O Circulo
1 Capítulo 1 - O Recomeço
Notas iniciais
Carregando minhas malas me dirigi á saída do inferno o qual fiquei por dois anos, o Internato Fallen Angel, você deve estar pensando que sou uma encrenqueira e tal, mas veja bem, vou contar minha história. Me chamo Alexia Crawford, tenho dezesseis anos e sempre vi coisas estranhas desde pequena, não sei explicar ao certo o que são, mas sei que é real como sei que estou viva, o problema é que meus pais nunca acreditaram em mim e achavam que eu estava ficando louca, eu não pedi para ser assim mas infelizmente sou, passei minha vida toda indo a psicólogos, tomando vários remédios diferentes e fazendo tratamentos, a última tentativa deles foi me despachar para o internato Fallen Angel e essa foi a gota d’ água, convivi com todo tipo de gente bizarra, apesar de serem todos adolescentes era estranho e principalmente sinistro, o uniforme era um moletom preto com as insígnias F.A e calça de brim. As aulas eram um tanto puxadas, bem... pode-se dizer que este instituto foi o que mais durei em relação a escola, agora finalmente livre. Havia toque de recolher, computadores monitorados, tudo em constante vigia vinte e quatro horas por dia, todos usávamos pulseiras que mostravam nossa localização e que não podíamos tirar, e com isso eram raras as fugas, fiz alguns poucos amigos no internato, Meggie, a garota punk alta de cabelos roxos e olhos azuis, Christian, o primeiro a me ajudar na Fallen Angel, e mais alguns “conhecidos”.
Agora finalmente avistando a saída apurei o passo mas acabei parando ao ouvir os gritos de vozes conhecidas chamando meu nome, parei.
― Alexia! Lexi! ― Disseram Meg e Chris em uníssono.
― Ei, pessoal. E ai? ― Mal tive tempo de largar as malas e fui levantada do chão por um dos abraços de urso de Chris, ele tinha cabelos ruivos cortados em estilo militar e olhos castanhos claros, um sorriso travesso, era alto e musculoso, os braços cheios de tatuagens tribais que tapavam também as costas e o pescoço.
― Ei, largue ela seu tanque de guerra, também quero me despedir. ― Mag resmungou olhando de cara feia pra ele, que me largou no chão e ela logo veio me abraçar, os olhos marejados.
― Ah, Mag. Não chore, como vai ficar sua reputação de encrenqueira assustadora se te virem chorando? ― Tentei fazer piada para não chorar, eu ia sentir saudade deles, talvez mais até do que pensava.
― Dane-se minha reputação. Quem vai escapar comigo para as festinhas secretas no porão? Lembra da primeira vez que te convenci a ir?
― Nem me fale, eu cai em cima daqueles arbustos espinhentos quando pulei a janela. ― Com isso ela riu.
― E quem vai me ajudar a roubar a chave das monitoras pra abrir nossas pulseiras? ― Disse Christian
― Parem ou irei chorar, vou sentir saudades pessoal. ― Abracei os dois mais uma vez.
― Jura que liga pra gente? ― Perguntou Chris.
― Vocês conseguiram os celulares?
― Aham. ― E com isso me passaram os números anotados em um papel.
Passei o braço ao redor da cintura de cada um e fomos até os portões, Christian pegou minhas malas com facilidade e as carregou para mim, chegando lá avistei o carro dos meus pais, eles estavam de pé, abraçados. Papai estava com cabelos bem mais grisalhos, era magro e alto, olhos castanhos e barba bem feita, mamãe estava com o cabelo preso em um coque tinha cabelos pretos e olhos azuis, era baixa e delicada.
― Oi sra. E sr. Crawford. ― Cumprimentou Meg, eles a olharam de cima a baixo, ela não parecia muito amistosa com sua calça skynni xadrez e seus coturnos, ou o cabelo roxo, cheia de piercings e olhos pintados de preto.
― Mãe, Pai... essa é a Meggie, e esse é o Christian. ― Olharam espantados pros dois, e depois olharam pra mim. Bem, eu estava com um piercing no septo e uma tatuagem pequena no pulso, um coração com asas e uma adaga enfiada nele, nós três havíamos feito ela no pulso direito para nunca esquecermos um dos outros. Escapulimos algumas vezes do internato, era difícil mas não impossível. Me despedi dos dois e fui até meus pais.
― Oi. ― Os dois se recuperaram do espanto e me abraçaram.
― Sentimos tanta saudade querida! ― Papai pegou as malas e foi as ajeitar no porta-malas.
― É, também senti. ― Entrei no carro e fiquei olhando Meg e Chris abraçados me olhando, acenei pros dois. Papai entrou no carro assim como mamãe.
― Conte-nos tudo, como foi? ― Perguntou papai.
― Falo depois, estou cansada. ― Cruzei os braços e puxei o capuz do moletom do internato pra cobrir o rosto. ― Ele ligou o carro e arrancou, observei a última cena que teria de Meg e Chris, sorri pra eles, Chris também estava chorando, aquilo foi demais pra mim.
― Pare o carro! ― Falei apressada, meu pai freou, mal esperei ele parar e sai, abrindo o porta-malas , revirando uma das minhas malas achei a pulseira de couro que Chris gostava, e a camiseta xadrez de verde e cinza que Meg adorava. Corri até eles.
― Ei, não chore grandão! ― Tentei sorrir em meio as lágrimas. ― Meg, quero que fique com a minha camisa, sei que tu adora ela, e Chris fique com minha pulseira só regular ela, nunca vou esquecer de vocês pessoal.
― Obridada Lexi. ― Meg pegou a camisa xadrez e tirou um dos anéis que ela usava nos dedos, uma caveira com dois ossos cruzados e colocou no meu dedo.
― Fique com ela. ― E me deu um beijo no rosto. Chris botou a pulseira no bolso, e com um sorriso tirou o colar que ele sempre usava no pescoço, uma corrente fina de prata com um pingente de ancora, colocou em meu pescoço e me deu um abraço rápido.
― Fiquem bem, se cuidem ok? ― Eles assentiram, e com isso sai do instituto, entrei no carro sem dizer uma palavra, peguei meu iphod coloquei meus fones e cai no sono.
Quando acordei, havíamos parado o carro em frente de casa, desci do carro e observei o local ao redor, não havia mudado nada. Peguei minhas malas e as carreguei até a entrada.
― Bem exóticos aqueles seus amigos. ― Disse mamãe em quanto abria a porta.
― Pode parar mãe, sei muito bem o que achou deles, e que esta horrorizada por causa da minha droga de piercing e da minha tatuagem.
― Tatuagem? ― Disse ela em tom de descrença, dessa vez olhando com atenção.
― É pequena. ― Revirei os olhos e fui para as escadas, ouvindo a discussão entre sussurros que ocorria na sala. Entrei em meu quarto e joguei as malas em um canto, procurei por meu celular nas gavetas, até que o encontrei, liguei ele e procurei os números de Meg e Chris no bolso, passei eles pra minha agenda e mandei uma mensagem a ambos.
Cheguei em casa, estou bem, amo vocês. – Lexi.
Fui até o espelho e observei a garota que encontrei nele, puxei o capuz pra trás, olhos de cor diferentes, um violeta e outro cinza, cabelos compridos caindo em camadas pela cintura, ondulados cor de sal, boca curvada em sinal de desafio e nariz fino e pequeno, rosto pálido, um corpo magro e baixo, voltei a puxar o capuz. Pensei em ligar pra minha vó, ela parecia ser a única a qual realmente me entendia, tranquei a porta e disquei seu número, a primeira vez deu caixa postal.
Você ligou para o telefone de Dorothy, deixe seu recado.
Vó, é a Alexia, assim que ouvir essa ligação me liga, estou com saudades.
Alguns minutos depois em que eu havia saído do banho e colocado um pijama, ouvi o telefone tocar.
Alo?
Ah, Lexi, quanto tempo querida!
Vó! Que saudade.
Como estas?
Indo, e a senhora?
Bem na medida do possível, a dor nas costas tem incomodado essa velha aqui.
Vó, a senhora nunca fica velha.
Ah, gentileza sua querida, mas sinto o peso da idade.
Vó, queria lhe perguntar uma coisa... Posso morar com a senhora?
Tem certeza disso, Lexi? Sua mãe...
Eu sei, mamãe não iria deixar mas não pretendo pedir permissão pra eles, uma vez que estiver ai não vão poder me tirar a força, não aguento mais eles me olhando de cara estranha, a senhora me entende vovó.
Tudo bem querida, quando irás vir?
Essa noite.
Até mais querida, se cuide.
Até logo vovó.
E com isso desliguei.
Me deitei na cama e comecei a pensar, eu fugi de casa no dia em que iria pro internato, eu não queria ir de jeito nenhum, meus pais botaram a polícia atrás de mim, sempre falaram que tudo que faziam era pro meu bem quando nem me perguntavam o que eu queria, parecia que eu não tinha vida própria, eu iria fugir pra casa de minha avó, um cidade nova e uma vida nova, mas comecei a perceber que meu plano tinha várias falhas. Eu não tinha um carro, eu não sabia como chegar lá sozinha, meus pais iriam notar de primeira porque estariam indo toda hora no meu quarto, não tinha como, suspirei. Encarei meu celular, por tanto tempo que meus olhos começaram a arder, de repente começou a se formar uma idéia, liguei de novo para minha avó, no terceiro toque ela atendeu.
Vó, sou eu de novo... não irei hoje, na verdade... pretendo ir sem avisar, eu poderia levar mais dois, talvez?
Aonde comem duas, comem quatro, claro que pode querida, não me conte mais nada, quanto eu menos souber melhor, Julliet vai ficar uma fera assim como seu pai, Marcus.
Tudo bem, você não sabe de nada, darei um jeito em tudo, obrigada, te amo.
Mal desliguei e já enviei uma mensagem para Maggie.
Que tal fugirmos pra uma cidade nova? Temos a onde ficar, nós três. – Lexi
Cinco minutos depois o celular apitou com o toque de mensagem.
Garota, você não brinca em serviço, conte sobre seu plano.
Tem uma cidade com o nome de Emerald, é a onde minha avó mora, ela deixou nós ficarmos por lá, faz anos que não vou lá, desde pequena e tal, é super fora de rumo então vai ser difícil de nos acharem, principalmente porque a vovó vai ajudar, não vão descobrir que estamos morando lá.
Prossiga, baby.
Enfim, se tivéssemos um carro... E ESSA INDIRETA É PRA VOCÊ CHRIS! Poderíamos viajar, a gente podia ver a localização, tempo de viagem em uma lan house, nem desfiz minhas malas ainda, só preciso colocar meu notebook e mais algumas coisas daqui nelas e trocar de roupa, mas não acho que devíamos ir hoje, a gente podia ir em alguma lan house pesquisar, ou eu mesma faço isso pra vocês não levantarem suspeitas, apenas arrumem as coisas de vocês.
É claro que vamos querer ir com você, é melhor ir só você ver as coisas sobre a cidade, e outra... amanhã poderíamos ir todos comprar comida e coisas do gênero pra viagem, precisamos de maquiagem, mas isso ambas temos, e também de perucas, (Você conseguiria uma barba pro Chris?)
Que tal fazermos isso juntos?
Aham, vamos as compras amanhã! Estou conversando com o Chris aqui, ele disse que o carro dele ta na casa dos pais, assim como as chaves, vamos escapulir pra ir buscar as chaves, vai ser tranquilo, sua missão hoje é pesquisar sobre essa cidade ai, a nossa é conseguir o transporte, cara isso vai ser animal!
Vai mesmo, me mande mensagem assim que der, vou disfarçar aqui e esperar meus pais dormirem.
Procurei meu notebook e o modem, o apertei em uma das malas junto com o resto das minhas roupas que havia ficado e meus cd’s, após isso, peguei uma mochila velha e coloquei uma lanterna, isqueiro, roupas de cama, corda, bussola e um canivete, fechei a mochila e joguei para de baixo da cama, coloquei a mala com meus novos utensílios debaixo das outras. Escutei passos subindo a escada e me deitei, fingindo que estava dormindo. Logo ouvi a porta se abrindo e o barulho de passos abafados no tapete.
― Shhh! Ela esta dormindo. ― Disse minha mãe, senti que se aproximava.
― Ela mudou tanto, não é? ― Falou papai.
― Ela esta usando um piercing, nunca imaginei ela usando isso. ― Ouvi o barulho de engasgo quando ela avistou minha tatuagem.
― Só pode ser influencia daqueles marginais! ― Brandou ela.
― Querida, não se exalte, ela passou por muita coisa até finalmente ficar boa.
― O importante é que ela se curou, melhor deixarmos ela dormir em paz. Ambos beijaram minha testa e foram embora, acabei apagando por um tempo, quando acordei era 00:00 em ponto.
Pulei da cama, caminhei até minha poltrona e coloquei a mesma calça de brim rasgada nos joelhos e o all star de cano que havia usado quando sai do instituto, revirei a mala mais próxima até achar um moletom xadrez de vermelho e preto com um capuz comprido, escovei o cabelo rapidamente e puxei o capuz cobrindo o rosto, fui até minha mochila de baixo da cama e peguei o canivete, colocando no bolso da calça assim como o celular e o dinheiro, escondi a mochila de novo, peguei uma bola e algumas almofadas fazendo um boneco improvisado em minha cama e o tapando até a cabeça, fui até a porta e girei a maçaneta com cuidado, estava trancada.
― Ah, Meg, ainda bem que você me transformou em uma perita em saltos de janelas. ― Sussurrei com um meio sorriso, fui até a janela e a destranquei com cuidado, era uma boa altura, mas não me quebraria se caísse do jeito certo, passei uma perna e depois a outra, fitei o chão e saltei, caindo em uma cambalhota e ficando de pé logo depois. Olhei pra casa com as luzes apagadas e corri. Demorei uns bons vinte minutos até chegar a lan house mais próxima, pelo fato de ir a pé. Parei ofegante, e mandei uma mensagem rápida para Chris e Mag.
Acabei de chegar na lan house.
Entrei no lugar de cabeça baixa, paguei por uma hora e comecei a pesquisar em um computador com uma impressora distante das outras mesas. Demorou um tempo até eu conseguir achar algo, comecei a ler com mais atenção.
“Emarald é uma cidade de difícil acesso pelo fato de ser cercada por florestas e estradas de chão, com população de 12.000 habitantes, tempo chuvoso e nublado quase o ano inteiro, clima frio em sua maior parte.” Copiei para o bloco de notas e segui, após mais dez minutos conclui que a cidade tinha de tudo, cinemas ótimos, lojas variadas, etc. Fiz um rápido resumo e fui á procura do mapa, imprimi junto com o texto que havia montado, pequei as folhas e guardei no bolso do moletom, ao que parecia demoraria oito horas para chegar até Emerald, isso se não tivesse imprevistos. Fechei a janela anônima, apaguei os vestígios do bloco de notas e sai, peguei o celular, havia uma mensagem não lida, olhei as horas, eram 02:00 ainda tinha tempo.
Conseguimos as chaves, ta no papo.
Consegui a localização, uma descrição e coisas do gênero da cidade, vamos demorar oito horas pra chegar lá. O Carro do Chris tem GPS?
Voltei na lan house novamente quando me lembrei de algo.
― Vocês vendem chip?
― Sim, Sim. Qual operadora?
Decidi pegar o chip da mesma operadora que Chris e Mag.
― Vivo.
Após escolher o número, esperar todo o procedimento para utilizar o chip e colocar créditos, inseri o chip no celular, olhei em meu outro numero a mensagem.
Podemos conseguir um GPS com o Jason, o cara tem de tudo pra vender.
Meg, salva meu novo numero ai.
Tirei o chip antigo e quebrei em dois, jogando em uma lixeira.
Ainda bem que comprou um da mesma operadora, isso vai facilitar.
É, tão a onde?
Voltando pro instituto, vamos falar com o Jason e arrumar as malas.
Ok, to voltando pra casa, se cuidem.
Você também.
Cheguei em casa fazendo o mínimo de barulho possível, escalei a árvore perto da janela e entrei, tudo continuava em silencio absoluto, desfiz o boneco improvisado, larguei o celular e troquei de roupa, me joguei na cama e fiquei pensando, sei que não era totalmente certo o que eu estava para fazer, mas eu não aguentava mais, eles tinham que entender isso.
Fiquei fitando o teto por um tempo, até que por fim me rendi á escuridão, adormeci.
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