O Choro dos Corvos
4 Choro dos Corvos
Notas iniciais
Pássaro Negro ainda estava dormindo, mas não apenas um sono comum, era um sono sombrio. Dentro de sua cabeça, ecoavam as almas dos mortos por ele, aqueles que não sobreviveram pois suas almas foram quebradas pela lâmina amaldiçoada. Hoje eu não vou contar uma estória sobre o Pássaro Negro, eu vou contar uma estória para vocês, uma estória sobre a lâmina de nosso jovem Demônio. Dizem que há muito tempo atrás, um ferreiro caminhava um rumo desconhecido, uma longa viajem! Ele andou por dois anos inteiros carregando o aço das estrelas, amarrado em suas costas, até que este ferreiro chega em um lugar, no topo da montanha de Fuuy, onde as raízes do céu tocavam o chão. O Ferreiro construiu Nove Espadas, martelando o aço das estrelas, aquecido com as luzes que caiam dos céus, ele forjou, e criou nove espadas, nove assassinos.
Dizem, que quando o ferreiro voltou para sua terra natal, ele foi mal recebido por todos aqueles em sua vila, e ele os matou um por um, um ódio invadiu suas veias, e seus olhos se tornaram brancos, sua criação havia lhe dado o conhecimento divino, mas não aquilo que ele desejava, porém era aquilo que ele precisava ver. Suas nove espadas, a cada morte, elas absorviam a alma de seus mortos, e foi então depois daquele massacre, que ele as batizou. Cada uma com sua peculiaridade, porém todas tinham algo em comum, o choro. Cada vez que delas matava alguém, o choro de alguém era ouvido, o choro de almas presas em sua lâmina, o choro de almas que nunca conseguiram encontrar o fim da vida. Por isso, ele as batizou de Kensakebi que na língua antiga, significa "Espada que Chora". Quando Pássaro Negro recebeu sua maldição, e se tornou Oniken, foi lhe dado uma Kensakebi, o mais engraçado é que seu nome combinava com sua espada, ambos os dois eram os últimos de sua jornada, um caminho já trilhado. Mas é por isso, que tornou as coisas mais difíceis para os dois, pois nenhum deles gostava de ter que seguir ordens um do outro. Essa espada e esse Espadachim, uma combinação incrível. Pássaro Negro e Choro dos Corvos.
Nosso Herói acorda, em meio a barraca que estava, seu corpo estava totalmente curado e forças regeneradas, ele passa a mão ao cabo de sua espada e percebe que ela estava chamando por ele. Pássaro Negro sai da barraca, e olha envolta, muitos dos assassinos haviam voltado, mas estavam com medo de mais para se aproximar. ele se dirige a uma fogueira apagada no meio da vila, e senta perto dela, cruzando as pernas em Meditação, segura sua espada com a palma aberta. Seus olhos fixam-se no céu, e sua boca se abre.
— Me dê direções. — Ele diz, enquanto seus olhos continuam fixados.
Então, sua espada sobe em direção aos céus, e gira de formas aleatórias, caindo ao chão, enterra-se na fogueira. Um fogo azul levanta, e um rosto aparece, o rosto de Fúria dos Ventos.
— É claro que você iria me chamar, Irmão? — As chamas moviam-se, como se a boca de sua imagem se movia, a voz de Fúria dos Ventos saia da fogueira.
— Me dê direções, e eu partirei. — Sem relutância, ele encara as chamas, mesmo o calor estar incomodando sua pele.
— Agora precisa de mim? — Indaga Fúria dos Ventos, com um tom Sarcástico — O poderoso Pássaro Negro perdido, que engraçado, seria trágico se não acontece-se com frequência, sabe? Mas para o seu bem, eu sou razoável. Ao Leste, encontrará o vilarejo de Onia, lá está o nosso irmão Luz dos Céus. — A imagem desaparecia junto com as chamas, Pássaro Negro logo se levanta, puxando sua espada do chão.
Seu olho esquerdo parece o incomodar, sua coloração volta a ficar estranha, e sua cabeça volta a viajar, em outros lugares, mas ele sabe que precisa continuar indo, então segue ao leste. Passo após passo, dor após dor. Sua jornada o levou por dias naquela direção. Três dias e noites andando, sem comer e sem dormir, ele continua, um demônio não precisava de tais coisas, enquanto seu corpo continuava bem. A única coisa que poderia atrapalhar em sua jornada, era a voz ecoante de sua parceira em sua mente.
Ele sobe uma enorme pedra, para conseguir ver mais distante, entre as copas das árvores, ficando mais alto que elas, e a voz continuava sussurrando em seu ouvido, os céus parecem escurecer, o chamado de um trovão. Descendo da pedra, ele continua entre as florestas, passos e mais passos entre a lama local, e a falta de sol o ajudava muito. Escorregadio como um peixe, estava aquele chão, mas não era o bastante para faze-lo desistir, não, não era. Sua atenção é cortada por um grito, um grito de seu subconsciente, a sua boca se mexe, mas não são suas palavras que saem.
— Pequeno Pássaro, meu Pequeno Pássaro... Águas profundas não são calmas. — Havia então, ele pronunciado aquilo, com outra voz, a voz de sua Kensakebi, a voz de Choro dos Corvos. — Não se assuste, querido, eu ainda estou te ouvindo.
— Fizemos nosso acordo no passado, eu controlo o meu corpo, e você controla as suas habilidades — A voz de Pássaro Negro, parece ficar estranha, combinando a voz dos dois. — Por que está destruindo o nosso equilíbrio?
— Você é um tolo, Pequeno Pássaro, aceitou matar seus irmãos Onikens, e entregar todas as Kensakebi para Fúria dos Ventos? Você vai me entregar a ele? — A voz agora apenas era a de Choro dos Corvos.
—A única coisa que desejo mais que você, é ser o que eu era antes uma...- Sua voz para, ele é interrompido
— Uma O QUE? Uma espada? Voltar a ter sua alma presa a uma Lâmina? E então como terminará tudo bem? — Furiosa a voz de sua espada — Mas como? O Grande Pássaro Negro já pensou não é? Vai trair todo mundo, como sempre faz.
— EU NÃO SOU UM TRAIDOR! SAIA DE MINHA CABEÇA! — Ajoelhado, seus gritos ecoam por toda a floresta, sua voz fica rouca de tão alto que são seus berros, e seus olhos voltam ao normal. — Isso é preciso... Meu amor.
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