P.O.V. Alice.

Mais uma vez sou forçada a descer pela toca do coelho branco. Desta vez para ajudar uma princesa a libertar um alguém que está preso dentro de um espelho.

—Você não me confrontou. Não duvidou da minha história.

—Eu caí por um buraco escuro depois de seguir um coelho usando um paletó e matei um jaguadarte com uma espada mágica. A mesma espada que vai libertar o seu amigo.

Chegamos á toca do coelho, demos as mãos e pulamos.

Depois da longa e interminável queda chegamos á salinha onde estavam as portas.

Ela tentou abri-las.

—Pare. A porta pela qual temos que passar é menor. Por isso vamos ter que beber o suco minimizador.

Fomos encolhidas e passamos pela porta. Novamente estávamos no imenso jardim e demos de cara com o Dodo, o Coelho Branco e os Tweedles.

—O que são vocês?

—Tweedles!

—Alice!

Eles me abraçaram e eu a eles.

—Quem é ela?

—Ela é a Princesa Liliana e está em busca da espada Vorpal.

—Veio em boa hora. Se ajudar a Rainha Branca levando embora para o seu mundo uma prisioneira ela pode lhe emprestar a espada.

—Tudo bem. Que assim seja.

—Venham conosco então.

Fomos levados ao palácio da Rainha Branca em Mármoreal.

—Alice. Bem vinda á Marmoreal novamente. Vejo que trouxe uma amiga.

—Essa é a Princesa Liliana filha da Rainha de Gelo.

—Majestade.

Ela prestou uma elegante reverência.

—Majestade, temos um pedido a lhe fazer. Precisamos que nos empreste a espada Vorpal. Precisamos dela para libertar uma pessoa que está presa por um feitiço maléfico.

—Essa espada é a última das sete espadas vorpais. Elas foram abençoadas pelas sacerdotisas virgens de sangue puro do mosteiro de Asheron. A magia delas é a única coisa que pode destruir definitivamente as forças das Trevas.

—Cuidaremos da espada. Você tem a minha palavra.

—Que assim seja. Me acompanhem.

A Rainha Branca nos conduziu até o calabouço onde estava uma menina deitada no chão com as costas machucadas.

—E os seus votos?

—Quem foi que lhe fez isso menina?

—Debelzach.

—O padre?

—Sim. Por favor, ajude-me.

—Tudo bem. Você será levada para um lugar bem longe daqui onde terá a oportunidade de começar de novo.

—Obrigado.

—Qual é vosso nome?

—Anna. Meu nome é Anna.

—Então vamos.

—Esperem. Temos que fornecer a ela um transporte adequado.

—Tudo bem. Quanto tempo até aprontar os cavalos?

—Vocês vão á cavalo, ela vai na carroça.

—Vamos.

O guarda a algemou.

—Isso é mesmo necessário? Esses grilhões parecem tão pesados e desconfortáveis. Ela está recebendo uma nova chance, devemos lhe dar um voto de confiança.

—Majestade?

—Tire essas coisas.

—Melhor não.

—Na carroça nós tiramos.

Fomos conduzidos até uma carroça que transporta prisioneiros. Anna foi jogada lá dentro.

—Não! Não devem tratar ninguém assim. Nem mesmo uma prisioneira.

—Obrigado. Você não é igual a ela.

—O que?

—A Rainha Vermelha. Você não é igual a ela. É gentil.

—Porque Iracebete pouparia você?

—Porque eu sou uma bruxa. Eu era forçada a trabalhar para ela.

—Lamento menina.

—Eu também.

Acompanhadas de um condutor de carruagem e um guia fomos levados de volta ao Jardim. Estávamos com a chave da porta, munidos de suco minimizador, altostrudel e roupas adequadas para o nosso tamanho normal.

Levamos cinco dias para chegarmos ao jardim e logo estávamos frente a frente com a porta.

—Eu só posso vir até aqui.

—Abre a porta da carroça.

—Com prazer. Sai.

O homem jogou Anna para fora.

—Pare! Você está bem?

—Estou. Já passei pior.

Nós bebemos o suco minimizador e atravessamos a porta. Indo direto e reto para a floresta, o mais estranho é fazer o caminho reverso do buraco do coelho. É vertiginoso.