O Caos dos calados

1 O mal que nos acompanha todo dia


Notas iniciais
Espero que gostem deste primeiro capítulo!

Com certeza você me conhece, várias vezes estivemos juntos, mas sua força me afastou.

Querido leitor, não o culpo por sua rejeição. Um mundo tão superficial como este não me dá lugar, então tenho que procurar abrigo naqueles que são fracos. Se você está lendo isso, parabéns, você é forte.

Cansado de tanta rejeição, procurei abrigo em Clarice e foi com ela que fiquei por três anos. Sempre foi a que se desesperava na calada da noite, aquela que abafava os gritos no travesseiro e, acima de tudo, a única que fez jus à carreira que queria seguir: escritora.

Vou contar-te um segredo; as noites pertencem a dois tipos de pessoas: os que morrem DE amor e os que morrem POR amor. Clarice morreu por amor, apesar de sua história passar longe de um amor não correspondido.

Uma vez, por pena, afastei-me um pouco de Clarice para permitir que a mesma desfrutasse do prazer de uma Alegria. Por que não Felicidade? Porque são poucos os que conseguem cair nas graças da mesma. A Alegria não! A Alegria é uma prostituta barata que se contenta com qualquer nota de dois reais achada no bolso de uma calça.

O foco deste primeiro capítulo não é Clarice, sou eu. Permita-me ter um pouco de vaidade para falar de mim. Sou um parasita, acho que o pior de todos: sempre levo meu hospedeiro à morte mesmo que sem querer.

Eu posso me materializar em cortes, remédios, noites de insônia e até suicídios. E vou dizer outra coisa: gosto de estar próximo das melhores pessoas. Peço desculpas se eu já fiz mal a algum parente ou amigo seu, se isso aconteceu é porque era uma pessoa admirável e lamento muito por tê-la sugado até suas últimas forças.

Sem mais enrolação, sou Caos, a seu dispor. Posso dizer que não fui apenas eu que fiz mal a Clarice, já que ela era um caos por si só.

Antes de me despedir para que eu possa realmente entrar na história de Clarice, vou pedir uma coisa: desconfie dos calados, desconfie mesmo! Aliás, desconfie de todos, até mesmo dos animados. Nunca deixe de dar um abraço, de fazer um elogio, ou até mesmo um simples bom dia. Nunca se sabe quando eu estarei à espreita.

Notas finais
Foi só uma pequena introdução para o primeiro capítulo. Espero que tenham gostado.