. — Não é hora pra isso. Eu tenho mais que engolir minha vergonha. Tem coisa muito mais relevante aqui pra se levar em conta.

— Tipo o que você falou sobre aqueles caras de Astrynat? — indagou Jin, sério.

— Afinal o que está acontecendo Sieg? — inquiriu Ronan evidentemente preocupado.

Ele olhou para o chão – onde poças d'água se avolumavam –, e, após, ergueu o rosto e fitou-os. Seu olhar estava sombrio, assim como seu espírito.

— Tudo o que eu disse é verdade, aqueles dois são Generais do Exército de Atron; e não estavam aqui por causa de conferência alguma, mas sim pra espionar e testarem nossas defesas.

— Mas a troco de que estariam fazendo isso? — indagou Arme, confusa.

— A troco de conseguirem a expansão do poderio do Continente Astrynat!

— Expansão do poder de Astrynat? — disse Amy, surpresa.

— Sim lindinha. — ele fitou-a. — Desde a morte de Alkyraz que Astrynat não é mais como antes. As sombras o invadiram e o mal está solto, sob o comando direto do novo Imperador, o deus Atron. Cujo único objetivo é expandir seu domínio pelos demais continentes.

— Expandir seus domínios? Mas isso soa até incoerente uma vez que Astrynat sempre foi o mais pacífico de todos os continentes, e um ponto neutro em épocas de guerras continentais. — disse Elesis.

— Sem falar que os guardiões deles sempre se encarregaram de zelar por isso e pela manutenção da paz e da área de continente neutro. — concluiu Jin, tendo conhecimento sobre o assunto.

— Mas isso foi antes da morte do antigo Imperador! Atron não quer mais isso. Ele, ao contrário do deus Alkyraz, tem sede de poder e já começou a movimentar seus Exércitos. Sendo que seus Generais, dentre os quais aqueles dois magos que vocês conheceram, já se articularam para o combate iminente.

— Não pode ser.... — disse Ronan, incrédulo.

— Mas é a pura verdade. — afirmou o Imortal, com voz bastante séria.

— E como você sabe disso tudo? — disse Elesis, de modo incisivo.

— Porque eu estava em Astrynat, ruivinha. — falou sem alteração na voz. — Fazem quatro meses que eu estava por lá e, há um, depois de uma cilada, me tornei cativo nas mãos dos Generais de Atron.

— Você estava preso Sieg? — disse Mari, surpresa.

— Por isso não dei mais notícias a você... — ele a fitou, agora com um olhar mais terno. Mas logo voltou-se para os demais readquirindo olhos sombrios. — Fui torturado pra falar de todos vocês, mas resisti. E ainda estaria lá se não fosse pela ajuda de um rapaz que era da corte e que parecia contrário as novas normas impostas pelo atual Imperador.

— Mas isso tudo é grave demais! Precisamos comunicar a Comandante Lothos a respeito disso, e com urgência! — falou Elesis, com ar preocupado. — Ainda mais depois do que ocorreu esta noite aqui em Serdin...

— Elesis está certa, devemos falar com a Lothos. — disse Lass, sem alteração na voz.

— Você não está inventando isso tudo não, hein Sieg? — disse Jin, olhando para ele ainda meio incrédulo.

— Se você acha que isso aqui é uma invenção? — disse arrancando a armadura e jogando-a ao chão, enquanto expunha o dorso coberto de profundas marcas de ferimentos ainda mal curados.

Amy vendo-o assim virou o rosto para o lado, chocada com a violência dos cortes.

— Agora entendo porque você foi vencido tão facilmente. – disse Ryan — Você está ferido demais. Não devia ter desafiado Feryus estando desse jeito!

— Eu não podia simplesmente deixar por isso mesmo!

— Mas Ryan está certo, você arriscou sua vida agindo assim – endossou Lire, fitando-o.

— Acho que isso não vem mais ao caso. — ele deu de ombros, pondo-se a juntar as partes de sua danificada armadura. Mari ajudo-o, e ele tornou a vesti-la.

— Você devia ao menos tratar isso... eu posso ajudar. — ofereceu-se Lire.

— Não precisa Lire... Eu cuidarei dele. – apressou-se Mari em dizer.

— Ah, sim... — retrucou surpresa a bela Elfa, dando-se então conta de que havia algo mais entre a moça de olhos bicolores e Sieghart.

A chuva a essa altura havia abrandado, e Sieghart, junto de Mari, partiram em seu Grifo momentos depois. Com a promessa de reunirem-se na manhã seguinte em Canaban, onde, era de conhecimento do Imortal, a Comandante Lothos, juntamente de outros grandes Oficiais daquele Reino, estaria presente para uma reunião de cúpula no Quartel General do Exército Intercontinental de Vermécia.

Aos poucos o grupo dispersou-se, deixando para trás a paisagem desoladora de Serdin. Ronan e Arme, no entanto, ficaram. Estavam encharcados, e sentiam seus corpos doloridos e gelados.

Sombria, Arme fitava sua terra natal – agora em boa parte totalmente destruída, a refletir a dor daqueles que perderam tudo, inclusive vidas.

Um pesar a envolvia por não ter podido evitar tamanha tragédia e, ao lembrar-se de seu avô, cuja vida não pudera salvar, lágrimas desceram-lhe involuntariamente por seu rosto abatido.

Ronan tocou-a no ombro, e, quando ela voltou-se, ele compreendeu seu pranto.

— Serdin, Ronan... Serdin... Não pude impedir...

— Nós fizemos o possível... Nós tentamos... — ele disse, com tristeza.

— Eu sei... eu sei Ronan...

Ele a abraçou forte, consolando-a. E a moça deixou a sua dor externar-se num copioso pranto.

Um grupamento de soldados do Reino ali chegou, e pôs-se a averiguar a dimensão dos estragos. Enquanto muitos civis gritavam, choravam e transitavam totalmente perdidos e atordoados.

O casal afastou-se, ficando a olhar em silêncio para os recém-chegados; sendo que em seus rostos a tristeza estava refletida.

— Precisamos nos apressar. — disse ele, por fim, vendo que Arme enxugava as lágrimas.

— Eu sei. — disse, com voz entrecortada. — Mas antes me deixe dar um último adeus a meu avô... Ele assentiu com um movimento leve com a cabeça.

Compreendia a dimensão da dor que a jovem sentia. Afinal, ela perdera àquele que tudo lhe ensinara. Pensou nesse momento em Hareupe, e, com certa culpa, deu-se conta de que há muito tempo não ia ter com seu Mestre, a quem viera a saber — apenas recentemente, pois passara muito tempo viajando — que havia se tornado o Primeiro Ministro de seu Reino.

— Prometo ser breve... — disse Arme, bastante abatida.

— Não se preocupe com isso, e fique o quanto precisar. Se partirmos uma hora antes do amanhecer, chegaremos ainda a tempo. Iremos no Gorgos, assim será bem mais rápido. Por isso mesmo não se apresse.... Despeça-se de seu avô do modo que seu coração está pedindo e dê a ele o funeral que ele merece...

— Obrigada Ronan...

Ele fitou-a nos olhos, e doeu-lhe fundo ver a dor que se espelhava nos mesmos. Daria tudo no mundo para não vê-la assim. E sentiu-se amargo por não ter podido evitar tamanha desgraça. Acariciou-a de leve no rosto, e enxugou mais uma lágrima que descia-lhe pela face.

Carente, a jovem recostou-se ao peito dele, e ele tornou a abraçá-la fortemente.

Continua...

Notas finais
* Sobre a Soluna, para quem não conhece, se trata de uma espada sagrada, utilizada por Sieghart em sua quarta classe. Ela é formada por duas lâminas: A Sol, que é maior, e que representa a autoridade dos Deuses e a Luna, que é menor, e que representa a pureza dos Deuses. Ela pode ser separada e unida, a qualquer momento, pelo seu portador, que se denomina o Avatar dos Deuses. Espero que tenham gostado!