O Cara do Apartamento ao Lado
14 Dias De Estresse
Notas iniciais
Anastásia Steele
Ando de um lado para o outro enquanto balanço Arthur. Ele está impaciente essa noite e muito chorão. Christian foi viajar anteontem, e eu fiquei com as crianças. Ele tinha umas coisas da empresa para resolver em Boston, e bem, eu não tive muita escolha.
Minha cabeça está tão cheia. Já faz alguns dias desde que tudo aconteceu, e eu ainda não consigo parar de pensar em Melissa, ela esteve presente em todos meus sonhos na última semana. E tem minha mãe, eu ainda não consegui falar com ela, ela esteve ocupada com as crianças. Eu entendo, nós nos falamos por telefone algumas vezes... eu nem sequer contei a Christian, mas eu estou tão feliz.
Encaro meu bebê e percebo que ele finalmente dormiu. Sorrio e caminho até seu berço colocando-o deitado, ele está ressonando baixinho, e nesse momento percebo o quanto ele parece com o pai. Eu tenho muita sorte de ter esses dois homens na minha vida, eu já não sei o que seria de mim sem eles.
—Mamãe? —Viro-me para a porta e me deparo com Alice.
—Oi, amor. Você deveria estar na cama. —Aproximo-me e a pego no colo saindo do quarto de Arthur. —O que houve?
—Eu tive um sonho ruim, mamãe. —Alice murmura coçando os olhinhos.
—Ah, vai ficar tudo bem, vamos, a mamãe vai por você na cama.
Caminho até o quarto de Alice e me aproximo da sua cama, coloco-a deitada e deito ao seu lado.
—Como foi o seu sonho? —Pergunto enquanto lhe faço carinho.
—A Mel ticava chonando. —Alice sussurra me encarando.
—Ah, querida. A Mel está bem, ela está com a família dela agora.
Alice apenas suspira e vira para o lado, e logo acho que ela pega no sono. Suspiro e me levanta com cuidado, cubro-a e sigo para o meu quarto me jogando sobre a cama. A verdade, é que eu não consigo parar de me preocupar com Melissa. Eu fiquei feliz quando minha mãe disse que encontrou seus pais, mas... eu ainda me sinto meio vazia, isso não deveria estar acontecendo.
Remexo-me na cama várias e várias vezes antes de pegar no sono, mas então isso finalmente acontece.
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Christian Grey
Sorrio assim que passo pelas portas dublas e vejo Alice e Arthur brincando na sala com a babá. Alice dá um gritinho e corre para meus braços. Abaixo-me a tempo de recebe-la, e logo seu irmãozinho está aqui também. Eu jamais imaginei como seria isso, mas não há sensação melhor do que ter esses dois em meus braços, eu não sei o que seria dos meus dias sem eles.
—Papai. —Alice sussurra me dando um beijinho. —Eu tiquei tom saudade.
—Eu também, bonequinha. —Murmuro sorrindo e lhe puxo para mais um beijo. —Onde está a mamãe?
—Ela está dormindo, Sr. Grey. —Marcela sussurra e eu apenas balanço a cabeça.
—Certo. —Digo indiferente.
Solto meus filhos e eles correm em direção ao meu quarto. Eles vão acordar Anastásia com certeza. Sorrio e vou em direção a eles, mas paro quando a babá segura meu braço. Enrijeço e sinto meu peito queimar. O que ela pensa que está fazendo?
—Eu estou feliz que esteja de volta, foi horrível ficar sem você nesses três dias. —Murmura lançando charme.
—O que você pensa que está fazendo? —Pergunto puxando meu braço e ela sorri.
—Bem, eu só estou dizendo que... eu tive que me virar com as crianças, a Anastásia não fez quase nada.
—Faça-me o favor. Eu não posso acreditar nisso. —Murmuro quando a raiva começa a subir.
—Eu estou falando sério, Christian... acho que você não arrumou uma mãe muito boa para o seu filho.
—Você ficou maluca, não foi? Que tipo de amiga você é? Que espera a amiga ficar longe para falar mal dela. —Digo com raiva. —Eu tenho absoluta certeza que Anastásia é uma ótima mãe, e não só isso. Ela é ótima em tudo que faz, e você não chega nem perto.
—Você deveria experimentar antes de falar. —Marcela murmura de forma oferecida e eu me enfureço ainda mais.
—Você é uma vadia mesmo!
Sorrio tranquilamente quando ouço a voz de Anastásia, mas posso ver o pavor no olhar da babá. Anastásia se aproxima com cuidado e logo está ao nosso lado, encarando a babá com fúria.
—Eu não acredito que confiei em você. —Murmura com raiva.
—Ana, não é nada do que você está pensando. Ele deu em cima de mim.
Arqueio as sobrancelhas surpreso e encaro Anastásia que me olha com raiva. Suspiro e apenas me afasto um pouco.
—Você acha que eu sou burra, Marcela? —Ana grita. —Desde o primeiro dia eu vi você olhando para ele. Como você pode? Eu não estou nem aí se você vai dar em cima do meu namorado, agora dizer que eu sou uma mãe ruim? Como você consegue? Você é um encosto de pessoa, o Arthur nem gosta de você, como você pode falar que eu não cuidei deles?
—Ana... eu sinto muito...
—Não, você ainda não sente. —Anastásia sussurra.
Reviro os olhos quando Anastásia dá o primeiro tapa. Então Marcela se desequilibra e cai no chão, e nesse momento Ana aproveita para começar a agredi-la ainda mais. Fico olhando por alguns minutos, enquanto Marcela grita pedindo ajuda. Taylor entra correndo na sala, mas para quando vê o que está acontecendo, então dá meia volta e vai embora. É, ele também percebeu como essa vadia é.
Suspiro e caminho até Anastásia puxando-a. Ela me olha com ódio então me empurra e começa a andar de um lado para o outro. Marcela se levanta, cheia de arranhões, nariz sangrando e... acho que ela acabou de perder um dente.
—Olha o que você fez comigo! —Marcela grita segurando o dente que caiu enquanto o sangue escorre. Anastásia para encarando-a.
—Você acha que isso foi muito? —Ana sussurra com a voz controlada. —Se aproxima do meu namorado, e dos meus filhos de novo, e o estrago vai ser pior!
—Você é louca.
—É melhor você ir embora, e não precisa voltar. —Sussurro encarando Marcela.
—Você está me demitindo? Eu acabei de apanhar dessa louca e você me demiti?
—Você está ofendendo minha namorada, desde o momento em que cheguei, e acha que eu vou te aplaudir? Saia daqui, antes que eu mande os seguranças tirarem você.
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Anastásia Steele
Marcela me fuzila antes de sair e o ódio por ela só aumenta. Eu não acredito que deixei essa garota perto dos meus filhos. Que ódio dela!
—Ei... você está bem? —Christian sussurra e eu me viro encarando-o.
—Não, Christian. Nada bem! —Grito. —Como ela pode fazer isso comigo? Que ódio.
—Meu bem, não fica assim. —Sussurra se aproximando. —Como foi seu último dia de aula?
—Demorado. —Suspiro e aceito seu abraço. —Mas eu estou feliz que acabou.
—E o que você pretende fazer agora?
—Eu quero começar a faculdade... e arrumar um emprego.
—Anastásia... —Christian me solta e encara meu rosto com cuidado. —Eu não quero que você trabalhe.
—Christian, não comece com isso. Não venha me estressar mais, por favor. —Suspiro e caminho até o sofá me sentando.
Alice e Arthur entram na sala correndo e eu acabo sorrindo sentindo a raiva passar. É maravilhoso ver Arthur dando seus passinhos e até tentando correr, eu sempre fico boba com isso. Estendo as mãos e meu bebê começa a caminhar na minha direção sorrindo e tentando falar algumas coisas. Puxo-o para meus braços e ele gargalha me abraçando.
Meu celular começa a tocar e eu o pego em cima do criado-mudo. Sorrio ao ver o nome da minha mãe aparecer, então o atendo.
—Oi. —Sussurro e vejo o olhar de Christian escurecer.
—Oi, querida. —Mamãe diz e eu sorrio. —Olha, eu tenho que resolver umas coisas... e eu vou precisar fazer uma viagem.
—Sério? Para onde?
—Canadá.
—Por quê?
—Na lista dos Carter’s, tem pelo menos, vinte crianças que foram vendidas lá, nós temos os endereços, e vamos pegar essas crianças de volta. Eu vou voltar a tempo para o seu aniversário... tudo bem?
—Certo... eu espero você.
—Ana... eu amo você, querida.
—Eu sei. —Suspiro e desligo o celular colocando-o de lado.
—Quem era? —Christian pergunta me encarando.
—Alice, por que você não leva o Arthur para brincar um pouquinho? —Sugiro e Alice balança a cabeça.
Ela se aproxima e ajuda Arthur a descer do sofá segurando sua mão, então os dois se vão, para a sala de brinquedos, eu acho. Christian se aproxima e senta ao meu lado, me encarando com expectativa.
—Você lembra quando nós encontramos, a Alice, não é? Na casa dos Carter’s.
—Sim. Mas o que isso tem a ver?
—Havia uma pessoa, que estava investigando os Carter’s, e eu não sabia. Ela é detetive, e investiga tráfico de crianças.
—Certo, Anastásia. Que pessoa é essa?
—Minha mãe.
—Sua... mãe? —Christian sussurra confuso. —Mas...
—Eu não sabia, mas eu falei com ela aquele dia, você viu. Ela me contou algumas coisas... inclusive que ela não foi embora com outro homem, como Ray havia me dito.
—Então ele mentiu?
—Sim, foi isso que minha mãe disse, ela me contou que têm muitas coisas para me dizer, mas ela está indo para o Canadá agora. Para uma investigação.
—Como você está se sentindo?
—Eu não sei. —Suspiro e me recosto. —Eu estou tão feliz que ela voltou, mas eu estou com medo do que ela possa me dizer. Na verdade, eu estou com medo de tantas coisas que podem acontecer daqui para frente.
—Você não me parece uma pessoa medrosa, pelo contrário, você é a mais corajosa e forte que eu conheço. Você atirou em um cara para salvar Alice e eu, você acreditou em Melissa, acabou de dar uma surra numa mulher, e você... você quebrou o nariz de um cara que mexeu com você na escola.
—Ah, meu Deus. Como você soube disso? —Pergunto rindo e ele semicerra os olhos.
—Minha mãe, ela viu Mia assistindo o vídeo e me ligou. Eu não estou bravo, eu fico feliz que você possa se defender, mas isso ainda me preocupa. Eu quero cuidar de você.
—Você já cuida. E eu te amo por isso.
—Eu também te amo, meu bem. Mas eu quero que você converse comigo, sobre tudo. Você deveria ter me falado da sua mãe antes.
—Eu sei disso. Só que eu estava confusa, são tantas coisas acontecendo ultimamente. Ainda teve aquela mulher estranha que eu vi quando nós fomos pegar a Docinho.
—De que mulher você está falando? —Christian pergunta confuso.
—Eu fiquei falando com Mia no celular, e quando eu fui entrar, ela esbarrou em mim, ela sabia meu nome.
—Que mulher? —Christian pergunta novamente e eu acho que está ficando bravo.
—Elena. Acho que esse era o nome dela. —Sussurro e seu olhar escurece. —O que foi? Quem é essa?
—Eu preciso falar com Taylor. Me dê um minuto.
Christian sai rapidamente da sala e me deixa sozinha, e não, não é por um minuto. Saio da sala depois de ficar quase vinte minutos esperando por ele, e vou ver as crianças, elas estão no quarto de brinquedos, rindo alto enquanto Docinho corre por todos os lados e morde alguns brinquedos.
Recosto-me no batente da porta e fico observando-os. Por um minuto penso em como seria se tivesse mais um bebê aqui, mas é loucura. Eu não posso pensar sobre essa possibilidade. Mesmo que meu coração doa toda vez que me lembro que Melissa está com sua família agora.
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Dois Meses Mais Tarde...
Eu não entendo como Christian pode ser... facilmente estressado. E como isso tem ficado pior nos últimos dois meses. Sua forma protetora está maior, e ele não nos deixa mais sair com menos de dois seguranças. Eu comecei a trabalhar como assistente de Kate, e dentro de alguns meses começarei a fazer faculdade, e pela parte do trabalho, ele não parece gostar nenhum pouco disso. O que é loucura. Eu amo trabalhar com Kate.
Desde que eu comentei sobre a mulher que eu vi, ele anda assim, e eu acho que é por isso, na verdade, eu tenho quase certa, mas ele ainda não me contou nada, e eu não quis perguntar, eu estou tentando manter a nossa relação num nível estável. Ele se estressa fácil, mas está calmo a maior parte do tempo, tirando agora que ele está dentro de seu escritório há mais de uma hora, gritando com alguém no telefone.
—O que há de errado com ele hoje? —Mia pergunta encarando Andrea que apenas suspira. —Ana, o que ele tem?
—Eu não tenho a menor ideia. —Sussurro encolhendo os ombros.
—Eu realmente preciso ir, quer carona para o trabalho, Srta. Aniversariante.
—Hm... eu vou adorar. —Digo sorrindo e me levanto pegando minha bolsa. —Só vou me despedir do Sr. Fera.
—Vai lá. —Mia diz sorrindo.
Caminho até a porta do escritório de Christian Andrea me lança um olhar de ‘boa sorte’. Suspiro e entro sem bater. Ele vira tão furioso que eu me encolho e viro para ir embora. Correndo. Com medo. E chorando.
—Espere. —Christian diz e eu suspiro mais aliviada. Viro-me e entro fechando a porta. —Você está aí há muito tempo?
—Bem... eu queria te fazer uma visita..., mas Andrea disse que você estava ocupado, e você está gritando há... muito tempo.
—Eu não queria te assustar.
—Por que você não me diz o que está acontecendo?
—Eu não posso. —Christian senta em sua cadeira e suspira. —Não agora. Eu quero resolver as coisas primeiro.
—Tem a ver com aquela Elena, não tem? —Pergunto me aproximando.
Ele não diz nada, apenas me encara. Eu sei que tem, mas eu não entendo por que ele não quer me falar sobre isso, nós estamos juntos há quase nove meses, eu não entendo porque ele ainda me esconde algumas coisas. Eu sempre conto tudo a ele. É tão injusto ele guardar as coisas de mim.
Sento em sua perna e ele me encara.
—Eu não quero esconder as coisas de você, mas eu preciso saber que você está segura.
—Eu estou segura, com todos os seus homens me vigiando a cada minuto do dia. —Arqueio a sobrancelha e ele sorri. —Eu estou bem, você sabe disso. Mas eu ainda acho que você deveria me contar.
—Não agora.
—Certo, mas uma hora eu vou acabar descobrindo. —Dou um beijo em seus lábios e me levanto. —Mia me deixará no trabalho.
—Ela está aí?
—Sim. Ela queria decidir algo sobre a grande festa. —Murmuro revirando os olhos.
—Festa? —Christian diz confuso.
—Ah... —Suspiro e me afasto um pouco chateada. —Você esqueceu, não foi?
—Ana... eu não sei do que você está falando. —Christian diz confuso.
—Certo, então acho que você não vai me levar para jantar hoje, no meu aniversário.
—Ah, meu Deus. —Christian exclama e eu apenas encolho os ombros.
—Tchau, Christian. Fique aí com seus problemas.
Caminho em direção a porta e saio. Eu não acredito que ele esqueceu. Como ele pode? Eu não contei a data a ele, e ele se achou no direito de ficar furioso e se virar sozinho para descobrir. Christian ligou para a minha mãe. Minha mãe. E então agora ele simplesmente esqueceu.
—Ei, o que foi? —Mia pergunta preocupada e Andrea me encara.
—Pergunta para esse babaca. —Digo lançando um olhar para Christian.
—Está bem, o que você fez? —Mia encara Christian e ele suspira.
—Esqueci o aniversário dela. —Christian diz.
—Uh... —Andrea sussurra.
—Fica na sua. —Christian rosna e ela segura o riso.
—Quer saber? Eu estou indo. Te vejo em casa, Christian.
—Ana...
—Bye.
Passo por Mia e Andrea e entro no elevador, Mia apenas lança um olhar furioso para Christian e me segue, então logo estamos na garagem. Vou para o carro com ela e quando saímos percebo que os seguranças já estão atrás de nós.
—Olha, não fica brava. Ele só deve estar atolado. —Mia murmura.
—Esse não é nem o problema, Mia. Christian não me conta nada. Ele quer saber cada passo que eu dou, mas nunca me conta absolutamente nada das coisas que acontecem com ele.
—Ana, ele está tentando te proteger.
—Mas eu não quero ser protegida! —Exclamo alterando a voz. —Eu quero uma relação normal. Quero que ele me ouça, que me conte as coisas, mas tudo que ele faz é ficar estressado, ficar com raiva. Acordado naquele maldito escritório até tarde, e nunca, absolutamente nunca me contar nada.
Viro o rosto para o lado e suspiro.
Mia murmura alguma coisa, mas antes que eu possa entender ela freia o carro com tudo jogando-nos para frente. Encaro-a por alguns segundos para ter certeza que ela está bem, então olho para frente e vejo alguém que faz meu coração disparar. Arranco meu cinto e desço do carro correndo em direção e menina de cabelos ruivos.
—Mel... —Sussurro me aproximando.
—Ana. Ana. —Ela diz balançando as mãos.
Seus olhos estão vermelhos, ela estava chorando... ou ainda está. Seus dois joelhos estão ralados e ela está com marcas roxas por todo seu corpo. Oh, meu Deus!
—Ah, meu Deus! Quem fez isso com você? —Grito e ela me encara apavorada.
—Não deixa eles me levarem. —Mel grita e nesse momento vejo uma mulher correndo em sua direção.
Automaticamente Taylor e Sawyer se põe na nossa frente. Melissa praticamente pula em meus braços e me agarra chorando e gritando de pavor.
—Ela é a minha filha. —A mulher grita com raiva.
—Mel, essa é a sua mãe? —Pergunto encarando. Melissa e nem sequer responde, apenas me agarra.
—O nome dela é Dulce. Agora me devolva. —Diz a mulher e Melissa me aperta mais.
—Não até a polícia chegar. —Sussurro trocando um olhar com Taylor. —Ligue para o Detetive Clarck.
—Imediatamente Srta. Steele. —Taylor murmura.
A mulher me encara com raiva e suspira, mas não se aproxima. Mia estaciona o carro ao lado da calçada e eu me aproximo dele, coloco Melissa sentada no banco de trás e sento ao seu lado.
—Mel, você não quer me contar o que houve? —Pergunto e ela nega com a cabeça. —Nós somos amigas, lembra?
—Eu não quero ir para casa com ela. —Melissa diz torcendo seus dedos. —Ela disse que eu sou um monstro.
—Por que essa louca diria isso a você? —Mia pergunta com raiva e Melissa a olha curiosa.
—Ele é irmã do Christian. —Murmuro e Melissa olha surpresa. —Você vai me dizer?
—Eu só não quero ir com ela. —Melissa diz encolhendo os ombros e volta a chorar.
—Ela bateu em você, Mel? —Pergunto e ela se encolhe ainda mais. —Maldita... não saia daqui.
—Ana, o que você vai fazer? —Mia grita quando desço do carro.
Aproximo-me da mãe de Melissa e antes que ela possa entender estapeio seu rosto.
—Sua louca! O que você está fazendo?
—Você bateu nela. —Acuso e ela me olha com raiva.
—Ela é a minha filha. Eu tenho esse direito.
—Ah, meu Deus! Qual o seu problema? Ela tem sete anos.
—E ela é um monstro! Ela ajudou a sequestrar crianças. Muitas mães sofrem ainda por causa desse monstro!
Ah, não. Eu não posso acreditar nisso. Ela está culpando Melissa por causa do que os Carter’s fizeram? Não. Isso não pode ser verdade. Eu vou matar essa mulher.
—Você ficou maluca? —Grito dando um passo, mas Mia aparece para me segurar. —Ela tem sete anos. Tiraram ela de você, e obrigavam a fazê-la tudo aqui. Ela fez por você, sua louca!
—Não, ela fez porque ela é ruim!
—Eu vou matar você!
—Ana? —Viro-me e encaro minha mãe e Clarck descerem do carro.
—Eu vou matar ela, mãe! —Digo brava e minha mãe apenas ri surpresa.
—O que está acontecendo aqui? —Ela pergunta ao se aproximar.
—Essa menina louca, roubou a minha filha.
—Ana? —Mamãe me olha e arqueia a sobrancelha.
—A Melissa está no carro, com mais marcas roxas do que uma caixa de lápis. Ela está apavorada e disse que não quer ir para casa, e essa boa senhora, acabou de me informar, que maltrata a menina, porque ela é um monstro por ter ajuda a traficar crianças.
—Você não pode estar falando sério. —Ela lança um olhar furioso para a mulher que se encolhe. —Detetive Clarck, algeme ela. Nós vamos para a delegacia. Ana, você leva a Melissa, vamos colher o depoimento dela.
Balanço a cabeça e encaro Mia que ainda está me segurando, agora com a boca aberta. Eu acho que não cheguei a comentar que minha mãe é policial, é mandona, e nós estamos voltando a ter um relacionamento. Aliás, quando ela voltou de viagem?
—Ei, gatinha? —Viro o rosto e encaro minha mãe. —Feliz aniversário.
—Obrigada. —Sussurro sorrindo com uma alegria de menina.
Minha mãe e Clarck entram no carro e Mia finalmente me solta.
—Ela é sua mãe?
—É...
—Ah, meu Deus. Ana. Eu já vi eles se beijando.
—Ah, Mia! Que nojo! —Grito empurrando-a e vou para o carro. Sento-me ao lado de Melissa e Mia logo está dirigindo.
—Onde nós vamos? —Melissa pergunta preocupada.
—Delegacia... vai ficar tudo bem agora, Mel. Eu estou com você.
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