O Cetro de Deméter

1 Meus Colegas Querem Me Destruir


Notas iniciais
Aqui vai o primeiro captulo de minha fanfic.
Boa leitura, aos que lerem, que deem suas crticas.

Olhe, você que está lendo, tenha muita, mas muita calma quando for ler isto e cuidado. Eu sou um semideus – isso mesmo que você deve estar pensando, da mitologia grega e tal – e isto, de alguma forma, é perigoso.

Você com certeza deve estar pensando: nossa, você é filho de um deus, é o rei da cocada preta, o todo poderoso e outras coisas do tipo, porém saiba que não é bem assim. Não mesmo. Ser meio-sangue não quer dizer ser um deus. Lembre-se do nome, semideus, não deus.

Bem, penso eu, é melhor começar desde o início.

Antes de tudo, meu nome é Tomas Calvin.

Tenho 12 anos de idade, quase 13. Não faz muito tempo que eu estudava em uma escola normal (ou nem tanto) em Brasília, o Colégio Prefeito Erivaldo. Nunca me dei muito bem com as pessoas de lá, porém tudo piorou no último dia de aula.

Tudo começou mais ou menos no dia anterior, quando estava no refeitório, lanchando normalmente com meu amigo Grover. Ele era bem estranho, mas até que era legal. Só acho que já tinha reprovado alguma vez, porque era o único aluno da minha sala, ou melhor dizendo, da minha escola, que tinha barba. Andava de um jeito bem estranho e estava sempre de calças, não importava se estava calor ou não. Ah, usava também um boné laranja e preto todo dia.

Prosseguindo, nós compramos nossos lanches na lanchonete – que além de caro era terrível – e sentamos em uma mesa.

- Pois é Grover – falei. – Amanhã já é o último dia de aula. O que vai fazer nestas férias.

- Bem – ele demorou um pouco para responder. – Vou passear e fazer outras coisas.

- Que tipo de coisas?

- É meio que pessoal...

Mas que pergunta besta, o que ele faz não é da minha conta, pensei.

Fiquei calado por um bom tempo, até quebrei o silêncio:

- Eu não sei o que vou fazer, as minhas férias são sempre monótonas... Um tédio só. Mas cara, sabe que eu tenho uma impressão que estas serão diferentes, e não sei por quê.

Grover se virou para mim, com os olhos arregalados.

- Como assim, Tomas? Por que estas férias seriam diferentes?

- Sei lá, tenho a impressão. Também tenho tido uns sonhos estranhos e...

- Sonhos? – ele me interrompeu. – Como assim sonhos? E o que tem nos sonhos?

Estranhei as atitudes dele.

- Cara, que é isso? O que está acontecendo com você? Só vejo Nova York e também um lugar que nunca vi antes, mas bem bonito, tipo um acampamento! Já respondi suas perguntas, agora se explique – disse seriamente.

Ele hesitou.

- Nada não, mas é que você nunca me contou desses sonhos, e que eu saiba suas férias sempre foram entediantes.

E assim terminamos a conversar. Ficamos absortos em comer nosso lanche, e pelo o que vi, Grover estava faminto, pois mastigava a lata de refrigerante como se fosse chiclete. Depois de ter observado isto, ele pediu desculpas.

Entretanto aquilo não era nada demais do que eu tinha visto. As garotas da mesa da nossa frente, Ana, Liza e Eunice pareciam ter ficado com os pés peludos e pretos. E me olharam e por um instante pareciam ter caras de morcego.

- Grover, você viu aqui... Você está mordendo a lata de novo? – vociferei. – Ah, não é isso que importa. Olha, você viu as meninas ali?

- Sim, o que têm elas?

- Não me diga que você não viu que as pernas dela ficaram peludas e ficaram parecendo um trio de morcegas?

- Ahn, cara, você está bem?

- É CLARO QUE ESTOU! – saiu mais alto que eu esperava e todo muito olhou para mim. Assim que todos voltaram a lanchar, continuei: — Por acaso está insinuando que eu sou doido?

Grover se encolheu.

- Claro que não, mas sério, eu não vi nada.

E foi aí que tocou o sinal e voltamos para o resto da aula.

A aula era de história, uma das que mais me interessava. O chato é que eu tinha — na verdade eu ainda tenho — transtorno do déficit de atenção. Não conseguia ficar muito tempo fazendo a mesma coisa. E o pior o nosso professor, o s.r. Dennis, rabugento que só ele.

- Tomas, será que é possível você ficar quieto um minuto se quer? – bradou ele. Pois é, ele gritava para que todos ali ouvissem e gargalhassem de mim.

Não o respondi, pois da última vez que o fiz fui direto para a diretoria. Apenas fiquei calado e me contive. Logo ele saiu da sala.

- Fiquem todos calados, que eu vou ali pegar alguns papéis. Não saiam do lugar de vocês. Estão me entendendo? – ele avisou antes de sair.

Fiquei fazendo os exercícios, sem nem olhar para ninguém e ficar calmo. E quem disse que era fácil?

- É débil-mental, fica quieto um pouco. – Fernando, que sentava atrás de mim, começou a zombar de mim. Continuei fazendo meu exercício, porém ele continuou. – E ainda é metido a inteligente e responsável, quem olha assim acha que é normal...

Ah, quem é que podia ficar calado em uma hora dessas?

- OLHA AQUI SEU IDIOTA, – gritei e segurei a camisa dele – EU POSSO TER DÉFICT DE ATENÇÃO, MAS PELO MENOS EU NÃO IRRITO OS OUTROS SEM MOTIVO! – e no mesmo instante, algo sinistro aconteceu: a planta que ficava no canto da sala cresceu e criou raízes que se enrolaram nos pés dele.

Todos olhavam espantados para mim, como se a culpa fosse minha. Eu inclusive já havia soltado o imbecil. E pensei se tinha como piorar as coisas, e acredite se quiser, como tinha.

Lá estava eu, na sala do diretor Giovanni. Ele estava sentado na mesa em frente do sofá em que eu estava sentado. Ao seu lado, o professor Dennis me olhava com frustação.

- Repita para mim Dennis, o que foi que ele fez mesmo? – perguntou o diretor.

- Não vi direito, só sei que quando eu cheguei à sala, o garoto estava estrangulando o amigo.

- Fernando não é o meu amigo – grunhi.

- Que seja! Só sei que você está muito encrencado mocinho, muito encrencado. Vou chamar a vítima para sabermos de tudo a cerca dos fatos.

E saiu da sala emburrado. O s.r. Giovanni olhava para mim, mas sua expressão não era de raiva ou de indignação. Pelo contrário, mostrava calma e paciência.

Ele era careca, e um tanto, como posso dizer, cheinho. Porém, ao contrário do professor, era um cara legal, embora fosse um pouco exigente.

- S.r. diretor, eu juro que eu não fiz nada, eu só segurei a camisa e depois...

- Relaxe garoto. Eu acredito em você.

Estranhei a reação dele, e quando fui perguntar, o professor Dennis entrou com Fernando, que passava a mão no pescoço.

Diga rapaz, o que aconteceu exatamente na sala – ordenou o diretor.

Ele se sentou ao meu lado, e começou a falar rapidamente, mas antes me fuzilou com o olhar.

- Eu pedi para ele ficar quieto, pois estava atrapalhando a minha concentração.

- Você me chamou de débil-mental, e você nem estava fazendo o dever seu hipócrita!

- Antes de falar qualquer coisa, deixe-o terminar Tomas. — pediu o diretor.

Assenti com um balançar de cabeça.

E assim ele contou a versão dele. Que eu primeiro tinha puxado a sua camisa (essa era verdade) e que depois segurei o seu pescoço e o levantou.

- Não foi bem assim que aconteceu — eu disse, assim que Fernando terminou.

O professor Dennis me fitou com irritação.

- Então nos conte a sua versão.

- Com todo o prazer — falei secamente. — Assim que o s.r. Dennis saiu de sala, Fernando ficou me azucrinando, dizendo que eu tinha de ficar quieto, que era metido a nerd e tal. Eu tentei ficar na minha, mas quem consegue. Então eu segurei a camisa dele, mas depois eu o soltei.

- E como você explica essas manchas no meu pescoço, hein?

- Você não viu que aquela planta que fica do lado do professor criou enormes raízes e começou a se enroscar em você?

Fernando e o professor riram de mim.

- Viu só s.r. Giovanni, plantas que crescem sozinhas e se enrolam em pessoas! Nunca vi tamanha mentira! — exclamou o professor Dennis.

- Ora Dennis, neste mundo de hoje, qualquer coisa é possível, não acha?

- Você acredita nele?

- Não disse isto. Agora podem voltar a sala de você que vou conversar com Tomas, e ver o que eu faço com ele.

Sem dizer nada, os dois saíram da sala e fiquei a sós com o diretor, novamente. Ele pegou uma agenda na gaveta de sua escrivaninha.

-,Senhor, você não disse que acreditava em mim? Para que vai ligar para o meu pai? — fiquei horrorizado quando ele pegou o telefone.

Ele não respondeu, apenas fez um sinal para que ficasse em silêncio. Assim o fiz.

- Ulisses Calvin? Será que o senhor pode vir buscar seu filho? Não, não, ele não aprontou nada, é que ele está um pouco febril, e penso eu melhor que ele vá para casa. Certo, até mais. — e desligou o telefone. — Eu tenho que despachar você não? Se não pensaram que eu alivio alunos baderneiros, e posso perder o cargo, não acha? — explicou.

Dez minutos depois meu pai chegou para me buscar. Apertamos a mão do diretor e fomos para o Fiesta prateado do meu pai.

- Está melhor, acha que precisamos ir ao hospital? — perguntou ele, colocando a mão na minha testa.

- Não, está melhor pai. E antes que pergunte, a prova foi boa sim. — tratei de dizer.

- Que bom filho.

Logo chegamos ao nosso edifício. Não era daqueles luxuosos, nem aquele caindo aos pedaços, mas um aconchegante. Em seguida que entrei em casa fui um tomar um bom banho, coloquei uma roupa bem confortável para em seguida meter a cara nos estudos. E adivinha qual era a bendita matéria?

História. Pois é. Li alguns textos e refiz alguns exercícios. Receava que já estava bom e fui arrumar alguma coisa para comer. Encontrei meu pai na cozinha.

- Já estou indo viu filho? Veja se tome cuidado viu? — acho que esqueci de contar. Meu pai, Ulisses, era policial. Pois é, passava praticamente o dia fora, e eu ficava sozinho aqui. Se acha que é uma maravilha, saiba que eu faço quase todo o trabalho doméstico. Minha mãe? Não sei nada sobre ela, e o meu pai faz questão de não tocar no assunto.

- Eu sei me cuidar, pai. — eu não era mais um bebê.

- Até amanhã. — e saiu.

Peguei um pacote de espaguete e cozinhei. De molho coloquei Katchup. Esse era o meu jantar, na maioria das vezes. Jantei assistindo televisão. Não vi que horas, mas acabei adormecendo.

Acordei era lá pela meia-noite. Durante o sono, acabei derrubando o prato — nem imagine a sujeira que fiz — então juntei os cacos de vidro e os joguei no lixo. Quando cheguei em meu quarto, levei um susto.

Na janela vi a mesma cara de morcego que as meninas da escola tinham feito. Quando abri a janela não havia nada lá. Um pouco assombrado, deitei na minha cama.

Sonhei com coisas estranhas, muito estranhas. Eu estava no mesmo acampamento que havia mencionado para Grover, só que agora via pessoas. Mas em especial, uma linda garota. Ela tinha longos cabelos negros e olhos verdes. Mas em seguida, havia uma floresta sombria, eu estava com esta menina e mais uma garota semelhante a ela, só que um pouco menor e com os olhos castanhos. Fugíamos de estranhos monstros. E foi quando eu acordei assustado com o despertador.

Tomei uma ducha e vesti o uniforme, e comi uma maçã como café da manhã. Meu pai dizia que uma maçã não sustentava a manhã inteira, mas eu comi de qualquer jeito. Passei a manhã inteira estudando para prova, parando uma hora ou outra – já sabem o porquê – e às 11 onze horas para fazer o almoço (arroz, feijão e batata frita) e comê-lo. Lá pelas uma hora da tarde, meu pai passou em casa para me levar para a escola.

- Estudou Tomas? – ele perguntou.

- Sim.

- Almoçou?

- Sim.

- Está pronto então?

- Sim pai! Vamos para escola, senão eu perco a prova – e assim ele levou-me para o colégio. Mas acredite se quiser, eu perderia a prova de qualquer forma.

Estava na sala de aula, esperando o professor Dennis entregar as provas. Todos conversavam menos eu, pois Grover tinha saído para ir ao banheiro. O professor estava procurando os testes por todos os lugares, sem sucesso. Até que ele se levantou e disse a todos:

- Escutem vocês. Eu esqueci as provas na sala dos professores, vou lá pegá-las. Nem pensem em fazer nada! – e saiu da sala.

De repente, todos se calaram, e Ana, Liza, Eunice, e alguns outros colegas me olharam com cara maligna. As garotas ficaram com as mesmas caras de morcegas do sai anterior, enquanto os meninos criaram chifres e peludos. Os que não estavam transformados em coisas do tipo, olhavam para eles sem entender nada, sem perceber o perigo.

- Eu acredito em você Tomas. Eu sei que você não estava estrangulando o Fernando ontem. – disse Liza com uma voz que parecia um sibilar de uma cobra.

- Foi aquela planta, sabemos disso. – e Ana pôs uma língua bifurcada para fora.

- Mas eu acho que foi você que a controlou... – disse Renan.

Eles avançavam para mim, e eu recuei para a parede.

- Como? Eu não sei fazer isso... – engoli em seco.

- Ah, você pensa que não sabe, mas sabe. – sibilou Eunice.

- É um poder muito interessante, mas não pode acontecer novamente – falou Ana. – Deve ser destruído.

- Com-com-como assim? – gaguejei.

- Você deve ser morto – e ela veio para cima, porém eu desviei e ela mordeu a parede e explodiu de um modo estranho.

- Atrás dele! – comandou Renan.

Saí correndo da sala com um grupo de pelo menos dez alunos correndo atrás de mim. Passei pelo professor Dennis, entretanto foi tão rápido que não houve tempo de dizer nada. Estava bem a frente deles quanto topei com Grover.

- Ei olha por onde anda cara! – ele se levantou do chão, havia caído no choque. – Por que a correria, e as provas?

- Não dá tempo de explicar! Tem um bando de monstros correndo atrás de mim! – expliquei.

- Pera, aí, monstros? – e neste instante eles apareceram. – Ah, aqueles monstros! Corre! Vamos para a sala do diretor!

Iria perguntar por que, mas não deu tempo. Corremos e fechamos a porta e colocamos na frente dela tudo que podíamos: estante, escrivaninha, sofá, etc. Seguramos por bastante tempo, quando o s.r. Giovanni entrou por um pequeno aposento interligado ali.

- Mas o que é que está acontecendo aqui? – ele perguntou.

- Tem um bando de monstro lá fora me perseguindo!

- Por Zeus! Sabia que este dia chegaria, mas não hoje! Calma aí que vou falar com Quíron e rápido! – e saiu dali.

Por um bom tempo ninguém bateu na porta.

Ufa! Acho que eles não nos viram entrando... Eu pensei, mas cedo demais.

Bum!

Deram uma batida na porta e eu e Grover seguramos forte a porta. Resmungaram bastante do lado de fora.

- Sabemos que vocês estão aí! Abram a porta!

- Nem morto! – disse eu.

- É desse jeito que você vai ficar daqui a pouco! – responderam.

O diretor chegou cinco minutos depois, ofegando. Eu havia me cortado com um empurrão e Grover tinha caído e machucado a perna, e me ofereci para segurar sozinho, só que ele negou.

- Ele mandou dois pégasos que estão vindo rapidamente com a graça de Éolo. – informou.

- Um minuto, pégasos? Aqueles cavalos da mitologia grega? – perguntei.

- Sim, estes mesmo. Eles chegarão daqui a pouco. Agora irei ajudá-los. – e ele ficou entre mim e Grover, e com ele a porta quase não se mexeu.

Depois de 10 minutos, ouvimos um relincho lá fora. Arregalei os olhos. Como é que havia cavalos perto da escola?

- Vão vocês dois! Eles chegaram. Entrem neste aposento e vão pelo corredor até chegar lá no estacionamento! Corram! – o s.r. Giovanni ordenou.

- Não podemos deixar o senhor! Vai virar refeição desses monstrengos! – como é que ele poderia pedir uma coisa dessas?

- Vão sem mim! Eu vou me dar bem! – e assim eu e Grover seguimos o trajeto do diretor. Foi um pouco demorado, pois como Grover havia se machucado, tive de servir de apoio para ele. Chegamos e dois belos cavalos estavam próximos de um Uno vermelho. Um era branco como cal, enquanto o outro era de um marrom bem escuro. Tinham grandes asas em seu dorso. Ajudei Grover a subir no branco, enquanto eu montei no de pelo castanho.

Não sabia como voa naquilo, mas quando vi que os monstros estavam chegando ali (não sei como eles souberam), levantei voo rapidamente juntamente com Grover.

Notas finais
Aguardem o próximo capítulo! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.