– Estamos quase chegando! Aguente firme, certo? — gritou a mulher, que dirigia o carro com o maior cuidado possível.

– Se eu soubesse que essa mulher seria tão lerda, teria ligado pro SAMU. — reclamou Daniel, acariciando o rosto de Julie. Ela estava deitada no banco de trás do carro da coordenadora, com a cabeça sobre o colo dele.

Daniel passou alguns segundos olhando nos olhos de Julie, em silêncio absoluto.

– Que foi? — ela perguntou, sorrindo. Ele tinha aquele costume de olhar para ela daquele jeito estranhamente concentrado, às vezes.

– Depois dessa, eu prometo nunca mais irritar você. É sério.

A garota riu, o que fez com que sua cabeça doesse ainda mais.

– Não prometa o que não pode cumprir, Daniel. — ela brincou.

Daniel riu junto com ela, mas Julie percebeu que aquele olhar preocupado nunca abandonava a expressão dele.

– Ei, relaxa. Eu já disse que está tudo bem. — ela tentou tranquilizá-lo, lutando contra as próprias pálpebras, que insistiam em se fechar.

– Julie? Julie, você bateu a cabeça e precisa ficar acordada. Fique acordada, por favor. Vamos conversar. Continue falando. — ele pediu, aflito.

– Espero que dê tempo de ir ao show do Paul McCartney. — ela sussurrou, e Daniel não pôde evitar revirar os olhos.

– Eu não estou escutando isso. — ele murmurou para si mesmo.

No banco da frente, a coordenadora acelerava o carro, porque o estado de Julie parecia estar piorando. Afinal, pensou ela, a menina batera tão forte com a cabeça que estava até tendo conversas com um ser imaginário.