Notas iniciais
Olá, meus amores! Chegamos ao dia do casamento! Depois de anos de silêncio, medo e oportunidades perdidas, Edward finalmente encontrou coragem para lutar pelo amor da sua vida. O problema é que coragem não faz o tempo voltar. Agora o relógio está correndo, os convidados já estão chegando, o noivo está esperando no altar e duas pessoas apaixonadas precisam decidir se o amor delas é forte o suficiente para mudar o próprio destino. Preparem os lencinhos. Acho que vocês vão precisar deles. 🥹💙

# CAPÍTULO 4: O BILHETE SÓ DE IDA

O silêncio de um apartamento vazio após uma noite de amor não é apenas a ausência de som. É uma substância física, densa, que entra pelas narinas e congela os pulmões.

Eu estava sentado no chão de madeira da sala, exatamente no mesmo lugar onde, horas antes, eu tinha calado a boca da Bella com o beijo que havia guardado por duas décadas. Minhas costas estavam apoiadas na parede de vidro, as pernas esticadas, e os meus dedos mantinham o pedaço de papel rasgado pressionado contra a palma da mão com tanta força que as minhas articulações estavam brancas. Eu estava em puro estado catatônico, incapaz de processar que ela havia escolhido o altar mesmo após a noite mais intensa de nossas vidas.

O bipe estridente do elevador privativo abrindo direto na sala não me fez mover um único músculo. Emmett e Jasper entraram correndo, ainda desalinhados da noite anterior.

— Edward! — Jasper exclamou, aproximando-se rápido. — Ele entrou em choque. Olhe para ele, Emmett. É uma dissociação aguda.

Emmett se agachou na minha frente, segurando meus ombros com força e me sacudindo.

— Acorda, EDWARD! Não dá tempo de entrar em coma agora — Emmett mandou, a voz grave e urgente. — Escuta aqui: eu acabei de passar pela casa dos meus pais. A Bella chegou as 6h da manhã e está péssima, Edward. Desabou a chorar no ombro do papai na varanda. Se você vai fazer alguma coisa por ela e por você, tem que ser agora! Não temos mais tempo!

A menção ao sofrimento dela quebrou a minha paralisia. Uma descarga violenta de adrenalina me fez levantar de um salto. Caminhei até o laptop na mesa de centro, meus dedos voando pelo teclado com uma frieza desesperada. Abri o site da companhia aérea e comprei duas passagens de primeira classe, só de ida, para aquela mesma noite: Seattle para Londres. Uma no meu nome, outra no dela.

— Eu vou até aquela igreja — disse, encarando meus irmãos. — Vou dar a ela uma escolha real. Se ela me dispensar, eu entro naquele avião sozinho e nunca mais volto para Forks.

Enquanto isso, os corredores da Primeira Igreja Presbiteriana de Forks eram o epicentro de um caos milimetricamente planejado. O casamento começaria em trinta minutos, e a Alice operava o cerimonial à beira de um ataque de nervos total.

— Onde ele está?! — Alice esganiçou-se no meio do corredor da sacristia, fazendo os arranjos de lírios tremerem. Ela gesticulava furiosamente com a prancheta na mão para os pais, Carlisle e Esme, que tentavam acalmá-la. — O Edward é o padrinho principal! O Jacob já está posicionado, os convidados estão sentados, e o meu próprio irmão simplesmente sumiu da face da Terra depois daquela presepada de ontem à noite! Se ele estragar o cronograma do casamento do ano, eu juro que apago o nome dele da árvore genealógica!

Esme ajustou o colar de pérolas, trocando um olhar preocupado com Carlisle, que mantinha as mãos nos bolsos do terno, mantendo uma expressão ponderada. Eles conheciam o filho que tinham e sabiam o tamanho da tempestade que estava prestes a desabar ali.

Longe do surto da minha irmã, nos fundos da igreja, eu caminhava a passos largos pelo corredor dos noivos. Eu usava um terno de alfaiataria impecável. Parei diante da porta de madeira branca da sala de preparação da noiva e dei de cara com o Chefe Charlie Swan, que ajustava a gravata do seu terno antigo.

Quando Charlie ergueu os olhos e me viu, não houve raiva em sua expressão. Houve apenas uma profunda, cansada e afetuosa compreensão. Charlie me conhecia desde que eu era um menino que corria pelo quintal dele; ele me amava como a um filho.

— Edward... — Charlie disse, a voz baixa e rouca. Ele olhou para a porta fechada e depois voltou os olhos para mim, pousando uma das mãos no meu ombro. Ele sabia tudo o que estava em jogo. — A minha menina chegou em casa destruída hoje cedo. Eu nunca a vi chorar daquele jeito.

— Charlie, por favor... — implorei, sentindo a garganta dar um nó. — Me deixa falar com ela. Só cinco minutos. Eu preciso ouvir da boca dela se é isso mesmo que ela quer.

Charlie olhou para a minha mão, onde eu apertava as duas passagens para Londres. Ele soltou um suspiro longo, o peito subindo e descendo, e apertou o meu ombro com carinho paterno, dando um passo para o lado e me dando acesso à maçaneta.

— Vá, meu filho — Charlie disse, olhando-me nos olhos com uma seriedade emocionante. — Mas escute bem o que vou te dizer: entre lá e faça o que tem que ser feito. Não deixe que o tempo seja tarde demais, Edward. A vida não espera pelos covardes.

— Obrigado, Charlie — sussurrei, sentindo o peso e a benção daquelas palavras.

Empurrei a porta e entrei. Bella estava de costas, sentada diante do espelho, usando o vestido de noiva definitivo, uma obra-prima de renda e seda branca que abraçava o corpo dela. O longo véu de tule já estava preso no penteado. Ela estava com o rosto enterrado nas mãos, os ombros subindo e descendo em soluços silenciosos.

— Você não deveria ter que usar uma máscara para caminhar até o altar, Bella — eu disse, a voz trêmula.

Bella travou no mesmo instante. Ela girou a cadeira rapidamente, o vestido de noiva farfalhando ao redor das pernas, levantando-se de um salto. Os olhos castanhos, vermelhos e inchados pelo choro, fixaram-se em mim.

— Edward? O que... o que você está fazendo aqui? — ela arfou, as lágrimas voltando a rolar, borrando a maquiagem fresca.

Aproximei-me, tirando as duas passagens do bolso e estendendo-as para ela. Minhas mãos tremiam.

— Eu comprei duas passagens só de ida para Londres, Bella. Para hoje á noite... — confessei, os olhos marejados, o coração batendo na garganta. — O que aconteceu ontem... eu sei que você sentiu a mesma entrega absoluta que eu senti. Eu passei anos com medo, mas eu te amo mais do que a minha própria vida. Estou te dando uma escolha. Se você segurar a minha mão, nós deixamos tudo para trás agora mesmo. Pegamos o carro, vamos para o aeroporto e recomeçamos a nossa história na Europa, longe de Forks, longe das expectativas de todo mundo. Mas tem que ser agora. Você tem que me dizer se quer vir comigo.

Bella olhou para as passagens na minha mão e depois para o meu rosto, o peito dela subindo e descendo em uma arfada desesperada. A dor nos olhos dela era dilacerante.

— Edward... eu... — ela tentou falar, dando um passo na minha direção, os lábios trêmulos, as mãos subindo para tocar o tecido do meu paletó. Era o momento da decisão.

Clack.

A porta da sala foi escancarada com violência, cortando a eletricidade do ambiente como um raio. Alice entrou como um furacão, com a prancheta em punho, o rosto vermelho de puro estresse.

— Graças a Deus, Edward! Você está aqui! — ela disparou, agarrando o meu braço com força e tentando me puxar em direção à saída, sem sequer olhar para o cenário ao redor. — Vamos para o altar agora, os padrinhos já estão entrando em fila e o Jacob está esperando! Você quase me matou de coração, anda, se mexe, nós estamos atrasados...

Alice parou abruptamente de falar quando o meu braço não se moveu. Só então ela soltou o meu terno e olhou para a noiva. O choque cobriu o rosto da minha irmã.

— Meu Deus... Bells? Você está chorando? — Alice perguntou, a voz caindo para um sussurro chocado, olhando da maquiagem borrada da Bella para a minha expressão devastada. — O que está acontecendo aqui?

Eu dei um passo para trás, soltando-me suavemente do espaço da Alice. Guardei as passagens de volta no bolso do paletó. A resposta da Bella estava no silêncio dela, no peso daquele vestido branco, nas engrenagens que ela havia decidido não quebrar. Olhei para a minha irmã com uma calmaria fria e dolorosa.

— Eu não vou ficar para o casamento, Alice — disse, a minha voz saindo firme, ecoando pelas paredes da sala. — Eu estou indo embora.

Alice arregalou os olhos, a prancheta escorregando dos dedos dela e caindo no chão com um baque surdo.

— O... o quê? Edward, do que você está falando? Você é o padrinho!

Eu não olhei para a Alice. Meus olhos voltaram-se inteiramente para a Bella. Ela estava estática no centro da sala, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto empalidecido, os lábios entreabertos em um mudo clamor de agonia, mas os pés dela continuavam plantados naquele chão. Ela havia feito a escolha dela. Ela ia subir os degraus para o Jacob.

Senti o meu coração quebrar em definitivo, deixando apenas as cinzas do que fomos. Encarei o rosto dela uma última vez, gravando cada detalhe da mulher que eu amaria até o meu último suspiro.

— Adeus, Bella — sussurrei, a voz embargada pelo adeus mais difícil da minha existência. — Seja muito feliz.

Girei nos calcanhares antes que as minhas próprias lágrimas desabassem. Passei pela Alice estupefata, empurrei a porta de madeira e saí pelos corredores da igreja a passos largos, sem olhar para trás, deixando Forks e o amor da minha vida para trás enquanto caminhava em direção à chuva e ao meu voo solitário para Londres.

Notas finais
E foi assim que Edward Cullen fez a coisa mais difícil de toda a sua vida. Pela primeira vez, ele não fugiu dos próprios sentimentos. Não se escondeu atrás da amizade. Não inventou desculpas. Ele abriu o coração, ofereceu uma escolha e, acreditando ter recebido sua resposta, decidiu partir. Mas algumas histórias de amor não terminam com um adeus. Algumas começam exatamente quando tudo parece perdido. Será que Bella realmente vai caminhar até o altar? Será que Edward conseguirá embarcar naquele avião? Ou será que o destino ainda guarda uma última surpresa para esses dois teimosos? Nos vemos no próximo capítulo. 💙✈️👰‍♀️