O Começo Da Promessa De Uma Amizade
1 Capítulo Único
-Não posso ir agora.
Apenas uma frase, um aviso ou um pedido subentendido. Porém não importa o que tais palavras queriam disser, pois independente de seus significados teria a mesma resposta como entendimento.
-Eu cuido disso. –A resposta foi clara, com decisão e determinação que tentavam esconder parte do desespero existente em quem às proferiu.
-Tem certeza?
-Claro, eu posso fazer isso. –Mais palavras convictas que alcançaram seu objetivo.
-Tudo bem então, qualquer coisa me liga.
-Boa sorte hoje. –Sua resposta não foi ouvida, do outro lado da linha seu ouvinte já tinha desligado e assim o Blutbad fez o mesmo.
Com um suspiro cansado Monroe se afastou do telefone e olhou para sua janela fechada. Pelo vidro era possível ver o balanço das arvores por conta do forte vento que da vida a noite, a lua esta escondida pelas nuvens cinzas que deu ao cenário um ar de mistério e medo.
“Como nas historias” Pensou deixando que um sorriso escapasse de seus lábios, memórias de seus primeiros dias como Blutbad lendo as historias dos Grimm famosas em seu mundo lhe faz percebe o quanto o tempo tinha passado. Ontem um monstro dos Grimm, tentando ficar neutro, tentando viver. Hoje ainda um monstro que invés de fugir do caçador se alia a ele. Mas com que intenção?
Sem responder a pergunta que pairava em sua mente desviou seu olhar do céu e concentrou-se em sua missão solo, e esta ultima parte era que o fazia prolonga seus pensamentos e diminuir a ação.
-Isso não esta certo. –Murmurou para si mesmo dizendo tais palavras com razão. –Isso é trabalho para um Grimm, eu não sou um Grimm, porque vou arriscar-me tanto?
Simples, porque o Grimm precisa que ele se arisque, o Grimm precisa manter o equilíbrio, proteger os humanos, mas o Grimm também precisa de uma vida e esta noite ira fazer isso. Mas no fim um motivo não é o necessário para o Blutbad quebrar a ordem natural das coisas, uma justificativa ou um pedido não é o que vai lhe fazer sair de casa e enfrentar o perigo, e sim porque este Grimm é o seu amigo.
Um amigo que escolheu uma noite de lua cheia para pedir a namorada em casamento enquanto o que restou de uma matilha de Blutbad se diverte. E agora precisa confiar em outra pessoa para fazer seu trabalho senão pode jogar tudo que construiu para si fora.
E com este pensamento Monroe fez sua ultima ação antes de cumprir a tarefa que se ofereceu para realiza. Pegando o celular discou um numero já conhecido para ele, porém que não o atendeu.
-Rosalee é Monroe, vou ter que cancela nosso jantar hoje, Nick estava envolvido em um caso de uma matilha de Blutbad, descobrir a localização do ultimo que restou e como sabe é lua cheia. O problema é que Nick não pode fazer nada e eu vou tentar convencer esse Blutbad a ficar quieto por hoje. Sinto muito.
Dito isso ele saiu de sua casa indo para seu carro sem se preocupa em pegar a arma necessário no trailer da avó de Nick, mas do que ninguém ele sabe que uma arma só vale para quem sabe usar. E a única arma que lhe podia ser útil era a si mesmo, mesmo que fosse em uma luta de Blutbad com Blutbad com a chuva que caiu dando inicio a caçada da noite.
**
Ao chegar ao local informado por antigos amigos, Monroe avistou uma pequena floresta afastada da cidade, apesar do seu tamanho a vegetação densa demonstrava que dês de já não haveria facilidades. Porém ao transforma-se em sua verdadeira face seus ouvidos foram capazes de perceber a localidade em que havia movimento.
Seguindo seus instintos Monroe adentrou na mata tomando cuidado para não fazer barulho e anuncia sua chegada antes da hora. Por sorte não foi preciso andar muito para ver que havia chegado um pouco tarde na pequena campina no meio da floresta.
Escondido em meio à vegetação foi possível ver uma jovem amarrada em uma arvore, sua face aterrorizada demonstrava o medo que sentia e os gritos retidos pelo pano em sua boca. Seu corpo parecia não ter qualquer dano visível alem de cortes e hematomas que manchavam sua pele.
Ele já começou. Pensou Monroe ao ver a cena a sua frente. Em sua espécie não era incomum um Blutbad reuni todas suas vitimas e depois devorá-las, porém a maioria preferia fazer o trabalho assim que as capturavam. Neste caso a escolha do ritual o favoreceu, pois vendo que alem da jovem não havia mais ninguém por perto aproveitou a oportunidade para liberta a vitima.
-Não faça barulho. –Monroe proferiu em um sussurro enquanto sua mão cobriu a boca da mulher assustada. –Eu vou te soltar.
Sem demonstrar que iria desobedecer a sua ordem desamarrou-a apressadamente a libertando a arvore a qual foi presa. Antes que ela pudesse correr ele tirou o pano de sua boca e falou suavemente:
-Vou te tirar daqui, precisa confia em mim certo?
Sua resposta foi uma expressão de terror nos olhos da jovem que tentava fazer seu corpo para de tremer enquanto a chuva limpava seus ferimentos que cobriam sua pele. Monroe já ia tentar acalmá-la com as palavras quando ouviu um movimento atrás de si e então percebeu que o olhar assustado na era para si.
-Corra. –Foi à única coisa que pode disser a jovem que não esperou ouvi sua ordem, porem ele não pode segui-la já que teve seu corpo derrubado contra o chão e preso pela força de quem o segurava e o impedia de levantar e gritar por conta da dor da batida e pelo estalo em suas costas, já que seus pulmões eram compensados dificultando a respiração.
Em uma tentativa de se liberta voltou à mostra sua face real que tinha escondido por causa da mulher já assustada demais. E mesmo com a dor que espalhou pelo seu corpo com a mesma velocidade que surgiu conseguiu com que sua boca emitisse um uivo baixo e curto.
Porém sua ação não teve a reação esperada, invés de liberdade para respira o Blutbad a sua frente o segurou mostrando sua força superior por ainda manter suas “necessidades” naturais e o ergueu no alto antes de arremessá-lo novamente ao chão do outro lado da campina, onde seu corpo se bateu contra uma arvore antes de voltar ao chão.
Com a visão embasada e sua pele tendo pequenos pedaços da madeira lhe perfurando, Monroe conseguir fazer com que pouco do ar entrasse para seu corpo que não foi suficiente para compensar o que lhe fugiu. A dor em suas costas aumentou e mesmo se afastando da lucidez sentiu um liquido quente escorrer em seu rosto.
Não mais distante o outro Blutbad voltou a se aproxima com fúria em seu rosto disposto a termina o que tinha começado e elimina quem interrompeu. E com esta determinação chegou a centímetros de Monroe que viu apenas manchas de sua forma. Mas antes que pudesse fazer qualquer ação algo se quebrou em suas costas o fazendo uivar de dor ao sentir sua pele sendo queimada por um liquido quase acido.
Com raiva virou-se para direção em que o objeto foi jogado, mas antes que pudesse ver seu atacante foi novamente atingido desta vez no rosto irritando não só o focinho que o impediu de respira como também seus olhos que se fecharam para a escuridão. Agoniado com o que acontecia o Blutbad sem controle de seus atos correu para dentro da floresta.
-Monroe! – A atacante do Blutbad gritou ao ver o homem deitado no chão.
-Rosalee? O que esta fazendo aqui? –Monroe perguntou com dificuldades.
-Temos informantes em comum, não acredito que veio sozinho como vou te tirar daqui?! –Rosalee falou em desespero, porém com a experiência obtida em casos parecidos conseguiu se acalmar deixando que a mente pensasse com clareza.
-Você precisa sair daqui.
-Não vou te deixar sozinho, se ele volta vai se arrepender. –Ela respondeu deixando que sua mão alisasse o rosto machucado que mostrava sua expressão de preocupação. –O livro do meu irmão esta sendo bem útil.
E seu sorriso tranqüilizador foi o suficiente para Monroe tranqüilizar seus pensamentos e deixar com que a dor o vencesse fazendo que a única coisa a enxerga fosse à escuridão.
**
O barulho de maquinas foi à primeira coisa que Monroe percebeu do ambiente, ao abri os olhos seus suspeitas de que estava em um hospital se confirmaram.
-Que bom que acordou. –Uma voz preenchida de alivio disse quase em um sussurro ao ver seus olhos abertos. Sem se lembrar claramente do que havia o trazido ate ali Monroe virou seu rosto para a dona das palavras e ao fazer tal movimento percebeu que tinha dor.
-Rosalee. –Foi à única palavra que conseguiu disser enquanto tentava ignorar os machucados.
-Não se esforce, seu estado não é tão grave, quer disser já vi casos piores do que duas costelas quebradas um pulmão quase perfurado ou um talo no rosto. Você vai sobreviver.
-Como me tirou de lá? –Ele perguntou sem me mover desta vez.
-Liguei para Nick, ele foi rápido no volante, quando chegou me ajudou a te tirar de lá e te trazer ate aqui. Pensei em chamar a ambulância, mas ia coloca pessoas em risco e nos mesmo. Tive sorte que ele não voltou, a porção era forte.
-Obrigado, você salvou minha vida. –Ele disse com sinceridade em suas palavras.
-Me agradeça não se suicidando. –Ela respondeu tentando parecer grossa, mas o alivio de o ver vivo era maior que sua raiva. –Amanhã eu volto, você tem visitas.
-De quem? –Sem responder sua pergunta, Rosalee saiu do quarto que o instalaram o deixando apenas com suas lembranças do acontecido em poucas horas atrás.
-De mim. Posso entrar? –Nick perguntou abrindo apenas parte da porta que não deve tempo de ser fechada após a saída de Rosalee. Em seu rosto tentou esconder o espanto de ver Monroe deitado em uma cama de hospital ligado a uma maquina que controlava os batimentos de seu coração. Mesmo o tendo visto na campina agora depois de ter sido limpo a visão parecia pior.
Surpreso com a voz que rapidamente distanciou o silencio instalado no ambiente, Monroe ignorou a pergunta do Grimm fazendo a sua que havia surgido em sua mente junto com as recentes memórias.
-Você perguntou?
-O que? –Nick disse atordoado tentando desligar seus pensamentos e voltar ao que estava a sua frente, mas não conseguiu, pois ao ver o homem a sua frente com sua face quase irreconhecível por conta dos incontáveis hematomas, cortes, arranhões e revirando os olhos por sua pergunta não ter sido compreendida, ele relembrou-se que tal situação atual era de certa forma sua responsabilidade, mesmo não sendo.
-Você pediu Juliette em casamento? –Monroe perguntou novamente demonstrando em suas palavras a curiosidade por uma resposta.
-Pedi.
-Por céus Nick conte-me logo, o que ela disse?!
Nick riu com as palavras ansiosas do amigo. Sim amizade, agora era mais que claro que esta é a palavra que define a tal estranha relação que une um Grimm e um Blutbad derrubando todas as barreiras existências que ambas as espécies criaram no passar dos anos.
-Ela aceitou. –O Grimm respondeu compartilhando a felicidade que tomou conta do Blutbad que ignorou as dores presentes em seu rosto pra exibe um largo sorriso.
-Parabéns, tenho certeza que serão felizes juntos! –Monroe exclamou logo depois deixando transparecer uma careta provocada pelo acesso de movimento corporal. E com um ar de derrota deixou que um suspiro cansado escapasse de seus lábios.
-Vamos deixar as comemorações para quando estiver melhor. Você precisa descansar e isso significa ficar longe de assuntos de Grimm por um tempo.
-Assuntos de Grimm para Girmms não é mesmo? –Moroe disse analisando a própria situação antes de deixar seu corpo repousa completamente sobre a cama que lhe colocaram.
-Depende, se for um Grimm que eu conheço que não faz idéia de como se virar sozinho e precisa da ajuda de um amigo que chega a quase se sacrificar por ele e nunca teve sua importância percebida até um certo ponto, então acho que assunto de Grimm não sempre é só para quem é Grimm.
Surpreso com as palavras proferidas em sua direção Monroe nada respondeu sobre o discurso do detetive. A felicidade por descobrir que mesmo suas atitudes não foram bem realizadas e seu objetivo que não foi comprido não estragou a principal meta de tanto risco, foi interrompida pelo sentimento de confusão que tomou conta de si.
-Bem, vou ligar para Juliette ela esta preocupada com você.
-Diga que sinto muito por atrapalha a noite romântica dela. E Nick?
-Sim?
-Cuide dela, você tem sorte por Juliette ser forte ao ponto de supera tudo que passam para viver ao seu lado.
-Pode deixar. –Nick respondeu vendo e concordando com as verdades proferidas nas palavras do amigo e o deixando sozinho em seu quarto enquanto discava um numero conhecido no telefone. –Juliette? Estou no hospital, ele esta fora de perigo.
-Que bom, tem algum parente com ele?
-Não, só tem eu aqui.
-Fique com ele essa noite, não é bom pra ninguém que foi atacado como ele foi ficar sozinho.
-Você tem certeza?
-Claro, fique assim vou me sentir mais tranqüila, cuide dele Nick.
-Tudo bem, boa noite Juliette.
-Eu te amo Nick.
-Eu também te amo. –Ele respondeu desligando o celular e se deixando sorri por saber que as palavras trocadas agora têm mais força do que nunca tiveram e tudo graças ao sacrifício de alguém que pelo outro lado da janela tenta achar uma posição confortável com duas costelas quebradas, mas com o humilde pensamento de dever cumprido.
-Eu vou cuidar. É uma promessa.
O Grimm respondeu, mas não para a pergunta de Moroe, ou pela afirmação passada de Juliette. Mas sim para ele mesmo, não com a promessa de um Grimm que deve proteger todos dos males que apenas ele pode ver, e sim com a promessa de alguém que protegera não só um parceiro ou alguém que precisa da ajuda para cumprir sua tarefa, mas como alguém que promete e fará de tudo para proteger um amigo.
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