O Cara do Apartamento ao Lado
11 Um Pouco de Amor
Notas iniciais
Anastásia Steele
De forma lenta sou deitada sobre a cama, e ele se faz presente em cima de mim, há um sorriso em seus lábios, e isso aquece meu coração de forma absurda. Christian se abaixa um pouco e deposita um beijo suave em meus lábios, seus lábios estão quentes, e quando seu peito recosta sobre o meu, posso sentir as batidas aceleradas do meu coração, juntamente as minhas.
Os músculos a baixo da minha barriga estão se contraindo, e a cada beijo que ganho na extensão da mandíbula ao pescoço, posso sentir o desejo aumentar. Ele está sendo tão carinhoso, de uma forma que eu nunca imaginei que pudesse ser tratada, mas ele faz isso comigo.
Contorço-me embaixo de Christian que sorri e desce um pouco mais. Arqueio minhas costas quando seus lábios se prendem ao redor do meu mamilo. Ele sorri e eleva a mão para o outro mamilo, acariciando e apertando com cuidado, vez o outra apalpando meu seio.
Eu nunca pensei em como era a sensação de ser amada dessa forma, o desejo, e ter Christian, parece tornar isso ainda mais especial.
Seus beijos se torna mais suaves, e ele começa a espalhar por mais partes do meu corpo, até chegar a minha virilha. Um gemido escapa dos meus lábios sem que eu perceba, minhas costas arqueiam e eu me apavoro um pouco, mas eu quero isso, eu não quis com outra pessoa, porém, eu quero que aconteça com ele.
—Relaxe... —Sussurra tão próximo ao meu sexo e isso me deixa ainda mais desconcertada.
Levanto a cabeça para encará-lo e ele sorri antes de começar a subir os beijos novamente, logo estou presa em baixo de Christian outra vez, e seus lábios estão se movendo contra os meus. Minhas mãos sobem para seus cabelos rebeldes e tão absurdamente macios. Começo a puxá-lo e Christian deixa um riso escapar.
—O que foi? —Pergunto preocupada.
—Nada... é só que... você é linda. —Ele sussurra olhando em meus olhos.
Meu rosto queima com o rubor e eu fecho os olhos sorrindo timidamente, então ele volta a me beijar, de forma carinhosa. E eu já não sei mais explicar o que sinto.
Christian se posiciona com cuidado entre minhas pernas e meu coração volta a acelerar deixando-me tensa, ele apenas sorri e acaricia meu rosto, seu gesto é rápido, ele pressiona seus lábios contra os meus e me penetra me fazendo arfar. O começo é estranho, então ele vai se mexendo aos poucos. Suas mãos estão prendendo as minhas acima da minha cabeça, e eu posso notar seu peito enrijecido, mas isso não me importa. Eu posso acompanhar seu tempo.
Os movimentos antes devagar, agora se tornam mais rápidos e mais intensos. Christian volta a beijar meu pescoço, dar pequenas mordidas na minha mandíbula e tudo que eu faço é me contorcer de prazer e ter arrepios constantes.
Seu nome escapa da minha boca tantas vezes que soa como algo natural. Nossos gemidos estão sincronizados, e eu jamais poderia explicar a sensação.
Meus músculos se contraem e eu sinto uma sensação completamente nova, mas tão completamente prazerosa. Chego ao ápice, e logo Christian me acompanha enquanto meu nome escapa de seus lábios, ele desaba em cima de mim e ficamos em silêncio.
Várias coisas se passam pela minha cabeça enquanto ele usa a mão para acariciar meus cabelos, mas a única que consigo realmente pensar, é em como isso foi especial, e que ele é a pessoa certa.
➳➳➳➳
Abro meus olhos lentamente, e não, não foi um sonho, a melodia suave de um piano continua ecoando. Christian não está na cama, e eu logo imagino que seja ele. Levanto-me e visto minha calcinha e sua camisa, caminho em direção a sala e me recosto na porta ao avistar a cena.
Alice está sentada sobre a tampa do piano e Christian está sentado à frente dele, tocando. Ela está cantando. Isso faz meu coração se encher e meus olhos marejarem. Alice pode ser a criança mais sapeca do mundo, mas ela morre de vergonha de cantar, e ela está fazendo isso, para Christian.
Seco algumas lágrimas com o indicador e nesse momento Christian me descobre, ele sorri e continua tocando, então meu coração explode ao vê-lo começar a cantar. Ele tem uma voz linda. Muito linda.
Não fico por muito tempo escondida, logo Alice me nota e começa a rir parando de cantar, começo a me aproximar e ela pula em meus braços.
—O que você faz acordada? —Pergunto e ela sorri.
—Um tovão. Muito medo. —Alice sussurra arregalando os olhos.
—Ah, é mesmo? E que tal você dormir conosco?
—E o Tuntum?
—Eu vou pegar ele. —Christian diz se levantando. Ele me dá um beijo e Alice gargalha antes de segurar meu rosto e me dar um beijo também.
—Ciumenta. —Provoco e ela ri me abraçando.
Christian dá um beijo em Alice e eu a coloco no chão, ela corre para a parede de vidro e eu sorrio olhando-a, tenho uma leve sensação de ter alguém atrás de mim e quando me viro não vejo nada. A sala está escura, apenas com a luz em cima do piano acesa.
Um arrepio me percorre e eu caminho em direção a porta e me assusto ao vê-la aberta, ela está batendo pelo vento. Corro até a porta e tudo que vejo é o elevador descendo.
—O que foi? —Christian diz atrás de mim e eu me viro assustada. —O que houve?
—Eu acho que tinha alguém aqui. —Sussurro ainda arrepiada.
—O que? —Ele diz e logo enrijece.
—Eu senti alguém nos observando, a porta estava aberta.
—Porra. —Christian sussurra se aproximando, ele segura meu braço e me leva para perto de Alice, então me entrega Arthur.
—O que está havendo? —Pergunto preocupada.
—Eu quero que você vá para o meu quarto, e fique lá com as crianças, você pode fazer isso?
—Posso, mas me conta o que está acontecendo. —Peço sentindo meus olhos marejarem.
—Só vai. Eu explico depois.
Balanço a cabeça e ajeito Arthur com cuidado em meu braço, seguro a mão de Alice e nós vamos para o quarto de Christian, sento-me na cama com as crianças e logo eles dormem, mesmo com o barulho da chuva. Eu fico sentada, encarando a porta sem conseguir me mexer, já se passou algum tempo, e Christian não voltou.
Quando estou quase pegando no sono, acordo assustada, e então vejo Christian entrando no quarto. Já é quase dia. Ele se aproxima com cuidado e senta ao meu lado me puxando para seus braços, eu estou tão cansada, absolutamente cansada, e em segundos nos seus braços, pego no sono.
➳➳➳➳
Abro meus olhos assustada, e quando tento me mexer mal consigo, Christian está me abraçando firmemente, sufocando-me. Gemo frustrada e procuro por Alice e Arthur, mas eles não estão aqui. Começo a me soltar de Christian e ele não acorda, então decido ir tomar um banho, quando saio do banho ele ainda está dormindo. Pego uma roupa na minha bolsa e sorrio ao lembrar da nossa noite de ontem... ele foi incrível.
Meu sorriso se desfaz quando lembro da madrugada. O que foi aquilo? Quem será que encontrou aqui? E por que Christian demorou tanto tempo para vir para a cama? Eu não posso imaginar.
Balanço a cabeça confusa e termino de me vestir para ir a aula... sorrio enquanto me visto e vejo o colar que Christian me deu no meio das minhas coisas. Pego-o com cuidado e coloco no meu pescoço, então me encaro no espelho já pronta. Está ótimo.
Eu preciso trocar Alice ainda, e nem sei onde ela está. Calço minhas botas e saio do quarto atrás da minha filha. Fico surpresa ao chegar na sala e ver Gail e Marcela com Alice e Arthur. Eu não posso acreditar. Marcela está aqui? Ah, Christian...
Volto minha atenção para minha filha quando a ouço rir. Alice está linda, usando uma camisa de unicórnio e tutu rosa. Ela está com uma meia nos pés e está correndo por todos os lados enquanto uma música infantil toca e ela dança.
—Ei, bom dia. —Murmuro ganhando a atenção de todos, inclusive do bebê mais lindo do mundo que me recebe com gritinhos. Aproximo-me de Marcela e a cumprimento. —O que você faz aqui?
—Bem... seu namorado achou que ia ser melhor eu cuidar da Alice aqui agora..., mas ele pediu para eu falar com você, caso contrário posso ir para casa com ela.
—Certo... acho que você pode ficar aqui. —Sussurro sorrindo, abaixo-me e pego Arthur no colo. —Obrigada por ter vindo, Alice não vive sem você.
—Eu acho bom. —Ela diz sorrindo e Alice sorri de volta para ela.
—Eu tenho que ir para a aula, eu já estou atrasada. —Encaro meu relógio de pulso e suspiro. —Alice, você vai ficar bem?
—Eu vou tica, mamãe. —Alice diz sorrindo. —Onde tá o Chlis?
—Ele está dormindo, cuida dele para a mamãe, ok?
—Cuidar de quem? —Sorrio e me viro vendo Christian entrar na sala.
Ele está usando apenas uma calça de moletom e também veste um sorriso muito lindo. Alice sorri e corre para os braços de Christian que a joga para cima fazendo-a gargalhar.
—Fugindo de mim, Srta. Steele? —Murmura se aproximando para me dar um beijo.
—Atrasada para a aula, mas eu preciso conversar com você, depois. —Fico na ponta dos pés e dou um beijo rápido em seus lábios.
Quando me viro pego Marcela encarando Christian completamente abobalhada, mas... há algo diferente em seu olhar. Ela me encara e apenas sorri virando o rosto. Droga! Eu estou com ciúmes? Isso é ridículo, eu jamais poderia desconfiar dela. Balanço a cabeça e me despeço de todos indo em direção a porta com Christian. Ele me abraça e acaricia meu rosto.
—Taylor irá com você, tudo bem?
—Por causa de ontem? —Pergunto preocupada.
—Sim, se você quiser ir em seu carro, ele vai te escoltar.
—Tudo bem, eu vou com ele. —Sussurro encolhendo os ombros. —Se cuida, e cuida da Alice e do Tuntum.
—Não se preocupe. Pegamos você no fim do dia. —Christian murmura sorrindo.
—Tudo bem... eu amo você. —Sussurro meio sem jeito.
—E eu a você.
Sorrio e me afasto acenando, entro no elevador, quando chego a garagem Taylor já está me esperando, dou bom dia para ele e entro no carro. Não demoramos para chegar a escola, e quando chegamos, o segurança de Christian desce para abrir minha porta. Todos ficam olhando curiosos quando me veem sair do SUV, e eu me sinto até constrangida, mas o fato de avistar Mia se aproximando faz com que eu me sinta melhor.
—Ana. —Mia diz me abraçando e encara o colar de coração no meu pescoço. —O Christian te deu isso?
—Sim. —Sussurro sorrindo.
—É lindo... combina com os seus olhos.
—Obrigada, Mia. —Sorrio e encaro Taylor. —Obrigada, Taylor. Até mais tarde.
—Até mais, Srta. Steele, tenham um bom dia, Srta. Grey. —Taylor murmura voltando para o carro.
Ele se vai e eu volto a encarar Mia.
—O que foi? —Mia pergunta preocupada.
—Nada, eu só quero que o dia seja bom. —Murmuro sorrindo. —Vamos para a aula?
—Vamos. —Mia revira os olhos e sorri segurando meu braço.
➳➳➳➳
Professores são uns monstros sem coração. Eu não acredito que tive mais de duas provas surpresas hoje. Isso é um complô, só pode ser. Suspiro e assinalo a última questão da última prova. Levanto-me e pego minha mochila e a prova, entrego-a ao professor e caminho para fora da sala.
—Aninha! —Mia diz animada.
Como ela consegue?
Sorrio e ando até ela e Ethan, e outro garoto que não conheço.
—Olá. —Murmuro sorrindo.
—Como foi nas provas?
—Bem, eu acho. —Encolho meus ombros e encaro Mia que está revirando os olhos.
—Eles são uns monstros.
—Ei, não vão me apresentar sua amiga? —O garoto diz me olhando e eu apenas ruborizo.
—Certo, Anastásia, esse é nosso amigo, Bradley, e essa é a Anastásia, minha cunhada. —Mia diz com orgulho e eu sorrio ainda mais envergonhada.
—Então... vamos? Acho que o Christian já chegou. —Sussurro torcendo meus dedos.
—Vão indo lá, eu vejo vocês mais tarde. —Ethan sussurra dando um beijo em Mia e outro na minha bochecha.
Sorrio com a cara de boba de Mia e seguro seu braço puxando-a pelos corredores enquanto ela fala como Ethan é fofo. Eu a entendo. Gostar de alguém assim, e só de pensar na pessoa sorrir, eu realmente posso entender como é isso. Toda vez que eu penso em Christian, eu me pego sorrindo, mesmo que ele seja tão... Christian. Ele me faz feliz com apenas um abraço.
Sinto meu coração disparar e um sorriso bobo se forma em meu rosto. Quando chegamos ao lado de fora da escola avisto Christian encostado em seu carro, Alice está ao seu lado, ainda com sua roupa de unicórnio, mas agora ela está com um arquinho.
Mordo o lábio e me viro para encarar Mia.
—Você gosta dele, não é? —Ela diz sorrindo. —Você é muito sortuda, não deixe ninguém estragar isso. Senão for você, Christian não amará outra.
—Você acha? —Pergunto com uma felicidade absurda.
—Eu sei, ele é meu irmão. —Mia ri.
—Mamãe! —Alice grita ao me ver e eu sorrio amplamente. Ela começa a correr na minha direção balançando seu tutu rosa e logo a tenho em meus braços. —Que saudade, mamãe!
—Ah, meu amor. —Abraço-a novamente e enxugo algumas lágrimas que escorreram sem querer.
Acho que não existe sensação melhor no mundo do que receber um abraço e um ‘que saudade, mamãe’. Isso me faz chorar todas as vezes. Eu amo Alice, mais que tudo, e agora que me aceito como mãe dela, parece que as coisas se tornam ainda mais reais e emocionantes.
—Vem, Alice, eu quero beijo. —Mia diz e Alice vai para os braços dela.
Começamos a andar enquanto Alice e Mia conversam animadas, e logo, estamos perto de Christian. Sorrio timidamente e vou para os seus braços. Eu senti falta dele. Eu estive preocupada o dia todo... primeiro com o que houve durante a madrugada... e depois por Marcela. Eu não quero sentir ciúmes dela, mas acabou sendo inevitável.
Levanto a cabeça e encaro Christian, ele deposita um beijo em meus lábios e toda a confiança está aqui novamente.
—Oi. —Murmuro sorrindo.
—Oi. —Ele diz piscando para mim, então vira sua atenção para Mia, mas me mantém firme em seus braços. —Quer carona, Mia?
—Eu iria adorar, mas tenho trabalho para fazer na casa de uma amiga. —Mia diz colocando Alice no chão. —E eu estou de carro, mas obrigada. Bem, vejo vocês amanhã, tchau casal.
—Tchau, Mia. —Christian diz sorrindo e eu apenas aceno com a mão enquanto ela se afasta para seu carro. Ele torna a me olhar e eu sorrio. —Como foi a aula?
—Provas... lições, essas coisas. —Murmuro com desinteresse. —Você vai me contar?
—Claro, vamos para casa primeiro.
Balanço a cabeça e saio de seus braços. Christian abre a porta e eu sorrio amplamente ao ver Tuntum dormindo na cadeirinha, dou-lhe um cheirinho e depois ajudo Alice a se sentar e a prendo. Sento-me e Christian fecha a porta, logo ele entra e arranca suavemente com o carro.
Alice está cantando animadamente, e, eu acho que a presença de Christian tem algo a ver com isso. Nós não estamos indo para casa, posso notar isso pelo caminho que estamos fazendo, mas não pergunto nada, apenas fico ouvindo Alice. Uma hora se passa, e ainda estamos na estrada... então vejo Christian se aproximar do litoral.
—O que nós estamos fazendo aqui? —Pergunto mordendo os lábios.
—Surpresa. —Ele diz sorrindo e eu sorrio animada.
Ele estaciona o carro e tudo que vejo são barcos ancorados. Christian me oferece um de seus sorrisos de garoto e desce do carro. Ele abre a porta de trás e pega Arthur, depois dá a volta e abre a porta de Alice ajudando-a a descer, e por fim abre a minha porta.
—Você não vai me dizer?
—Venha. —Diz sorrindo e me oferece sua mão. Suspiro e me abaixo pegando Alice que já está sonolenta, então aceito a mão de Christian enquanto caminhamos pelo píer.
Chegamos perto dos barcos e eu olho curiosa um com nome “The Grace”, encaro Christian e ele apenas encolhe os ombros. Ah, meu Deus. É dele. Mordo meu lábio nervosamente quando ele sobe no barco e me oferece sua mão, seguro-a um pouco desconfiada e subo com Alice.
Eu estou começando a achar que isso não é apenas uma ‘surpresa’. Tenho algo errado, eu sei que tem. Christian não me traria aqui sem motivos, ele quer me manter longe de casa.
Há um senhor no barco, ele e Christian ficam conversando por algum tempo, e eu apenas fico balançando Alice, ela está olhando o sol se pôr, e acho que está quase dormindo. A visão é linda, mas eu ainda estou curiosa, eu quero saber o que estamos fazendo aqui.
—Ei, ela dormiu, que pena. —Christian diz alisando as costas de Alice. —Vamos coloca-la lá embaixo.
—Ok. —Sussurro seguindo-o.
Damos a volta no barco e chegamos a uma escada, Christian vai na frente, e quando chego fico extasiada em como aqui é grande. Ele me leva para um tour rápido e isso me impressiona ainda mais. Christian realmente é um homem de poder. Chegamos em um quarto e eu caminho até a cama colocando Alice deitada, ela nem sequer resmunga. Pego Arthur e também o coloco na cama, ele está num sono profundo.
—Vem... —Christian murmura segurando minha mão.
—Certo.
Sigo-o novamente para cima e nós nos sentamos na parte da frente, e eu percebo que não estamos mais encorados, estamos nos afastando lentamente do píer. Sentamos em um banco e eu encaro o sol ainda se pondo.
—O que foi aquilo ontem à noite? Tinha alguém lá? —Pergunto.
—Sim... —Ele suspira e me encara. —Eu não sei quem era, nem como entrou lá, mas eu quero descobrir. Tudo que nós temos são as imagens da câmera. Pode ter sido homem, mulher, nós não sabemos.
—E por que nós estamos aqui, Christian?
—Taylor está fazendo uma limpa. Pode não ser seguro. Por isso eu queria conversar com você. Longe de casa.
—Do que você está falando? Conversar sobre o que?
—Anastásia... —Christian se vira um pouco e me encara. —Eu temo que você e a Alice não estejam mais seguras.
—O que? —Pergunto confusa. —Como assim?
—Nós fomos vistos juntos... por uma pessoa ou outra, mas fomos...
—E? —Tem mais, eu posso sentir.
—Taylor encontrou um drone. Alguém estava nos vigiando com isso, mas ele acabou batendo em uma das janelas e caiu dentro de casa.
—Você está brincando, não é?
Minha nuca está arrepiada, e eu estou completamente apavorada. Quem faria isso? Quem seria capaz de algo assim? Meu Deus, e se eles... e se eles tiverem gravado algo... ah, eu não quero pensar nisso.
—Infelizmente não, mas Walch, um dos meus homens, ele conseguiu coletar todas as imagens, e excluí-las, a pessoa que tinha as imagens, já não tem mais. Nós só não conseguimos localizar a pessoa, mas estamos trabalhando nisso.
—Por Deus! Christian, isso é loucura. O que vai acontecer agora?
—Nós vamos ter que sair daquela casa.
—Não! Nós não podemos, eu não posso. Meu pai jamais vai permitir isso. Se ele descobrir que eu estou com você já vai ser um inferno suficiente.
—Você acha que seu pai não iria nos deixar ficar juntos? —Christian pergunta chateado.
—Claro que não. —Digo sem pensar e acabo o ferindo. —Christian... me desculpe.
—Tudo bem.
—Não, é sério. Não importa o que ele disser, eu vou continuar com você. A opinião dele não significa nada.
—Tem certeza?
—É claro que sim, seu bobo.
Sorrio e me aconchego mais em seus braços.
—E seu eu comprasse uma casa..., e você ficasse comigo nela? Seu pai nunca iria saber mesmo.
—Certo, Sr. Grey, eu posso aceitar isso, mas eu ainda vou ter que ir na minha casa frequentemente.
—Sem problemas. Eu acho que eles não sabem onde você mora. Não havia imagem alguma.
—Você já tem alguma ideia de quem possa ser ‘eles’? —Pergunto encarando-o e seu olhar escurece.
—Não..., mas eu vou descobrir. Pode acreditar.
Apenas balanço a cabeça e me recosto sobre seu peito. Eu confio em Christian, confio plenamente, e se ele disse isso, eu posso acreditar.
➳➳➳➳
Seis Meses Mais Tarde...
Encaro Christian e gargalho, então me viro para trás e sorrio ao ver Arthur e Alice numa discussão muito engraçada. Eu mal posso acreditar em como o tempo passou rápido. Extremamente rápido. Ontem foi a festinha de um ano do meu bebê. Eu estou impressionada em como Arthur está crescendo rápido, assim como Alice, eles estão a cada mais esperto.
Por mais que Arthur não saiba falar muito, tudo que ele sabe ele usa em suas discussões contra Alice, e ele fica muito bravo quando ela começa a rir dele, mas por incrível que pareça, Alice é a única que o entende.
—Ok, chega vocês dois. —Ordeno e os dois param e me encaram. —Nada de brigas, ou sem cachorrinho para vocês.
—Au. Au. Au. —Arthur repete e Alice gargalha.
—Tuntum cachorrinho. —Diz rindo e beija a bochecha dele, que logo se derrete.
Nós estamos indo na ONG, adotar Docinho. Eu mal posso acreditar. Todos os seus filhotes foram adotados, e ela continua lá, e o fato de nunca querer comer quando estou longe, me fez ter essa ideia. É claro, ela ficará na casa de Christian. Eu vou pouco a minha casa, muito pouco. Meu pai veio apenas duas vezes durante esses seis meses, e nem sequer perguntou por onde eu andava. Isso me deixa mais tranquila. Eu não quero ele se metendo na minha vida.
Estacionamos em frente a ONG e eu sorrio amplamente, Christian desce e vem abrir minha porta, então pegamos as crianças, mas quando vamos entrar meu celular começa a tocar.
—É Mia. —Sussurro encarando Christian. —Eu vou em um minuto, certo?
—Certo, te vejo lá dentro. —Christian sussurra me dando um beijo e pega Arthur.
—Mia, oi. —Digo ao atender.
—Aninha. —Ela diz animada como sempre. —Eu estou em dúvida.
—No que? —Pergunto confusa.
—Eu ainda não comprei o presente do Arthur, não sei o que ele vai gostar. Você conhece ele mais do que ninguém.
—Ah, Mia. —Gargalho e a ouço rir de fundo. —Certo, ele está na fase dos brinquedos barulhentos, tudo o que faz barulho e pisca. Você pode encontrar algo assim.
—Certo. Obrigada, você é a melhor. Bye.
—Bye. —Sussurro desligando. Guardo o celular no bolso e quando me viro choco em alguém. Afasto-me envergonhada e encaro a mulher a minha frente. —Me desculpe... eu estava distraída.
—Tudo bem, Anastásia. —Ela sussurra sorrindo e um arrepio me percorre.
—Você me conhece? —Pergunto confusa.
—Não. —A mulher sorri e passa por mim.
—Ei, quem é você?
—Elena. —Ela diz me olhando e então continua andando.
Elena? Eu a conheço? Bem... talvez eu já a tenha visto, eu vejo tantas pessoas. Talvez eu a tenha visto aqui na ONG. Eu não sei. Bem. Isso não importa. Entro e sorrio ao ver Alice e Arthur brincando com Docinho. Ela late animada quando me vê e corre com o rabinho abanando.
—Oi, Docinho. —Sussurro afagando sua cabeça.
—Pronto para leva-la para casa, Ana? —Meg diz se aproximando.
—Mais do que pronta. —Digo sorrindo amplamente.
Preencho alguns papéis da adoção e logo estou saindo com ela, Christian e as crianças. Ela entra no carro animada e começa a pular no banco levando as crianças a rirem. Eu nunca vou entender como um cachorro pode ser tão feliz. Quando chegamos no novo apartamento, e as portas do elevador se abrem, as três crianças saem correndo absolutamente animadas.
Christian sorri completamente bobo enquanto observa os filhos correndo de um lado para o outro com a cachorrinha. Eu acho que também posso estar da mesma forma. Na hora de dormir, é uma luta para ver quem vai dormir com a cachorra, mas no meio da noite, todos os três estão na nossa cama.
Eu nunca pensei que Christian pudesse gostar tanto de cachorros, mas ele realmente gosta, e estava bem empolgado por adotar um.
Na manhã seguinte, quando desço já pronta para o colégio me deparo com Marcela na sala com as crianças. Eu estou tentando não ter tanto ciúmes, mas todas as vezes que chego, a pego olhando para Christian de uma forma diferente. E isso está me deixando muito brava. Eu conversei com Christian, e pedi que ele não fica a sós com ela. Eu não quero controla-lo, mas eu não suporto a ideia, de que talvez ela possa sentir algo por ele, e não se importar em esconder isso.
Quando Christian desce, nós nos despedimos das crianças e vamos para a garagem.
—Você fica linda com ciúmes. —Christian sussurra enquanto andamos para o carro e eu semicerro os olhos.
—Engraçadinho. —Entro no carro e ele fecha a porta dando a volta.
—Você poderia me fazer uma visita na empresa hoje, depois da escola. —Murmura sentando ao meu lado.
—Eu te faço visitas todos os dias. —Sorrio.
—Mas eu quero te levar para jantar.
—Mesmo? —Pergunto sorrindo amplamente.
—Sim.
Balanço a cabeça animada. Eu adoro quando saímos para jantar. Um tempo para nós. Isso não tem preço. Ultimamente tudo o que fazemos é passar as nossas noites cuidando das crianças, o que é maravilhoso, mas eu amo estar sozinha com Christian. Por mais que eu saiba que sempre que acordamos, nossos filhos estarão ao nosso lado.
Meus pensamentos felizes se vão quando, com uma freada de Christian, sou jogada para frente bruscamente e sinto apenas o sinto travando. Levanto a cabeça assustada e encaro Christian.
—Você está bem? —Ele pergunta apavorado.
—Estou, por que você freou assim? —Pergunto ainda assustada.
Christian me olha assustado e tira seu cinto descendo do carro. Preocupo-me por completo quando o vejo parar na frente do mesmo e correr as mãos pelos cabelos várias vezes. Saio do carro e caminho para a frente. Me apavoro ao ver uma pequena menina ruiva caída na frente do carro.
—Ah, meu Deus.
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