O Caça-Fantasmas
9 Não, não e... Sim
Notas iniciais
Leitoras lindas, creio que este seja o penúltimo capítulo :( Vou sentir saudades de postar pra vocês! haha
– Ah não, Julie, você não vai fazer isso. Pelo amor de Deus, olha só o seu estado! Você acabou de sair de uma cirurgia, está tomando medicamento na veia, e o médico foi bem claro quando disse que você precisa ficar em repouso. — argumentou Daniel, aflito.
Julie olhou para o tubo que estava fixado no braço dela por meio de uma agulha. Sem o menor aviso, ela arrancou o tubo da veia de uma forma brusca e rápida. Daniel gemeu ao ver aquilo.
– Pronto. Não estou mais tomando medicação. — disse Julie, sorrindo.
– Você enlouqueceu? — ele mal podia acreditar no que estava vendo.
– Aquele troço me irritava. E, além disso, era só morfina. Posso sobreviver sem ela.
– Julie, eu te proíbo de levantar dessa cama. — disse Daniel, no tom de voz mais firme que conseguiu.
Ela revirou os olhos.
– Qual é... Logo você, Daniel, tentando bancar o responsável? Não era você mesmo que dizia que nunca seguiu regras?
– É, e olha só o meu atual estado. — ele respondeu enfaticamente — Estou morto.
Julie não pôde conter uma risada. Ela começou a se mover para descer da cama e colocou-se de pé, sustentando o peso do corpo na perna direita.
– Pega pra mim, por favor? — ela pediu, apontando para as muletas que estavam encostadas no canto oposto da parede.
Daniel as entregou, a contragosto, enquanto repetia para si mesmo que não ia permitir que ela fugisse do hospital.
Com a ajuda das muletas, Julie pegou uma bolsa, foi até o banheiro e olhou para o próprio rosto no espelho.
– Credo. Estou parecendo o Frankenstein. — ela disse, fazendo uma careta, enquanto observava os pontos na testa.
Daniel ia recomeçar a dizer que não deixaria que ela fizesse aquela loucura, mas Julie se trancou no banheiro, ordenando que ele não tivesse a audácia de entrar lá dentro.
– Julie? — chamou Daniel, depois que ela ficou em silêncio por alguns minutos, lá dentro — Julie, você está bem?
Ela abriu a porta e Daniel olhou para ela, boquiaberto.
Julie tinha trocado a camisola do hospital por uma saia rodada preta e uma blusa que lhe caía muito bem. Enquanto se olhava no espelho, ela passou um brilho labial e ajeitou mais uma vez os cabelos castanhos.
- Eu não estou acreditando nisso. Isso não está acontecendo. — murmurou Daniel, ao ver que ela parecia completamente obstinada em ir ao show.
– E aí? Que tal? Estou pronta. — ela disse, radiante.
Daniel queria reafirmar que ela não ia à lugar nenhum, mas acabou se desconcentrando e em vez disso disse que ela estava linda.
– Obrigada. — disse ela, sorrindo — Então, Daniel, o plano é o seguinte...
– Julie. — ele se aproximou e colocou as duas mãos no rosto dela, obrigando-a a olhar nos olhos dele.
– Por favor. Fique aqui. Você não está em condições de sair do hospital. Hoje, quando eu vi você deitada no chão do colégio, sangrando... Foi a pior cena que eu já vi. Com certeza, hoje foi o pior dia da minha morte, então...
– O dia ainda não acabou. — ela interrompeu — Dá tempo de mudar isso.
– Eu não vou deixar você correr o risco de se machucar mais. Você precisa descansar.
- Por favor, Daniel. Eu não consigo fugir daqui sem você. — ela pediu novamente.
– Ah não, Julie, assim não vale. Você está fazendo aquilo de novo. — reclamou Daniel.
– Fazendo o quê?
– Olhando pra mim desse jeito, com esses olhos... Lindos... E... Brilhantes...
Ela sorriu de uma forma que ele achou encantadora, e aquele sorriso pareceu ter iluminado ainda mais os olhos dela.
– Por favor? — ela pediu novamente, sorrindo porque sabia que ele ia acabar cedendo.
Daniel estava perdido naquele olhar, e soube que não ia conseguir dizer não. Depois de alguns segundos de silêncio, ele revirou os olhos, respirou fundo e perdeu a batalha:
– Tá bem. Mas fique sabendo que é golpe baixo tentar me subornar fazendo essa sua carinha fofa.
Fale com o autor