O Choro dos Corvos

14 As peças se movem


Notas iniciais
Olá.

Ele havia notado naquele instante que deveria ir, correr, fugir, não! Não! Não era isso que ele queria realmente, ou o que precisava fazer, usar sua maldição para seus objetivos e recuperar o que perdeu. Recuperar ela, sua espada, e para isso precisaria encontra-la, e só uma pessoa poderia ajuda-lo naquele momento, mas não era hora disso ele precisava voltar a cena, voltar ao ato.

Era hora de renascer como um homem e um espadachim. Sua segunda chance já morreu faz tempo, mas ele ganhou mais uma e não poderia errar agora.
— Vá logo garota, antes que mais deles cheguem — Ele pronúncia, jogando sua espada no chão.
— Blacko, você é um descendente de Nimb. — A garota diz com pausas, recuando mais de Tsukoyo, até encostar em uma árvore.

Ele responde com o silêncio, enquanto tomava rumo dentre as copas das árvores. A garota o seguia, relutante, mas deveria segui-lo. Tsukoyo era um ótimo guerreiro e havia a salvo, por isso precisava segui-lo.
— Se vir atrás de mim vai acabar numa vala cheia de lama. — Ele adverte-a, mesmo sabendo que seria inútil.
— Eu preciso de sua ajuda. — Dizia ela com um tom baixo, então chegava a frente de Tsukoyo — Eu sou Saye, filha de Zaib, princesa de Yang.
— Filha de Zaib e princesa de Yang — Repetia Tsukoyo, e então gargalhava — Então você é praticante daquela arte?
— Não! Não sou como meu pai! — Estava mais calma, porém sua voz era firme e arrogante.
— Todos aqueles que vem de Yang são estranhos — Ele continua seu caminho desviando dela — Não gosto.
— Preciso que me leve até meu pai, eu preciso entregar isto para ele — A princesa corre até a frente do espadachim e mostra a caixa — É um fragmento da lua, que pode escurecer o sol.
— Fragmento da Lua...? — Questiona Tsukoyo com um olhar descrente.

Um fragmento da Lua, criado pelo próprio Corvo, pelo demônio de Pássaro Negro. Quando a Pedra da Lua é posicionada ao amanhecer, o Sol se torna negro o dia inteiro, e com isso a força daquele que porta os poderes do Corvo se torna mais forte. Porém agora, ele havia abandonado sua espada, pois a alma dela foi perdida, era só um peso morto cheio de morte.
Tsukoyo precisava de uma nova espada, e aquela pedra poderia lhe dar um poder tão grande que nada poderia para-lo. A questão era, por que Zaib iria querer uma pedra dessas?

— Onde arranjou um Fragmento da Lua? — Ele pergunta.
— Uma serpente chamada Mamoru — Responde a princesa.

Ele percebe os detalhes da caixa, era feita de madeira de Ébano, escura como a noite, ornamentada com riscos feitos com alguma lâmina muito precisa que desenhava uma imensa cobra circulando a caixa até morder sua própria cauda. Uma fechadura metálica com apenas um furo para algum tipo de chave especial. Tsukoyo sentia uma força atrativa com a caixa, mas seus sentidos estavam fracos.

— Então, vai me ajudar? — Ela Interroga, segurando firme a caixa.
— Próximo daqui há o vilarejo de Fuku. Um velho amigo meu está lá, se não se importar de ir para lá primeiro — E novamente, ele desviava para seu caminho, tomando a frente.
— Eu aceito sua condição, mas como vai me ajudar sem uma espada — A princesa tenta pergunta-lo, mas é interrompida
— Esse é meu objetivo indo para Fuku. — Tsukoyo completa.

Agora os dois tomam o rumo, indo em direção do novo rumo. Enquanto eles andavam, em outra parte de Fuu. Uma mesa redonda ao meio de um salão escuro, o salão era enorme e feito de pedras bem encaixadas e polidas, dando uma escuridão natural ao lugar, ao meio a iluminação era feita por um grande candelabro, mas somente lá. A mesa era feita de uma madeira nobre, e acinzentada, escondidos nas sombras, estavam os participantes daquele conselho, três participantes. Todos eles sentados em grandes tronos, suas mãos encima das mesas, todas cheias de anéis ou joias, dois homens e uma mulher. Do outro lado da mesa, havia outro par de mãos, e sua face estava iluminada. Era Fúria dos Ventos.
— Lorde Kerran, Lorde Alric e minha senhora. Tudo está ocorrendo bem até o momento. — Pronúncia Fúria dos Ventos em um tom calmo — Meu mestre já tem quase tudo que precisa para reviver suas relíquias, só precisamos ainda eliminar a luz.
— Excelente, estamos muito satisfeitos com o trabalho de seu Mestre, mas há um problema. — Pronúncia a dama — E se alguém interferir?
— Meu mestre já tomou todas as precauções necessárias. — Responde retirando suas mãos da mesa. — Ele cortou as asas do Corvo e estamos a um ponto de capturar a dançarina.
— Porém, vocês ainda não mataram Pássaro Negro, ele ainda está a solto e com o Sol moribundo ele será indestrutível — Argumentava um dos Lordes.
— A fonte de poder de Pássaro Negro, foi retirada dele, e antes que ele perceba tudo irá ocorrer. — Fúria dos ventos responde.
— Adoro sua confiança, e a do seu mestre. — Dizia o ultimo homem — Mas, há outros esperando o momento do Sol moribundo.
— Um dos nossos homens já está trabalhando para liquidar até o último capaz de causar algum estrago, apenas a segunda lâmina e seus corvos podem causar problemas. — Ele encerra, dando as costas para a mesa. — Vocês devem mexer suas peças, e seus homens para a ascensão.
— Outro ponto que gostaria de discutir — A dama se levanta, mexendo seus dedos — A serpente está mordendo nossos calcanhares, e não podemos aceitar isso, gostaria que você se livra-se dela, como uma parte extra do seu serviço, seu mestre não precisa ficar sabendo.
— Não há nada que meu Mestre não saiba. — Finaliza Fúria dos ventos, desaparecendo na escuridão da sala.

Alguns dias se passam, Fúria dos Ventos está correndo em meio a um campo aberto, com colinas e grama alta. Seus passos rápidos o guia até encima de um morro, na qual ele consegue ver um vilarejo de longe pegando fogo, e na direção do Vilarejo, um espadachim de cabelo verde avança em sua direção, andando.
— Mamoru! — Grita Fúria dos Ventos. — Está na hora de você voltar para casa.

Os olhares de ambos se cruzam, e as espadas se desembainham, segundo após segundo mais próximos os olhares ficavam, olhos de assassinos. Ambos saem um em direção do outro em uma longa corrida, suas espadas se chocam várias vezes faíscas em meio as nuvens, ao nublado.

Notas finais
T.D.O