O Começo do Fim - Gregos e Romanos
8 Capítulo 8
Notas iniciais
O vento batia com força em seu rosto enquanto o cavalo alado abria e batia com velocidade suas asas, deslizando pelo ar. Percy não consegui parar de pensar em como sair daquela enrascada. Tudo havia acontecido tão rapidamente que ele ainda não havia tido tempo para pensar em alguma coisa. Além disso, ele ainda queria saber onde o corpo de Maxilian havia ido parar. E por que o Áugure havia se matado para algo tão arriscado? Não, ele pensou, Maxilian não está morto. Ele não faria isso.
Aos poucos, as construções do Acampamento Júpiter foram desaparecendo por trás das nuvens. Percy não sabia ao certo para onde ir. A sua melhor opção seria voltar ao Acampamento Meio-Sangue e pedir ajuda para Quíron. Seria uma viagem longa e cansativa, principalmente para Blackjack.
– Alguma sugestão, amigão? – ele perguntou, alisando os pelos negros do cavalo.
Blackjack relinchou e deu meia-volta no ar, fazendo Percy se segurar para não cair.
– O que é isso? – ele perguntou, percebendo que estavam voltando.
Então, como se seu pégaso tivesse falado, ele entendeu tudo. Precisava descobrir onde Maxilian estava, e encontrar as respostas. Seria algo arriscado, ele sabia. Mas também queria saber o que o Áugure havia aprontado.
Blackjack foi esperto. Desviou o caminho de Nova Roma e entrou secretamente no acampamento. Percy conseguiu ver Hannibal e Hazel ao longe, perto das montanhas, onde eles pousaram.
Primeiramente, Hazel se assustou. Hannibal pareceu se alegrar em conhecer um novo amigo. Em resposta, Blackjack se afastou, percebendo o tamanho do elefante.
– Como você está aqui? – ela perguntou. – E com Blackjack?
– É uma longa história. Eu preciso da sua ajuda... Onde Maxilian está? – ele perguntou, olhando a sua volta.
– Eu não sei se eu deveria...
– Por favor. Eu sei que você acredita em mim. Essa é a única chance de provar a minha inocência!
Hazel pareceu pensar, mas assentiu lentamente com a cabeça, ainda montada em Hannibal.
– Vem. Eu vou te mostrar o caminho!
Blackjack seguiu o elefante, entrando em uma trilha ao pé da montanha. Eles andaram por alguns bons metros, até que Hazel ergueu a mão em sinal de aviso. Todos ficaram em silêncio. Percy ouviu algumas vozes. Uma que ele já havia ouvido em algum lugar, e outra que ele conhecia bem: Maxilian.
– É bem ali – Hazel sussurrou, apontando para uma pequena casa no meio da mata.
Percy pulou na trilha e pediu para Blackjack não fazer barulho. Ele se agachou atrás de um arbusto e ficou observando. Maxilian estava em pé na porta, com um dos braços apoiado em um garoto que Percy conhecia. Eles estavam indo na direção do fim da trilha. Ele não podia os deixar escaparem.
– Ei, Maxilian, dessa vez você não escapa! – Percy gritou, brandindo Contracorrente.
Os dois garotos olharam com os olho arregalados para ele. Hazel ficou observando tudo ao longe. Maxilian primeiramente demonstrou medo, mas assumiu sua postura de sempre.
– Jackson! – ele disse, com a voz rouca.
– Eu não sei o que você aprontou, mas vou mostrar pra todo mundo quem você é! – Percy continuou, aproximando-se dos garotos.
O outro menino, de cabelos loiros, encostou Maxilian na parede.
– Calma aí, Percy Jackson! Não tão rápido! – ele disse, tirando seu arco e flechas das costas.
– Então, é você... – Percy disse, reconhecendo o rosto. – Harry Smith!
– Olá, famoso salvador do Olimpo! Eu não posso deixar você acabar com os meus planos de destruir o seu querido acampamento.
– É seu também... Ou já foi.
– Acontece que eu decidi me revoltar. Qual é a graça de ser como você. Por acaso os deuses se importaram com você depois que salvou o Olimpo? Ou foi só no mesmo dia e acabou? Sabe, você seria um bom aliado. Mas já que está do outro lado, eu vou ter que atirar em você! – Harry disse, mirando em Percy.
– Não importa o que você pense. Maxilian é um traídor, não confie nele! – Percy disse, recuando alguns passos.
De soslaio, ele percebeu que Blackjack abria as asas pronto para ajudá-lo. Só precisava enrolar Harry por alguns segundos.
– E em quem eu devo confiar, Percy? Nos deuses, que só reconheceram seus filhos após milhares de gerações? Eu pensei em tudo antes de tomar essa decisão. Não importa o que você diga, já fiz minha escolha!
Harry puxou o fio do arco, prestes a disparar a flecha. Percy flexionou os joelhos e colocou Contracorrente em frente ao corpo, o seu único meio de defesa. Ele sentiu que alguma coisa iria dar bem errado.
– Ei, idiota! – Hazel gritou, chegando ao lado de Percy. – Vai ter que escolher um de nós dois! Mas de qualquer jeito, não será rápido o suficiente para o que acontecer depois!
– Não me subestime, garota – Harry disse, ainda com a mira em Percy. – Eu sou muito ágil com arco e flechas!
Então, um farfalhar imenso atrás dele começou. Harry virou-se para trás no momento em que Blackjack jogava suas patas em seu peito, derrubando-o bruscamente no chão. O cavalo relinchou e pouso em frente aos dois.
– É a segunda vez que você me salva – Percy disse. – Prometo que vai ter muitos torrões de açúcar depois.
A ideia fez Blackjack se animar. Harry levantou-se atordoado, tossindo. Antes que ele pudesse reagir, Percy quebrou seu arco com um movimento de sua espada e o derrubou novamente, enquanto Hazel cercava Maxilian.
– Não! – o Áugure disse em desespero.
– Eu tenho apenas uma pergunta para te fazer, Maxilian – Percy disse, encostando Contracorrente no peito magro do garoto. – Como você está vivo?
– Eu não vou dizer nada para você, Jackson!
Percy levou sua espada rapidamente para o lado e cortou levemente o braço esquerdo de Maxilian, fazendo-o gritar de dor.
– Eu estou perdendo tempo!
– Está bem, está bem – o Áugure disse, levando a mão ao corte. – Eu precisava cumprir a missão de Octavian, precisava mostrar a todos que os gregos são nossos inimigos. Quando soube que você viria para cá, aproveitei para cumprir meu plano e chamar Harry. Fugimos pela noite do acampamento e juntamos o exercito que tínhamos. Eu já sabia que iriamos ser derrotados, e sabia também que Reyna é a que mais tem influência aqui. Assim, fingi salva-la no combate, ganhando sua confiança. Depois, com a ajuda de um filho do deus das poções, planejamos uma falsa morte. E tudo daria certo... Quer dizer, ainda vai dar!
– Uma poção? – Percy perguntou, sem dar muito atenção para as ultimas palavras de Maxilian. – Quer dizer que antes de eu te encontrar na Colina dos Templos, você havia tomado uma poção de cura, e feito o ferimento no corpo. Essa poção faz você parecer morto por algum tempo. Por isso nos enganou.
– Você é rápido para um filho de Poseidon – Harry disse, abrindo um sorriso travesso. – Mas isso não importa. Lamento interromper a conversa, mas o nosso tempo acabou!
– O que você quis dizer com isso? – Hazel perguntou.
– E por que você me contou tudo isso, Maxilian? – Percy perguntou.
– Eu quero ver se consegue convencer alguém disso tudo... Mas é claro que todos os meus atos tem um motivo em especial – Maxilian respondeu, olhando para Harry.
Harry revelou uma espécie de relógio dourado que começou a brilhar. O brilho era tão forte que Percy e Hazel protegeram os olhos.
– Até logo, Jackson – Maxilian disse.
Então, em fração de segundos os dois sumiram. Percy olhou com um olhar confuso para Hazel, mas não teve tempo de falar nada; Reyna apareceu na trilha e olhou para ele com o mesmo olhar confuso.
Fale com o autor