"O Cara" com O maiúsculo
3 Você vai me ligar?
Notas iniciais
Ela não se lembrava de como era se divertir com alguém da sua idade desde que sua irmã havia partido, claro que era muito feliz com as meninas e seu irmão, mas se sentia perdida na pracinha quando saiam, Miche e Mavis se divertiam brincando de pega-pega, Eve mexendo em seu celular e ela simplesmente pensando nas contas que teria de pagar aquele mês.
―Se quiser posso leva-la para casa. ―Natsu disse e isso de certa forma fez um alarme disparar dentro da loira, ela nunca havia chegado nessa etapa, não estaria cedo demais pra isso?
―Claro que ela quer, afinal está tarde e hoje em dia taxis não são confiáveis. ―Erza, sua amiga, interveio sorrindo monstruosamente. ―Não é Lu?
―Eu-eu-eu. ―Soltou um pequeno riso nervoso.― Bem, eu moro numa região meio afastada, não quero incomodar. ―Disse sem jeito.
―Não é nenhum incomodo. –Ele disse sorrindo. ― Lucy deu risada daquilo, não tinha condições de reparar nisso, um carro em si já era algo como “ual”.
Depois de mais alguns de conversa o rosado por fim conseguiu leva-la até o carro que não era o que podemos chamar de “Novo” ou “maravilhoso”, era limpo, porém completamente velho, dava pra ver pelo tom de tinta azul que talvez tivesse mais de uma década.
―Você mora no Lamia Scale? Eu moro lá. ―Natsu perguntou, chutando o nome do bairro.
―Sim, quer dizer, bem ao fundo dele, quase que no fim da cidade. ―Riu constrangida. ―Eu costumava morar por lá, mas quando as meninas vieram tive que ir para um lugar menos valorizado para conseguir um apartamento maior. –Explicou. ―É um ótimo bairro, conheci muita gente boa por lá.
Lamia Scale era um dos bairros mais humildes da cidade, porém com fama de ter boa gente por lá, ao fundo dele ficava uma das áreas mais perigosas da cidade e com índice de criminalidade alto, coincidentemente o lugar em que Lucy morava.
―Eu te conheci hoje, mas nossa você parece realmente incrível. –Ele havia dito girando levemente o pescoço para encara-la e logo a viu ruborizar. ―Quero dizer, Erza e Jellal já haviam dito sobre o quanto você consegue ser uma super-mulher, mas eu não tinha ideia de que você conseguia fazer tudo isso e ser tão...interessante, pensei que ia conhecer uma daquelas mulheres chatas e que são um saco, você foi uma surpresa.
Lucy riu constrangida e até mesmo alta, sorriu e o encarou analisando seus traços fortes, era bonito.
―Eu falo muito, nem sei como não fugiu de mim ainda. ―Era possível ver seus ombros dando leves tremidas à medida que dava risada. ―A maioria dos caras com quem sai desde que sabe, Jenny se foi. ―Deu uma pequena pausa respirando fundo, mordeu o lábio fino e então completou o raciocínio― Saíram correndo.
Ela era tão incrível, fazia milhares de coisa ao mesmo tempo e todas elas com maestria e ele? Bem, Natsu tinha consciência de que por mais que tentasse não era o melhor irmão do mundo para Meredy, e não sabia muito bem como lidar com as rebeldias da garota e Romeo? Bem, o pequeno era uma criança um tanto agitada e o rosado nem sempre conseguia o proibir de fazer coisas que o machucasse. Mas ele tentava. Desde os dezoitos anos havia ido morar em Crocus para fazer uma graduação na universidade pública mais disputada do país e ele havia conseguido! Havia passado no curso de engenharia como tanto sonhou, mas agora antes mesmo de terminar o curso teve de se mudar para Magnólia e se transferir para a federal da cidade, o que era uma pena já que havia disputado tão arduamente a vaga na UFC. Mas por ele tudo bem, já que era pela mulher de sua vida, sua mãe.
―Eu não sei porque fizeram isso, toda essa coisa de cuidar das sobrinhas, do irmão e ainda administrar e ser chefe de um restaurante só mostra o quanto você é uma pessoa incrível. ―Sorriu, não cansava de dizer a ela o quanto estava a admirando e ela por mais que tentasse negar não cansava de ouvir. ―Quer dizer, eu sou novo nessa coisa de cuidar de crianças e Deus! Isso é muito complicado.
A loira riu, até porque um dia também foi só uma principiante.
―Novatos. –Disse em um falso tom de deboche. ―Tenho certeza de que é um irmão ótimo.
―Se ótimo significa dar comida congelada a crianças em fase de crescimento, então sim. ―Riu novamente.
Aquela era a verdade, mesmo quando morou sozinho estava acostumado a comer porcarias, nunca teve um pingo de dom culinário e nem mesmo vontade de aprender. Grandine, sua mãe costumava a servir comida aos sem tetos e conseguia colocar um sabor delicioso até mesmo em uma sopa de ervilhas. Agora que havia adoecido ele não fazia ideia de como lidar com tamanha responsabilidade: ajudar Romeo com as tarefas, fazer com que Meredy volte a ter boas notas, lidar com a rixa entre os dois, céus era complicado!
―É ali. ―A loira apontou para um prédio um tanto quanto precário, de 4 ou 5 andares talvez.
Natsu estacionou o carro sem pressa e então encarou Lucy que soltou um pequeno bocejo.
―Eu espero que você tenha gostado tanto da minha companhia quanto gostei da sua. ―Ele disse ao tirar seu cinto.
―Eu gostei sim. –Sorriu retirando seu cinto de segurança. ―Bem, eu queria pedir desculpas por sabe, falar demais. ―Encolheu os ombros constrangida.
―Que isso, foi ótimo falar com você. ― Respirou fundo encarando a fachada do prédio que a loira morava. ―Você pode me passar seu número?
Lucy sentiu o estomago dar uma revirada, céus! Ela estava flertando! A quanto tempo não passava seu número para um cara?
Ela ditou número por número o vendo salvar e antes que pudesse raciocinar o significado da frase disse: ―Você vai ligar? ―E logo se arrependeu, Deus como era direta!
Sem responder nada ele desceu do carro a fazendo pensar “droga, eu sou muito insegura ele nunca vai ligar”. De forma cavalheira ele abriu a porta para que ela descesse e antes que ela pudesse abrir a boca para se despedir ele de inclinou e em seu ouvido disse: ―É claro que vou, quero te ligar todos os dias.
Talvez ela tenha se precipitado, afinal havia a conhecido naquela noite! Mas que culpa Natsu tinha se sentia que aquela era a garota, que tinha que ser ela e o que ele poderia fazer se a achava tão impressionante que queria descobrir cada detalhe seu.
―Eu-eu-eu-eu. ―Lucy tentou dizer alguma coisa, mas nada saiu então respirou fundo algumas vezes e sorriu dizendo: ―me desculpe é que eu nunca tinha chegado nessa parte.
O rosado deu risada e então fez questão de a ensinar o que acontecia: ―Agora a gente se despede, você sobe para seu apartamento, deita na cama e fica pensando em como sou um cara legal e em como quer voltar a falar comigo novamente. Enquanto eu, humilde cara legal vou dirigindo até a minha casa pensando: Deus como aquela garota é impressionante! ―Riu. ―Bem, pelo menos é isso que as comédias românticas mostram.
―E você pretende seguir o roteiro?
―Não sei se vou conseguir pensar só em como você é impressionante, talvez pense em como você é bonita também. ―Riu, mas não estava brincando aquilo realmente era verdade.
Lucy teve o pensamento interrompido quando o celular tocou.
–Eve?
―Eu só queria dizer que daqui da janela dá pra ver vocês dois, ok?
―E-e-eu não sei do que você tá’ falando. ―E então olhou para cima vendo o irmão e as duas sobrinhas pendurados na janela. ―Vocês já deviam estar dormindo.
―E a mocinha já devia ter chegado. ―Respondeu o irmão ironizando.
―Certo, já estou subindo agora saiam da janela. ―Disse de forma autoritária. ―Quando eu entrar quero os três na cama.
―Sim, senhora capitã! ―Escutou uma voz fina gritar ao fundo, provavelmente Mavis.
Ao desligar encarou o rosado.
―Então é isso. –Encarou a entrada do apartamento. ―Obrigada pela noite, Natsu. ― Se virou caminhando até a portaria.
―Se depender de mim muitas outras assim virão. ―Gritou e mesmo longe conseguiu sentir que a Lucy havia ficado envergonhada.
Que eles formariam um belo par já era evidente, mas será que conseguiriam lidar com todas suas responsabilidades e manter a chama do interesse acesa?
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