O Circo Do Bosque Negro
4 Aflição
Notas iniciais
“Q-querida? O que você está fazendo aqui?”-ela me perguntou. Encarei-a: “Por que ela está presa?”- queria respostas. Mas ao em vez de me responder, ela pegou firmemente no meu braço e olhou profundamente nos meus olhos. Senti meu corpo ficar leve e tombar bem devagar nos braços dela.
Tontura. Senti tontura quando abri meus olhos e vi que estava a pelo menos 15 metros do chão. Estava vestindo um vestido brilhante e estava envolta por laços pratas estampados com estrelas, e como na primeira vez, dançava no ar em sincronia com as outras acrobatas. Elas me jogaram ao alto e dessa vez não me pegaram, fui caindo, até pousar numa cama elástica que me jogou ao alto de novo. Um balanço feito de fitas rosa e flores azuis me pegaram. A platéia aplaudiu e depois pousei seguramente no chão junto com as outras acrobatas. Elas me levaram no colo ao camarim e me parabenizaram pelo meu desempenho: “Você tem talento garotinha!”. A moça de olhos verde-água veio em minha direção. Senti tontura. “Você está bem?”-ela me perguntou. Respondi que estava zonza. Então ela me pegou no colo e me levou até a cama mais próxima, disse para eu descansar. Acabei adormecendo.
Eu estava numa tenda escura, dentro de uma jaula. Olhei para o lado e vi uma menina encolhida no canto, ela se aproximou e percebi que ao em vês de pernas humanas, tinha pernas de cabra. Com a cabeça baixa, começou a cantar com uma voz linda, porém, triste. Ela cantarolava palavras soltas:”Garota, m-menina,olhos-verdess, enganosos,med-donhos,devoram, pequenin-os, encantos do Circo...”-sua mão fraca e ossuda apontava para mim. Ela começou a se aproximar e tocou meu braço, um toque leve. Abri os olhos, despertando do meu sonho, estava suando. Então tudo voltou a minha mente: a tenda misteriosa, a menina em uma jaula e a hipnose. A moça de olhos verde-água tinha me controlado desde o momento em que caí em seus braços e até o final do espetáculo. Levantei da cama e saí da tenda. Já era noite, tinha dormido muito. Quando pensei em procurar a tenda da menina misteriosa e já estava quase a correr, um homem de terno azul apareceu. “Ah, aí está você! Quer se juntar a nós na fogueira? Todos estão lá.”-ele disse e sem esperar minha resposta, pegou minha mão e foi me conduzindo. Passamos por todas as tendas e por entre as árvores do bosque, quando finalmente pude ouvir um grupo de pessoas rindo e falando alto, e logo vi a fogueira. Procurei sentar longe da moça de olhos verde-água e por isso sentei entre duas acrobatas que pareciam ser irmãs gêmeas. Serviram-me um prato de batatas fritas e feijão. Não estava com fome, só queria sair logo dali e me aventurar à procura da menina misteriosa e sua tenda escura. O homem de azul pegou sua taça com vinho e começou a bater seu garfo nela, produzindo um barulho irritante. Todos fizeram silêncio, ele começou: ”Nesta noite temos de celebrar, fazer um brinde. Hoje entre nós temos uma garotinha talentosa que saiu de seu beco escuro para mostrar seu talento a todos e fazer parte da nossa família! Jenna é seu nome e vamos fazer um brinde á ela como se fosse seu aniversário!”- e dizendo isso passou sua taça a mim e disse:”Beba,comemore seu talento!”- somente encostei a boca e passei para o próximo, e esse fez o mesmo até a taça chegar ao seu dono, o homem de azul, que deu o último gole. A noite foi cansativa, todos conversavam, faziam piadas e bebiam até caírem de tão bêbados. Isso se estendeu até no mínimo três horas da manhã, foi quando eu adormeci.
Acordei com alguma coisa me pinicando. Quando abri os olhos vi uma figura passar na minha frente, era a moça de olhos verde-água. Ainda não estava totalmente claro, podia-se ver os primeiros raios do sol atingirem as copas das árvores ao horizonte. Persegui a moça com meu olhar até ela adentrar o bosque, saindo da minha vista. Levantei delicadamente, tomando cuidado para não acordar ninguém. Segui seus passos, adentrando o bosque. Parei de segui-la quando ela entrou numa tenda que estava numa área aberta, sem árvores. Escondi-me atrás de uma árvore. Quando ela saiu da tenda, arrastava um corpo de um garoto que estava pálido e fraco, ele aparentava ter no máximo 10 anos. Ela o jogou no chão com violência. O garoto não reagiu. Depois ela voltou á tenda e quando a vi de novo, estava com um machado na mão. Ela chegou perto do garoto e o encarou por alguns segundos antes de levar o machado ao alto e estraçalhar um de seus braços. Vi uma poça de sangue aumentar cada vez mais em volta do menino. Porém ele não reagia, mas estava vivo. Seus olhos tristes estavam voltados para mim e piscavam a cada vez que o machado voltava a perfurar seu braço. Vi seus tecidos se desprendendo do corpo e veias estourando a cada vez que o machado se encontrava com seu corpo. Chorei de aflição, dor e tristeza ao ver aquela cena. Não aguentava mais assistir a aquilo, a moça de olhos verde-água afundava seu machado no braço do menino com cada vez mais violência. Corri para longe, não querendo me lembrar daquilo nunca mais. Não ia mais ficar no circo, ia fugir. Porém comecei a ouvir passos atrás de mim, um arrepio percorreu meu corpo. Não eram passos de somente uma pessoa.
Fale com o autor