O Celibato de Thalia
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Voltei para meu chalé. Não para voltar a dormir, como eu esperava que acontecesse, mas sim, para fazer minha mochila para a viagem em busca do arco.
Sentia-me realmente estranho. Eu, um semideus qualquer, que mal fora notado no acampamento desde que eu entrara ali, de uma hora para outra embarca em uma missão em busca de uma arma de um dos olimpianos. Que responsabilidade.
Começava a me julgar antes mesmo de sair das fronteiras protetoras. Eu conseguiria mesmo ter êxito em minha jornada? Teria alguma chance de essa profecia se dizer respeito a outro filho de Morfeu, perdido por aí? Meus pensamentos martelavam em rajadas de “sim” e “não”. No fundo de minha razão eu sabia adequar cada resposta para sua devida pergunta.
–Sua alto-estima é inspiradora! – era Thalia, na porta de meu chalé.
A olhei em um lance e logo voltei minha concentração para a mochila.
–Veio me julgar antes mesmo de sairmos em missão? Desse jeito não teremos êxito. – devolvi.
Ela trocou o peso do corpo de um pé para outro.
Peguei um celular-falso que ganhara de Quíron como arma. Quando chacoalhado, o objeto se transformava em um tacape de quase um metro de comprimento. Parecia pesado aos olhos de quem me via segurando, mas para mim, era uma arma perfeita.
O celular não funcionava e nem transmitia ou recebia sinais, portanto, não atrairia monstros.
Levantei e olhei para a caçadora que ainda estava parada na porta.
–Posso estar errado, mas, você tem algo para me contar não tem? – perguntei estudando seu rosto intacto.
Ela apontou para dentro de meu chalé, me perguntando silenciosamente se poderia entrar. Como resposta, voltei a me sentar.
Seus olhos vasculhavam cada canto do chalé de Morfeu. Quando viu o teto estrelado, um sorriso passou por seus lábios, ela parecia estar lembrando-se de algo, ou alguém.
A frente da minha cama estava um banquinho de madeira de três pernas, onde algumas revistas repousavam. As joguei no chão e ofereci o assento para Thalia.
Pensei tê-la visto excitar, mas quando ela se sentou, tal pensamento se dissipou.
–Não é nada de mais. Na verdade, pra mim é. – ela baixou o olhar para o assoalho de madeira que forrava o chão – Você e Nico são melhores amigos, certo?
Ajeitei-me na cama, tentando pensar aonde ela queria chegar. Não obtive sucesso.
Suspirei fundo e balancei a cabeça em afirmativa.
–Deve saber que como um filho de Hades, ele não deve guardar rancor. Acho que na verdade, ninguém deve guardar rancor, claro que para ele é uma coisa mais complexa, mas enfim... – ela gesticulou com a mão.
Minhas mãos estavam nos bolsos de meu casaco. É o lugar onde se sentem melhor quando estou nervoso.
Espere... Por que eu estava nervoso? Eu não queria admitir, mas eu sabia o motivo.
Não, não poderia ser... Aquilo soava tão... Errado!
Pisquei para despistar tais pensamentos.
–Não consigo entender aonde você quer chegar com isso. – falei.
Ela pareceu querer ficar irritada, mas para sorte de todos, a minha principalmente, ela se conteve.
–O que quero dizer é que, como teremos que cumprir a missão juntos, acho que o primeiro passo que deveríamos dar, era nos desculparmos. Ao menos tentar não brigar.
Em seus olhos azuis, eu via como dizer aquilo era difícil para ela. Pensei em ser irônico, mas cheguei à conclusão que seria melhor guardar para outra hora.
Apenas assenti.
Ela se levantou e caminhou para a saída.
–Devo ser sincera com você. Não fiz isso para que possamos ficar... amigos – ela pensou bem antes de dizer. – Fiz isso pela missão. Fiz por minha senhora, por Ártemis.
Ela falava de costas para mim. Sua cabeça estava de lado, ela me enxergava pelo canto dos olhos.
Queria ter dito algo, qualquer coisa, entretanto, as palavras simplesmente não saíram.
–Nos vemos daqui trinta minutos. Argos nos levará para fora do acampamento. Creio que você já escolheu quem vai levar. Até mais tarde DiMaster.
Com passou leves, aos poucos Thalia foi saindo do meu campo de visão.
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