O Colapso Do Multiverso
19 A Era Perpétua
Notas iniciais
O ar na dimensão do esquecimento era denso, imóvel, como se o próprio tempo estivesse paralisado. Devil Sagat permanecia em posição de concentração, reunindo a energia mais obscura que já existira, enquanto Sidnelson caminhava lentamente em sua direção, com os olhos semicerrados e a mão pousada sobre a empunhadura de sua espada.
— Esse será o seu fim — murmurou Sidnelson, com uma certeza fria.
Num piscar de olhos, Sidnelson desapareceu.
O silêncio foi quebrado por um sussurro cortante no ar. Em um instante, Sidnelson surgia atrás de Devil Sagat, sua espada já em movimento. Um golpe certeiro. E logo outro. E mais outro. Uma sequência de cortes velozes como o próprio pensamento, penetrando não apenas o corpo, mas a essência do inimigo.
Era o Slash In Memorian.
Com cada estocada, Sidnelson injetava em Devil Sagat fragmentos das próprias memórias esquecidas, forçando-o a reviver o fardo de uma existência que nunca fora lembrada. Ao final, com um giro elegante da espada, Sidnelson a embainhou.
O tempo pareceu parar.
Devil Sagat permaneceu imóvel. Sua aura, antes maligna e abrasiva, começou a desaparecer como fumaça ao vento. Seus joelhos cederam. Ele caiu ao chão.
Silêncio absoluto.
— Acabou, Devil Sagat — disse Sidnelson calmamente. — Mesmo que seu corpo continue existindo, sua consciência foi destruída. Agora, você é apenas um invólucro vazio, condenado à eternidade do esquecimento.
Os olhos de Devil Sagat estavam vazios. Sua mente havia sido apagada.
Nesse instante, espíritos começaram a surgir em volta de Sidnelson. Eram todos aqueles que haviam sido mortos por Devil Sagat: os heróis da Liga da Justiça, os Vingadores, Athena e seus cavaleiros... todos vinham agradecer. O universo, enfim, havia sido salvo. A justiça fora feita. E os mortos podiam agora descansar em paz.
Mas a calmaria durou pouco.
O corpo de Devil Sagat começou a levitar, envolvido por uma nova aura. Diferente da anterior, essa energia era colossal. Assustadoramente superior.
O chão da dimensão do esquecimento tremeu. O espaço ao redor se distorceu.
Sidnelson, pela primeira vez, pareceu hesitar.
Os espíritos que o rodeavam foram repentinamente sugados de volta para o corpo de Devil Sagat, como se a própria morte tivesse sido revertida. O guerreiro inconsciente começou a se erguer lentamente. Seus olhos ainda estavam fechados. Com um gesto suave, ele retirou o tapa-olho que sempre usara, o esmagou na palma da mão — e este explodiu em chamas azuis.
Ele abriu os olhos.
A nova aura que emanava dele era capaz de aniquilar planetas com um simples pensamento. Era uma energia que fazia o próprio inferno parecer uma brisa gentil.
Sidnelson recuou um passo.
— Quem é você, maldito? — rosnou. — Eu destruí a consciência de Devil Sagat. É impossível que você seja ele!
O ser abriu um sorriso sutil, quase divino.
— Eu sou SAGATUS. O ONIPOTENTE.
Um silêncio sepulcral tomou conta da dimensão.
Não era mais Devil Sagat. Aquele era um novo ser. O que Sidnelson não sabia é que, ao renascer no inferno, o poder de Devil Sagat havia crescido de forma absurda. Para suportar tamanha energia, ele criara, inconscientemente, uma segunda personalidade — uma entidade que dormia até o momento certo.
Agora, Sagatus havia assumido o controle.
— Agora eu entendo, Sidnelson... — disse ele, com um olhar frio. — Você é uma farsa. Devil Sagat não compreendia seu poder, mas eu compreendo. Eu conheço você. Conheço todas as dimensões. Sei exatamente como vencê-lo.
Sidnelson, incrédulo, retrucou:
— Isso é impossível! Eu sou um desconhecido! Nem mesmo você, por mais onipotente que seja, pode acessar o que não existe!
Sagatus ergueu um braço.
A realidade estremeceu.
A dimensão do esquecimento foi reduzida a poeira cósmica.
E não apenas isso. Ele destruiu também a dimensão de Sidnelson no passado, apagando por completo sua existência. Sidnelson deixou de existir — no tempo, no espaço, na memória.
Sidnelson foi apagado da história.
Em seguida, como um gesto de puro tédio, Sagatus lançou um ataque em direção ao cosmos. Uma explosão de energia devastou todos os planetas e estrelas de uma galáxia inteira — apenas para testar seu novo poder.
Restou apenas o vazio.
Sozinho, cercado pelo silêncio eterno do espaço destruído, Sagatus cruzou os braços e contemplou o nada.
Horas se passaram.
E então, numa decisão final, ele concentrou boa parte de sua energia e... criou um novo Big Bang. Uma explosão de luz e matéria reiniciou tudo.
Um novo universo nasceu.
Novas estrelas. Novos planetas. Uma nova Terra. Novas formas de vida.
E assim teve início a Era Perpétua.
Após o nascimento do novo cosmos, Sagatus desapareceu nos confins do espaço. Sua existência havia sido fragmentada em sete partes. Sua alma, agora dividida, desapareceu do novo universo.
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Epílogo: O Mistério de Sidnelson
Com o fim de Sagatus, o mistério de Sidnelson permanece sem resposta.
Nem mesmo a onisciência de Sagatus pôde decifrá-lo. Um ser desconhecido, sem registros, sem passado, oriundo de uma dimensão oculta... O único que soube, talvez, foi Sagatus — e com sua queda, a verdade desapareceu junto com ele.
Alguns dizem que o poder de Sidnelson vinha da própria ausência de identidade, tornando-o imune ao tempo e ao conhecimento. Outros sussurram que ele era o guardião do ciclo — aquele que surge quando os deuses ultrapassam os limites da criação.
Mas agora... tudo é silêncio.
O universo recomeçou.
E o ciclo continua.
A Era Perpétua teve início.
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