O Começo do Fim - Gregos e Romanos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Acampamento Júpiter – Oakland Hills
Percy havia acabado de saber que Leo e Hedge haviam voltado para o Acampamento Meio-Sangue para uma missão. Ele ficou um tanto constrangido por deixar seus amigos na mão, principalmente por saber que Annabeth também havia ido – mais uma vez sem ele.
A confusão que acontecia no refeitório naquele momento o fez voltar para o acampamento romano. Todos falavam sobre a reunião que havia acontecido no senado. Ele, Jason e Reyna estavam sentados juntos em uma mesa, mais para o fundo. O assunto não podia ser outro: Maxilian era mesmo um traidor?
O Áugure havia se retirado para a Colina dos Templos e estava lá há horas. Percy estava achando aquilo estranho. Ele terminou seu chesseburguer e foi sozinho para a colina.
Demorou bons minutos para chegar lá, considerando a distância gigantesca entre os templos e a Via Principalis. Ele passou pelo templo de Plutão e andou até o templo de Júpiter. Entrou na majestosa construção e viu Maxilian sacrificando mais um dos seus ursinhos de pelúcia – o que ele fazia quando queria ver o futuro.
Percy pigarreou e o Áugure virou-se rapidamente para ele, assustado.
– O que você está fazendo aqui? – ele perguntou, com um olhar sombrio.
– Eu iria fazer essa pergunta – Percy disse, aproximando-se do Áugure. – Por que está sacrificando mais ursinhos, Maxilian? O que quer ver dessa vez?
– Isso não te interessa Jackson!
Maxilian andou até o outro lado da sala, onde podia observar as Oakland Hills ao sul. Percy percebeu que ele estava mancando, e que sua expressão pesava a cada passo, como se tivesse sentindo dor. Mas não era só isso, ele estava usando mais tecido do que o necessário.
– O que está aprontando dessa vez? – Percy perguntou.
– Quer mesmo saber? – Maxilian perguntou, abrindo um sorriso. – Eu soube que sua namorada partiu com Di Ângelo e seus amigos para uma missão arriscada. Então, não resisti ao impulso de ver o final dessa aventura, ou devo dizer desventura?
– O que você viu? – Percy perguntou, aumentando o tom de voz.
– O submundo é um lugar arriscado Jackson, até mesmo para os mais experientes. Ainda mais quando os deuses nos enganam, ou são enganados. E quando erros acontecem, às vezes pode ser tarde demais – Maxilian aumentou o tom de voz, para esconder um gemido.
Percy sentiu uma onda de adrenalina subindo aquecendo seu peito. Aquele cara estava o irritando. Ele pegou contracorrente do bolso da calça e destampou a caneta, que se transformou em sua espada de bronze celestial.
– Isso mesmo. Parta para a agressão! Mostre para todo mundo como você é descontrolado! – Maxilian exclamou.
Percy pode perceber que o Áugure cerrou os dentes para esconder mais um gemido de dor. Ele não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas Maxilian estava o deixando muito irritado. Annabeth era tudo para Percy, ele não podia perdê-la mais uma vez.
– O que você está esperando? Mate-me e acabe com seus problemas!
Percy deu alguns passos para frente, mas hesitou. O que ele estava fazendo? Como os outros iriam reagir? O que iriam pensar dele? Que era um descontrolado, que não sabia resistir a um impulso de raiva. Ele deixou a espada erguida e ficou ali parado, pensando. Maxilian podia estar mentindo, ele sabia.
De repente, Maxilian levou a mão para dentro do manto e passou os dedos na lâmina de contracorrente. Em seguida, gritou para alguém que andava lá fora:
– Minha querida pretora! Socorro!
O Áugure ajoelhou-se e jogou um pedaço do manto extra para o lado, revelando uma imensa mancha de sangue. Em seguida, levou uma das mãos para o ferimento e olhou com um olhar acusador para Percy. Reyna estava olhando para tudo com um olhar tão confuso quanto o de Percy.
Então, tudo começou a fazer sentido. Maxilian havia armado para ele. Como ele havia sido tão burro em ir procura-lo. Com certeza, o Áugure já sabia que Percy não iria resistir ao impulso de ir ver onde ele estava. Por isso ele estava lá há tanto tempo, preparando o seu plano.
Reyna ainda o olhava. O modo como ela via a cena a havia deixado perplexa. Para ela, o jeito que espada de Percy estava posicionada em direção ao corpo de Maxilian era como se ele realmente o tivesse atacado.
– Reyna, eu não... – Percy disse, olhando para ela e depois para Maxilian, que estava caído no chão.
A pretora ergueu as mãos, como sinal para ele parar. Ela correu até o templo de Júpiter e agachou-se ao lado de Maxilian, que disse baixinho:
– Eu só queria mostrar pra vocês que estar convivendo com os gregos é arriscado. Eu apenas peço que continue o seu trabalho. Você sabe o que eu quero dizer com isso...
Reyna ficou em silêncio, enquanto Maxilian fechava os olhos lentamente. Percy não sabia o que fazer. Ele não sabia o que iria acontecer depois daquilo. Seria muito difícil provar a sua inocência.
– O que você fez?! – Reyna disse, olhando para ele.
– Eu juro que não fiz nada – Percy disse.
A pretora esperou alguns segundos e disse:
– Eu vi o que aconteceu, Percy. Além disso, sua espada está cheia de sangue!
A lâmina estava ensanguentada. Maxilian havia passado a mão cheia de muito sangue ali. Percy estava confuso, e com raiva, muita raiva.
– Eu sei que é difícil de acreditar... Maxilian! Sim, Maxilian armou tudo!
– Quer dizer que ele seria capaz de forjar a própria morte? – Reyna perguntou, interrompendo-o.
– Talvez – Percy disse, olhando para sua espada e depois para o corpo de Maxilian. – Eu não sei, eu estou confuso.
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