O Circo Do Bosque Negro
3 Vozes
Notas iniciais
Parte 1
Meu corpo estava muito quente, meu coração a mil por hora. Quanto mais eu adentrava o bosque mais denso ele ficava e mais galhos arranhavam meu corpo. Não tinha percebido o grande tronco que se estendia a minha frente e por isso cai de cara no chão, sentindo meu rosto amassado. Porém quando levantei a cabeça, ainda meio tonta, vi duas figuras muito altas e magras que iam e vinham para lá e pra cá. Foquei meu os olhos e vi que elas estavam dançado uma espécie de valsa, porém uma valsa deprimente. Como se elas estivessem sujeitas a isso pela eternidade. Mas de repente elas pararam, olharam para mim com seus olhos negros e sem vida. Uma voz ecoou na minha mente: “Fuja! Saia daqui, não volte. Não volte nunca mais.”-mas já era tarde demais. Eles se aproximavam mais e mais e comecei a ter um mau pressentimento. As criaturas estavam vestidas com roupas listradas e chapéus de penas, mas suas pernas pareciam estar costuradas a pedaços longos de madeira, o que os deixavam altos. Quando eles aproximaram seus rostos do meu, sussurraram: “Não tenha medo, você está maravilhosa.”- e me encheram de beijos no rosto cada vez mais fortes e depois violentos até que senti seus dentes afiados cravarem na minha bochecha e depois arrancá-la com tanta violência que vi pedaços da minha pele voarem e senti meu próprio sangue morno escorrendo pelo o que sobrara do meu rosto.
Eu mesma me ouvi gritando. Um grito forte, estridente, um grito de morte.
Parte 2
“Acorde, acorde querida.”- uma voz me chamava e então eu abri o olho e vi aquela moça bonita que me convidara para fazer parte do circo. Seus olhos verde-água me encaravam com doçura. Pus a mão sobre a minha bochecha: intacta, sem nenhum arranhão. Percebendo o meu gesto, ela perguntou: “Você está bem?”- respondi que sim, era tímida demais para contar o que tinha acontecido que agora parecia apenas um pesadelo, mas antes, bem real para mim. “Vou trazer para você um suco de morango. Todos adoram meu suco de morango com leite. Acho que você vai gostar.”- e dizendo isso foi embora. Levantei da cama confortável sobe a qual eu estava deitada e olhei em volta: havia pelo menos mais quatro camas naquele local que observando melhor, percebi que era uma tenda. Caminhei para fora da tenda e percebi mais cinco tendas espalhadas pelo gramado do bosque e ao centro uma tenda maior: o toldo do circo cuja sombra cobria todas as cinco tendas.
Pessoas, talvez funcionários e acrobatas do circo corriam para todos os lados, se preparando para o primeiro espetáculo do dia. Alguns me cumprimentavam, outros pareciam não notar minha presença. Decidi que começaria por conhecer todos, afinal, agora eram minha família. Falhei. Ninguém parava para me escutar. Então resolvi explorar o local. Entrei em todas as tendas.Tudo igual.
Mas por acaso meus olhos repararam que não eram cinco tendas, mas sim seis. Uma tenda afastada e camuflada das outras me chamou a atenção. Por ser afastada talvez fosse proibido entrar ali, por isso caminhei lentamente até ela e sem que ninguém percebesse, eu já estava lá dentro. Esta tenda era escura, e havia uma jaula enorme ao centro. Cheguei mais perto da jaula e percebi que eu não estava sozinha. Uma menina virada de costas encolhida no fundo da jaula vestia um comprido vestido de noiva e aparentava ter aproximadamente 13 anos. Reparei que seu braço esquerdo estava profundamente arranhado. Aproximei-me da jaula a ponto de tocá-la. “Não fique, vai embora.”-uma voz ecoou na minha cabeça. Um barulho de vidro quebrando interrompeu a voz e quando me virei, a acrobata de olhos verde-água tinha deixado meu suco de morango se espatifar no chão. Ela levava uma expressão assustadora no rosto.
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