O Caso Da Boemia

14 Capítulo 14 - A Caminho de Londres: parte 1


Notas iniciais
Oi e aqui está mais um capítulo. Em breve chegaremos ao final da história e estou pensando em escrever uma segunda temporada. Mandem suas opiniões sobre o assunto. Aproveitem!

Damian levou-os até uma floresta que fica perto de uma pequena cidade que era próximo da fronteira entre Espanha e França. Sherlock achou que seria um ótimo lugar para ficarem naquela noite e assim os cavalos descansariam, antes de chegarem a Toulouse. Watson aproveitou essa parada para terminar de cuidar dos machucados de Irene dentro da carruagem.

Sherlock andava de um lado para o outro, com seu cachimbo na boca, pensativo, enquanto Sophie limpava o corte no braço de Damian com um produto, dado pelo Doutor, que estava deixando seu estômago revirado por causa do forte odor mais o cheiro do sangue. Sentia que iria vomitar a qualquer momento.

-Você está bem? Está um pouco pálida. – falou Damian olhando para o rosto esbranquiçado de Sophie.

-Não é nada. Só estou um pouco enjoada, não precisa se preocupar. – disse Sophie que respirava irregularmente.

-Parece que você vai vomitar a qualquer momento.

-É melhor você parar se não eu vou mesmo. – disse ela friamente.

Damian não disse mais nenhuma palavra, o que não ajudou Sophie, pois o odor do produto e do sangue deixava-a cada vez mais enjoada.

“Talvez se eu conversar, esse maldito enjôo passe.”, pensou a jovem.

-Eu preciso conversar.

Damian estranhou.

-E sobre o quê exatamente?

-Qualquer coisa.

-Está bem. – falou ele pensativo e escolhendo cuidadosamente um tema. – Então, quando você vai conversar com sua mãe?

-Depois que o Dr. Watson terminar de cuidar dos ferimentos dos pulsos e dos tornozelos dela, mas eu estou um pouco nervosa.

-Por quê? É só sua mãe.

-Eu sei disso, mas só que eu não sei o que direi a ela.

-Por que não diz “senti muito sua falta nos últimos meses, você é muito importante para mim, eu tenho um namorado e etc.”?

Antes de Sophie responder, Watson saiu da carruagem e andou em sua direção.

-Sophie sua mãe quer conversar com você. Deixe que eu termine de limpar o braço de Damian.

Sophie já começava a andar quando foi impedida por Sherlock Holmes.

-Espere. Eu vou conversar com ela primeiro.

-O quê? Ela disse que quer conversar comigo primeiro e isso o senhor não pode impedir. – falou ela.

-Você irá conversar com ela depois de mim. Estamos entendidos? – perguntou Holmes fitando os profundos olhos azuis de Sophie, iguais aos seus.

-Sim senhor. – disse Sophie entre dentes, não conseguindo conter a raiva.

***

A pessoa que entrou na cabine não era quem Irene gostaria de ver no momento.

-Eu me lembro de ter pedido ao Doutor que chamasse Sophie e não Sherlock.

Sherlock sentou-se de um modo no qual pudesse ficar de frente a única mulher que conseguia mexer com seus sentimentos.

-Ela não falará com você até me esclarecer algumas indagações.

-E quais são elas?

Sherlock observava-a atentamente.

-Parece que está com pressa.

-Eu quero conversar com minha filha e você não pode impedi-la e nem a mim.

Ele ainda a observava.

“Quer apostar?”, pensou ele.

-Você tem razão em um ponto: Eu não posso te impedir, mas posso impedir, ou melhor, ainda, posso proibir Sophie de tentar se aproximar de você.

Irene não acreditava no que estava escutando.

-Você não pode fazer isso. Ela é minha filha e eu tenho meus direitos!

-Errado. Você tinha seus direitos, que foi perdido depois da sua “morte”. Eu sou o pai e o responsável por ela graças a você que deixou a guarda dela comigo, até ela atingir a maioridade, que só será daqui a dois anos e seis meses, quando completará 18 anos.

Irene queria poder dizer que Sherlock estava errado, porém ele tinha razão.

-Sherlock, eu sei que perdi meus direitos, mas Sophie é minha filha e eu quero muito falar com ela e eu sei que ela quer falar comigo.

Sherlock começou a sentir pena de Irene, mas não demonstrou e continuou focado nas próximas palavras que diria em seguida.

-Irene, por acaso você tem alguma ideia do quanto Sophie sofreu nos últimos cinco meses? Ela está morando comigo há um mês, mas pelo que eu percebi e observei, ela chora quase todas as noites, tem pesadelos, algumas vezes ela não consegue dormir direito. Isso tudo por sua causa, ou melhor, dizendo, por causa da sua “morte”.

As palavras frias de Sherlock atingiram Irene como o vento frio de Nova Jersey, sua cidade natal e uma bala de um revolver no seu coração.

-Não Sherlock, eu fazia ideia do tamanho do sofrimento que causei a ela, mas eu quero que você saiba que eu nunca deixei de pensar em Sophie, nem por um segundo se quer. – disse Irene com a voz embargada – Era para eu realmente estar morta por causa do veneno de Moriarty, mas o irmão daquela jovem me salvou. Ele me deu o antídoto do veneno a tempo, mas eu estava desacordada e eu acordei naquela cela, presa e com aquela jovem ruiva me contando o que acontecera comigo e que eu jamais sairia da prisão. E que eu era a isca para que Sophie viesse atrás dela. Por isso que eu não queria que ela soubesse que eu estava viva.

Sherlock olhou bem no fundo nos olhos escuros daquela mulher que ele tanto admirava e viu que ela estava dizendo a verdade.

-Entendo. – falou levantando-se para sair, mas antes a olhou novamente. – Você conversará com Sophie quando estivermos em um barco a caminho de Londres. Então até esse momento, vou me certificar de que nenhuma das duas chegue perto uma da outra. Conversarei com ela antes. – disse saindo da carruagem.

***

-Posso conversar com ela agora? – perguntou Sophie.

Sherlock olhou nos olhos da jovem e disse:

-Pode sim, mas só quando estivermos em um barco a caminho de Londres. Então até lá, vocês não chegarão perto uma da outra, pois conversarei com você antes. Estamos entendidos?

-Sim senhor. – respondeu ela desapontada.

Watson terminava de enfaixar o braço de Damian, quando Sherlock perguntou:

-Damian você pode guiar a carruagem?

O jovem não pode responder, pois Watson falou primeiro:

-Ele não pode Holmes. O corte em seu braço foi um pouco profundo e se ele for tentar fazer qualquer movimento brusco, seu ferimento abrirá e sangrará. Eu o ajudarei a guiar...

-Não será necessária sua ajuda Watson, pois Sophie o ajudará. Tudo bem para você Damian?

Sophie não gostou da ideia de ajudar Damian e olhou suplicante para que o jovem preferisse Watson, mas ele respondeu:

-Sim senhor, não tem problema.

A resposta de Damian deixou Sophie muito zangada. Se ela não amasse o jovem, com certeza o jogaria para fora da carruagem enquanto estivesse em movimento.

-Ótimo. A caminho de Toulouse.

***

Eles chegaram a Toulouse cedo e a viagem havia sido tranquila, apenas tiveram que comprar as passagens de trem para Paris e roupas para Irene. Por ordens de Holmes, Sophie não pôde acompanhar sua mãe nas compras e teve que ir comprar as passagens junto de Damian e John. Tiveram sorte, pois o próximo trem para Paris partiria em 30 minutos.

-Doutor, eu vou avisar ao Sr. Holmes que nosso trem parte em 30 minutos. – disse Damian, afastando-se de Sophie e Watson.

A viagem dentro do trem levaria dois dias e eles têm que estar em Londres em cinco dias. Faltavam quatro dias.

Dentro do trem, Sophie sentou-se do lado esquerdo e no fundo do vagão, longe de Irene, que estava sentada um pouco mais a frente e ao lado direito. Ela queria sentar-se ao lado de Irene, conversar, abraçar, dizer que sentiu muita sua falta, mas também não queria desobedecer a seu pai. Sentia-se dividida entre Irene e Sherlock.

“Eu quero tanto conversar com ela, mas eu não quero desobedecer ele. O que eu faço? Detesto ter dúvida.”, pensou ela.

-Olá, posso me sentar ao seu lado? Afinal somos “quase” namorados.

Sophie revirou os olhos e riu da expressão no rosto do jovem de cabelos loiros escuros de olhos verdes.

-“Quase”? Pelo que eu me lembro você não me pediu em namoro e muito menos a permissão ao meu pai, querido.

Damian riu e sentou-se ao lado dela.

-Ele ainda não deixou você conversar com ela?

Seu olhar entristeceu.

-Ainda não. Ele acha melhor nós conversarmos antes.

-Por que será?

Sophie olhou a paisagem que passava e respondeu:

-Eu não faço ideia.

-E quando vocês vão conversar?

-Segundo ele, quando estivermos a caminho de Boulogne, que será depois de amanhã.

-Porque depois de amanhã?

-Porque um trem de Paris para Boulogne são 18 horas de viagem.

No dia seguinte, Sophie e Damian sentaram-se juntos novamente e ficaram conversando sobre o caso e outros assuntos até chegarem ao seu destino: Paris.

Agora faltavam dois dias.

Notas finais
O que vocês acharam?
Mandem seus reviews e suas respostas!
Beijos e até o próximo capítulo!