O Casamento do Meu Melhor Amigo
4 Capítulo 4 - Noite da vodka.
Notas iniciais
A noite anterior tinha sido muito divertida. Nós rimos muito, cantamos juntas, bebemos, conversamos, enfim, foi uma noite muito proveitosa.
Mas a bebida também traz conseqüências...Acordei com um zumbido ao meu lado. Eu abri os olhos lentamente pra saber de onde vinha o tal do zumbido, ainda estava com muito sono. Sabe quando você acorda e abre os olhos e sente eles pesarem? Pois é, eu estava desse jeito e também com uma baita dor de cabeça. Ao abrir os olhos, tive uma visão embaçada que com o tempo foi ficando nítida e então me deparei com o Gerard sentado na minha cama brincando de aviãozinho com um chaveiro na mão.
K: ah, é você? – perguntei voltando a dormir. Foi então que meu cérebro voltou a funcionar e me liguei que GERARD estava na minha cama. — o que está fazendo aqui? – disse dando um pulo da cama.
G: não sabia que babava tanto quando dormia. Acho que foi isso que fez o Mikey não querer ficar com você.
K: você não me respondeu. O que está fazendo aqui? Como entrou?
G: o cara lá embaixo, o porteiro, me deu uma cópia da chave.
K: quem ordenou?
G: ele me conhece, me vê com você sempre. Disse que queria te fazer uma surpresa..
K: Não estou acreditando nisso. – disse esfregando meu rosto com as mãos e me levantando. – ok, vou tentar de novo. O que está fazendo...melhor, o que você quer essa hora tão cedo?
G: cedo? Uma hora da tarde agora é cedo pra você?
K: mentira. – abri a gaveta do criado mudo e vi o despertador que marcava
quinze pras uma. – nossa como eu dormi.
G: a noite foi boa. – disse sarcástico.
K: bebi demais.
G: com quem?
K: com a Michelle, sua cunhada.
G: o que? Me conta isso direito. – eu me sentei na cama e coloquei o travesseiro no meu colo.
K: é...eu me demiti ontem e saímos pra beber. Acho que ficou com pena por eu ter perdido o emprego e quis me alegrar.
G: e como foi?
K: ah...até que foi bom. Conversamos, bebemos, cantamos..
G: num karaokê?
K: não, com a música que tocava no bar mesmo.
G: estavam bêbadas?
K: um pouco.
G: essa eu queria ver. – disse morrendo de rir.
K: ela é legal.
G: o que? – disse ele fazendo cara de desentendido. – repete por favor que acho que não ouvi. – eu comecei a rir da cara que ele fazia.
K: ela é legal. – repeti a frase.
G: como?
K: é foi isso que eu disse, eu a acho legal. Pronto. – gritei.
G: não to acreditando...ainda está bêbada.
K: para de palhaçada Gerard. Ontem eu pude conhece-la melhor e achei ela bem legal. Foi isso.
G: vai desistir do Mikey então?
K: peraí, ela ser legal não quer dizer que eu tenha que desistir de algo que é meu.
G: algo que é seu?
K: ta...quase. – o telefone tocou e quando atendi era Michelle pra me perguntar se eu estava bem e que ela estava com enxaqueca e também queria marcar uma outra saída dessas.
G: quem era? Uma amiga? – perguntou quando desliguei o telefone.
K: era a Michelle.
G: como é que é? Jurava que fosse uma amiga de infância. Pelo modo como falava no telefone...
K: pára Gerard.
G: o que ela queria?
K: perguntar se eu também estava com enxaqueca. Também queria marcar mais uma noitada de cerveja.
G: e você topou?
K: seria legal. Ontem foi divertido.
G: não percebe?
K: o que?
G: essa é sua chance. Você conseguiu, são quase amigas. O plano está dando certo.
K: pior que é mesmo. – nem tinha me dado conta disso. Tinha me esquecido do meu plano infalível. — O que pretende que eu faça?
G: tente arrancar algo significante para o término do namoro deles.
K: boa.
G: é, você é mais esperta do que eu pensava. e eu pensando que não conseguiria e pelo contrário, sem minha ajuda você já fez amizade com ela e ta quase lá.
K: eu te disse que conseguiria.
G: Agora me responde uma coisa, por que se demitiu?
K: uma longa história, você não vai acreditar... – e contei tudo à ele, desde o homem baleado até o velhinho e sua evacuação. Ele morreu de rir da minha cara como sempre.
De noite fui me encontrar no mesmo Pub com a Michelle. Quando cheguei ela já me esperava sentada à uma das mesas. Me sentei e ela chamou o garçom e pediu duas vodkas.
K: beber? De novo?
Mi: só pra não perder o costume. – disse ela rindo.
K: nem me recuperei da noite de ontem ainda.
Mi: preciso de um copo desses, hoje o dia foi estressante. – e ela fez cara de cansada.
K: o que aconteceu?
Mi: ah, umas coisas aí...
K: fala. Pode me contar tudo.
Mi: é o mikey...
K: o mikey? O que tem ele?
Mi: ah, é que...ta bom, vou te contar. Nós discutimos hoje.
K: por que? Vocês se dão tão bem. – aquilo me fez subir uma alegria em
meu interior.
Mi: por causa do meu pai. Meu pai é um cara muito chato, ele não gosta dessa coisa de cantorzinho de música, bandas de rock...tudo pra ele não presta.
K: coisa de pai...todos são iguais.
Mi: É, mas ele me pediu uma coisa e eu não queria nem tocar nesse assunto com o Mikey, mas fui obrigada e nossa! Nós discutimos feio.
K: o que foi que você falou pra ele?
Mi: eu ofendi a banda dele. Disse que não dava futuro. – disse quase que cochichando como se não quisesse que ninguém ouvisse.
K: uow! Você não devia ter dito isso. Mikey é louco pela banda.
Mi: é eu percebi isso. Tarde demais...estava maluca quando disse aquilo, meu pai me deixou daquele jeito. Nunca ia dar certo. – enfim a vodka chegou e ela engoliu tudo de uma vez só e pediu outra imediatamente.
K: vai com calma.
Mi: eu não presto. Sou uma péssima noiva. O que eu estava pensando? Mikey nunca iria querer trabalhar com meu pai na contabilidade da empresa dele. Mikey odeia isso, como pude ser tão burra? Ele ama o que faz...
K: calma Michelle. Vai dar tudo certo, você não fez por mal.
Mi: acho que acabou Karen. Não terá mais casamento...
K: nossa mas isso é fan...é tão doloroso. – forcei tristeza no rosto.
Mi: eu sei o quanto você queria ser madrinha de casamento do seu amigo, e da sua amiga claro por que somos amigas agora, mas acho que não será possível. Me desculpa.
K: não, que isso. Faça o que for melhor. Eu não vou esquentar com isso. Apoiarei você em tudo.
Mi: está sendo uma grande amiga pra mim sabia? Você me considera sua amiga também?
K: lógico. Sou sua amiga, exatamente isso.
M: ai Karen… — e ela se debruçou na mesa chorando alto, fazendo todos em volta nos olharem.
K: Michelle, levanta. Para com isso. Michelle! Estão todos olhando pra cá.
Foi quando ouvi uma voz conhecida chamando por ela. Ela levantou o rosto todo cheio de lágrimas olhando pra tal pessoa. Quando me virei meu coração só faltou sair pela boca. Era o Mikey. Ele veio até nossa mesa e me cumprimentou rápido e se ajoelhou próximo a michelle pegando na mão dela. Imagina a minha cara vendo aquela cena? Lindo não? Não, péssimo!
Mi: Mikey! – dizia ainda em soluços.
M: vamos conversar.
Mi: eu fui uma idiota.
M: lá fora. – disse ele se levantando. Os dois se retiraram e eu dei um sorriso forçado olhando pros dois como se estivesse feliz com a reconciliação.
Fiquei sozinha na mesa por vários minutos me entupindo de vodka. Até a dela eu bebi. É...sozinha novamente. Minutos depois os dois voltaram sorridentes e abraçados. Pararam na minha frente com sorrisos maior que a boca. Eu fiquei sem entender os olhando espantada. Foi quando me toquei o que eles esperavam.
K: que bom que voltaram! – disse dando gargalhadas. – nossa eu estou tão feliz!
É, e foi assim que terminou minha noite. Fomos embora logo após esse episódio. Mikey a deixou em casa e ficaram aos beijos encostados no carro já que ele se ofereceu me levar em casa e eu tive que aguardar dentro do carro.
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