O Caso Nishigawa
3 Última ponta do triângulo
Notas iniciais
Boa leitura o/
O ano era 2005, o jovem Kenni Matsuda recebeu a notícia que mudaria de país e iria à terra natal dos pais. Com sua descendência nipônica, era fluente no idioma japonês e não teria problemas para comunicar-se no novo país que moraria.
Por causa de problemas financeiros, os Matsuda tiveram que voltar ao Japão, após a notícia dada ao filho, não fora 2 meses e estavam pisando em terras orientais. Ficaram na casa dos avós paterno do garoto, já que sua mãe perdera os progenitores muito cedo. Apenas permaneciam na casa dos anfitriões se pagassem as contas dos mais velhos. No começo deram tempo aos pais de Kenni para procurarem emprego e estabilizarem-se, logo após isto, teria que seguir com o acordo feito.
Com toda a mudança feita na vida do jovem britânico, em uma semana estava na nova escola, na nova sala, com novos colegas de colégio. Todos o olhavam estranhamente para o garoto que possuía uma cicatriz no rosto, não muito grande, mas também não muito pequena. Porém, visível mesmo ele tentando escondê-la.
Não era de ter muitas amizades, pois achava melhor deste jeito. Seus únicos amigos na Inglaterra eram Paul e Freddy, com quem mantinha amizade há mais de seis anos. Não via propósito de ter mais amigos além dos dois, ainda mais agora, recomeçando tudo.
Para uma criança de 10 anos seria natural iniciar varias amizades em um lugar diferente, entretanto, isso não era conveniente ao Kenni. Ele tinha vergonha de se expor, sabendo que todas as pessoas a sua volta eram curiosas para saber como ele adquirira aquela cicatriz no lado esquerdo do rosto. E por isso mantinha seu vinculo de amizade restringido a Paul e Freddy.
No Japão, passou oito anos na mesma escola; na mesma sala; com as mesmas pessoas, mas por ser conhecido como o ‘Ice Boy’, os colegas de classe o temiam e caso precisassem de sua ajuda, hesitavam muito e pensavam o dobro antes de pedir ajuda a ele. Diferentemente de como pensavam sobre Kenni não era ‘Frio’, gostava de conversar, porém tinha vergonha de comunicar-se.
Tinha cabelos compridos até os ombros, justamente para esconder sua marca. Era difícil vê-lo com o cabelo preso, uma ou duas vezes ele aparecera no colégio com um rabo de cavalo por causa do calor que fazia.
Em todos os anos que estudara no colégio Seisoku, sentara no fundo da classe, perto da janela, atrás de um garoto muito popular na classe, Matt Nishigawa, dito como estudante exemplar, sempre o primeiro da turma e muito prestativo. Kenni tinha inveja do garoto que sentava a sua frente, sempre com pessoas a sua volta; rindo; tirando notas altas, já Matsuda, era o garoto excluído da sala, pelos motivos já ditos.
Por ironia do destino, Kenni era bom em matemática e era parceiro de Matt nas aulas da disciplina. Além de Matt, o ‘Garoto Frio’ conversava com mais três garotos da classe, mas não era muita coisa. Em todo esse tempo no país, Kenni teve sua primeira paixão de colégio, Ayumi Akira, porém sabia que a garota amava seu parceiro de Matemática. Com isso, ficou reprimindo esse amor por anos, sem ao menos trocar palavras com ela. Era um admirador secreto a distância, até a morte de Nishigawa.
“- Hey! Você é Ayumi, não?”
Com essa frase e fingindo de desentendido, iniciou a conversa com a garota, não se arrependera da atitude que teve, estava no último ano de colégio e quem lhe impedira de aproximar-se dela tinha morrido. E por que não fazer isso?
Na sala de aula, Ayumi sentou ao seu lado durante todo o dia e conversaram descontraidamente, nunca foi tão estranho e leve conversar com alguém, ainda mais que se ama secretamente durante muitos anos.
Olhava em seus olhos e percebeu sua preocupação e tristeza com o acontecido. Não queria vê-la triste e cabisbaixa, por isso resolveu ajudá-la a investigar a morte.
Com os dias passando seus pais viram que o filho estava feliz e indo de cabelo preso para a escola, primeiramente acharam impactante o sorriso em seus lábios e o “novo visual” do garoto. Como pais, acharam que tinha arranjado uma namorada, por causa das ligações de uma menina que tinha recebido e a energia positiva que transmitia.
— Filho, o que houve? – sua mãe perguntou.
O garoto a olhou espantado pela pergunta feita tão inesperadamente e pensou antes de dizer algo, mas não tinha o que dizer para a mulher. Então apenas balbuciou alguma coisa e saiu do lugar o mais rápido possível. Como toda mãe tinha um radar que sabe o que os filhos estão tramando ou passando, deixou-o ir, não queria estragar toda essa alegria que ele não tinha há tanto tempo.
Como tinha saído muito cedo de sua casa, resolveu ir mais depressa ao colégio e ficar na biblioteca estudando para a prova que teria no dia. Parecia que o tempo não passava e não tinha mais interesse no livro que estava aberto, foliava as páginas olhando as figuras que aparecia e suspirava fundo com o tédio que o possuía. Até que ouviu passos no lugar, além dele e da bibliotecária, não havia mais ninguém no local. Uma sombra corria na parede e indicava que a pessoa estava no outro corredor da biblioteca. Eram passos leves, dava para saber que o dono dos passos estava procurando por algum livro.
Entre os livros organizados nas estantes, dava para ver o topo da cabeça do estudante e uma voz feminina pronunciava “Biologia, biologia...” com o tom aveludado Kenni soube quem era. A dona da voz mais doce de toda a escola: Ayumi.
Foi andando na mesma velocidade dos passos dela até que os dois encontrassem-se propositalmente. Kenni esbarrou “acidentalmente” na colega que cai com vários livros nas mãos. Os objetos ficaram espalhados no chão.
— Ai... – gemeu a garota caída.
— Ayumi, me desculpa... Como eu sou distraído e atrapalhado. – tentava levantá-la. – Você está bem? Consegue abrir os olhos?
— Kenni?! – assustou-se e abriu os olhos rapidamente.
— Ainda bem que está bem. Olá! Bom dia e desculpa por isso.
— Não foi nada, acidentes acontecem. – sentou-se no chão e pôs a mão na cabeça.
— Sua cabeça está doendo? – apontou para onde Ayumi tentava estancar a dor.
Com um aceno positivo, a menina se levantou e desiquilibrou-se momentaneamente.
— Nos encontramos na sala. – a garota saiu da biblioteca.
— Tudo bem então e desculpa novamente! – gritou.
Ao virar para pegar seu material e seguir rumo à sala de aula, uma mulher um pouco mais baixa que si, magra, com óculos e voz esganiçada o encarou furiosamente, parecia que fogos saiam de seus olhos.
— Bom dia, Senhora Yamada.
— Não grite na biblioteca. – foi o que disse e voltou para seu lugar de costume.
— Ai... Desculpa. – andou até a mesa que estava seu material escolar.
— Aonde pensa que vai? Pode voltando e pegando esses livros no chão e coloque-os nas prateleiras.
— Argh, tudo bem... – pegou os livros e pôs em seus lugares originais, apenas muito tempo depois, pode sair da silenciosa biblioteca.
Ao acabar de arrumá-los, partiu para seu destino. Ao olhar para o relógio, seu coração bateu mais rápido, estava atrasado para a aula. Passou pelos corredores correndo até chegar à porta da sala de aula, onde o professor estava explicando a matéria do dia.
Bateu na porta e pediu para entrar na sala, com o olhar de reprovação do tutor entrou quieto. Era realmente uma surpresa ver o jovem Kenni chegando atrasado à aula, ainda mais ele que sempre era o primeiro a estar na sala e nunca faltava.
Ao sentar-se, não viu Ayumi que dissera que ia à sala, perguntou aos outros se haviam visto a garota pela escola, mas ouviu respostas negativas de todos eles. Então o que poderia fazer agora, era prestar atenção na explicação do professor e procurá-la mais tarde.
Notas finais
Até o próximo capítulo o/
Fale com o autor