O Cheiro Forte do Seu Cigarro
1 Único
O ano novo chegava e tudo que você queria era esquecer o que ia embora. Entretanto, aquela festa não parecia ser a solução. Música ruim e cerveja barata na mão das pessoas erradas: “tios” que suavam, dançavam e riam alto demais. Seus pés te guiaram até um canto afastado do clube de campo em que seus pais eram sócios enquanto suas mãos procuravam em seus bolsos o único refúgio que havia no momento: tabaco. Procuravam, também, o isqueiro. Em vão. Havia esquecido o objeto em casa. Xingou baixinho e olhou em volta, os olhos pousando na silhueta de um homem encostado em uma árvore e, por sorte (ou não), fumando. Aproximou-se e, hesitante pelo olhar pouco amigável que recebera, perguntou:
— Tem fogo?
O desconhecido riu pelo nariz e te encarou, a sobrancelha direita arqueada em deboche:
-Você não é muito novinho?
E então estava feito. Vocês iniciaram uma longa discussão, aonde ele permanecia indiferente e você se enfurecia cada vez mais. Descobriu, então, que seu nome era Steven, e ele era lindo – lindo, apesar da ironia, ignorância e tudo aquilo que te irritava – encostado ali com toda sua elegância estúpida e, na mão, o cigarro que ocasionalmente encontrava seus lábios. Tudo nele era incômodo e perfeito – as roupas pretas (por descaso ou revolta ao dia), o sorriso arrogantemente sedutor, a diversão que ele parecia ter em te deixar bravo (constantemente te chamando de pirralho).
Você não pretendeu se encantar.
Aconteceu.
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