O Cisne Negro
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Karol havia saído da cidade por uma semana para visitar uns parentes e ir a um velório, eu ficara sozinha. Estava tranquilamente regando minhas plantas na varanda quando meu celular vibra. Mensagem da Fabi:
—GABI! Vms na social do Kako? Hoje às 22
—Não sei se vai dar, eu tenho que fazer umas coisas por aqui
—Não seja chata, vai ser mó daora, 21:40 tô aí, se não estiver pronta vou te xingar
—ok, ok...
Passei o resto do meu dia fazendo o que faço normalmente, lavando umas roupas, limpando a casa, conversando com a Karol, colocando minhas séries em dia, etc.
Lá pelas 21h começo a me ajeitar para sair, havia muito, mas muito tempo mesmo que eu não dava um tempo e saía com os amigos, já estava ficando com saudade de ser jovem.
Como prometido, às 21:42 meu interfone toca e eu desço:
—Mana, fazia séculos que eu não te via!- Fabi disse um tanto quanto histérica e me abraçou- vamos dar uma distraída
—É- disse num tom meio distante, mas excitado (se é que consegue imaginar isso)
—Vamos lá- ela me puxou pelo braço até seu carro
Chegamos ao local da festa, eu não lembrava como aquela casa era grande, como aquela piscina azulzinha parecia estar me chamando para um mergulho refrescante:
—Não fica aí parada, te mete no meio do pessoal, tem uma pá de gente que tu não vê há um tempão, vai lá falar com eles- ela terminou a frase já encarando um corpo masculino atrás de mim- Hoje a noite vai render... divirta-se- ela disse já saindo
Cumprimentei algumas pessoas, eu já não me recordara mais de muitas faces que antes me eram tão familiares, não lembrara mais do nome de pessoas que antes me pareciam tão importantes e necessárias, as coisas mudam.
Fiquei umas boas duas horas em pé recostada a uma parede ao ar livre, com um copo na mão, só observando como as pessoas levavam a vida em uma confraternização como aquela, já não me lembrava mais como me portar. Sinto uma coisa me tocar o ombro direito:
—Gabi?- a pessoa perguntara e aguardara pela resposta
Viro-me e dou de cara com Julie, a garota que mais me fez falta nesses tempos em que me ausentei:
—Julie?- pergunto já sabendo a resposta, a abraço forte
O abraço forte é recíproco:
—Meu Deus garota, você desapareceu de vez
—Pois é cara, nesse meio tempo aconteceu muita coisa na minha vida, tive que fazer algumas seleções de prioridades, desculpe-me não ter mantido contato pelo menos com você- reparava no brilho de seus olhos enquanto falava.
—Esquece isso agora, vamos dançar um pouquinho- ela me segura pela mão e nós entramos no meio do pessoal para dançar.
Enquanto eu me acabava de dançar, relembrando o fato de eu ser uma pessoa de pouca idade, acabei ingerindo mais álcool do que deveria, e acabo por me alterar demais.
—Vem cá, princesa- uma voz desconhecida ecoa em meus ouvidos.
Sem raciocinar, acabo indo atrás dessa voz, que me leva até um canto um pouco menos de movimento:
—Ah princesa, cê tá muito desanimadinha pro meu gosto, toma aqui...- o que aparentemente era um homem, forçou para dentro de minha boca uma pílula.
Sinto a energia me tomando conta do corpo, e isso é a última coisa que me lembro daquela noite. Amanheci no quintal, estirada na grama em frente a piscina. Ao me levantar sinto que tudo ao meu redor está girando, minha cabeça dói, uma garota se aproxima:
—Gabi, você não disse que tinha namorada e que por isso não ia ficar com ninguém na festa?- ela me pergunta com um sorriso malicioso
—Exatamente, e foi o que fiz, não?- me concentro em reconhecer a garota, mas não consigo. Minha cabeça já estava muito confusa.
—É, não é o que essas fotos mostram...- ela me deu seu celular aberto na galeria de fotos.
Eu não conseguia raciocinar, não estava enxergando muito bem, mas pude constatar: era eu nas fotos... beijando várias pessoas, em uma foto beijo um homem, em outra foto beijo uma garota loira. O que foi que aconteceu aqui?
Devolvo o celular da garota, o efeito vertiginoso passa lentamente, me certifico de que ainda estou com a minha bolsa e com tudo que havia dentro dela e vou até o ponto de táxi mais próximo. Ao chegar em casa, meu celular se conecta ao meu Wi-Fi e da forma mais dolorosa eu descubro que Karol já sabia de tudo.
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