Notas iniciais
Boa leitura. :)

"Era uma vez um pequeno sonho..."

Aos domingos todo o comércio fechava bem mais cedo que o de costume, e com os restaurantes não seria diferente. Meiko começou a fachar as portas do estabelecimento logo após o horário de almoço. Não somente pelo final de semana, mas também por ser um dia especial. Haveria uma festa de três ano de casamento de uma conhecida e, como uma boa festeira, ela não perderia por nada. Mais um motivo que a "obrigava" ir era o marido dessa tal conhecida. Meiko não podia ser considerada alguém de total confiança: sua língua afiada era capaz de perfurar uma rocha em alguns botes e seu maior hobby era roubar namorados alheios. O engraçado é que mesmo trazendo toda falsidade nas costas, as outras pessoas faziam de tudo para agrada-la. Principalmente Luka, a garçonete do restaurante.

– Meiko você vai a festa? Eu e Gumo vamos e gostaríamos de saber se quer ficar lá conosco. Provavelmente Lily estará bem ocupada sendo gentil com os demais convidados.

– Não deixa de ser uma boa. Não estou nem um pouco afim de passar a festa toda só enchendo a cara em um canto qualquer da sala.

– Maravilha! Nos encontramos lá então.

Luka se despedia com beijo na bochecha de sua chefe e saía as pressas para o terminal antes que seu ônibus a deixasse lá. Enquanto isso a morena acompanhava a partida com os olhos, só imaginando como aquela noite seria proveitosa. Se tiver sorte, pegaria dois em uma mesma festa: Gakupo, marido de Lily e Gumo, namorado Luka qual ainda não teria "saboreado". Quando a Gakupo, já havia se servido por diversas vezes antes e após o casamento, porem ele um dia a mandou embora muito irritado certa vez dizendo não querer mais conviver com isso e que contaria tudo para Lily. Até hoje era um mistério para Meiko como os dois não tinham se divorciado ou o motivo por ter sido convidada pra festa.

Chegando em casa se apressou em tomar um banho de meia hora, demorando mais meia para escolher uma roupa boa para ocasião e mais uma pequena eternidade em sapatos que combinassem. Quando conseguiu optar por uma regata vermelha, calças jeans nova cheia de detalhes e sapatos com salto também vermelhos com lantejoulas, apanhou sua bolsa de mão da mesma cor que suportava somente uma carteira, kit básico de maquiagem e um canivete – a festa deveria terminar tarde da noite e como voltaria a pé não custava nada prevenir.

Por sua sorte a casa de Lily não eram mais de quatro quarteirões. Chegando em frente a porta já podia se ouvir a musica alta e os bochichos lá de dentro. Antes mesmo de bater, a porta era aberta pela dona da casa que abraçou fortemente a convidada.

– Meikooooo! Que alegria em tê-la aqui! Pensei que não viria. Quando Luka me confirmou isso me senti tão feliz.

Ela parecia tão bonita e alegre. Os longos cabelos loiros escorriam soltos pelos ombros. Vestia um vestido azul-turquesa muito simples que caía excepcionalmente bem em seu corpo, com os pés descalços. Meiko não compreendia o motivo da falta de sapatos, mas a loira sempre foi mesmo motivo de deboche por sua... "loucura".

– Fico feliz por tudo ter terminado bem. Imaginei que estivesse furiosa.

– Eu? Desde quando carrego rancor? São águas passadas. Entre. Divirta-se. Luka e Gumo estão a sua espera no hall.

A decoração dentro da residência era mais simples que o vestido azul de Lily. Haviam alguns enfeites nas paredes, bexigas no chão e nada mais. Uma enorme mesa no canto da sala cheio de petiscos e bebidas, tudo bem caseiro trazendo um charme especial.

Não demorou muito para se encontrar com os dois colegas. Luka vestia um vestido preto enquanto Gumo. muito despojado, se encontrava jogado no sofá, segurando um enorme copo de plastico vermelho com cerveja pela metade.

– Esta lindíssima. – Dizia Luka cumprimentando-a com seu habitual beijo no rosto.

- Vocês também estão muito bem.

Gumo apenas balançou a cabeça e mais nada. Meiko sabia muito bem o que o rapaz pensava dela. Ele e Gakupo eram amigos e infância. Eles devem ter conversado muito sobre o passado dela e dele.

Um "Luka, Luka, Luka, Luka..." se aproximava afobadamente até o hall. Era uma amiga que a chamava ansiosa para mostrar algo que Meiko e Gumo ficaram sem saber do que se tratava. A garota pediu licença e saiu correndo com a menina, deixando os dois sozinhos.

Depois de alguns minutos o rapaz pigarreava, sentando-se de frente à Meiko no sofá.

– E então... Quando pretende dar o bote?

– Hum?

– Eu conheço um lugar interessante daqui. Eu e Lily já fomos lá várias vezes sozinhos se é que me entende.

Os dois subiram as escadas da casa, sorrateiros, tomando cuidado para nenhum conhecido os verem. Um pouco distante da porta do banheiro existia outra porta onde guardavam os casacos, guarda-chuvas e algumas outras coisas. Era bem apetado, mas os dois conseguiram se enfiar no meio de toda aquela tranqueirada. Meiko laçava os braços entorno do pescoço de Gumo enquanto o beijava ferozmente. O rapaz empurrava a garota para a parede, fazendo com que algumas caixas caíssem da prateleira. Um calor subia pelas pernas da garota fazendo-a encaixar o meio das penas na cintura dele, ficando suspensa entre a parede e seu corpo. Quando ela ia começar tirar a camisa, ele parou o beijo bruscamente.

– O que foi?

– Você deveria ganhar um premio de vadia do século, Meiko.

– Como?

Um estrondo. A porta era escancarada e, antes que pudesse se defender, uma enorme bacia de água gelada foi jogada contra ela por Gakupo e Lily que gritavam "surpresa" junto ao resto do publico. Gumo gargalhava. Todo os outros também enquanto a xingavam de nomes absurdos. Meiko, sem reação alguma, via tudo aquilo como um pesadelo; sentiu seu corpo todo esquentar pela vergonha, a visão girava e os xingamentos se tornaram chiados agressivos aos ouvidos. Sem saber mais o que fazer, saiu correndo de lá o mais rápido possível, abrindo espaço entre as pessoas.

As lágrimas escorriam uma atrás da outra e apesar de toda a vergonha e ódio que sentia, aquela brisa gélida da madrugada fazia com que seu coração acalmasse um pouco. As arvores do bosque dançavam lentamente e nada mais além delas havia lá. Bom, pelo menos era isso que Meiko pensava.

– Meiko?

O coração dela saltou quase para fora da boca.

– Quem é?

- Meiko, Meiko, Meiko... Tsc, tsc, tsc... Tão bonita e tão podre. Você me da vontade de vomitar.

– QUEM É? – O desespero voltava tomar conta, porem, sem poder ver quem estava a torturando daquela maneira parecia muito pior. – ME DEIXE EM PAZ! POR FAVOR!

– Deixe-me em paz, Meiko.

Algo frio encostava de leve em sua nunca fazendo com que gritasse com toda a força nos pulmões. Virou-se em um salto, mas não havia ninguém lá. Remexeu a bolsa de mão em busca do canivete qual manteve em frente ao corpo, pronto para atacar o que é que fosse. Mas, antes que pudesse se defender, um forte baque acertava suas costas como um soco fazendo com que soltasse a arma e saísse de bruços no chão. Algo subiu por cima de suas costas a agarrou-lhe o pescoço apertando até que à sufocasse.

– Agora sua existência não ira incomodar mais ninguém.

♯♯♯

A manhã tinha sido coberta por neblina e o frio permanecia igual ao da noite anterior. Jenny passava as mãos pelos próprios braços para se aquecer. Percebendo a namorada com frio, o rapaz retirava o casaco, cobrindo as costas da garota que o beijava.

O casal apaixonado decidia passear de mãos dada pelo bosque da cidade e talvez bater algumas fotos do local, porem se depararam no meio do caminho um rastro de sangue que seguia para o fundo do boque. Temerosos com o que poderiam encontrar decidiriam saciar a curiosidade seguindo a trilha. O grito da menina chegou a espantar as aves quando encontraram Meiko morta. Seu corpo havia sido esquartejada, e seus membros foram empalados nos galhos da árvore principal.

Não demorou tanto até a polícia chegar ao local. Fizeram tudo que podiam para encontrar pistas de quem teria cometido tal brutalidade, porem, a única pista estava muito bem escondida no topo da árvore onde se encontrava a cabeça da garota. O assassino escondeu dentro da boca uma carta de baralho: um Valete de Espadas escrito Alice com sangue da vitima.

Notas finais
Sinceramente? Não me senti completamente satisfeita com essa Fanfic, mas espero que vocês gostem e não desistam de mim. Haha
Prometo que o segundo capítulo sera BEM melhor.
Obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.