O Colapso Do Multiverso
17 O Julgamento Multiversal
Notas iniciais
As vastas galáxias estremeceram. A escuridão que uma vez pertencia apenas ao Inferno agora se expandia pelas frestas da realidade. Devil Sagat, agora fundido com o próprio conceito do Inferno, existia como uma entidade cósmica além dos deuses, além do tempo, além da moral. Ele não era mais um guerreiro, nem mesmo um tirano... era o Julgador Absoluto.
Em seu trono invisível no centro do espaço infinito, Devil Sagat observava. Através de seu tapa-olho, cada fragmento do multiverso estava à sua disposição, como peças de um tabuleiro que ele mesmo havia construído.
Com um gesto lento e calculado, suas mãos liberaram chamas carmesins que atravessaram as barreiras dimensionais, alcançando os clones que agiam como seus emissários do apocalipse. Cada um deles, com sua parcela do poder do Inferno, era uma ameaça maior do que qualquer vilão jamais conhecido.
Na Terra-616, o clone recém-ressurgido em meio à privada de Tony Stark havia causado caos. O buraco negro invocado por suas armaduras com tapa-olho cibernético crescia como uma fome insaciável, devorando super-heróis, cidades inteiras, memórias, e até conceitos.
A Liga da Justiça na dimensão DC tentou resistir. Superman, Mulher Maravilha, Flash... todos desapareceram em meio ao vórtice sombrio. Nem mesmo os Lanternas conseguiram conter a expansão daquele colapso cósmico. Tudo o que era luz, justiça ou esperança foi tragado pela escuridão de Devil Sagat.
Mas em um canto intocado da existência, Sidnelson, o Vigilante das Dimensões, abriu os olhos.
Seus olhos não refletiam medo. Refletiam sabedoria. Sentado em um círculo de runas flutuantes, ele murmurava palavras que existiam antes do próprio som. As runas ao seu redor giravam mais rápido, alimentadas pelo seu Cosmo e por uma força misteriosa que nem mesmo Devil Sagat conhecia completamente: a Força do Equilíbrio Supremo.
— Então... você retornou. — murmurou Sidnelson, ao sentir a presença do verdadeiro Devil Sagat pairando nas margens do infinito.
Naquele instante, os clones sentiram uma súbita pressão no espaço ao redor. Um novo tipo de energia se manifestava — pura, harmônica, ancestral. Algo que não existia nem no Inferno, nem no Paraíso. Era o poder da neutralidade cósmica, e ele emanava de Sidnelson.
Com um simples gesto, Sidnelson ergueu uma de suas mãos e, ao seu redor, abriram-se fendas dimensionais espelhadas, revelando todos os possíveis futuros onde Devil Sagat triunfava — e em todos eles, a realidade terminava em silêncio e vazio.
— Eu vi seus futuros. Vi seus triunfos. Mas também vi a sua solidão. — disse ele calmamente.
Do centro do espaço infinito, Devil Sagat se ergueu.
— Eu sou o Inferno! — gritou, e seu rugido rasgou a própria matéria cósmica.
— E eu sou o Guardião do Fim. — respondeu Sidnelson.
Nesse momento, dois extremos do poder colidiram.
Devil Sagat estendeu sua mão carregada de energia abissal. Uma esfera de poder pulsava, feita de sofrimento, julgamento e caos.
Sidnelson, por sua vez, ativou os sete círculos da neutralidade cósmica. Cada círculo representava um princípio do equilíbrio absoluto: vida, morte, tempo, espaço, vontade, consciência e destino.
O impacto que se seguiu não foi apenas sentido. Ele foi vivido por todas as formas de existência.
BOOM!
Realidades tremeram.
Planetas se partiram.
Estrelas se apagaram e reacenderam em segundos.
A batalha não era apenas física. Era espiritual, filosófica, transcendental. Devil Sagat tentava impor sua nova ordem, onde ele era o juiz de todas as almas. Sidnelson, com seu Cosmo puro, buscava restaurar o equilíbrio entre luz e trevas.
Enquanto isso, os clones de Devil Sagat continuavam a absorver as energias das dimensões conquistadas. Mas algo começou a dar errado...
De dentro dos buracos negros, vozes começaram a emergir. Vozes de heróis, de deuses, de guerreiros caídos... suas almas se recusavam a ser consumidas. A força do coletivo, da união, começava a resistir ao domínio total do Inferno encarnado.
E então, no coração do multiverso, uma rachadura de esperança se formou.
Sidnelson olhou para Devil Sagat e disse:
— Você pode ter absorvido o Inferno... mas o que você fará quando os próprios mortos se recusarem a te obedecer?
Devil Sagat sorriu.
— Então eu criarei um novo conceito: o Inferno Vivo.
E assim, a batalha entre o Julgador das Almas e o Guardião das Dimensões atingiu o seu ápice, onde a próxima decisão pode não apenas destruir ou salvar o multiverso, mas mudar o significado de vida e morte para sempre.
Continua...
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