O Clã Uzumaki
9 Um encontro inesperado
Ayumi dormiu calmamente durante toda a noite e só foi acordada no dia seguinte pela insistência de Shisui.
— Ayumi-san, por favor se levante agora.
— Não quero, deixa eu dormir mais um pouco, otousan. – “Pera, essa não é a voz do otousan. Eu tô em Konohagakure agora. Ou melhor...” Ela se levantou imediatamente para perceber os três jounin já de pé e com praticamente todo o acampamento recolhido.
— DESCULPA!! E-eu tenho o sono pesado!
— Percebemos. – Shisui ria calmamente. – Estou te chamando há 15 minutos.
— Me perdoem, por favor! – agora ela se curvava diante deles. – Vou arrumar minhas coisas imediatamente!
Rapidamente, Ayumi recolheu suas coisas e se preparou para partirem. Em cinco minutos, já estava pronta. Os rapazes estavam sentados em alguns troncos, fazendo o desjejum.
— Temos algumas frutas para o café da manhã e balas de comida.
— Obrigada, Kakashi-san.
— Como descansamos bem essa noite, creio que não precisaremos parar ao longo do dia. Quero chegar ao Posto Sul ainda hoje. Vamos manter o passo firme, mas não há necessidade de corrermos.
— Hai! – Os três assentiram e terminando o café-da-manhã, partiram em direção a costa.
A segunda parte da viagem foi rápida e, conforme o planejado, ao final da tarde, estavam há alguns quilômetros do posto sul.
— Oshi, muito bem. Creio que todos estejam cansados, então acho que precisamos examinar a situação por aqui antes de nos aproximarmos. Ayumi-san, você consegue determinar quantos shinobi há lá?
— Sim. Só preciso me concentrar por um instante.
Ela se assentou e fechando os olhos, começou a sentir a região que a cercava. Percebeu o chackra poderoso dos três shinobis que a cercava, já tinha se acostumado ao poder deles, mas senti-lo daquela maneira os mostrava ainda mais impressionantes. Olhou na direção do Posto de vigia e conseguia detectar quatro ninjas. Eram fortes, treinados, com chackras comuns a Konoha. Aparentemente, não havia nada de errado com o local.
— São quatro vigias, correto?
— Isso mesmo. Então não há nenhuma presença estranha?
— Não. Ao que tudo indica, há apenas quatro shinobis de Konoha lá. Quero dizer, há três shinobis e uma kunoichi.
— Essa informação está de acordo com o esperado. Teremos que ir lá para verificar.
— Correto, Kakashi. Bom, vocês já sabem o que devem fazer. Ayumi e eu nos aproximaremos e vocês devem ficar na retaguarda. Não se esqueçam de colocar o uniforme de ANBU. Quero que usem o Sharingan para verificar se alguma das pessoas está sob o efeito de algum jutsu. Vamos nos aproximar assim, para não levantar suspeitas e não causar um conflito desnecessário.
“Então eles vão lutar como ANBU. Isso significa que se realmente houver um inimigo, devem matá-lo.” Ayumi assumiu logo essa possibilidade, sentindo-se um pouco desconfortável.
— Tudo bem, Ayumi-san? Peço que mostre o máximo de naturalidade possível. – Ele percebia a hesitação dela. O seu corpo estava sendo percorrido por uma onda de tremor até então desconhecida. “Que sensação é essa?”, ela se perguntava.
— S-sim, Shisui-san. Não se preocupe.
Independente de seus sentimentos, estava ali disposta a dar o máximo de si mesma. Lembrou-se de quando a disseram que sua franqueza era aquilo que mais prejudicaria seu caminho como ninja. Um ninja deve saber esconder seus verdadeiros sentimentos. Um ninja deve ser o mestre da ilusão. Um ninja deve enganar seus inimigos. Na realidade, tudo aquilo representava sim um grande embate dentro dela. Às vezes se perguntava se valeria a pena mentir e enganar.
Mas algo começou a mudar dentro dela. Sentia a adrenalina correr seu corpo. Kakashi e Itachi já tomavam posição. Estavam muito bem escondidos e camuflados. Um ninja normal jamais sentiria o fluxo de chackra deles, que lentamente, ativava o sharingan. Certamente não os veria até que estivesse à beira do ataque mortal dos ANBU de Konoha. Por outro lado, Shisui emanava uma paz, não característica de alguém que está longe do perigo, mas de alguém que tem todos os prováveis cenários friamente calculados.
Ela não pôde evitar o orgulho que sentia de seu time. Quis prontamente responder a sincronia daqueles três incríveis shinobis. “Não vou perder.” E seu rosto refletiu sua resolução. O tremor que lhe percorria o corpo, cessara. Não havia hesitação ou medo em seu caminhar. Ela conseguia sorrir naturalmente.
— Que viagem longa! Konoha é mesmo distante daqui, né, senpai?
“Boa, Ayumi. Precisamos desse tipo de descontração agora.”
— Sim. Estou louco com um pouco de água. A minha acabou faz tempo. Espero que nossos companheiros tenham alguma coisa.
Um dos ninjas da torre de vigia percebeu a presença de Shisui e Ayumi. Identificando-os com os binóculos, disse ao outro que o acompanhava:
— Um deles se parece com Uchiha Shisui. A outra kunoichi eu desconheço, mas tem o uniforme de Konoha. Apresente-se a eles e peça uma identificação.
— Sim, senhor!
O ninja apareceu em frente a Ayumi e Shisui.
— Identifiquem-se.
— Eu sou Uchiha Shisui e essa é Uzumaki Ayumi. Estamos aqui em nome do Hokage. Aqui está o pergaminho.
Ele o entregou o pergaminho e o outro o levou para dentro da torre de comando. Alguns minutos depois, estava de volta.
— O pergaminho é verdadeiro. Podem entrar, Shisui-senpai e Ayumi-san.
Shisui tocou Ayumi no ombro levemente, e ela percebeu a mensagem. Deveria verificar se a situação no Posto de Vigia era normal. Entretanto, não havia necessidade de muito esforça. Tinha algo de errado ali, mas Ayumi não conseguiu perceber imediatamente. Sentia algo estranho naquele lugar, mas quando olhava para os shinobi, não identificava nenhuma particularidade neles. Parecia que algo estava sujo, mas não sabia dizer de onde vinha essa impressão. Olhou novamente para Shisui que agora conversava com um dos shinobi e tentou informá-lo do que acontecia. Seus olhos se encontraram por alguns segundos e ela entendeu que ele também havia percebido que algo estava errado.
— Essa é a nova kunoichi de Konoha? Não a conhecia.
— Ah, sim. Ela graduou-se recentemente como chunin. Ainda está adquirindo experiência.
— Mas parece ser muito jovem. Quantos anos tem, Ayumi-san?
— Ela não gosta de comentar a idade. A verdade é que é um pouco mais baixa que deveria ser. – Shisui falou antes que Ayumi pudesse responder. Ele tampava a boca agora e sussurrava ao outro ninja: — Melhor não perguntar a altura dela. Ela fica realmente irritada.
— Desculpe. – O homem sorriu.
— Agora vamos direto ao assunto. O Hokage nos enviou porque esse posto de vigia não tem enviado informações consistentes sobre a situação na fronteira com o País da Água. O que tem acontecido? – A voz de Shisui era firme e inquiridora agora.
— Como assim? Nós enviamos dois ninjas há três dias atrás para Konoha. Quando vocês disseram que tinham sido mandados pelo Hokage, imaginávamos que vieram no lugar dos outros.
— Eles nunca chegaram em Konoha. Talvez nunca tenham sido enviados.
A atmosfera tornava-se cada vez mais pesada agora. A tensão era palpável e o homem que sorrira amigavelmente segundos atrás, encarava Shisui seriamente.
— O que está sugerindo, Shisui-senpai?
— Que talvez você não esteja falando a verdade. – Shisui agora o encarava com os olhos vermelhos do Sharingan.
Sentindo-se encurralado, o homem gritou o outro companheiro para que viesse ajuda-lo.
— O que está acontecendo, Taichou?
— Esse Uchiha acha que estamos enganando a vila.
— Como assim? Nós nunca faríamos isso. Shisui-senpai, é tudo um mau entendido! Por favor, escute-nos.
Ao pedido sincero do rapaz mais jovem, Shisui tornou os olhos pretos novamente.
— Qual o seu nome?
— Inuzuka Terou.
— Vamos conversar, então. Ayumi, quero que você aguarde aqui por alguns instantes.
Shisui deixou o posto de vigia e retirou-se com Terou. O outro shinobi o olhava irado, ignorando totalmente a presença de Ayumi. Nesse momento, ela percebeu o que deveria fazer. Enquanto o outro não se apercebia dela, entrou nos cômodos da torre, vasculhando-os, em busca de algum indicativo de que havia algo errado naquele local. Subiu a escada que levava a sala principal do posto de vigia e, ativando seu chackra, começou a tocar os pergaminhos que ali estavam. Ao fazê-lo, descobriu de onde vinha a sensação de sujeira que sentia anteriormente. Olhou para trás, e aquele mesmo shinobi que antes encarava Shisui com ódio, agora estava diante dela com o mesmo olhar.
— Então é você.
— Não imaginei que teria uma Uzumaki cruzando o meu caminho.
— Não subestime o sharingan. Ou você acha que esse chackra nojento pode ser escondido assim?
— Não imaginei que você iria se lembrar de mim, A-yu-mi-chan. – Ele pronunciou o nome dela lentamente e de forma zombeteira.
— Eu não me lembro de você.
— Estou um pouco ofendido, mas acho que você era muito novinha para se lembrar de mim mesmo.
Ayumi começou a procurar em sua memória o encontro com aquela pessoa. Certamente, aquele chackra não lhe era estranho. Era um dos mais nojentos que já havia sentido, mas não conseguia se recordar de nenhum homem com aquela aparência.
— Parece que você não se lembrará mesmo. Talvez isso refresque sua memória.
O pescoço do homem esticou atravessando a sala e indo em direção a Ayumi. Ele era rápido demais e ela não conseguiu desviar, sendo “picada” pelo homem no pescoço. Ayumi caiu no chão imediatamente, sentindo a dor de ser invadida por um chackra tão imundo. Ela conseguia sentir cada milímetro de seu corpo caminhado pelo chackra e náuseas tomavam conta dela.
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